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sábado, 16 de fevereiro de 2008

"Tropa de Elite" vence e leva o Urso de Ouro em Berlim

Não é habitual eu postar por aqui no fim de semana, mas a ocasião é especial quando se trata de cinema brasileiro, e nesse caso, gostando ou não do roteiro do filme "Tropa de Elite", merece aqui comemorar a notícia de que levamos - sim, nós, brasileiros - o prêmio pelo melhor filme do Festival de Berlim.

José Padilha

. . .


O filme brasileiro "Tropa de Elite", de José Padilha, foi o vencedor do Urso de Ouro de Melhor Filme em Berlim. O Urso de Prata ficou com o documentário sobre tortura em em Abu Ghraib "Standard Operating Procedure", do norte-americano Errol Morris.

Da esquerda para a direita: Wagner Moura, Caio Junqueira e André Ramiro em "Tropa de Elite"

Apesar da recepção majoritariamente negativa que teve na mídia internacional - a produção brasileira chegou a ser chamada de "fascista" pela revista americana "Variety" -, "Tropa de Elite" desbancou os favoritos "Sangue Negro", de Paul Thomas Anderson, e a comédia "Happy-Go-Lucky", de Mike Leigh.

Na sexta-feira (15), Padilha rebateu às críticas internacionais dizendo que, independente de se gostar ou não de "Tropa de Elite", o importante é o debate que o filme teria causado.

Além do filme de Padilha, mais uma produção brasileira foi premiada em Berlim: Daniel Ribeiro recebeu o Prêmio Geração 14 Plus, voltado ao público jovem, pelo curta-metragem "Café com Leite".

Sucesso Popular
Antes mesmo de sua estréia no Brasil, dia 5 de outubro de 2007, o filme "Tropa de Elite" já era um dos mais comentados da história do cinema brasileiro, por conta da inédita pirataria de cópias não-finalizadas do longa-metragem. Mesmo assim, o foi o filme brasileiro mais visto de 2007, encerrando o ano com 1,9 milhão de pagantes nos cinemas (a estimativa de cópias piratas vendidas é de 11,5 milhões).

Maria Ribeiro e Wagner Moura, que formam um casal no filme

Antes mesmo de sua estréia no Brasil, dia 5 de outubro de 2007, o filme "Tropa de Elite" já era um dos mais comentados da história do cinema brasileiro, por conta da inédita pirataria de cópias não-finalizadas do longa-metragem. Mesmo assim, o foi o filme brasileiro mais visto de 2007, encerrando o ano com 1,9 milhão de pagantes nos cinemas (a estimativa de cópias piratas vendidas é de 11,5 milhões).

Polêmica
"Tropa de Elite" também foi alvo de críticas no Brasil, por conta da maneira como trata temas polêmicos como a violência policial no combate ao crime, a responsabilidade dos compradores de drogas e a suposta hipocrisia das passeatas de paz organizadas pela classe média. Diversas vezes o diretor José Padilha e o protagonista Wagner Moura tiveram que defender-se da acusação de "fascismo" e apologia à violência no filme - a ponto do ator, ainda em outubro, já se dizer cansado de responder às mesmas críticas.

Estratégia Internacional
A vitória de "Tropa de Elite" em Berlim faz parte de uma estratégia da Weinstein Company, que detém os direitos do filme fora do Brasil. Os irmãos Bob e Harvey Weinstein (ex-donos da Miramax) resolveram retirar o filme de do Festival de Sundance, em janeiro, para fazê-lo competir na Berlinale e no Festival de Cannes, que acontece em maio.

Dessa forma, "Tropa de Elite", pelo menos por enquanto, opta por uma carreira européia - ainda mais depois de ser preterido na indicação nacional ao Oscar por "O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias", de Cao Hamburguer, que não chegou à seleção final. Em setembro, enquete realizada pelo UOL apontou que 61,64% dos internautas indicariam o filme de José Padilha como candidato brasileiro ao Oscar.

