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terça-feira, 10 de abril de 2007

Portugal sanciona a lei do aborto

Cavaco Silva sugere várias recomendações na sua aplicação


"Aborto, um mal social a ser prevenido", (Cavaco Silva).
O chefe do Estado português, o conservador Aníbal Cavaco Silva, decidiu nesta terça-feira (10) sancionar a lei que descriminaliza a interrupção voluntária da gravidez durante as primeiras 10 semanas. Ele, porém, sugeriu várias recomendações para sua aplicação.

O presidente, que tinha poder de veto sobre a norma, optou por promulgar o projeto aprovado no Parlamento depois de 59,25% dos portugueses apoiarem a medida em referendo, no dia 11 de fevereiro, embora o resultado da consulta não fosse de cumprimento obrigatório, uma vez que a abstenção ultrapassou a metade do eleitorado.

Em comunicado à Assembléia Legislativa, que acompanhava a promulgação da lei, o presidente lembrava ainda que esta foi aprovada após a realização de um plebiscito que não contou com a participação de 50% dos eleitores necessária para ter validade jurídica segundo o artigo 115 da Constituição.

No entanto, o chefe de Estado afirma que o Parlamento não está juridicamente vinculado ao resultado do plebiscito, e que o Partido Socialista (PS, no Governo e promotor da iniciativa) poderia aprovar o decreto de acordo com as concorrências que a Constituição atribui a ele.

Cavaco Silva, que se tornou primeiro-ministro pelo Partido Social Democrata (PSD, principal da oposição), disse, no entanto, que na hora de tomar a decisão de sancionar a lei não pôde ignorar o desejo de 59,25% dos eleitores e a aprovação da medida no Parlamento.

A medida foi aprovada em 8 de março com o apoio do PS, do Partido Comunista Português, do Partido Verde, do Bloco de Esquerda e de parte dos deputados do PSD.

A lei atual, de 1984, impõe penas de até três anos de prisão à mulher que se submeter a um aborto ilegal, e de dois a oito anos ao médico que realizar a operação, mas permite o aborto nas primeiras 12 semanas em caso de estupro ou em caso de risco para a vida ou a saúde da mãe.



O governo

O ministro dos Assuntos Parlamentares, Augusto Santos Silva, congratulou-se hoje com a decisão do Presidente da República de promulgar a nova lei de despenalização do aborto e prometeu que o Governo irá tomar em consideração as recomendações que Cavaco Silva enviou à Assembleia da República.

"Todas as sugestões e alertas contidos na mensagem do Presidente da República serão obviamente tidos em consideração na regulamentação e na aplicação da lei", disse Augusto Santos Silva, numa declaração enviada à Lusa e feita em nome do Governo.

"Trata-se de uma iniciativa conduzida pela maioria parlamentar [socialista] e cuja conclusão representa o cumprimento de um dos mais importantes compromissos eleitorais assumidos pelo PS em 2005 — compromisso a que o programa do Governo também se refere —", salientou o membro do executivo.

Augusto Santos Silva disse ainda que o Governo "encarou com naturalidade" a decisão do Presidente da República de promulgar a lei em virtude "do resultado verificado no referendo realizado no passado dia 11 de Fevereiro", mas também porque a lei foi depois "aprovada por uma muito ampla maioria de deputados na Assembleia da República".

A decisão de Cavaco Silva, anunciada no site da Presidência da República, é acompanhada de uma mensagem enviada à Assembleia da República "em que identifica um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a assegurar um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença".

As recomendações

O Presidente da República promulgou hoje a lei da exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez, tendo enviado à Assembleia da República uma mensagem em que identifica um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a assegurar um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença.

É o seguinte o teor da mensagem enviada pelo Presidente da República à Assembleia da República:

Nos termos do artigo 134º, alínea b), da Constituição, decidi promulgar como Lei o Decreto nº 112/X, da Assembleia da República, que regulou a exclusão da ilicitude nos casos de interrupção voluntária da gravidez.

No uso da faculdade prevista na alínea d) do artigo 133º da Constituição, entendi fazer acompanhar o acto de promulgação de uma mensagem à Assembleia da República.

1. Como é do conhecimento público, o Decreto nº 112/X foi aprovado na sequência do referendo sobre a interrupção voluntária da gravidez que se realizou no dia 11 de Fevereiro de 2007, o qual não logrou obter a participação de votantes necessária para que o mesmo se revestisse, nos termos do artigo 115º, nº 11, da Constituição, de carácter juridicamente vinculativo.

2. Não se encontrando a Assembleia da República juridicamente vinculada aos resultados do citado referendo, entendeu todavia o legislador, no uso de uma competência que a Constituição lhe atribui, fazer aprovar o Decreto que agora me foi submetido a promulgação.

