segunda-feira, 10 de junho de 2013

O cinzento dos dias







É o cinzento dos dias e a humidade no corpo que nos faz ficar assim. O frio que não escolhe e nos encolhe. A distância que de repente fica mais distante ainda, a uma lonjura difícil de chegar. O mar que deixou de ser azul e nestes dias se pinta de castanho. As ondas que se atiram contra nós em vez de rebentarem suavemente... em espuma de mel.

São dias de fome. E de sede.

São noites de silêncio em que nos ouvimos em gritos calados.
 São as palavras a rebentarem o peito e a ficarem aprisionadas nos dedos. É o sim e o não sem sabermos porquê.

Abro uma garrafa de tinto antigo, deixo-o aquecer até aos 17 graus. Já cheira a pão quente. O doce de abóbora ainda está morno. Falta o requeijão de Seia. E faltas tu. 





fonte: Maria in O Cheiro da Ilha

2 comentários:

Maria disse...

Fico sempre sem jeito quando transcreves palavras do cheiro...
:)

Beijão com saudades.

Cris Caetano disse...

Não fiques, gosto tanto... :)

Muitas saudades também.

Beijinhos

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