domingo, 23 de junho de 2013

Para refletir




Em função do momento que vive o Brasil eu achei que seria interessante deixar aqui a análise do Deputado Jean Wyllys, a qual achei bastante lúcida. O que vale aqui é a análise e a reflexão independentemente da preferência por este ou aquele partido.




Em entrevista ao A Tarde Online, o deputado Jean Wyllys analisa as manifestações pelas ruas do país e aponta as respostas que o legislativo deve dar para refletir os interesses das pessoas que estão se manifestando nas ruas:

"A Tarde - As falas de algumas pessoas denunciam um certo descompasso sobre como agir de forma direta na sociedade, para além das ruas...

Jean Wyllys - Nós somos uma democracia jovem ainda. Os governos Lula fizeram alguma coisa que é inegável. É que houve, que é fato inegável, um mérito, houve de fato redução da pobreza durante o governo de Lula. E emergiu uma nova classe média que é a classe C. Ela teve acesso às redes sociais... mas ela já vem sendo alijada há muito tempo do direito à Educação de qualidade. Ausência de educação para a cidadania, impediu que as pessoas participassem da política, no sentido assim, da fiscalização sobre o poder, impediu que elas fizessem a democracia participativa. A democracia é representativa e participativa. Agora, como estamos numa democracia jovem, chegou a hora dessas pessoas fazerem a democracia participativa. Essas manifestações foram o primeiro momento dessa democracia participativa. Eu acredito que com a experiência negativa as pessoas vão aprender, na próxima, elas terão objetivos mais claros, coisas mais concretas. Mas essa colcha de retalhos não funciona. A única que foi apresentada concretamente foi a do MPL e essa foi atendida. Com essas experiências dos fascistas, dos vândalos, elas vão ver que democracia participativa não é só ocupar as ruas sem um objetivo concreto - uma democracia são suas instituições democráticas. Acho que foi bonito, foi um primeiro movimento. E eu vou ser nesse momento positivista: sem ordem não há progresso. O caótico é bacana para o espetáculo, para a pauta da TV. Eu defendo, por exemplo, que o partido esteja lá, é um direito dele. Quando você perguntava para um desses meninos nas ruas, diziam: "A gente é contra tudo isso que tá aí". Mas eu perguntava: mas contra tudo isso que taí o que? Não sabiam dizer. A gente é contra partidos. Sim, mas você quer colocar o que no lugar dos partidos? O que eu percebo é que essa juventude foi pra rua sem alfabetização politicamente, foi só com a vontade e isso é bom. Eles pediam por exemplo explicação pelos gastos da Copa. É tarde, deveria ter sido discutido antes, E quem estava discutindo eram os partidos de esquerda. Houve discussões, capitaneadas por partidos. Não me venham agora dizer que os partidos tem de estar fora porque quem estava discutindo isso enquanto o gigante dormia eram os partidos.


A Tarde - Como isso respinga no Congresso e em 2014?

Jean Wyllys - Isso já respingou lá no Congresso. Após a grande manifestação de segunda-feira, tivemos uma reunião grande do colégio de líderes. Ivan Valente que é líder do PSOL não estava então eu como vice-líder fui. Antes da gente abrir a reunião, estávamos conversando entre nós e eu vi que a grande maioria dos deputados não entende o que está acontecendo mesmo. Por quê? Porque a maioria dos deputados é alheia... alheia aos novos tempos. É alheia ao fato de que essa juventude está em rede, que ela está articulada em rede. Os deputados não perceberam essa mutação, não estão nas redes sociais, não dialoga no twitter com essa gente, não sabe o que está atravessando o corpo social, portanto, foram pegos de surpresa. Eu fui o primeiro a falar e eu disse: a gente precisa dar uma resposta. E a resposta que as pessoas querem é que a pauta legislativa reflita os seus interesses. São interesses difusos e há pautas que não tem consenso. Mas é possível identificar o que é de consenso. E o que é de consenso tem de estar nessa pauta. Por exemplo: educação é um consenso. A nossa pauta poderia esboçar esse consenso votando os 10% dos royalties do pré-sal. Isso é função do Legislativo. Nós poderíamos atender à essa reivindicação colocando em prática o PNE - Plano de Educação e Metas, que passou pela Câmara dos Deputados e parou no Senado - Renan Calheiros não põe na pauta. Havia consenso em relação à segurança também. Então, a gente podia votar a PEC 300. E no bojo dessa votação discutiríamos que polícia nós queremos. Uma polícia que não faça como a polícia da Bahia na quinta-feira. A polícia da Bahia foi uma das mais truculentas em todas as manifestações, a que mais reprimiu durante os manifestantes. "


A íntegra da entrevista aqui: http://atarde.uol.com.br/politica/materias/1512952-jean-wyllys-jaques-wagner-nao-cumpriu-a-promessa-dele

fonte: Portal A Tarde

0 comentários:

Ocorreu um erro neste gadget
Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.