3. Para esse efeito, terá por certo concorrido a circunstância, a que o Presidente da República não pode ser indiferente, de naquele referendo ter sido apurada uma percentagem de 59,25 % de votos favoráveis à despenalização da interrupção voluntária da gravidez, nas condições e nos termos expressos na pergunta submetida à consulta popular e cuja constitucionalidade o Tribunal Constitucional, através do seu Acórdão nº 617/2006, deu por verificada.

4. De igual modo, não pode o Presidente da República ser indiferente à circunstância de o Decreto nº 112/X ter sido aprovado por uma larga maioria parlamentar.

5. Considero, todavia, que existe um conjunto de matérias que deve merecer especial atenção por parte dos titulares do poder legislativo e regulamentar, de modo a que, da concretização da legislação ora aprovada e de outras leis a emitir no futuro, se assegure um equilíbrio razoável entre os diversos interesses em presença.

6. Assim, prevendo a Lei que a «informação relevante para a formação da decisão livre, consciente e responsável» da mulher grávida, a que se refere a alínea b) do nº 4 do artigo 142º do Código Penal, seja definida através de portaria – opção que se afigura questionável, dada a extrema sensibilidade da matéria em causa – importa, desde logo, que a mulher seja informada, nomeadamente sobre o nível de desenvolvimento do embrião, mostrando-se-lhe a respectiva ecografia, sobre os métodos utilizados para a interrupção da gravidez e sobre as possíveis consequências desta para a sua saúde física e psíquica.

A existência de um «período de reflexão» só faz sentido, em meu entender, se, antes ou durante esse período, a mulher grávida tiver acesso ao máximo de informação sobre um acto cujas consequências serão sempre irreversíveis. E a decisão só será inteiramente livre e esclarecida se tiver por base toda a informação disponível sobre a matéria.

Por outro lado, afigura-se extremamente importante que o médico, que terá de ajuizar sobre a capacidade de a mulher emitir consentimento informado, a possa questionar sobre o motivo pelo qual decidiu interromper a gravidez, sem que daí resulte um qualquer constrangimento da sua liberdade de decisão.

Parece ser também razoável que o progenitor masculino possa estar presente na consulta obrigatória e no acompanhamento psicológico e social durante o período de reflexão, se assim o desejar e a mulher não se opuser, sem prejuízo de a decisão final pertencer exclusivamente à mulher.

É ainda aconselhável que à mulher seja dado conhecimento sobre a possibilidade de encaminhamento da criança para adopção, no âmbito da informação disponibilizada acerca dos apoios que o Estado pode dar à prossecução da gravidez, nos termos da alínea b) do nº 2 do artigo 2º da presente Lei.

A transmissão desta informação deve revestir-se de um conteúdo efectivo e concreto, não podendo cingir-se a uma mera formalidade, antes tendo de incluir todos e quaisquer elementos que esclareçam a mulher sobre a existência de procedimentos, medidas e locais de apoio do Estado à prossecução da gravidez e à maternidade.

A disponibilização da informação acima referida constitui algo que não só não contende com a liberdade de decisão da mulher, como representa, pelo contrário, um elemento extremamente importante, ou até mesmo essencial, para que essa decisão seja formada, seja em que sentido for, nas condições mais adequadas – quer para a preservação do seu bem-estar psicológico no futuro, quer para um correcto juízo de ponderação quanto aos interesses conflituantes em presença, quer, enfim, quanto às irreparáveis consequências do acto em si mesmo considerado.

7. Tendo em conta que o acompanhamento psicológico e social, durante o período de reflexão que precede a interrupção da gravidez, pode ser prestado não apenas em estabelecimentos oficiais mas também em estabelecimentos de saúde oficialmente reconhecidos (v.g., clínicas privadas especialmente dedicadas a esse fim), importa que o Estado assegure uma adequada fiscalização, designadamente através da implementação de um sistema de controlo da qualidade profissional e deontológica e, bem assim, da isenção daqueles que procedem a tal acompanhamento.

Na verdade, podendo não existir separação entre o estabelecimento onde é realizado o acompanhamento psicológico e social e aquele em que se efectua a interrupção da gravidez e tendo a Lei procurado garantir a imparcialidade e a isenção dos profissionais de saúde – determinando-se, nomeadamente, que o médico que realize a interrupção não seja o mesmo que certifica a verificação das circunstâncias que a tornam não punível –, considero que salvaguardas do mesmo teor devem ser asseguradas no que respeita ao acompanhamento psicológico e social, especialmente quando a interrupção da gravidez é realizada numa clínica privada.

Além disso, o Estado não pode demitir-se da função de criar uma rede pública de acompanhamento psicológico e social, para as mulheres que o pretendam, ou de apoiar a acção realizada neste domínio por entidades privadas sem fins lucrativos.

