quinta-feira, 4 de outubro de 2007

E como o assunto hoje é língua portuguesa...

A minha pátria é a língua portuguesa - O Corpus do Português


O Corpus do Português, é um ótimo site que oferece um meio inédito de esquadrinhar a língua portuguesa. Ele funciona como um "quem é quem" do idioma. Mostra a popularidade de palavras ou de frases buscadas entre milhares de textos. Esse grande arquivo forma o corpus da língua, que representa as diversas variedades lingüísticas do português.
O corpus reúne mais de 50 mil textos, de diversas fontes, somando 45 milhões de palavras em português dos anos Trezentos (1300) aos Novecentos (1900). Há quatro registros principais: jornalístico, acadêmico, falado e de ficção.

A interface permite pesquisar palavras exatas ou frases, curingas, lemas, classes gramaticais, ou qualquer outra combinação. Proporciona também a pesquisa de palavras vizinhas com um máximo de dez palavras de cada lado (ex: todos os substantivos perto de cadeia, todos os adjetivos perto de mulher, ou todos os substantivos perto de girar).
O corpus também facilita, de pelo menos três maneiras diferentes, a comparação da freqüência e distribuição de palavras, frases e construções gramaticais através de textos:

Registro: comparações entre o falado, a ficção, o jornalístico, e o acadêmico
Dialeto: Portugal versus Brasil no século XX
Período histórico: comparação de séculos diferentes dos anos Trezentos [1300] aos Novecentos [1900]

Realizam-se com facilidade consultas de semântica no corpus. Por exemplo, a diferença de significado entre duas palavras relacionadas, pode ser determinada através da comparação e contraste das palavras vizinhas. Pode-se encontrar a freqüência e a distribuição de sinônimos de mais de 20.000 palavras e comparar esta freqüência em registros ou países diferentes, ou inclusive ao longo dos séculos. Estas listas de palavras podem ser armazenadas e usadas em futuras consultas. Pode-se, além disso, criar suas próprias listas de palavras com um parentesco semântico, e usá-las como parte da consulta.

Faça uma pequena excursão de três minutos que apresentará os aspectos principais do corpus. Um simples clique para cada consulta preencherá automaticamente o formulário de pesquisa, pesquisará 45 milhões de palavras em textos diversos, e exibirá os resultados. O Corpus é rápido, grátis, fácil de usar, e oferece características importantes não encontradas em nenhuma outra interface existente.


fonte:copy&paste do blog Inconsciente e-Coletivo de Eduardo Tetera

A cassação do gerúndio

Gerúndio ganha apoio de lingüistas portugueses


A decisão do governador do Distrito Federal, José Roberto Arruda, de limitar o uso do gerúndio, por ser uma forma verbal associada à ineficiência, é considerada por lingüistas portugueses como unicamente política, já que é uma construção verbal existente no português.

Por decreto, publicado no diário oficial do distrito nesta segunda-feira, o governador "demite" o gerúndio de todos os órgãos do governo. Arruda alegou que perdeu a paciência com alguns assessores que estão sempre "fazendo, providenciando, estudando, preparando, encaminhando", mas nunca concluem um trabalho ou estabelecem um prazo para a sua finalização.



José Mário Costa, jornalista e responsável pelo site "Ciberdúvidas da Língua Portuguesa", disse à Agência Lusa que a medida adotada só pode ser vista como "simbólica" e com "piada".

A professora e lingüista Regina Rocha, do "Ciberdúvidas", também considera que o decreto só é válido num contexto político. "O gerúndio é uma forma verbal que sugere duração e prolongamento da ação e é uma 'construção que vem do português antigo'", acrescentou.

Os dois especialistas recordam que em Portugal o gerúndio caiu em desuso, utilizando-se, em seu lugar, o infinitivo: em vez de "estou fazendo", se usa, no país europeu, a construção "estou a fazer".

Regina Rocha esclareceu que a própria fonética dos verbos conjugados no gerúndio transmite a idéia de prolongamento, dado que têm mais sílabas.

Sobre a idéia do governador brasileiro, José Mário Costa defendeu a existência de orientações do ponto de vista ortográfico a serem seguidas, principalmente pelas entidades públicas, jornais e televisões.

O jornalista deu como exemplo o erro comum de abreviar os números ordinais. Costa disse que se escreve muitas vezes primeiro com um numérico (1) e um (o) em expoente, quando deveria ser um numérico (1) seguido de um ponto (.) e só depois o (o) em expoente. As abreviaturas são sempre seguidas de um ponto, afirmou.

n.r.: pois é, parece que não há nada mais importante a se pensar na política brasileira...


fonte:Agência Lusa

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

Blogs de poesia

Adoro poesia desde muito novinha. Acho que o primeiro autor que li foi J. G. de Araújo Jorge, o poeta preferido de minha mãe, depois dele foram vários.



Tenho o hábito de procurar por poesias e poetas através dessa ferramenta maravilhosa que é a internet. Tenho algumas preferências poéticas no Blogspot, por isso costumo acessar a página da Encandescente (Eroticidades) que é poetisa, o da O'sanji (Plan(o)alto), que por vezes se inspira e escreve coisas lindíssimas e Daniel Sant'Iago (Brincos de Palavras), também poeta como a Encandescente, que fiquei a conhecer freqüentando - acho que aqui há trema, me corrijam se eu estiver errada - o blog Pla(o)alto da O'sanji.

Nessa minha ausência, fui visitada pela Lua (Suspiros da Lua). É um novo blog de poesia que vai ser adicionado aqui no Nuvens. É mais um espaço para nos perdermos no pensamento. Poesia faz bem à alma, sempre.

n.r.: a foto é de Michele Clement e copiei do blog Plan(o)alto.



Los traseros

Exposição "Ocultos" em Madri




Os traseiros viraram arte na Espanha. Uma exposição em Madri mostra, em 67 fotografias, a visão que grandes artistas internacionais têm de uma das partes mais admiradas da anatomia humana.

Há nádegas sedutoras, vulgares, simpáticas e eróticas. Há também as flácidas e em curvas generosas, como as de Marylin Monroe e Jennifer Lopez, ou de prostitutas das ruas de Barcelona e de Paris nos anos 1950.

São retratos sem face na maioria dos casos, daí o nome da exposição: "Ocultos". Organizada pela espanhola Fundação Canal, a mostra será aberta ao público a partir desta quarta-feira (3/10).



Nas fotos de Robert Capa e Henry Cartier Bresson, os traseiros prestam tributo à mulheres anônimas. Prostitutas mostram corpos descuidados, em imagens eróticas e melancólicas.

