sábado, 12 de julho de 2008





Encontro o acaso, o das mãos
o dos favos de mel plantados na planície
encontro o encontrar-me e contra o ar
contra o gesto que fazes de dizer-me:
«agora ou nunca ou sempre ou o difícil
permanecer no ser, ser só a efígie.»

Encontro o acaso e caso encontre a casa
nela me encolho à noite e reconheço
onde a noite não dorme quando dorme
onde me esqueço já de me lembrar
onde finda o silêncio ou a maneira
de se ouvir o silêncio que consome.

Encontro o acaso, a convulsão, o risco
a pouca fome de comer o cru.
Na tarde impetuosa o ímpeto nivela.
Tudo me resta em ível e em ável
possível ou provável, confundível
inevitável, grávil ou fugível.


Maria Alberta Menéres
foto: Lilya Corneli

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