quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Desigualdade na educação 'é calcanhar de Aquiles do Brasil', diz jornal






Uma análise publicada nesta quarta-feira pelo jornal francês Le Monde afirma que as desigualdades no sistema educacional são o "calcanhar de Aquiles do Brasil".

Intitulado "As desigualdades da educação, calcanhar de Aquiles do Brasil", o artigo repercute o resultado de um levantamento da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), que coloca o nível educacional do Brasil no mesmo nível de Trinidad e Tobago.

"Elogiado por seus inúmeros progressos nos campos econômico e social, o Brasil permanece estagnado em uma área crucial: a educação", diz o texto.

A análise nota que o país conseguiu "praticamente vencer" o analfabetismo entre os mais jovens, mas "continua a castigar um em cada dez brasileiros de 15 a 17 anos". "Na prática, a escolarização não é universal."

Para o jornal francês, "o marasmo brasileiro é resultado em parte da democratização do ensino promovida nos anos 1990. O afluxo de milhões de novas crianças levou a uma queda no nível de ensino, acentuada pela rejeição a expulsar os piores estudantes de das escolas".

"A mediocridade do ensino público está no centro do problema", diz o texto, segundo o qual "os professores são mal formados e mal pagos". "Muitos têm pouca bagagem escolar e experiência", afirma o Monde.

Além disso, "a estrutura federal do Brasil – em três escalões – agrava esses fenômenos" ao criar mais burocracia e abrir espaço para a corrupção no setor.

"Assim se perpetua, com algumas exceções, um ensino de base em dois níveis: público, gratuito, muitas vezes em estado de calamidade, para as crianças das famílias pobres; privado, pago, de bom nível, para os filhos das famílias abastadas, mais bem preparados para o vestibular e gozar do terceiro ciclo e dos centros de pesquisa financiados com dinheiro público", descreve o vespertino francês.

O jornal avalia que o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva ensaiou algumas ações, "reais, embora tardias e insuficientes". Exemplo disso é o orçamento da saúde, que "tem crescido, mas permanece muito longe, em termos per capita, dos níveis do Chile ou a Argentina", lista o artigo.

"O Brasil tomou consciência do seu calcanhar de Aquiles diante de uma dupla urgência, econômica e social. De um lado, seu forte crescimento obriga à formação da mão-de-obra qualificada que lhe falta, sob pena de perder competitividade. De outro, uma classe média em plena ascensão reivindica seu direito ao conhecimento, chave de um futuro melhor", avalia o vespertino francês.

"Esta dupla necessidade deveria incitar a presidente eleita, Dilma Rousseff, a prolongar o ciclo virtuoso que mal começou a ser esboçado sob o governo de seu predecessor."


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E "vencer o analfabetismo" é muito relativo e só para dar um exemplo do que é "vencer o analfabetismo" temos o Deputado "Tiririca" que não é analfabeto absoluto. E seguindo a lógica concluo que está todo mundo muito satisfeito com a educação no Brasil, mesmo sendo como ela é.

Quando eu falo... mas ninguém me leva a sério...


2 comentários:

Regina Coeli Carvalho disse...

Amiga,
Eu cansei de falar...
Trabalhei 30 anos como professora do Curso de Formação de Professores e quando não compactuei mais com esse sistema de ensino capenga, tirei minhas licenças e me aposentei. Não conseguia mais ser conivente com essa bagunça que está no processo de ensino-aprendizagem.
Tenho saudade da sala de aula mas com a clientela que temos hoje ficou difícil realizar um bom trabalho.
Meu abraço.

Cris Caetano disse...

Acredito, Regina, assim como as ações sociais feitas no ensino público e que são anunciadas pela TV são apenas para "inglês ver", conheci há tempos uma professora da rede pública que me contou isso e eu fiquei muito triste.

Beijos

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