Diante das lentes de Eve Arnold, Marylin Monroe (de corpo inteiro) surge nua com um roupão caído sobre uma cadeira. O mais famoso de todos os traseiros da mostra.

Para Salvador Dalí, a nudez feminina se traduz em outras formas da anatomia humana. Corpos amontoados compõem um balé em movimento.

Mas há também fotografias em que a nudez é mais natural, como as das tribos indígenas. Ou menos evidente. Como as de torsos masculinos e femininos em biquíni.

Segundo a Fundação Canal, a mostra é a primeira dedicada exclusivamente aos traseiros. As fotografias selecionadas foram feitas do início do século 20 até os dias de hoje.



A exposição ficará em cartaz em Madri até o dia 6 de janeiro de 2008, na sede da Fundação Canal.


fonte:BBC Brasil

domingo, 23 de setembro de 2007

Vou sumir por uns tempos. Até a volta!



sexta-feira, 21 de setembro de 2007

Arte contemporânea

"Acasalamentos" de José Resende


Mostra de artista plástico paulistano apresenta esculturas em sabonete.





A mostra fica em cartaz na Galeria Marília Razuk, em S.Paulo de 22 de setembro a 14 de novembro.






fonte:UOL

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Festival do Rio 2007

"Tropa de Elite" abre o Festival



Wagner Moura em "Tropa de Elite", filme que abre o Festival do Rio 2007

Em vez das bancas de camelôs, o mais luxuoso cinema carioca. Em sua primeira exibição pública, "Tropa de Elite", o polêmico e pirateado filme de José Padilha, vai abrir nesta quinta-feira o Festival do Rio 2007, em uma sessão para convidados no Cine Odeon. Depois de ver cenas de tortura e corrupção policial, os convivas de black-tie (traje sugerido pela direção do evento) seguirão para a festa no Centro Cultural da Ação da Cidade, no bairro da Saúde.

Esse será apenas o começo da nova edição de um dos maiores eventos cinematográficos do país, que vai exibir mais de 300 filmes de 60 países em 30 locais da cidade até o dia 4 de outubro. Nos últimos anos, o Festival do Rio notabilizou-se como a principal vitrine do cinema nacional, antecipando quais filmes merecerão atenção da crítica e do público. Nesta edição, não deverá ser diferente, com uma seleção de grande força, com 34 longas e 24 curtas.

Além de "Tropa de Elite", alguns dos destaques devem ser "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho, primeiro filme do documentarista a utilizar atrizes profissionais em décadas (no caso, Fernanda Torres, Marília Pêra e Andréa Beltrão); "Mutum", de Sandra Kogut, e "A Via Láctea", de Lina Chamie, ambos exibidos com sucesso em Cannes; e os documentários "Andarilho", de Cao Guimarães, e "Rita Cadillac, a Lady do Povo", de Toni Venturi.

Mas a força do festival não se resume aos brasileiros. Na mostra Panorama do Cinema Mundial, a principal dedicada ao cinema estrangeiro, estão filmes como "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", do romeno Cristian Mungiu, Palma de Ouro em Cannes; "Lust, Caution", do taiwanês Ang Lee, vencedor do Festival de Veneza, "I Don't Want to Sleep Alone", do malaio Tsai Ming-liang; e "Belle Toujours", do português Manoel de Oliveira. A seleção americana também impressiona pelos nomes dos diretores envolvidos: "Império dos Sonhos", do David Lynch; "Paranoid Park", de Gus Van Sant; "À Prova de Morte", de Quentin Tarantino; "Sicko", novo documentário de Michael Moore.

Nesta edição, o país homenageado será a China, com 12 produções recentes, como "A Maldição da Flor Dourada", de Zhang Yimou, e oito clássicos das décadas de 30 e 40, como "This is My Life", de Shi Hui. Outros eventos especiais serão as mostras dedicadas à produtora da estilista francesa Agnes B., ao documentarista americano Stanley Nelson e ao mito do faroeste John Wayne. Mais informações no site http://www.festivaldorio.com.br/site/.


fonte:UOL

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Estão os códigos morais escritos em nossos genes?

De onde vem as regras morais? Da razão, dizem certos filósofos. De Deus, asseguram os crentes. Mas dificilmente leva-se em consideração uma fonte atualmente defendida por vários biólogos. A evolução.

À primeira vista, a seleção natural e a sobrevivência do mais apto podem dar a impressão de recompensar somente os valores mais egoístas. Mas para os animais que vivem em grupos, o egoísmo precisa ser rigorosamente controlado, ou não haverá vantagem na vida social. Poderiam os comportamentos desenvolvidos nos animais sociais para possibilitar o funcionamento das sociedades ser a base a partir da qual evoluiu a moralidade humana?

Em uma série de artigos recentes e um livro, "The Happiness Hypothesis" ("A Hipótese da Felicidade"), Jonathan Haidt, psicólogo da Universidade de Virgínia especializado na questão da moral, vem construindo uma ampla visão evolucionária da moralidade na qual esta tem conexões tanto com a religião quanto com a política.

Haidt iniciou a sua carreira de pesquisador examinando o sentimento de repulsa. Testando as reações das pessoas a situações como aquela de uma família faminta que cozinhou e comeu o seu cão de estimação depois que este foi atropelado e morto por um veículo na estrada, ele analisou o fenômeno da perplexidade moral - quando as pessoas têm uma forte sensação de que algo está errado, mas são incapazes de explicar por que.

Esse fenômeno levou-o a ver a moralidade como sendo motivada por dois sistemas mentais distintos, um antigo e um moderno, embora a mente basicamente não tenha consciência dessa diferença. O sistema antigo, que ele chama de intuição moral, baseia-se em comportamentos morais carregados de emoção que se desenvolveram antes do surgimento da linguagem. O sistema moderno - que ele chama de julgamento moral - veio após a linguagem, quando as pessoas tornaram-se capazes de expressar por que algo é certo ou errado.

As respostas emocionais da intuição moral ocorrem instantaneamente - elas são reações viscerais primitivas que se desenvolveram para gerar decisões imediatas e maximizar a sobrevivência em um mundo perigoso. O julgamento moral, por outro lado, veio mais tarde, à medida que a mente desenvolveu uma racionalização plausível para a decisão à qual o indivíduo já havia chegado por meio da intuição moral.



Segundo a ótica de Haidt, a perplexidade moral ocorre quando o julgamento moral não consegue apresentar uma explicação convincente para aquilo que a intuição moral decidiu.

Assim sendo, por que a evolução equipou o cérebro com dois sistemas morais, quando apenas um parece ser suficiente?

"Nós possuímos uma mente animal complexa, que apenas recentemente desenvolveu a linguagem e o raciocínio baseado na linguagem", explica Haidt. "De forma nenhuma o controle do organismo seria entregue a esta nova faculdade".