8. Para além do plano regulamentar, a exclusão dos profissionais de saúde que invoquem a objecção de consciência, prevista no nº 2 do artigo 6º, parece assentar num pressuposto, de todo em todo indemonstrado e ademais eventualmente lesivo da dignidade profissional dos médicos, de que aqueles tenderão a extravasar os limites impostos por lei e, além de informarem a mulher, irão procurar condicioná-la ou mesmo pressioná-la no sentido de esta optar pela prossecução da gravidez.

Não parece que a invocação da objecção de consciência à prática da interrupção da gravidez constitua, em si mesma, motivo para a desqualificação dos médicos para a prática de um acto de outra natureza – a realização de uma consulta com um conteúdo clínico informativo.

Esta exclusão é tanto mais inexplicável quanto, em situações onde podem existir legítimos motivos para suspeitar da imparcialidade e da isenção dos prestadores da informação, o legislador nada previu, nem evidenciou idênticas preocupações quanto à salvaguarda da autonomia das mulheres.

9. Além disso, é legítimo colocar a dúvida sobre se a invocação do direito à objecção de consciência pelos médicos e outros profissionais de saúde tem de ser feita obrigatória e exclusivamente de modo geral e abstracto – o que parece desproporcionado – ou se poderá ser realizada também selectivamente, de acordo com circunstâncias específicas transmitidas pela mulher, nomeadamente o recurso reiterado à interrupção da gravidez, a existência de pressão de outrem para a decisão tomada ou mesmo o sexo do embrião, cada vez mais precocemente determinável.

10. Considero que devem ser delimitadas de forma rigorosa as situações de urgência em que a interrupção da gravidez pode ter lugar sem a obtenção do consentimento escrito da mulher e sem observância do período de reflexão mínimo de três dias, nos termos do nº 6 do artigo 142º do Código Penal. Esta questão ganha agora uma acuidade acrescida com a despenalização da interrupção da gravidez, por opção da mulher, até às dez semanas.

11. Sendo a interrupção da gravidez um mal social a prevenir, como foi amplamente reconhecido por todas as forças que participaram na campanha do referendo, será anómalo que o legislador não tome providências que visem restringir ou disciplinar a publicidade comercial da oferta de serviços de interrupção da gravidez.

Assim, à semelhança do que fez em relação a outros males sociais, devem proscrever-se, nomeadamente, formas de publicidade que favoreçam a prática generalizada e sistemática da interrupção voluntária da gravidez, em detrimento de métodos de planeamento familiar cujo acesso o Estado está obrigado a promover e que, nos termos da presente Lei, se encontra vinculado a transmitir à mulher.

12. Justamente no quadro do planeamento familiar, tem igualmente o Estado a obrigação, agora ainda mais vincada, de levar a cabo uma adequada política de promoção de uma sexualidade responsável e de apoio à natalidade.

13. Registei o progresso efectuado no sentido de aproximar o conteúdo do diploma das soluções contidas na generalidade das legislações europeias nesta matéria, através da proposta de alteração apresentada no Plenário da Assembleia da República no dia 8 de Março, que determinou a obrigatoriedade de a mulher que se proponha interromper a gravidez ser informada sobre «as condições de apoio que o Estado pode dar à prossecução da gravidez e à maternidade».

14. Considero ainda que, se o processo legislativo em causa tivesse beneficiado de um maior amadurecimento e ponderação, talvez daí resultassem, como seria desejável, um consenso político mais alargado e soluções mais claras em domínios que se afiguram de extrema relevância, alguns dos quais atrás se deixaram identificados, a título exemplificativo.

Após a sua entrada em vigor, caberá então verificar se, na prática, esta Lei contribui efectivamente para uma diminuição não só do aborto clandestino como também do aborto em geral, o que implica uma avaliação dos resultados do presente diploma, a realizar pelo legislador num prazo razoável.

15. De todo o modo, no Decreto nº 112/X, aprovado por uma ampla maioria, encontram-se reunidas, no essencial, as condições para que se dê cumprimento aos resultados da consulta popular realizada no dia 11 de Fevereiro de 2007 e à pergunta então submetida a referendo.

Além disso, os aperfeiçoamentos introduzidos no decurso do debate parlamentar constituem, na medida em que se tenham em consideração as observações atrás formuladas, um passo para conciliar a liberdade da mulher e a protecção da vida humana intra-uterina, valor de que o Estado português não pode, de modo algum, alhear-se.

Lisboa, 10 de Abril de 2007




fonte:G1, jornal O Público, site oficial da Presidência da República Portuguesa.

quarta-feira, 4 de abril de 2007

Meu mundo por chocolate

Eles se autodefinem chocólatras e reconhecem a dependência


Na época da Páscoa geralmente as pessoas aproveitam para saciar a vontade de comer chocolate e se esbaldam comprando ovos, caixas de bombom e barras de chocolate. Mas para um grupo específico a tentação vem em qualquer dia, a qualquer hora. São os chamados “chocólatras”, viciados na iguaria, seja pelo prazer que ela proporciona, seja até mesmo pelos bons momentos a que ela remete.

