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quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

Campanha denuncia casos de discriminação e xenofobia



Eu sou daquelas que sempre espera de pessoas com um certo nível de instrução um comportamento diferente ao de pessoas ignorantes. É muito triste ter ainda notícias de preconceito e xenofobia, e pior ainda, vindo de universitários e professores. Muito triste mesmo... Obviamente sofri preconceito em Portugal, por ser brasileira e mulher, mas acreditava que isso tivesse mudado, afinal de contas, muitos anos se passaram, mas enfim, pelo visto, pouco ou nada mudou. É mesmo triste...




"Os brasileiros e negros deviam todos morrer". A frase, segundo o cartaz, estaria escrita em uma carteira da Fluc (Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra), em Portugal.



"'O que é isso' nada! Calas a boca ou levas umas bofetadas". A frase, segundo o cartaz, foi dita por um jovem português, depois de cuspir no rosto da mulher que segura o cartaz.



"Burro! Aprenda a falar/escrever o português direito. Tudo isso porque sou brasileiro".



'Mas você é brasileira!' Quando recusei uma investida sexual".




"Sabe o que brasileira fala quando vai tirar foto? Pênis. Depois ele sorriu ironicamente".


As frases expostas nos cartazes fazem parte de uma campanha de denúncias de casos de discriminação e xenofobia surgidas durante as eleições para a Associação Acadêmica de Coimbra, da Universidade de Coimbra, em Portugal, em novembro de 2013. A chapa Lista R - AAC, composta por estudantes portugueses e brasileiros, que tinha como principal bandeira a luta contra discriminações dentro e fora da Universidade de Coimbra. "O objetivo era fazer com que as pessoas, ao lerem os cartazes, se dessem conta do quanto alguns comentários, que às vezes não passam de brincadeiras, são ofensivos e refletem o quanto os preconceitos estão enraizados na cultura", informou a chapa.

Acho ingênuo demais chegar à hipótese de dizer que esse tipo de comentários são ditos em tom de brincadeira, só por que a agressão vem acompanhada de um sorriso? Tenha dó! Ainda bem que alguns acordaram para a existência do preconceito nesta Universidade. E em quantas mais não existirá, não é mesmo?




fonte:UOL

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009

Xenofobia na Suíça

Imprensa suíça levanta dúvidas sobre caso da brasileira


A imprensa suíça levanta dúvidas, nas edições desta sexta-feira, sobre o caso da brasileira Paula Oliveira, que afirma ter sido atacada por três neonazistas na Suíça.

Uma das publicações suíças indica, ainda, que a própria polícia de Zurique é cética sobre a versão da advogada. A maior parte das reportagens trata o assunto com cautela.

Paula foi atendida pela polícia na segunda-feira com ferimentos com objetos cortantes na pele, formando a sigla do partido de ultra-direita SVP. O ataque teria ainda provocado um aborto dos bebês gêmeos que ela esperava.

O Neue Zürcher Zeitung, um dos diários de maior prestígio na Suíça, denomina o caso como o de "uma jovem brasileira encontrada com cortes no corpo" em uma estação de trem de Zurique.

Como a maioria dos veículos suíços, o jornal cita a imprensa no Brasil, afirmando que o incidente tomou uma dimensão política no país, onde "está sendo considerado um ataque racista".

Interrogações

Interrogações marcam o tom das reportagens publicadas nesta sexta-feira na Suíça. "Como poderiam três homens atacar uma mulher por volta das 19h30, sem chamar a atenção, em uma estação de trem bem frequentada?" é uma das perguntas lançadas pela edição desta sexta-feira do diário Tages-Anzeiger, de Zurique.

O jornal questiona ainda por que somente na quinta-feira a polícia convocou testemunhas, como era possível que fossem gravadas letras tão legíveis no corpo de alguém que tentava se defender, e por que nenhum neonazista teria sido percebido no bairro até então.

O diário NEWS afirma ter sabido de "fontes internas bem informadas" que a polícia duvida da gravidez e das informações de que a mulher foi atacada por neonazistas.

A polícia de Zürique não quis dar, quando questionada, informação alguma sobre o estado das investigações devido a proteção privada das pessoas e por respeito ao andamento das investigações.