Ele compara a máquina moral subterrânea da mente a um elefante, e o raciocínio moral consciente a um pequeno indivíduo montado na garupa do elefante. Haidt acredita que os psicólogos e os filósofos adotaram por muito tempo uma visão demasiadamente estreita de moralidade, porque se concentraram no indivíduo que viaja na garupa do elefante, praticamente ignorando este último.

Haidt desenvolveu uma percepção melhor do elefante após visitar a Índia por sugestão do antropólogo Richard Shweder. Em Bhubaneswar, no Estado indiano de Orissa, Haidt observou que as pessoas reconheciam um domínio moral muito mais amplo do que aquele que diz respeito às questões de danos e justiça, que são partes fundamentais da moralidade ocidental. Os indianos mostravam-se preocupados com a integração da comunidade através de rituais, além de estarem comprometidos com o conceito de pureza religiosa como forma de controle de comportamento.

Após retornar da Índia, Haidt pesquisou vários trabalhos de antropologia e psicologia em busca de idéias de diversas parte do mundo sobre a moralidade. Ele identificou cinco componentes da moralidade que são comuns à maior parte das culturas. Alguns dizem respeito à proteção dos indivíduos, e outros aos vínculos que agregam um grupo.

No que diz respeito aos dois sistemas morais que protegem os indivíduos, um deles tem como objetivo impedir danos à pessoa e o outro garantir reciprocidade e justiça. Menos familiares são os três sistemas que promovem comportamentos desenvolvidos para fortalecer o grupo. São eles a lealdade para com os membros do grupo, o respeito à autoridade e à hierarquia e um sentido de pureza ou santidade.

Segundo a visão de Haidt, os cinco sistemas morais são mecanismos psicológicos inatos que predispõem as crianças a absorver certas virtudes. Como essas virtudes são aprendidas, a moralidade pode variar bastante de uma cultura para outra, embora preservando o seu papel central de elemento de contenção do egoísmo. Nas sociedades ocidentais, o foco está na proteção dos indivíduos com a insistência de que todos sejam tratados com justiça. A criatividade é alta, mas a sociedade é menos ordenada. "Em diversas outras sociedades, o egoísmo é suprimido por meio de práticas, rituais e histórias que ajudam a pessoa a desempenhar um papel cooperativo em uma entidade social mais vasta", afirma Haidt.

Ele está consciente do fato de que muita gente - incluindo os membros da "disciplina homogeneamente política da psicologia" - considera a moralidade um sinônimo de justiça, direitos e bem-estar do indivíduo, descartando tudo mais como sendo mera convenção social. Mas Haidt observa que muitas sociedades espalhadas pelo mundo comportam-se de fato como se a lealdade, o respeito à autoridade e a santidade fossem conceitos morais, e isso justiça que se adote uma visão mais ampla do domínio da moral.

Haidt diz que a idéia de que moralidade e santidade estão entrelaçadas pode atualmente estar fora de moda, mas que ela tem um pedigree respeitável, que remonta a Emile Durkheim, um dos fundadores da sociologia.

Haidt acredita que a religião desempenhou uma função importante na evolução humana ao fortalecer e ampliar a coesão fornecida pelos sistemas morais. "Se não tivéssemos mentes religiosas, não teríamos feito a transição para a tendência aos grandes agrupamentos", diz ele. "Ainda seríamos apenas grupelhos vagando a esmo".

Para ele, o comportamento religioso pode ser o resultado da seleção natural, modelado em uma época na qual os primeiros grupos humanos competiam entre si. "Aqueles que gostavam de se agrupar tiveram mais sucesso", afirma o pesquisador.

Haidt passou a reconhecer a importância da religião por uma rota indireta. "Eu encontrei o divino pela primeira vez na repulsa", escreve ele no seu livro "The Happiness Hypothesis".

A sensação de repulsa provavelmente desenvolveu-se quando as pessoas tornaram-se comedoras de carne, e tiveram que aprender quais alimentos poderiam estar contaminados com bactérias, um problema que não ocorria com a comida de origem vegetal. Ele argumenta que a repulsa passou, a seguir, a abranger várias outras categorias, como pessoas sujas, práticas sexuais inaceitáveis e uma ampla classe de funções e comportamentos corporais que eram vistos como limites de separação entre humanos e animais.

"Imagine visitar uma cidade na qual as pessoas não usam roupas, nunca tomam banho, fazem sexo em público em 'estilo canino' e comem carne crua arrancando os pedaços com os dentes diretamente da carcaça", escreve Haidt.

Ele vê na repulsa provocada por tal cena uma aliada das idéias de pureza física e religiosa. Para Haidt, a pureza é um sistema moral que promove as metas de controlar os desejos egoístas e de agir de uma maneira religiosamente aprovada.

As noções de repulsa e de pureza estão disseminadas fora das culturas ocidentais. "Os liberais educados são o único grupo a afirmar, 'Acho tal coisa repulsiva, mas isso não torna essa prática errada'", diz Haidt.

Trabalhando em conjunto com Jesse Graham, um aluno de pós-graduação, Haidt detectou uma impressionante dimensão política na moralidade. Ele e Graham pediram a pessoas que identificassem a sua posição em um espectro político que ia do liberal ao conservador, e que a seguir preenchessem um questionário que avaliava a importância atribuída a cada um dos cinco sistemas morais (o teste, chamado questionário de bases morais, pode ser acessado online no site www.YourMorals.org).

Eles descobriram que as pessoas que se identificavam como liberais atribuíam um forte peso aos dois sistemas morais de proteção ao indivíduo - aquele que preconiza que não se cause danos a outros e o que aconselha a pessoa a só tratar os outros como gostaria de ser tratada. Mas os liberais atribuíram menos importância aos três sistemas morais de proteção ao grupo. Os que dizem respeito à lealdade, ao respeito à autoridade e à pureza.

Os conservadores valorizaram todos os cinco sistemas morais, mas deram menos importância do que os liberais às moralidades que protegem os indivíduos.

Haidt acredita que as várias discórdias políticas entre liberais e conservadores podem refletir a diferente ênfase dada por cada um desses grupos às cinco categorias morais.

Vejamos, por exemplo, o posicionamento em relação à arte e a música contemporâneas. Os conservadores temem que a arte subversiva mine a autoridade, viole as tradições internas do grupo e ofenda os cânones da pureza e da santidade. Por outro lado, os liberais vêem a arte contemporânea como uma protetora da igualdade, ao atacar o establishment, especialmente se a arte for produzida por grupos oprimidos.