A publicitária Patrícia Losano Khouri, de 31 anos, fez até promessa como demonstração de amor à iguaria. Ela come chocolate 325 dias por ano. Os outros 40 dias são de pura abstinência. “Não como chocolate durante a Quaresma (período entre o carnaval e a Páscoa). É um sacrifício que faço, uma penitência”, disse.

Como toda promessa, o cumprimento é feito a duras penas. “Estou sonhando com o domingo de Páscoa. Você sente o gosto do chocolate. É desesperador”, contou ela, que disse não tirar da cabeça a imagem de um outdoor que viu na rua com diferentes e deliciosos ovos de Páscoa.

A estudante Hanna Goldenstein, de 21 anos, não quis esperar o feriado. “Já comi um ovo”, admitiu ela, que recorre ao doce em momentos de aflição. “Quando estou nervosa, como chocolate. Ele me dá uma sensação de calmaria, me deixa relaxada”.

O privilégio não é só de Hanna. O psiquiatra Arthur Kaufman explicou que o chocolate está ligado a sensações de bem-estar. “Comer chocolate estimula a produção da endorfina, que dá a sensação de prazer, e da serotonina, neurotransmissor responsável pelo humor”, disse ele, que trabalha no Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo (HC).

O médico explicou que, como pessoas depressivas têm a taxa de serotonina baixa, acabam usando o chocolate como antidepressivo. Até porque, na maioria dos casos, o doce traz boas lembranças. “O chocolate está presente em todos os melhores momentos da vida. Remete a festas, bolo, brigadeiro”, disse Kaufman.

Se a intensidade de alegria de uma pessoa estivesse condicionada à quantidade de chocolate que ela come, Kaufman não teria ouvido histórias de gente que sofre por gostar tanto da sobremesa.

“Alguns pacientes diziam que era tortura. Uma professora mudava seu caminho de rotina para não encontrar pessoas e dividir o chocolate que comia. E uma avó contava que escondia o chocolate dos netos quando estava com eles”, disse o psiquiatra, que coordena o Projeto de Atendimento ao Obeso (Prato), do HC.

Apesar disso, os especialistas concordam que não existe um tratamento específico para quem se diz chocólatra, como existe com os dependentes químicos. “Se tivesse algum tratamento, seria com o uso de antidepressivos”, disse Kaufman.

Para o terapeuta comportamental Florival Scheroki, no entanto, é um exagero dizer que as pessoas são viciadas em chocolate. “Ele não tem substâncias que gerem crise de abstinência, mas aquelas que comem todo dia e cortam de repente sentem desconforto”.

Doutor em Psicologia pela Universidade de São Paulo, Scheroki explicou que as pessoas são incentivadas desde pequenas a gostar do doce. “O ambiente é importante no comportamento alimentar. Comer chocolate não remete a uma atitude punitiva”.

Para a atriz Daniela de Souza Lobo Stirbulov, de 20 anos, a vontade de comer o doce derivado do cacau é algo "compulsivo". "Como pratico esportes, posso comer bastante. Como chocolate todo dia. Dependendo da fase, se estou de TPM (tensão pré-menstrual), como até mais."

Esse "mais" da jovem pode ser devorar uma caixa de bombom ou um ovo de Páscoa inteiro sozinha. "Na Páscoa, piora. Abro os ovos e não páro de comer", admitiu. É consenso entre os chocólatras que a melhor hora para degustar um chocolate é qualquer hora.

A paixão pela iguaria fez com que a paulistana Cristiane Spezzaferro criasse uma comunidade no site de relacionamentos Orkut chamada “Associação dos Chocólatras Anônimos”, que tem 2.013 membros. Existem pelo menos outras 100 comunidades semelhantes.

A relação dela com o doce começou na cozinha de casa. “Minha mãe faz ovo de Páscoa. Sempre tive barras para comer. Não tenho hora. Se pudesse, comia o dia inteiro”, disse ela, cujo consumo diário é de seis bombons.

Consumo um tanto exagerado na opinião da nutricionista Anita Sachs, chefe do Departamento de Medicina Preventiva da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Para ela, o máximo recomendado é comer 50g diariamente. “Se a pessoa não precisa controlar o peso”, alerta.

De acordo com Anita, 100g de chocolate correspondem a 550 calorias, o mesmo presente em uma refeição com arroz, feijão, carne, hortaliça refogada e um copo de suco.

