quinta-feira, 24 de novembro de 2005

A Literatura brasileira em dez obras

Do Barroco ao Modernismo, obras perfazem
toda a história literária no país

Não dispomos de obras coletivas de apresentação geral da literatura brasileira. O último empreendimento dessa estirpe, sob a direção de Afrânio Coutinho, acaba de completar meio século e, afora um estudo aqui e ali, importa mais como demonstrativo do modo com que se fazia crítica literária nos anos 1950. Assim, uma boa introdução à literatura brasileira demanda que se recorra a vários livros.

A tradição da história literária - marca registrada dos primeiros críticos e da geração de Sílvio Romero e José Veríssimo - atrofiou-se, cedendo lugar à monografia e ao ensaio. Alfredo Bosi é um dos últimos representantes dessa vertente. Trata-se do único crítico em atividade com estudos relevantes sobre todos os períodos e os principais autores da literatura brasileira. Dialética da colonização, seu principal livro, estrutura-se como uma história literária, ainda que sob a forma de uma sucessão de ensaios monográficos. As lacunas desse livro foram completadas em sua obra posterior com artigos sobre, entre outros, Machado de Assis, Lima Barreto, Cruz e Souza, Graciliano Ramos e Guimarães Rosa.

A sátira e o engenho procura, a partir da recepção da obra de Gregório de Matos, corrigir os equívocos da atribuição de procedimentos românticos e modernos a uma época em que a noção de autoria era outra, renovando a própria compreensão do estilo dito barroco. João Adolfo Hansen também escreveu importantes artigos sobre Anchieta, Vieira e Tomás Antônio Gonzaga, infelizmente, ainda dispersos.

Capítulos de literatura colonial articula, com rara felicidade, as competências que Sérgio Buarque de Holanda exerceu separadamente ao longo de sua vida e obra, os ofícios de historiador, sociólogo e crítico literário. A poesia épica e o Arcadismo são investigados à luz de uma série de procedimentos: a análise textual, a avaliação e a inserção das obras no complexo literário, o tratamento biográfico e historiográfico dos autores e dos estilos, a identificação de idéias e modos de sentir.

A obra de Antonio Candido, nosso mais influente crítico, também pode ser vista como um passeio pela história literária. Compõe-se de artigos ou livros sobre os principais escritores e abrange quase todos os períodos - com predileção pelo Romantismo e a ausência, justificada, do Barroco. Seu livro de maior impacto, O discurso e a cidade, contém dois estudos que se tornaram clássicos, um dedicado a Memórias de um sargento de milícias, de Manuel Antônio de Almeida, e outro a O cortiço, de Aluísio Azevedo.


Os Dez Livros
  • Dialética da colonização, de Alfredo Bosi (Cia. das Letras).2) A sátira e o engenho - Gregório de Matos e a Bahia do Século XVII, de João Adolfo Hansen (Ateliê).
  • Capítulos de literatura colonial, de Sergio Buarque de Holanda (Brasiliense).
  • O discurso e a cidade, de Antonio Candido - (livraria Duas Cidades).
  • Ao vencedor as batatas, de Roberto Schwarz (ed. 34).
  • Machado de Assis: a pirâmide e o trapézio, de Raymundo Faoro (ed. Globo).
  • A dimensão da noite, de João Luiz Lafetá (ed. 34).
  • Humildade, paixão e morte - a poesia de Manuel Bandeira, de Davi Arrigucci Jr. (Cia. das Letras).
  • O dorso do tigre, de Benedito Nunes (Perspectiva).
  • Nas malhas da letra, de Silviano Santiago (Rocco).
Veja mais sobre "os dez livros" aqui

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