sábado, 8 de outubro de 2005


Homens

Palavras e silêncios

Não se move uma montanha
Por um pálido pedido
De alguém que não se ama
Todo ouro está contigo
Para isso há muita chama
No coração do bandido

Mais uma vez o dia chega
Em minha vida
Como uma chama na selva
O sol na cama da relva
A tua boca e a lua
A minha boca e a tua
Vão deixando pela rua
Palavras e silêncios
Que jamais se encontrarão
Zeca Baleiro e Fausto Nilo

Preciso dizer que te amo

Quando a gente conversa
Contando casos, besteiras
Tanta coisa em comum
Deixando escapar segredos
E eu não sei que hora dizer
Me dá um medo, que medo

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo
Tanto

E até o tempo passa arrastado
Só pr’eu ficar do teu lado
Você me chora dores de outro amor
Se abre e acaba comigo
E nessa novela eu não quero
Ser teu amigo

É que eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto

Eu já nem sei se eu tô misturando
Eu perco o sono
Lembrando cada riso teu
Qualquer bandeira
Fechando e abrindo a geladeira
A noite inteira

Eu preciso dizer que eu te amo
Te ganhar ou perder sem engano
Eu preciso dizer que eu te amo, tanto
Cazuza

A tua boca

Não é veneno
A tua boca
Quando chama a luz do dia
Quando diz que a chama é pouca
Quando ama tão vadia

Se reclama ser tão pouca
A outra boca que esvazia
Quando beija ou abandona
Quando clama entre as chamas
Quando chia

Quando pia entre as ramas
Quando adoça é como ardia
Não é veneno quando mata
Quando salva e quando adia
Quando louca não é veneno a tua boca
Quando a coisa é magia
Quando cobra que se enrosca
Quando água que se afoga
Quando forca que alivia
Raimundo Fagner - Zeca Baleiro

Muito amor

Amor febril, amor viril,
Amor adolescente
Amor impuro e de luxo,
amor ardente
Amor correspondido
Amor fingido ou verdadeiro
Amor intermitente amor doente
Amor primeiro

Amor sem pretensão, amor paixão
que chega de repente
que mata e se destrói
que arrasa e corrói
e acaba simplesmente

Amor que se entrega,
amor que cega
Amor que embriaga
que vem feito um tufão
e abrindo o coração
se espalha feito praga

Amor desesperado
Amor rasgado, amor proibido
Amor desilusão, amor em vão
o amor não faz sentido

Amor interesseiro amor traiçoeiro
Amor que não se vende
amor que não tem fim
só quem amou assim
me compreende
São Beto

Aquarela:Antonio Bandeira

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