Já o Solothurner Zeitung intitula sua reportagem com a frase: "Teriam neonazistas torturado brasileira"?

O St Galler Tagblatt segue linha similar estampando sua manchete com a interrogação: "Brasileira grávida torturada por neonazistas?".

Relatos de parentes

O jornal Le Temps, de língua francesa, destaca que as informações que se conhecesse sobre o caso foram as publicadas pela mídia brasileira, a partir de relatos de parentes da vítima, já que a polícia local não divulgou detalhes.

Segundo o jornal, a polícia de Zurique "conclui que as circunstâncias exatas do incidente não são claras". "E ela não pode dar nenhuma informação sobre o estado de saúde da mulher ou do andamento do inquérito por ‘razões táticas'", afirma o texto.

O diário La Tribune de Genève, por sua vez, em um texto intitulado "Uma brasileira grávida foi mutilada por neonazistas", descreve como "horror" a reação às fotos de Paula com marcas pelo corpo.

O jornal observa, porém, que "a polícia não confirma o depoimento da jovem". "[A polícia] ainda tem que entrevistá-la sobre os fatos e buscar testemunhas para a tragédia", diz o texto.

A agressão

A bacharel em Direito brasileira Paula Oliveira, de 26 anos, foi agredida por três homens brancos, com cabelo raspados, na noite de segunda-feira (9) em Dubendorf, cidade que fica perto de Zurique. Grávida de gêmeos havia três meses, ela acabou perdendo as crianças e sofreu cortes em todas as partes do corpo.

Segundo relatos que fez para o pai, ela havia acabado de sair do trem e ia em direção à casa onde reside com o companheiro, Marco Trepp, quando, segundo ela, foi surpreendida por três homens, aparentemente neonazistas.

“Deram socos, chutaram e a cortaram com estiletes no corpo inteiro e até fizeram a sigla SVP nas pernas”, afirmou Paulo Oliveira, pai da brasileira, em entrevista por telefone, de Zurique. “Eles tinham suásticas na cabeça”, informou ele.

Paulo Oliveira, que é secretário parlamentar, foi avisado por ela, por telefone, sobre o ocorrido na madrugada de terça-feira (10), pelo horário de Brasília. Em seguida, avisou ao deputado federal Roberto Magalhães (DEM-PE), para quem trabalha, e também ao senador Marco Maciel (DEM-PE) e pegou o primeiro voo em direção a Zurique, juntamente com a mãe de Paula, Geni.

Na quarta-feira (10), Paula foi encaminhada novamente ao Hospital da Universidade de Zurique. “Ela foi chamada para tomar vacinas antivirais. Como foi ferida por objetos cortantes, os estiletes poderiam estar contaminados com hepatite ou outra doença”, disse ele.

O pai da vítima contou ainda que a polícia ainda não procurou a filha para obter mais detalhes do ataque. "Aparentaram nenhum interesse. Aparentemente estão trabalhando sem nos dar informação", afirmou. "Mas neste momento a prioridade é cuidar da minha filha. Ela está em estado de choque", completou.

Segundo a cônsul-geral do Brasil em Zurique, Vitoria Cleaver, em entrevista à Globo News, a polícia ainda não tem pistas sobre os agressores. Ela informou que o consulado está em contato com a polícia para se informar sobre o caso.

Paula e os pais devem voltar a Recife em uma semana. "Depois eu não sei, não quero fazer conjecturas. Ela trabalha para uma empresa aqui e precisa ver o que a empresa vai querer. Não sabe ainda se voltará para Zurique", disse. Segundo o Itamaraty, Paula vive legalmente no país.

A cônsul-geral do Brasil em Zurique disse que conversou apenas por telefone com Paula. Mas que tentou um contato com a polícia suíça. "Tomamos conhecimento sobre este tema através da assessoria internacional do estado de Pernambuco na terça-feira pela manhã", disse.

Cleaver contou ainda que conversou com o policial que fez o atendimento de Paula logo após o namorado dela ter chamado a polícia.

"O policial que a atendeu e chamou a ambulância deu o cartão dele para ela e foi com ele que fiz o primeiro contato. Estranhamente, ele pediu que fizesse o pedido do que queria por escrito. Depois, também por escrito, disse que, se o consulado quisesse mais informações, falasse com a própria vítima", afirmou.