Haidt argumenta que os liberais extremados não dão quase nenhuma importância aos sistemas morais que protegem o grupo. Para Haidt, devido ao fato de os conservadores darem algum valor às proteções individuais, eles freqüentemente entendem melhor as visões liberais do que os liberais entendem as atitudes conservadoras.

Haidt, que se descreve como sendo um liberal moderado, afirma que a sociedade necessita de gente com os dois tipos de personalidade. "Uma moralidade liberal encorajaria uma criatividade muito maior, mas debilitaria a estrutura social e esgotaria o capital social", diz ele. "Fico realmente feliz com o fato de termos Nova York e São Francisco - a maior parte da nossa criatividade vem de cidades como essas. Mas uma nação que fosse constituída apenas de Nova York e São Francisco não poderia sobreviver por muito tempo. Os conservadores fazem mais doações para obras de caridade, e tendem a apoiar mais as instituições essenciais, como as forças armadas e as polícias".

Outros psicólogos vêem de formas diversas as idéias de Haidt.

Steven Pinker, um especialista em ciência cognitiva que leciona na Universidade Harvard, afirma: "Sou um grande fã do trabalho de Haidt". Ele acrescenta que a idéia de incluir a pureza no domínio moral pode fazer sentido sob o ponto de vista psicológico, mesmo que a pureza não tenha lugar no raciocínio sobre a moral.

Mas Frans B.M. de Waal, um primatologista da Universidade Emory, diz que discorda da visão de Haidt segundo a qual a função da moralidade é suprimir o egoísmo. Muitos animais demonstram empatia e tendências altruístas, mas não possuem sistemas morais.

"Para mim, um sistema moral é aquele que resolve a tensão entre os interesses do indivíduo e do grupo de uma forma que parece ser a melhor para a maioria dos membros do grupo, e que, portanto, promove uma relação de reciprocidade", argumenta de Waal.

Ele diz que também discorda da maneira como Haidt associa os liberais aos direitos individuais e os conservadores à coesão social.

"É óbvio que os liberais enfatizam o bem comum - legislações de segurança para minas de carvão, sistema de saúde para todos, apoio aos pobres -, de uma forma que está longe de ser reconhecida pelos conservadores", observa de Waal.

Essa associação também perturba John T. Jost, especialista em psicologia política da Universidade de Nova York. Jost diz que admira Haidt com "um psicólogo social muito interessante e criativo", e que achou o seu trabalho útil para chamar atenção para o forte elemento moral presente nas crenças políticas.

Mas o fato de liberais e conservadores concordarem quanto aos dois primeiros princípios de Haidt - não prejudicar as outras pessoas e só tratar os outros como gostaríamos de ser tratados - significa que esses dois princípios são bons candidatos a virtudes morais. "Para mim, o fato de liberais e conservadores discordarem quanto aos três outros princípios sugere que essas não são virtudes morais gerais, mas sim compromissos ou valores ideológicos específicos", afirma Jost.

Em defesa das suas idéias, Haidt afirma que as alegações morais podem ser válidas, mesmo que não sejam universalmente reconhecidas.

"É pelo menos possível que as sociedades conservadoras e tradicionais tenham algumas visões morais ou sociológicas que os liberais seculares não entendem", diz Haidt.



fonte:The New York Times

sábado, 15 de setembro de 2007


Juro


Jura que a mais ninguém depois de mim,
Dirás palavras húmidas ao ouvido.
Tão húmidas que me fecham os olhos,
Tão húmidas que me molham o rosto.
E escorrem e param nos lábios,
Húmidas as palavras,
Beijando-os.
Jura que a mais ninguém depois de mim,
Soprarás nas mãos palavras eternas de tão ternas.
Tão ternas que se entrelaçam nos meus dedos,
Tão ternas que se cruzam com as minhas linhas.
E escritas e cravadas ficam,
Minhas as palavras,
Nas minhas mãos.
Juro que a mais ninguém depois de mim,
Dirás a palavra nunca,
A palavra sempre,
A palavra jamais.
Porque fechadas no meu peito,
Pertencem-me,
Amor e palavras.


Encandescente
foto: Vitaly Bakhvalov

Liberdade


Só o limite da página limita a minha liberdade,
Limita as palavras que escrevo,
Limita aquilo que quero,
Limita aquilo que sou.
Mais ninguém!
Se dura sou assim me fizeram,
A vida puta e canalha assim me tornou.
Quando caída, derrotada,
Sozinha me levantei.
Se amparo pedi recebi escárnio,
E a mão, sempre alguém a pisou.
Da vida não espero favores ou dádivas,
Que presentes envenenados
Ela sempre me ofertou.
Já de aço me revesti,
Já de ódio me vesti,
Para o resto da caminhada.
Espero as tempestades que se avizinham
Firme o corpo,
Os pés cravados no chão.
E ao vento solto o meu grito de desafio e de revolta:
De meu tenho este corpo, este querer,
Esta ânsia, esta vontade,
De rasgar trevas e quebrar amarras,
De me rasgar e abrir,
E saber-me e ser
Liberdade.


Encandescente
foto: Geoffroy Demarquet

quinta-feira, 13 de setembro de 2007

La pasta di tutti

Italianos fazem greve de 24 horas contra o macarrão nesta 5ª feira


Os italianos começaram a 5ª feira com um protesto curioso: a greve do macarrão.

Organizada por associações que representam os consumidores, a intenção da manifestação é protestar contra o aumento do preço dos alimentos no país.

A ordem é clara: ninguém deve comprar fetuccine, linguine, espaguete ou nenhum outro tipo de massa por 24 horas. Mas estão todos liberados para comer. A restrição é apenas para a compra.

Representantes das associações estão fazendo pequenas passeatas e protestos em Roma, a capital do país, no qual exibem cartazes pedindo para que os italianos não comprem macarrão.

Os organizadores do movimento dizem que houve aumentos progressivos dos preços dos derivados de trigo, que chegaram a 20% nos últimos dois meses.

Economia Global
Os produtores italianos reclamam que boicotar as massas é um ataque ao alvo errado, já que o aumento acontece por conta da alta global dos custos dos grãos, incluindo o trigo. A demanda por trigo cresceu por vários motivos, dizem os produtores, principalmente por causa do aumento da produção de biocombustíveis e de alimentos para animais de corte.

Codacons, Adoc, Adusbef e Federconsumatori, os principais grupos de proteção aos consumidores do país, dizem que escolheram as massas como símbolo deste protesto, mas que o ideal é evitar qualquer tipo de compra de alimentos durante toda a quinta-feira.

Segundo as entidades, os preços de leite e pão também sofreram aumentos em torno de 20%. Café, azeite e cereais também sofreram altas, segundo elas.