Para quem quer curtir a Páscoa sem culpa, a nutricionista dá uma dica: “Antes de comer chocolate, a pessoa pode tomar três copos de água para se sentir saciada”. Quem não abre mão de abusar dos ovos no feriado, pode compensar com dieta ou exercícios físicos. “O chocolate é altamente calórico”. Tente convencer um chocólatra disso.


n.r.: eu faço aqui um mea culpa na boa, mas sou uma chocólatra com algum auto-controle, que quer dizer que agüento um mês direto sem chocolate. Mas a Páscoa é A perdição, venho ganhando ovinhos e bombonzinhos de amigas e um ovo pré-Páscoa que venho consumindo há algumas semanas. Tenho certeza que Deus perdoa!


fonte:G1

segunda-feira, 26 de março de 2007

Ursinho Knut será o garoto-propaganda da ONU

Ativistas pediram sacrifício de filhote de urso "mimado"


Como a triste história de Knut começou


Um fofo ursinho, batizado de Knut, nasceu no zoológico de Berlim há alguns meses, tendo sido rejeitado por sua mãe logo depois do nascimento, Knut teve que ser alimentado com mamadeira pelos funcionários do zoológico, o que provocou a ira de ativistas ecológicos alemães, preocupados com o desenvolvimento do animal.

A polêmica teve início quando estes ativistas de direitos dos animais na Alemanha passaram a exigir que o filhotinho de urso polar fosse sacrificado por estar "acostumado demais com seres humanos". O que levou toda a população alemã se mobilizar a favor do ursinho foi a declaração do ativista alemão de direitos dos animais Frank Albrecht, "a criação por seres humanos é ilegal e desrespeita a lei de proteção aos animais", disse ele. E ainda acrescentou que o urso teria problemas de comportamento durante toda a sua vida.

Final Feliz


O Ministério do Meio Ambiente da Alemanha anunciou que Knut, o popular filhote de urso polar do zoológico de Berlim, vai ser o "garoto-propaganda" de uma conferência da ONU sobre a proteção das espécies no ano que vem. A conferência mundial das Nações Unidas sobre a diversidade biológica deverá ocorrer na cidade de Bonn, em maio de 2008, e está sendo organizada pelo governo alemão.

O ministro do Meio Ambiente da Alemanha, Sigmar Gabriel, confirmou que Knut será o mascote da conferência internacional. "Isso faz sentido, já que a popularidade do ursinho desperta interesse pelos ursos polares, uma espécie que tem seu meio ambiente ameaçado", disse Gabriel.

Durante o evento, que contou com a presença de mais de cem jornalistas de todo o mundo, Sigmar Gabriel disse que o urso era "um doce", mas acrescentou que, daqui a um ano, na época da conferência, não voltaria a entrar na sua jaula, no entanto, prometeu pagar um "cachê" pelo uso da imagem de Knut em forma de uma doação ao zoológico.

Knut, que foi rejeitado pela mãe depois do nascimento, é o primeiro filhote de urso polar que nasce no zoológico de Berlim em mais de 30 anos. Ele ganhou um programa próprio na televisão alemã e ficou ainda mais famoso quando ativistas ecológicos disseram que seria melhor sacrificá-lo a deixá-lo ser criado por humanos.

Hoje Knut está com quatro meses e 9 quilos. Segundo o veterinário do zoológico, Andre Schuele, não existe preocupação com o futuro do Knut. "Sendo um macho, ele vai crescer e ficar grande e forte. Os ursos polares são animais solitários, e ele ficará bem. Não importa que tenha sido criado por um ser humano - disse.

Knut, nascido em dezembro, foi rejeitado por sua mãe, Tosca. O funcionário do zoológico se mudou para dentro da jaula do filhote a fim de cuidar dele 24 horas por dia.

"Sempre há algo de especial em criar um bebê de urso polar dentro de uma jaula. E, no caso do Knut, o medo de que ele pudesse morrer acabou alimentando a solidariedade das pessoas", afirmou Ragnar Kuehne, funcionário do zoológico. Os dias de celebridade não acabarão tão cedo para o ursinho. Gabriel disse que Knut será usado como símbolo da próxima conferência mundial sobre a proteção das espécies, que vai ser realizado em Bonn.

"Há poucos animais que simbolizam tão bem as conseqüências da mudança climática como o urso polar, pois sem gelo deixará de haver ursos polares", afirmou Gabriel, acrescentando que a espécie começa a ter problemas para encontrar alimento devido ao processo de degelo que está em marcha nos pólos.


n.r.: juro que durante um tempo fiquei confusa quanto ao significado de "preservar a espécie" e "salvar de extinção". Ainda bem que passou...


fonte:Portal Estadão, O Globo Online

terça-feira, 20 de março de 2007

Skywalk no Canyon

Ponte de vidro é construída no Grand Canyon


Uma ponte com piso de vidro, em forma de ferradura, vai permitir que visitantes "passeiem pelo céu" do Grand Canyon, no Arizona, Estados Unidos, e admirem uma paisagem que, até hoje, era privilégio exclusivo dos pássaros.

