quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Galeria reúne obras recentes de Tomie Ohtake

Não cabem nos quadros as linhas de Tomie Ohtake. Elas saltam nervosas das paredes: são tubos metálicos que pegaram emprestado o pigmento das telas para trilhar no espaço um caminho mais expansivo.



"Essa exposição tem todo o meu pensamento", diz Ohtake à Folha. Depois de 20 bienais e mais de 200 exposições, é a primeira vez que a artista de 95 anos expõe lado a lado pinturas e esculturas, na mostra individual que a galeria paulistana Nara Roesler abre nesta segunda à noite.

Ohtake destrincha a linha e o plano em 14 telas e seis esculturas. É uma continuidade que se estabelece entre a tela, a ilusão dos planos em sucessão, e os planos reais do cubo branco: um pensamento único sobre a forma como manifestação concreta e sua representação.

"Escultura é forma", define Ohtake. "Pintura é forma que não vem só de dentro, que depende da tinta, da cor, da mistura da tinta." Talvez por isso seja tão espontâneo o emaranhado de linhas, que ganha o espaço físico, e tão pensativas as pinturas, como que filtradas pela experiência do dia-a-dia da artista no ateliê.

"É como um diário, como se eu desenhasse a minha vida todos os dias", descreve Ohtake. "Meu pensamento interno não é todo igual, a forma é diferente, mas é do mesmo lugar que está saindo tudo isso."

Teoria e graça


Logo na entrada da galeria, uma tela em tons de azul, com várias camadas transparentes de tinta, mostra bem essa depuração radical das cores, processo tão demorado que não cabe nas linhas mais viscerais, desgovernadas das esculturas. São obras que se bifurcam entre a abstração cerebral, como registro de uma estratégia a ser seguida, e a graça da liberdade.

A artista aqui se permite oscilar entre padrões dos anos 80 e um recurso à estridência de tons, do azul profundo ao vermelho sangüíneo.

"Acho que são as cores da minha vida", diz Ohtake. "Pensamentos têm cor e forma, os dois juntos." Por isso, todas as linhas borradas, apagadas ou refeitas, são rastros das que ficaram, uma estrutura apegada à memória.

No conjunto de telas exposto na segunda sala da galeria, os campos luminosos de cor acabam formando silhuetas orgânicas, margeadas pelas linhas que, na parede oposta, aparecem na forma de esculturas. "Eu penso no espaço, no ambiente", afirma Ohtake, que extravasa as dimensões para desenrolar aqui suas camadas de tramas. "Adoro a liberdade."



TOMIE OHTAKE
Quando:
abertura hoje, às 20h; de seg. a sex., das 10h às 19h; sáb., das 11h às 15h
Onde: Nara Roesler (av. Europa)
Quanto: entrada franca
Classificação indicativa: livre
Informações: tel. 0/xx/11/3063-2344




fonte:Folha Online

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