Dstribuição
Como parte do protesto, os principais produtos que vêm sofrendo altas de preço vão ser distribuídos gratuitamente nas praças das principais cidades italianas, segundo a revista anglo-italiana “Italy”.

“Queremos que o governo declare emergência nesta situação e intervenha imediatamente para baixar os preços em 5%”, declarou à revista Carlo Rienzi, diretor da Codacons. Para ele, as famílias italianas não vão conseguir se sustentar após estes aumentos, que já derrubaram o consumo em até 6%.

Apoio
O movimento ganhou o apoio de associações italianas de fazendeiros. Segundo eles, o preço do trigo permanece o mesmo desde 1985, e a produção de grãos não tem nenhuma relação com os aumentos. Os fazendeiros querem promover a venda direta dos seus produtos aos consumidores finais, diminuindo os lucros dos intermediários.

Fontes do governo italiano dizem que não há justificativas para o recente alarme em relação aos preços dos alimentos. Uma série de debates entre produtores, vendedores e consumidores deve ser realizada em breve para discutir a situação.

n.r.: Ai, ai, como eu sonho com o dia em que os brasileiros sejam assim...



fonte:G1

Perdeu, Brasil! *Perdeu!

A absolvição do senador Renan Calheiros


O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), escapou da cassação após votação no plenário por 40 votos contra 35 que o consideraram culpado. Ele era acusado de ter as contas pessoais pagas por um lobista.

Renan ainda responde a dois processos por quebra de decoro parlamentar. Ele é acusado de ter favorecido uma cervejaria e de ter adquirido veículos de comunicação por meio de laranjas.

Um quarto pedido de processo foi protocolado e acusa o senador de participar de esquema de arrecadação de recursos em ministérios comandados por seu partido. Esse caso ainda não foi avaliado pela mesa do Senado.

A vitória de Renan
por Cristiana Lôbo

Renan Calheiros surpreendeu a oposição com sua vitória ao garantir 40 votos pelo arquivamento do processo por quebra de decoro parlamentar contra 35 de senadores que queriam a cassação de seu mandato. Agora, o papel de Renan será o de reunir os cacos deixados pelo caminho e reabrir o diálogo com a oposição para retomar as condições políticas para seguir na presidência do Senado.

Nas mais de cinco horas de sessão, nesta quarta-feira, a atuação de alguns senadores chamou atenção.

Francisco Dornelles, por exemplo, abandonou o silêncio e subiu à tribuna para defender Renan Calheiros. Na condição de ex-secretário da Receita Federal, Dornelles disse que Renan estava sendo acusado de crime fiscal (a questão das notas de venda de gado) e que não caberia ao Senado julgar isso antes de uma notificação da Receita Federal. Foi um discurso com sustentação técnica que fez Renan ganhar pontos. Até porque, era um defensor que só agora se manifestava - dando a idéia de que o presidente do Senado não contava apenas com o trio Wellington Salgado, Almeida Lima e Gilvam Borges.

Em outra ponta atuou, durante a sessão, o senador Aloízio Mercadante. Depois de uma semana em silêncio, prometendo só revelar o voto mais tarde, Mercadante conversou muito com correligionários durante a sessão. O número de seis abstenções levou muitos oposicionistas a terem a certeza de que isso era resultado da articulação de última hora de Mercadante. Governistas também atribuem a petistas as abstenções.

As senadoras Ideli Salvatti e Roseana Sarney reclamaram muito da atuação do senador petista Eduardo Suplicy. Ele não teria aceitado se abster - e insistiu no voto pela cassação do mandato de Renan. As queixas de Ideli e de Roseana foram ouvidas por colegas.

Ponto para Renan Calheiros teria sido, também, a intervenção da ex-senadora Heloísa Helena. Ela foi até a sessão do Senado para sustentar a representação feita por seu partido, o Psol. O discurso de Heloísa Helena foi mais suave do que o habitual, mas passou a idéia de "disputa paroquial". Mas foi ela quem tirou Renan do sério. Renan disse que ela tinha dívida com a Receita Federal, e Heloísa Helena repetiu várias vezes "mentira, mentira". Renan, então, recomendou:

- Lave a boca com água oxigenada.

E Heloísa Helena retrucou:

- Lave você com água sanitária.

Este, segundo parlamentares que acompanharam a sessão, teria sido o momento mais tenso da reunião.

Na avaliação de alguns senadores, Renan acabou se beneficiando com a briga entre deputados e seguranças na porta do Plenário do Senado. Teria passado a idéia de que estaria sendo vítima de uma luta política.

A senadora Ideli Salvatti recorreu a um discurso feito por Mário Covas na histórica sessão da Câmara, em 1968, quando o então líder do PMDB defendia o colega Márcio Moreira Alves, que seria cassado pelo regime militar. Não ajudou Renan. Senadores logo avaliaram que as duas situações eram bem diferentes e não poderiam, portanto, ser alvo de comparações. A começar pelo fato de que Márcio Moreira Alves foi cassado pela ditadura militar.

Arthur Virgílio não foi o orador brilhante de quase todos os dias, avaliaram senadores. Melhor teria sido o discurso de Jarbas Vasconcelos.



*"Perdeu!" é o chavão habitualmente utilizado por bandidos quando assaltam suas vítimas no Rio de Janeiro.


fonte:G1

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Aragonés é bárbaro

O cartunista Sergio Aragonés, histórico colaborador da revista "Mad", fala sobre a volta de sua criação mais célebre, o bárbaro Groo, que completa 25 anos


Poluição é tema de série do bárbaro errante que o cartunista finaliza no momento; no Brasil, coletânea "Odisséia" é lançada

Apelidado de "o cartunista mais rápido do mundo", Sergio Aragonés afirma que é mais ágil por desenhar humor e ter traço mais livre.

AUTO-RETRATO DO ARTISTA QUANDO BÊBADO - Desenho exclusivo para a Folha, em que Aragonés se retrata com uma de suas lembranças favoritas do Brasil, a caipirinha. "Tome uma por mim", pediu ao repórter ao fim da entrevista


Aos 70 anos, completados na última quinta, Sergio Aragonés ainda desenha com gosto e com a mesma velocidade que lhe valeu o título de "cartunista mais rápido do mundo": foram dois meses para conseguir entrevistá-lo, mas apenas 20 minutos, entre o pedido e o recebimento, para obter o auto-retrato que ilustra esta reportagem.

Espanhol que cresceu no México e mora nos EUA há décadas, Aragonés tornou-se célebre por seus minicartuns para a revista "Mad", onde é o segundo colaborador mais longevo, trabalhando há 44 anos.

