segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Aquele





Aquele que o meu coração ama
ergueu-se do meu leito e nele esqueceu
as repetidas promessas de um regresso
em que aos meus olhos ensinaria
a única maneira de esconder
o prenúncio de invisíveis desertos

aquele que o meu coração ama
afogou em noites de leite e mel
o rasto dos oásis que
teciam a sede do desejo no meu peito
e bebeu neles as horas de um destino que
me acenava de muito longe

aquele que o meu coração ama
partiu às cegas sem descobrir
as húmidas palavras que se espalham
à sombra dos ciprestes
contando os minutos que faltam
para a vertigem do corpo onde o aguardo



Alice Vieira
foto:CacaoCocoa

4 comentários:

Maria disse...

Não conhecia este poema da Alice Vieira. Tão bonito...

Beijinho, Cris.

Cris Caetano disse...

Confesso que também não o conhecia, mas achei tão lindo que não resisti. :)

Beijinhos, Maria

salvoconduto disse...

Como as coisas são! Tive que atravessar o Atlântico para ler algo da Alice Vieira que não conhecia. Valeu a pena a viagem.

Abreijos.

Cris Caetano disse...

Espero que a "viagem" tenha sido boa... rsrsrs

Abreijos

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