segunda-feira, 10 de outubro de 2005

A Cinemateca Francesa encara o futuro

O crítico Serge Toubiana, diretor do famoso museu de cinema em Paris, fala de seus planos para a nova sede da instituição, inaugurada neste mês em prédio projetado pelo arquiteto Frank O. Gehry

A Cinemateca Francesa é a mãe dos jovens talentosos que inventaram a Nouvelle Vague. Sem ela e seu criador, Henri Langlois, a Nouvelle Vague não teria existido, garante Serge Toubiana, crítico e ex-diretor da revista “Cahiers du Cinéma”, de onde saíram Truffaut e Godard, entre outros jovens críticos da década de 60.

Eles faziam cinema com uma paixão e uma entrega tão absolutas que deram origem ao mais importante movimento do cinema francês, sua idade de ouro. “Truffaut, aos 16 anos, se refugiou na Cinemateca, era como um refúgio, uma vida clandestina em relação à vida real. A Cinemateca era uma vida paralela, um mundo em si”, diz Toubiana, o atual diretor-geral da Cinemateca Francesa. Serge Toubiana é o homem certo no lugar certo.

Sua paixão pelo cinema o levou a escrever uma biografia de François Truffaut (lançada no Brasil) e o conduz todo dia ao escritório do último andar do antigo American Center, projeto do arquiteto Frank O. Gehry. Sob sua batuta, a nova sede da Cinemateca Francesa foi inaugurada no dia 28 de setembro de 2005, com a presença de vários atores e cineastas, como Martin Scorsese, Wong Kar-wai, Manoel de Oliveira e Roman Polanski.

Na inauguração, Scorsese anunciou a criação de um ramo internacional da Film Foundation, instituição fundada por ele e outros colegas diretores para apoiar as cinematografias dos países emergentes. Foi também aberta a exposição “Renoir-Renoir”, que faz uma aproximação entre a obra do pintor Jean-Auguste Renoir e a obra cinematográfica de seu filho, Jean Renoir. O novo prédio, que lembra o museu Guggenheim de Bilbao, do mesmo Gehry, fica diante do parque de Bercy, na margem direita do Sena. Em frente ao templo do cinema, do outro lado do rio, fica o templo do livro: a Biblioteca Nacional da França, outro belo exemplo da arquitetura moderna da capital. Ligando os dois centros de cultura, no próximo ano, será inaugurada a passarela Simone de Beauvoir. Ninguém melhor para aproximar o mundo do cinema do mundo dos livros.

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