Ele acaba de retomar sua criação mais célebre, Groo, o errante, que motivou no exterior uma edição especial para celebrar seus 25 anos e uma nova minissérie, "Groo: Hell on Earth", ainda sendo finalizada.

No Brasil, o personagem ganhou recentemente nova publicação, pela editora Opera Graphica, a coletânea "Odisséia" (104 págs., R$ 49).


fonte:Folha de S.Paulo

Xenofobia cresce na Suíça

A direita escandaliza a ONU com sua campanha contra o "estrangeiro criminoso"


Alguns humoristas locais já falam na crise das ovelhas, referindo-se à propaganda eleitoral que é vista em todas as ruas da Suíça nos últimos dias. No cartaz citado, podem-se ver três desses animais situados sobre uma bandeira suíça, dando uma patada com os membros traseiros em uma ovelha negra, que expulsam do quadro. Esse pôster aparentemente inocente causou uma tempestade no habitualmente tranqüilo país alpino.



O desenho em questão não é mais que o último capítulo de uma longa série de provocações feitas pelo SVP-UDC (Partido Popular da Suíça), a formação nacionalista do caudilho de direita Christoph Blocher. O que marca a diferença de outras campanhas do mesmo tipo que possam existir na Europa é que o homem que dirige esse partido não é um radical nem um messiânico exaltado, mas sim um poderoso e brilhante industrial de Zurique que ocupa o cargo de conselheiro federal (equivalente a ministro) da Justiça e da Polícia.

A ovelha negra não seria outra coisa senão a óbvia metáfora escolhida pelo SVP-UDC para simbolizar os "criminosos estrangeiros" que, segundo eles, "abusam do sistema, fazem badernas e traficam drogas" na Suíça. Estrangeiros indesejáveis que o partido de Blocher, capitaneado por seu presidente, Ueli Maurer, deseja ver deportados o quanto antes.

A mensagem calou fundo entre seus conterrâneos, já que o SVP-UDC é o que possui maior número de assentos no Parlamento, com quase 30% dos votos. Veremos o que acontece nas eleições parlamentares de 21 de outubro próximo.

A campanha, que incluiu a remessa de suas propostas de porta em porta, chamou a atenção inclusive da Organização das Nações Unidas. O relator especial para Racismo da ONU, o senegalês Doudou Diène, viu-se obrigado a alertar as autoridades sobre o perigo de "desvios xenófobos" em um país que se orgulha de sediar organismos internacionais como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos ou a Cruz Vermelha Internacional.

"A guerra das ovelhas"
A guerra das ovelhas é uma pedra a mais num edifício que inclui propostas como a proibição de construir minaretes nas mesquitas suíças, punir com a deportação toda a família de um criminoso estrangeiro menor de idade ou a abolição das leis que proíbem o discurso racista, já que atentariam contra a "livre expressão", segundo os membros dessa formação.

Também cabe mencionar a já célebre campanha de 2004 que mostrava mãos negras, amarelas e morenas agarrando avidamente passaportes suíços, numa clara referência ao risco de invasão de um país que já conta com a maior porcentagem de estrangeiros na Europa. Basta lembrar que só na cidade de Genebra mais de 40% dos residentes não nasceram na Suíça, país que hoje abriga cerca de 120 mil espanhóis.

Dos 22% de estrangeiros que vivem aqui, os que ocupam o papel de ovelhas negras aos olhos dos eleitores do SVP-UDC costumam ser os imigrantes procedentes da ex-Iugoslávia ou de países balcânicos, que chegaram à Suíça depois da guerra que assolou a região nos anos 90. Também são malvistos turcos e africanos - que são associados ao tráfico de drogas - e muçulmanos em geral, apesar de se poder dizer que este coletivo está muito mais integrado ao país que em outros ao redor. Igualmente, as hostes de Blocher denunciam que 70% dos detentos nos presídios suíços são estrangeiros ou requerentes de asilo, assim como costumam ser de origem estrangeira os criminosos sexuais, que deram muito o que falar à mídia suíça nos últimos anos.

Outro escândalo recente é o que envolveu Giuliano Bignasca, líder da Lega Ticinese, no cantão de Ticino, de língua italiana, que criticou abertamente que na seleção de futebol houvesse três africanos, fato para ele inaceitável, já que "a Suíça não teve um passado colonial". O político radical chegou a sugerir ironicamente que o antes mencionado Doudou Diène fosse nomeado "treinador da equipe nacional", com a imaginável avalanche de críticas por parte da imprensa e da opinião pública.

Segundo diversos observadores, "todo esse debate não reflete nenhuma exceção, o único excepcional é que na Suíça se fala abertamente de problemas que afetam quase todos os países da Europa".

Prejuízo incalculável
Um alto membro do governo comentou a este jornal, sob a condição de manter o anonimato, que "toda essa situação, e a atenção internacional que está tendo, estão causando um prejuízo incalculável para a imagem da Suíça".

Diante do enorme peso do SVP-UDC no mapa político local, as cartas parecem estar dadas, mas o eleitorado enfrenta um grande dilema antes das votações de 21 de outubro próximo. Este poderia ser resumido assim: deixar que Blocher continue fazendo parte do Executivo e seja presidente da Confederação Helvética em 2009 (um cargo rotativo) ou tirá-lo do governo. A opção de Blocher presidente da Suíça não parece muito grata aos olhos da maioria dos cidadãos, mas a outra opção poderia ser ainda pior.

Em um recente debate televisivo, o caudilho de Zurique advertiu claramente: "Serei ainda mais perigoso fora do governo, porque agora conheço por dentro os mecanismos do poder".

O sistema político
O sistema político que rege a Suíça é único no mundo. Suas origens remontam a 1291, quando os três cantões originais rejeitaram a ingerência de "juízes estrangeiros" e assentaram as bases do que, séculos depois, seria a Confederação Helvética. Nascia assim a via suíça de democracia direta.

Hoje a Suíça é dirigida pelo Conselho Federal (o Executivo), do qual fazem parte os popularmente conhecidos como sete sábios: os ministros que, de forma rotativa, ocupam a presidência do país por períodos de um ano. Dos sete membros do governo, dois são socialistas, dois radicais, uma democrata-cristã e dois pertencem ao SVP-UDC. A atual presidente é a socialista Micheline Calmy-Rey. O Executivo é eleito a cada quatro anos pela Assembléia Federal, que é fruto da união do Conselho Nacional (Câmara baixa, formada na Suíça por 200 deputados) e o Conselho de Estado (Câmara alta, 46 deputados, dois para cada um dos 23 cantões). Na votação de 21 de outubro os cidadãos suíços vão renovar seus 200 deputados e 44 dos 46 senadores.