A atração, batizada de Skywalk (caminhada no céu, em tradução literal), ficará suspensa mais de 1,6 km acima da base do Canyon e se projetará cerca de 21 metros da borda do precipício.

A obra, de arquitetura ousada, tem inauguração programada para 28 de março, mas já está provocando protestos de ambientalistas, incomodados com uma construção que altera o que é para muitos americanos um monumento sagrado. A iniciativa para a construção da ponte partiu da tribo Hualapai, dona do local, no lado oeste do Grand Canyon. Os índios argumentam que o turismo trará desenvolvimento econômico para a região.

Com cerca de 2 mil índios, a comunidade Hualapai sofre com um alto índice de desemprego (cerca de 50%), consumo de drogas e alcoolismo. A nova atração, que vai custar US$ 40 milhões, fica a vários quilômetros de distância do Parque Nacional do Grand Canyon. Segundo os índios, ela representa uma ótima opção para os turistas, que, no momento, só podem admirar as belezas do Grand Canyon no parque, que está sempre lotado.

Se a atração trouxer o número esperado de visitantes, os Hualapai planejam construir hotéis, restaurantes e até um campo de golfe no local. Os ingressos para visitantes custarão US$ 25, cerca de R$ 53, por pessoa.


fonte:BBC Brasil

quinta-feira, 15 de março de 2007

Bumbum exportação

Aumento de bumbum vira moda nos Estados Unidos


Ter um bumbum empinado deixou de ser um sonho impossível para inúmeras mulheres americanas que podem, agora, recorrer à aplicação da própria gordura nas nádegas para atingir de uma vez por todas o corpo desejado.

Não é à toa que as intervenções são chamadas "preenchimento de nádegas brasileiro". Os bumbuns das latinas e afro-americanas são particularmente populares em Nova York.

Segundo o último relatório anual da Associação Americana de Cirurgiões Plásticos (ASPS), os hispânicos constituem a comunidade americana que mais se submete a operações de cirurgia estética, totalizando cerca de 921 mil intervenções em 2005.

O aumento é atribuído à maior informação disponível sobre os benefícios da cirurgia, à aceitação da especialidade e ao crescente poder aquisitivo desse grupo, mas também, em grande parte, à influência dos meios de comunicação. "A cirurgia está na moda e os pacientes lêem sobre o assunto em suas publicações favoritas, além de vê-lo regularmente pela televisão", indica Bruce Cunningham, presidente da ASPS.

Na clínica do cirurgião plástico nova-iorquino Brad Jacobs, as mulheres que querem modificar o bumbum tomam como referência o guia "Star Butts", na qual podem selecionar os preferidos de estrelas como Paris Hilton, Eva Longoria e Jessica Simpson. Para as latinas e afro-americanas, ter as curvas de celebridades como Jennifer López ou Beyoncé Knowles é uma questão estética, mas também "de direito".

"As afro-americanas e latinas têm uma necessidade étnica de ter o traseiro grande", destaca o cirurgião plástico George Lefkovits, que realiza o "Preenchimento de nádegas brasileiro" há cinco anos em sua clínica em Manhattan.

Em geral, as latinas e afro-americanas se envergonham mais de ter nádegas pequenas do que de seios pequenos. Para contornar o complexo, muitas mulheres recorrem a um cirurgião plástico para garantir o corpo que a genética negou.

A fixação com o bumbum parece ter ganhado mais força com a chegada do século XXI. Na realidade, entre a comunidade de cirurgiões plásticos há um ditado que diz: "Jennifer López fez pelo bumbum o que Pamela Anderson fez pela parte dianteira da mulher".

Se o aumento dos seios com silicone esteve em moda nos anos 80 e a lipoaspiração nas pernas e no abdômen nos 90, o momento agora é do "derrière", usando um termo francês.

As operações para aumentar o bumbum cresceram cerca de 283% de 2000 a 2005, quando foi realizado um total de 542, segundo a ASPS. O procedimento, que pode custar entre US$ 10 mil e US$ 15 mil, dependendo da clínica, consiste em extrair gordura(lipoaspiração) de outras partes do corpo, como os quadris, a cintura, o abdômen ou as pernas, e injetá-la nas nádegas.

A operação leva cerca de quatro horas e a recuperação é bastante rápida, já que a pessoa pode até se sentar no dia seguinte. O procedimento de aplicação de gordura representa um avanço no campo da cirurgia estética se comparada à cirurgia de implantes de silicone, que só é recomendada em pacientes muito magras que não
possuem suficiente gordura extra no corpo.