Os vencedores:

- Melhor Filme: "Tropa de Elite", de José Padilha
- Prêmio Especial do Júri: "S.O.P. - Standard Operating Procedure", de Errol Morris
- Melhor Diretor: Paul Thomas Anderson ("Sangue Negro")
- Melhor Contribuição Artística: Jonny Greenwood (Radiohead), pela trilha sonora de "Sangue Negro"
- Melhor Roteiro: Wang Xiaoshuai ("In Love We Trust")
- Melhor Ator: Reza Najie ("The Song of Sparrows")
- Melhor Atriz: Sally Hawkings ("Happy Go Lucky")
- Melhor Filme de Estréia: "Asyl - Park and Love Hotel", de Kumasaka Izuru

n.r.: só um adendozinho: Padilha podia ter se apresentado sem o gorro, acredito piamente que a sala estivesse climatizada, enfim...


fonte:UOL

segunda-feira, 11 de fevereiro de 2008

"Tropa de Elite" no Festival de Berlim

Aplausos e flores para a equipe de 'Tropa' em Berlim


Ao fim da sessão oficial competitiva de "Tropa de Elite" no Festival de Berlim, a platéia reagiu com aplausos moderados. Mas isso não necessariamente significa desapreço ao filme. Quando perguntei ao espectador alemão sentado ao meu lado se ele não havia gostado do filme, já que aplaudia com pouco entusiasmo, a resposta foi: "Gostei, sim. É um filme muito pesado, mas acho que não poderia ser de outro jeito. Se você quer mudar essa realidade, tem de mostrá-la com todas as letras".



O tom sóbrio foi também o que Padilha adotou quando subiu ao palco, antes de chamar sua equipe. "Muito obrigado. Estamos todos muito honrados de estar aqui no Festival de Berlim. Estamos honrados, mas obviamente não podemos estar felizes, por causa desta situação no Brasil." Em seguida, ele chamou ao palco os integrantes da equipe que vieram a Berlim _os atores Wagner Moura (intensamente aplaudido) e Maria Ribeiro (única mulher no grupo, recebeu do festival um delicado arranjo de flores), o fotógrafo Lula Carvalho, o assistente de direção Rafael Salgado, o produtor Marcos Prado, o distribuidor internacional Harvey Weinstein e o co-produtor argentino Eduardo Costantini, entre outros.

"Não tenho muita experiência em sessões de festival, mas achei que foi boa", comentou Wagner na saída, antes de ser abordado por uma família de fãs brasileiras _duas filhas adolescentes com a mãe, que frisou: "A mãe também quer foto [ao lado do ator]".

Durante a sessão, o público teve um único momento de descontração. A risada foi grande na cena em que, durante o curso de treinamento dos novos oficiais do Bope, o Capitão Nascimento pronuncia a palavra "estratégia" em diversas línguas - com pequeníssimas variações. Quando ele fala em alemão, o público gargalhou.

A primeira sessão de "Tropa de Elite" em Berlim, de manhã, para a imprensa, foi marcada por um atropelo. Diferentemente do que acontece com todos os outros longas, a cópia com legendas em inglês não estava disponível - por razões ainda não esclarecidas. Foi exibida uma versão legendada em alemão, que é preparada para a projeção na sessão oficial. A alternativa dos jornalistas que não falam nem alemão, nem português era usar tradução simultânea em fones de ouvido, que o festival disponibiliza. Mas, com seus diálogos sobrepostos e velozes, "Tropa de Elite" não é a obra mais indicada para esse tipo de expediente. Jornalistas que usaram o fone comentavam que ficaram sem a tradução de parte do conteúdo do filme.

Na entrevista coletiva após a projeção da manhã, Padilha estava afiado. Criticou a polícia, os traficantes, a crítica cinematográfica. Disse que fez esse filme para mostrar que é insustentável a situação de um país em que a polícia acredita que violência se combate com mais violência. Ele respondeu perguntas sobre a pirataria, a reação do público brasileiro ao filme e disse (em três ocasiões) que é a favor da legalização das drogas.