O Executivo reflete de maneira bastante exata o equilíbrio de forças políticas no Parlamento e funciona de maneira colegiada. Se não houver grandes surpresas nas eleições, a Assembléia Federal reelegerá Christoph Blocher em 12 de dezembro. Em 1º de janeiro, Blocher deveria assumir as funções de vice-presidente e em 2009 as de presidente da Suíça. Daí a importância crucial dessa votação.

n.r.:É sempre horrível observar qualquer manifestação xenófoba ou qualquer atitude preconceituosa. Acho que vivemos hoje uma época muito complicada onde o respeito pelo próximo virou artigo de luxo, o que não significa que apenas o país que acolhe imigrantes seja responsável por esta falta de respeito e/ou civilidade. Há pessoas que não têm a mínima capacidade de viver em sociedade, seja em seus países de origem ou nos países para o qual imigram. A única verdade, é que é do conhecimento dos europeus, e de quem já viveu na Europa, do repúdio dos partidos de extrema direita a qualquer imigrante.


fonte:El País

segunda-feira, 10 de setembro de 2007

Guarda-costa venenoso

Uma cobra verdadeira "vigia" a sandália de rubi, safira e diamantes em loja de departamentos em Londres; feita pelo designer René Caovilla, a peça é avaliada cerca de US$ 125 mil (cerca de R$ 250 mil).





fonte:UOL

quarta-feira, 5 de setembro de 2007

Eu sou contra a CPMF. E você?

Caro companheiro,

A CPMF, quando surgiu em 1996, era apenas uma contribuição provisória criada para salvar a saúde pública, uma vez que o Sistema Único de Saúde estava em xeque, vivendo grandes tragédias.

Passados 11 anos de sua criação, corremos o risco de que se torne definitiva, contrariando o desejo da população brasileira, que é ser desonerada, liberada deste ônus. Assim, manifestamo-nos contra a suposta necessidade de prorrogação, pelo Governo, da vigência da CPMF.

Para que nosso apelo seja ouvido e atendido, solicitamos o seu apoio, que poderá ser expresso mediante adesão ao abaixo-assinado encontrado na página da FIESP sobre o movimento "Sou Contra a CMPF", e que será encaminhado aos poderes públicos competentes.

Para assinar o manifesto clique aqui.

n.r.: Este post foi copiado na íntegra do blog Insconsciente e-Coletivo de Eduardo Tetera.


fonte:Blog Inconsciente e-Coletivo do Eduardo Tetera
Estrela lança nova Susi para comemorar 70 anos da marca


As meninas da minha idade - o que não significa que eu tenha uma idade muita avançada - lembram da boneca Susi, que era mais gordinha que a Barbie, mais bochechuda e mais bonita.

Como fui uma bebê careca, tinha a mania de cortar o cabelo de todas as bonecas, cujo objetivo era tão somente esperar o mesmo voltar a crescer, claro que não acontecia.

Mas não totalmente careca, pois minha mãe afirma que eu tinha "penugens" loirinhas que permitiam à ela fazer um xuquinha para colocar um lacinho. Ou seja, esse problema que nós, mulheres temos com o cabelo, me persegue desde a mais tenra idade. Como diz uma amiga: "Você sabe que tem problemas!". Sim, eu sei.

Essa longa história sobre a minha infância, é para dar aqui a notícia que a Susi(boneca da Estrela) ressurge mais sarada e segundo uma avaliação pessoal, com um grande cabeção. Porque teimam em fazer bonecas com cabeção?! Como ninguém vai mesmo me responder, vamos à notícia:

A fabricante de brinquedos Estrela comemora 70 anos neste ano e uma das comemorações inclui a apresentação de nova versão da boneca Susi, que ganhou "traços mais delicados e um corpo saudável, com curvas na medida certa".

A boneca já vendeu quase 30 milhões de unidades em mais de 400 modelos diferentes. "Susi está ainda mais moderna e mantém a personalidade marcante que a faz tão querida: a alegria de ser brasileira e a forte preocupação com causas sociais", afirma a empresa.

Para apresentar as novas formas da Susi, a Estrela organizou um evento para convidados na Galeria Daslu, em São Paulo, com show da cantora Paula Lima.

O evento contará com apresentação da miss Brasil Natália Guimarães, que comandará um desfile de Susi vestindo Daslu, ao som do DJ Alan Passos --ex-BBB e ex-namorado da também ex-BBB Grazielli Massafera.

"Queremos comemorar a renovação de Susi em grande estilo. Ela marcou gerações de meninas e é um grande orgulho para nós. Nossa intenção é agradar as consumidoras cada vez mais", afirma Carlos Tilkian, presidente da Estrela.

Depois do evento, as versões Susi by Daslu e Susi by Crystallized Swarovski Elements ficarão em exposição na Daslu para lances dos clientes. O valor arrecadado com este leilão será revertido ao Instituto Pró-Queimados, em São Paulo, que dá assistência a crianças, jovens e adultos vítimas de queimaduras.


n.r.: E para quem não sabe, Daslu é uma loja chiquererrérima de São Paulo.


fonte:Folha Online

terça-feira, 4 de setembro de 2007

Os gêmeos - Grafite pela Europa

Brasileiros grafitam castelo escocês do século 13


Um dos mais importantes castelos históricos da Escócia está sendo pintado por quatro grafiteiros brasileiros.



Por cerca de um mês, os paulistanos, Nina Pandolfo, Nunca e a dupla conhecida como Os Gêmeos, viverão no castelo de Kelburn, em Ayrshire, para pintar a parede externa que contorna a fortificação.

O site do projeto Graffiti diz que "os artistas terão tempo de compartilhar e explorar novas idéias de ambos os lados do Equador, culminando em um grande trabalho de arte colaborativa".



A idéia foi sugerida ao conde de Glasgow, proprietário do castelo, por seus filhos David e Alice Boyle, inicialmente como uma solução para substituir a camada de concreto que teve de ser retirada porque estava destruindo as paredes da construção.



Entretanto, David e Alice esperam que "esta arrojada e marcante manifestação artística atraia atenção da mídia, e desafie a compreensão do público tanto em relação à arte urbana do grafite quanto à instituição britânica do castelo".

"É um projeto que faz ponte entre as dimensões rurais e urbanas, e une duas culturas bastante diferentes e orgulhosas", dizem os organizadores.

Apanhador de cerejas

Os trabalhos começaram no sábado, dia 12. No primeiro dia de trabalho, os artistas brasileiros utilizaram uma máquina de apanhar cerejas como elevador para alcançar as torres da construção, que data do século 13.



A camada de tinta branca foi coberta com os primeiros rascunhos do que será o trabalho final.



