quarta-feira, 5 de outubro de 2005

Arqueólogo do Futuro

Três assaltos à mão armada

O criador do Teatro do Oprimido deixa sua correspondência enviada ao futuro na qual expressa sua preocupação com a violência no presente.
Augusto Boal

Caro arqueólogo do futuro,

Para deixar indícios certos de nossas aflições presentes, falo de violência, esta marca de nossos dias. Violência em três vertentes:
Nas últimas semanas, os jornais esbugalharam nossos olhos com notícias sobre multifários assaltos à bolsa e à vida, ao dinheiro e à razão.
Tantos atropelos simultâneos podem ser sistematizados, no entanto, em três grandes famílias de aleivosias, para nossa melhor compreensão.

A primeira família inclui variantes dos antigos ladrões de galinha, que roubavam galetos na calada da noite, antes do primo canto, modalidade hoje caída em desuso, não por falta de vontade dos ladrões mas pela extinção dos galinheiros.
As armas que usava o ladrão eram a perseverança, a coragem e os movimentos silenciosos; sua cúmplice, a noite sem lua.

As variantes surgidas nesta vertente vão desde o assalto com caco de vidro no semáforo vermelho, até ao espetacular roubo de cento e cinqüenta milhões em Fortaleza. Ontem eram galináceos; hoje celulares e sacos de dinheiro.

A segunda família dos sub-reptícios ...(ver aqui)

0 comentários:

Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.