"O preenchimento de nádegas brasileiro tem menores riscos de infecção do que os implantes de silicone e, além disso, resulta em bumbuns mais naturais, sensuais e suaves ao tato", diz o doutor Ricardo Rodríguez, cuja clínica é em Baltimore, Maryland.

Aos pacientes o médico sempre lembra que "o traseiro perfeito não é necessariamente grande, mas de forma bonita, seja em forma de pêra, pêssego ou coração".

n.r.: acho um exagero, mas sabem como somos: uma mulher fala e as outras acreditam! Qualquer assunto que tenha a ver com corpo, fará sucesso se levar o nome do Brasil. Embora o brasileiro tenha fixação pelo derièrre, não conheço quem tenha perdido um grande amor por causa disso. Corram para a academia, meninas! Nada de cirurgias!


fonte: agência EFE

terça-feira, 13 de março de 2007

O papa não é Deus

Papa diz que segundo casamento é uma praga


O papa Bento XVI reafirmou a necessidade do celibato para os sacerdotes e a proibição de divorciados de receber a comunhão no Sacramentum Caritatis, documento divulgado pelo Vaticano.

"O celibato sacerdotal, vivido com maturidade, alegria e dedicação, é uma benção enorme para a igreja e para a própria sociedade", diz o texto na primeira parte da exortação sobre Eucaristia, Mistério Acreditado. Ainda no documento, Bento 16 classificou como "uma verdadeira praga" o segundo casamento de pessoas já divorciadas. "Trata-se de um problema pastoral espinhoso e complexo, uma verdadeira praga do ambiente social contemporâneo que vai, progressivamente, corroendo os próprios ambientes católicos".


O papa Bento XVI não é popular, e já se esperava por isso. Não tem uma carinha fofa, as bochechas rosadas do outro, o polonês simpático que o antecedeu. Diferentemente do nosso presidente da república, não acho que a igreja seja hipócrita, acho-a coerente, mesmo que ela cheire a mofo e não tenha a mínima intenção de fazer uma limpezinha por alto nas suas mais retrógadas e empoeiradas idéias.

Ainda bem que o papa é humano, não é divindade e por isso, é compreensível - ou esperado - ouvir besteiras saírem da boca de um homem comum. Podemos discordar à vontade e mandá-lo catar coquinhos numa praia para que encontre alguma luz que o traga de volta à normalidade da vidinha em sociedade. E é claro que me entederam bem! Homem comum! Alguma dúvida? Creio que não! Cabeça, tronco e membros, um homem culto, mas em pele e osso.

Vejamos...um menino - não pode ser menina - decide que quer ser padre, entra para o seminário e estuda, estuda e estuda, filosofia, sociologia, teologia, ciência, matemática, línguas, astrologia - mesmo que depois venha negá-la - etc, e se forma padre e, seguindo carreira, depois bispo, cardeal e se gostar muito de política, pode vir a tornar-se papa. Podemos afirmar, é um homem culto, que ao longo de sua vida pessoal e profissional - em vários momentos elas se confundem - teve o privilégio de conhecer pessoas de níveis sociais e culturais diferentes. Teve o privilégio de conhecer a miséria humana vivida por muitos dos fiéis que costumam frequentar a Igreja em busca de auxílio espiritual onde falta quase tudo, comida, saúde e onde ainda resta alguma dignidade e espiritualidade.

Um padre conhece o ser humano por dentro, no seu melhor e no seu pior, quando ouve as confissões de seu rebanho sentado no confessionário da igrejinha situada na única praça da cidadezinha do interior onde é pároco. Faz carreira, avança para uma igreja melhor numa grande cidade e por aí vai, subindo os degraus da santa igreja pela porta da frente, recebendo seu salário, suas refeições, seus lençóis limpos, seu travesseiro macio e continua ouvindo as confidências de seus fiéis, lutando ou não por seus interesses enquanto os anos passam. Ele muda, o jovem padre, envelhecendo, pode tornar-se bispo, depois cardeal, mas a velha sociedade que o conheceu continua igual, com suas mazelas, só que agora, com os netos de seus antigos fiéis sentados naquela mesma igrejinha onde ele um dia foi padre se confessando, à espera do mesmo apoio espiritual que seus avós e pais precisaram um dia.

Aí, num belo dia dessa historinha, o dito padre que virou bispo e quis ser cardeal, se mete em política na Itália e resolve concorrer ao cargo de papa! E consegue, e é aí que mete os pés pelas mãos e o ouro que só estava incrustado dentro da igreja nos anjinhos e santos dos altares, nos anéis que vemos em suas mãos e no cálice onde bebe o vinho sagrado lhe sobe á cabeça e ele se considera divindade e acha que da sua boca saem parábolas divinas vindas diretamente do Senhor, sendo ele Seu representante - que não tem culpa nenhuma dos representantes que Lhe arranjam aqui entre nós - absoluto.