Ao abordar o debate provocado por "Tropa de Elite" no Brasil, que classificou como o maior da história do país em torno de um filme, ele disse que temos o hábito de interpretar de modo distinto a cinematografia americana e nossa própria. "Quando Scorsese, que é um dos meus ídolos como diretor e esteve neste festival [com "Shine a Light", o filme de abertura, hors-concours] faz um filme como 'Os Bons Companheiros', ninguém diz que ele é pró-máfia. Eu fui acusado de ser radical de direita porque fiz 'Tropa de Elite', um filme com o ponto de vista de um policial, e fui acusado de ser radical de esquerda quando fiz 'Ônibus 174', com a perspectiva do seqüestrador [do coletivo no Rio, Sandro Nascimento]".

por Silvana Arantes, em Berlim

Mais sobre o Festival de Berlim, aqui.


fonte:Folha Online

quinta-feira, 20 de setembro de 2007

Festival do Rio 2007

"Tropa de Elite" abre o Festival



Wagner Moura em "Tropa de Elite", filme que abre o Festival do Rio 2007

Em vez das bancas de camelôs, o mais luxuoso cinema carioca. Em sua primeira exibição pública, "Tropa de Elite", o polêmico e pirateado filme de José Padilha, vai abrir nesta quinta-feira o Festival do Rio 2007, em uma sessão para convidados no Cine Odeon. Depois de ver cenas de tortura e corrupção policial, os convivas de black-tie (traje sugerido pela direção do evento) seguirão para a festa no Centro Cultural da Ação da Cidade, no bairro da Saúde.

Esse será apenas o começo da nova edição de um dos maiores eventos cinematográficos do país, que vai exibir mais de 300 filmes de 60 países em 30 locais da cidade até o dia 4 de outubro. Nos últimos anos, o Festival do Rio notabilizou-se como a principal vitrine do cinema nacional, antecipando quais filmes merecerão atenção da crítica e do público. Nesta edição, não deverá ser diferente, com uma seleção de grande força, com 34 longas e 24 curtas.

Além de "Tropa de Elite", alguns dos destaques devem ser "Jogo de Cena", de Eduardo Coutinho, primeiro filme do documentarista a utilizar atrizes profissionais em décadas (no caso, Fernanda Torres, Marília Pêra e Andréa Beltrão); "Mutum", de Sandra Kogut, e "A Via Láctea", de Lina Chamie, ambos exibidos com sucesso em Cannes; e os documentários "Andarilho", de Cao Guimarães, e "Rita Cadillac, a Lady do Povo", de Toni Venturi.

Mas a força do festival não se resume aos brasileiros. Na mostra Panorama do Cinema Mundial, a principal dedicada ao cinema estrangeiro, estão filmes como "4 Meses, 3 Semanas e 2 Dias", do romeno Cristian Mungiu, Palma de Ouro em Cannes; "Lust, Caution", do taiwanês Ang Lee, vencedor do Festival de Veneza, "I Don't Want to Sleep Alone", do malaio Tsai Ming-liang; e "Belle Toujours", do português Manoel de Oliveira. A seleção americana também impressiona pelos nomes dos diretores envolvidos: "Império dos Sonhos", do David Lynch; "Paranoid Park", de Gus Van Sant; "À Prova de Morte", de Quentin Tarantino; "Sicko", novo documentário de Michael Moore.

Nesta edição, o país homenageado será a China, com 12 produções recentes, como "A Maldição da Flor Dourada", de Zhang Yimou, e oito clássicos das décadas de 30 e 40, como "This is My Life", de Shi Hui. Outros eventos especiais serão as mostras dedicadas à produtora da estilista francesa Agnes B., ao documentarista americano Stanley Nelson e ao mito do faroeste John Wayne. Mais informações no site http://www.festivaldorio.com.br/site/.


fonte:UOL
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