A cônsul-geral disse que SVP é a sigla de um dos principais partidos políticos suíços (Centro da União Democrática, em livre tradução).

"Uma facção do partido tem uma posição muito dura em relação à questão da imigração. Um grupo era contrário ao referendo (que pode dar mais abertura a imigrantes no país). Acham que tem com o aumento da imigração tem trazido mais problemas, mais concorrência e piora no serviço de saúde e na criminalidade", disse ela.

No domingo, quase 60% da população foi favorável à abertura do país para mais dois países. Antes eram 25 e agora romenos e búlgaros também terão livre acesso na Suíça como integrantes da comunidade europeia. Assim, terão os mesmos direitos de trabalho.

n.e.: leiam o resto da notícia aqui,já que a vítima, em questão, simulou a violência que sofreu.


fonte:BBC Brasil e G1

terça-feira, 11 de setembro de 2007

Xenofobia cresce na Suíça

A direita escandaliza a ONU com sua campanha contra o "estrangeiro criminoso"


Alguns humoristas locais já falam na crise das ovelhas, referindo-se à propaganda eleitoral que é vista em todas as ruas da Suíça nos últimos dias. No cartaz citado, podem-se ver três desses animais situados sobre uma bandeira suíça, dando uma patada com os membros traseiros em uma ovelha negra, que expulsam do quadro. Esse pôster aparentemente inocente causou uma tempestade no habitualmente tranqüilo país alpino.



O desenho em questão não é mais que o último capítulo de uma longa série de provocações feitas pelo SVP-UDC (Partido Popular da Suíça), a formação nacionalista do caudilho de direita Christoph Blocher. O que marca a diferença de outras campanhas do mesmo tipo que possam existir na Europa é que o homem que dirige esse partido não é um radical nem um messiânico exaltado, mas sim um poderoso e brilhante industrial de Zurique que ocupa o cargo de conselheiro federal (equivalente a ministro) da Justiça e da Polícia.

A ovelha negra não seria outra coisa senão a óbvia metáfora escolhida pelo SVP-UDC para simbolizar os "criminosos estrangeiros" que, segundo eles, "abusam do sistema, fazem badernas e traficam drogas" na Suíça. Estrangeiros indesejáveis que o partido de Blocher, capitaneado por seu presidente, Ueli Maurer, deseja ver deportados o quanto antes.

A mensagem calou fundo entre seus conterrâneos, já que o SVP-UDC é o que possui maior número de assentos no Parlamento, com quase 30% dos votos. Veremos o que acontece nas eleições parlamentares de 21 de outubro próximo.

A campanha, que incluiu a remessa de suas propostas de porta em porta, chamou a atenção inclusive da Organização das Nações Unidas. O relator especial para Racismo da ONU, o senegalês Doudou Diène, viu-se obrigado a alertar as autoridades sobre o perigo de "desvios xenófobos" em um país que se orgulha de sediar organismos internacionais como o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos ou a Cruz Vermelha Internacional.

"A guerra das ovelhas"
A guerra das ovelhas é uma pedra a mais num edifício que inclui propostas como a proibição de construir minaretes nas mesquitas suíças, punir com a deportação toda a família de um criminoso estrangeiro menor de idade ou a abolição das leis que proíbem o discurso racista, já que atentariam contra a "livre expressão", segundo os membros dessa formação.

Também cabe mencionar a já célebre campanha de 2004 que mostrava mãos negras, amarelas e morenas agarrando avidamente passaportes suíços, numa clara referência ao risco de invasão de um país que já conta com a maior porcentagem de estrangeiros na Europa. Basta lembrar que só na cidade de Genebra mais de 40% dos residentes não nasceram na Suíça, país que hoje abriga cerca de 120 mil espanhóis.