O grafite deve permanecer no castelo por dois anos, quando uma nova recuperação terá de ser realizada. Até lá, os proprietários do castelo acreditam poder suscitar um debate sobre os conceitos de arte e vandalismo.



Nascidos em 1974, os irmãos Otávio e Gustavo Pandolfo conseguiram levar das ruas de São Paulo trabalhos que foram expostos em diversas cidades na Europa e em uma das principais galerias de Nova York.

Nina, mulher de Otávio, pinta desde 1992 grafites que têm como tema a natura, "dando importância a insetos pequenos e reconhecendo a beleza em todos os animais", nas palavras do site do projeto.

O também paulistano Nunca é descrito como "uma das estrelas ascendentes da cena do grafite em São Paulo, e seus trabalhos mais recentes são altamente influenciados pelas cores e padrões geométricos encontrados em trabalhos de arte indígena da América do Sul".

O castelo de Kelburn é considerado o mais antigo da Escócia, e tem sido habitado desde sempre pela mesma família Boyle, uma modificação do antigo de Boyville.

Os de Boyville vieram de Caen, na Normandia francesa, para o Reino Unido com o rei da Inglaterra Guillherme 1º, o Conquistador, em 1066. O atual ramo da família vive em Kelburn desde 1140.

n.r.: estou em dívida com os amigos, mas quem agüenta este tempo maluco que faz no Rio de Janeiro (calor, chuva, vento, frio e calor - nessa ordem) ? Minha coluna não resiste e volta e meia estou cheia de dores. Mas tô voltando!

n.r.1: clicando em marcadores, há outros posts sobre os gêmeos.


fonte:BBC Brasil

segunda-feira, 3 de setembro de 2007

E 54 milhões foram divididos entre Rondônia e Santa Catarina

Amanhã vai ser outro dia


Porsche lança edição limitada a 777 unidades do Cayman S.








fonte:UOL

quarta-feira, 29 de agosto de 2007


Quase


Ainda pior que a convicção do não,
É a incerteza do talvez,
É a desilusão de um quase!

É o quase que me incomoda,
Que me entristece,
Que me mata trazendo tudo que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga,
Quem quase passou ainda estuda,
Quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades que escaparam pelos dedos,
Nas chances que se perdem por medo,
Nas idéias que nunca sairão do papel por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes, o que nos leva a escolher uma vida morna.
A resposta eu sei de cor.

Está estampada na distância e na frieza dos sorrisos,
Na frouxidão dos abraços,
Na indiferença dos "bom dia", quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem até para ser feliz.

A paixão queima,
O amor enlouquece,
O desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
O mar não teria ondas,
Os dias seriam nublados e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina,
Não inspira,
Não aflige nem acalma,
Apenas amplia o vazio que cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia à dúvida da vitória é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Para os erros há perdão,
Para os fracassos, chance,
Para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio ou economizar alma.
Um romance cujo fim é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando...
Fazendo que planejando...
Vivendo que esperando...

Porque, embora quem quase morre esteja vivo,
Quem quase vive já morreu.


Luís Fernando Veríssimo
foto: Geoffroy Demarquet

terça-feira, 28 de agosto de 2007


De gritos


Apetece-me ser Deus de tons
para uns ais
palavra escrita

Preciso da outra louca de ti
para jogar o jogo do tom
que a palavra escrita ai não tem

O brinquedo é ai
interjeição expressão

Eu escrevo ai
e tu doas-lhe a entoação

Primeiro o ai-de-suspiro
inspira bem fundo
aguenta um pouco
expira um único ai
com força
com mais aaaa que i

Isso assim

Agora o ai-de-dor
repetido tantas vezes quanta a dor sofrida
breve
embrulhado em esgar
franzido e molhado

Isso assim

Por fim um ai-de prazer
insiste
insiste
em movimento
ritmado e batido
cada vez mais rápido
cada vez mais
mais ainda
mais
gutural-e-grunhido

Isso assim
Isso assim
Isso assim
Isso assiim

Pára
Pára
Pára
Páára jáá

Isso
assiiim
de mansinho

Sim
Acabou o jogo do tom
Fim


Daniel Sant'Iago
foto: Samantha Wolov

segunda-feira, 27 de agosto de 2007


Pensamentos que reúnem um tema


Estou pensando nos que possuem a paz de não pensar,
Na tranqüilidade dos que esqueceram a memória
E nos que fortaleceram o espírito com um motivo de odiar.
Estou pensando nos que vivem a vida
Na previsão do impossível
E nos que esperam o céu
Quando suas almas habitam exiladas o vale intransponível.
Estou pensando nos pintores que já realizaram para as multidões
E nos poetas que correm indefinidamente
Em busca da lucidez dos que possam atingir
A festa dos sentidos nas simples emoções.
Estou pensando num olhar profundo
Que me revelou uma doce e estranha presença,
Estou pensando no pensamento das pedras das estradas sem fim
Pela qual pés de todas as raças, com todas as dores e alegrias
Não sentiram o seu mistério impenetrável,
Meu pensamento está nos corpos apodrecidos durante as batalhas
Sem a companhia de um silêncio e de uma oração,
Nas crianças abandonadas e cegas para a alegria de brincar,
Nas mulheres que correm mundo
Distribuindo o sexo desligadas do pensamento de amor,
Nos homens cujo sentimento de adeus
Se repete em todos os segundos de suas existências,
Nos que a velhice fez brotar em seus sentidos
A impiedade do raciocínio ou a inutilidade dos gestos.
Estou pensando um pensamento constante e doloroso
E uma lágrima de fogo desce pela minha face:
De que nada sou para o que fui criada
E como um número ficarei
Até que minha vida passe.



Adalgisa Nery
Cândido Portinari

Comecei a semana já completamente exausta. Trabalhei no fim de semana, queimei muitos neurônios e não sei muito bem o que pretendo postar por aqui nesta semana. Costumo seguir a intuição, mas prevalece sempre a informação acima de qualquer sentimento.

Mas sei lá, acho que vou mudar. Mas não tenho muita certeza. Por defeito de personalidade, tenho normalmente muitas dúvidas a respeito de novas decisões. Penso alto, um meio estranho de tentar clarear as idéias. Também me adianta pouco tentar entender o porquê de querer mudar, vou mudar e pronto.

Nessa semana, por aqui só vai haver poesia, vou logo avisando. Mas se eu mudar de opinião durante a semana, até porque é bastante possível que a monotonia me assalte, me perdoem o aviso precipitado.

A propósito, depois dessa pública reflexão, dei um pulinho no Plan(o)alto e vi que O'Sanji postou uma poesia de Adalgisa Nery, poeta que adoro. Então é com ela que vou começar a semana.



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