Grande salto
Primeira noite
sem dividir a cama
sem dividir o abraço.
A manhã do grande salto.
Como passarinho de penas novas
saindo do ninho.
Como atleta em competição solitária
no trampolim mais alto da piscina.
Procurar a concentração,
sentir o frio na barriga.
A cama vira concreto áspero
esperando nova concentração.
A janela aberta mostra pequeninos juízes
prontos para dar a nota de classificação.
Preparar o grande salto.
E mais uma vez respirar, concentrar,
respirar.
Acho que vou bater nessa janela.
Bato! Bati com o peito.
Mais parecendo cunhado bebum em fim de festa.
Sentindo vertigem, meio sem rumo
sinto a dor estrelada na sola dos pés
tocando o chão.
Misturada a tanta gente
não sou a única com penas novas.
Cristina Caetano
"Pedra da Gávea" - Candido Portinari





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