Dos 22% de estrangeiros que vivem aqui, os que ocupam o papel de ovelhas negras aos olhos dos eleitores do SVP-UDC costumam ser os imigrantes procedentes da ex-Iugoslávia ou de países balcânicos, que chegaram à Suíça depois da guerra que assolou a região nos anos 90. Também são malvistos turcos e africanos - que são associados ao tráfico de drogas - e muçulmanos em geral, apesar de se poder dizer que este coletivo está muito mais integrado ao país que em outros ao redor. Igualmente, as hostes de Blocher denunciam que 70% dos detentos nos presídios suíços são estrangeiros ou requerentes de asilo, assim como costumam ser de origem estrangeira os criminosos sexuais, que deram muito o que falar à mídia suíça nos últimos anos.

Outro escândalo recente é o que envolveu Giuliano Bignasca, líder da Lega Ticinese, no cantão de Ticino, de língua italiana, que criticou abertamente que na seleção de futebol houvesse três africanos, fato para ele inaceitável, já que "a Suíça não teve um passado colonial". O político radical chegou a sugerir ironicamente que o antes mencionado Doudou Diène fosse nomeado "treinador da equipe nacional", com a imaginável avalanche de críticas por parte da imprensa e da opinião pública.

Segundo diversos observadores, "todo esse debate não reflete nenhuma exceção, o único excepcional é que na Suíça se fala abertamente de problemas que afetam quase todos os países da Europa".

Prejuízo incalculável
Um alto membro do governo comentou a este jornal, sob a condição de manter o anonimato, que "toda essa situação, e a atenção internacional que está tendo, estão causando um prejuízo incalculável para a imagem da Suíça".

Diante do enorme peso do SVP-UDC no mapa político local, as cartas parecem estar dadas, mas o eleitorado enfrenta um grande dilema antes das votações de 21 de outubro próximo. Este poderia ser resumido assim: deixar que Blocher continue fazendo parte do Executivo e seja presidente da Confederação Helvética em 2009 (um cargo rotativo) ou tirá-lo do governo. A opção de Blocher presidente da Suíça não parece muito grata aos olhos da maioria dos cidadãos, mas a outra opção poderia ser ainda pior.

Em um recente debate televisivo, o caudilho de Zurique advertiu claramente: "Serei ainda mais perigoso fora do governo, porque agora conheço por dentro os mecanismos do poder".

O sistema político
O sistema político que rege a Suíça é único no mundo. Suas origens remontam a 1291, quando os três cantões originais rejeitaram a ingerência de "juízes estrangeiros" e assentaram as bases do que, séculos depois, seria a Confederação Helvética. Nascia assim a via suíça de democracia direta.

Hoje a Suíça é dirigida pelo Conselho Federal (o Executivo), do qual fazem parte os popularmente conhecidos como sete sábios: os ministros que, de forma rotativa, ocupam a presidência do país por períodos de um ano. Dos sete membros do governo, dois são socialistas, dois radicais, uma democrata-cristã e dois pertencem ao SVP-UDC. A atual presidente é a socialista Micheline Calmy-Rey. O Executivo é eleito a cada quatro anos pela Assembléia Federal, que é fruto da união do Conselho Nacional (Câmara baixa, formada na Suíça por 200 deputados) e o Conselho de Estado (Câmara alta, 46 deputados, dois para cada um dos 23 cantões). Na votação de 21 de outubro os cidadãos suíços vão renovar seus 200 deputados e 44 dos 46 senadores.

O Executivo reflete de maneira bastante exata o equilíbrio de forças políticas no Parlamento e funciona de maneira colegiada. Se não houver grandes surpresas nas eleições, a Assembléia Federal reelegerá Christoph Blocher em 12 de dezembro. Em 1º de janeiro, Blocher deveria assumir as funções de vice-presidente e em 2009 as de presidente da Suíça. Daí a importância crucial dessa votação.

n.r.:É sempre horrível observar qualquer manifestação xenófoba ou qualquer atitude preconceituosa. Acho que vivemos hoje uma época muito complicada onde o respeito pelo próximo virou artigo de luxo, o que não significa que apenas o país que acolhe imigrantes seja responsável por esta falta de respeito e/ou civilidade. Há pessoas que não têm a mínima capacidade de viver em sociedade, seja em seus países de origem ou nos países para o qual imigram. A única verdade, é que é do conhecimento dos europeus, e de quem já viveu na Europa, do repúdio dos partidos de extrema direita a qualquer imigrante.


fonte:El País
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