Ora, como o papa é um homem de carne e osso, que tem de ir ao médico caso fique doente, que vai ao banheiro e faz o número um e o número dois como qualquer mortal, não tem o direito, só porque concorreu a um alto cargo na Igreja Católica e o conseguiu, de abrir a boca para dizer qualquer coisa que lhe venha a cabeça e ofender quem quer que seja, aliás, assim como um presidente da república também não pode abrir a boca em vão por aí, mesmo que acredite na existência do ponto G e até - se for o caso - conheça sua localização, não deve dizer isso por aí em alto e bom som, que é dele(do ponto), íntimo. Não pega bem, fica mal...

O papa diz que o segundo casamento é uma praga. Como?! Ele algum dia lavou uma cueca, uma calcinha, fez almoço e jantar, varreu a casa, limpou os móveis, deu banho nas crianças, levou-as e apanhou-as na escola, foi à reunião de pais e professores, tirou toalha molhada que o marido deixou em cima da cama, ouviu os problemas profissionais que o marido enfrenta no trabalho e disse "vai passar, meu amor! Você tem razão, meu amor!", chegou em casa cansada depois de um dia de trabalho e ainda ouviu do marido que você não o ama, só porque hoje você não tem paciência para fazer o jantar que ele tanto gosta, nem de pegar a sua cerveja preferida na geladeira?! Como, senhor papa?!!! O senhor algum dia pagou os TUBOS para fazer um casamento tradicional na Igreja e depois pagou outros TUBOS porque o casamento foi pro brejo e o divórcio foi tão caro quento o casório?!

Como o segundo casamento é uma praga?! Que venha o terceiro e o quarto e o quinto marido se forem melhores que os anteriores!!! Grande sorte, quem encontrou seu grande amor de primeira! Benza Deus!!! Mas que eu tenha a democrática opção de me apaixonar e viver intensamente da melhor maneira possível, mesmo que essa maneira não seja a melhor para os outros, mas seja a melhor para mim. Que eu tenha o direito de procurar a felicidade onde quer que ela esteja e em qualquer pessoa e não ser obrigada a me manter casada a um homem que quando solteiro fingia que me amava ou me respeitava e depois de casada resolveu tornar-se meu mestre sem antes perguntar-me se eu concordava com isso. Falo pela parte que me toca, como mulher, que é onde o calo me dói.

E não admito que um homem só porque é papa, se ache no direito de pronunciar suas idéias como se elas viessem de Deus, porque não vêm.

Ups, peraí...eu não sou mais uma cristã católica! Nunca casei na Igreja! Porquê será, meu Deus?!

Toda a matéria sobre o discurso do papa aqui.


fonte:BBC Brasil

Hitler pode ser destituído da cidadania alemã

Quase 62 anos após a sua morte, Adolf Hitler poderá perder sua cidadania alemã. Uma política alemã de Braunschweig deseja revogar a naturalização de 1932 do líder nazista - como uma "medida simbólica".



Quando foi concedida a Adolf Hitler a cidadania alemã, ele abruptamente rejeitou as congratulações: "A Alemanha devia ser congratulada, não eu!" Era 25 de fevereiro de 1932 e Hitler tinha acabado de se naturalizar, após ser nomeado funcionário público no então Estado livre de Braunschweig - um passo crucial para a continuidade de sua carreira política.

Três quartos de século depois, Isolde Saalmann, uma social-democrata do Parlamento regional da Baixa Saxônia, deseja rescindir este ato burocrático momentoso. O Führer nascido na Áustria, que está morto há quase 62 anos, não deve mais ser um alemão segundo o ponto de vista dela. Destituí-lo de sua cidadania seria uma "medida simbólica", acredita Saalmann. Ela já propôs sua idéia à liderança do Partido Social Democrata no Parlamento regional.

Saalmann é presidente da associação local do partido no bairro de Gliesmarode, em Braunschweig - e se sente incomodada com a ligação histórica de sua cidade com Hitler. Ela fala sobre um "complexo de Braunschweig" que pesa sobre a cidade, que prefere se anunciar como a "cidade leão" devido à sua ligação histórica com Henry, o Leão, o poderoso duque que governou o Estado no século 12. "Se a região da Baixa Saxônia, a sucessora legal do antigo Estado livre de Braunschweig, quiser se distanciar da naturalização de Hitler, isto talvez possa ajudar", disse Saalmann ao jornal "Hannoversche Allgemeine Zeitung".

A cidadania alemã

A história do processo de naturalização de Hitler parece uma farsa. O candidato a político, na época sem Estado, há muito buscava se tornar cidadão alemão - uma pré-condição para ocupar um cargo político na República de Weimar. Mas, fiel à sua megalomania característica, ele se recusava a entrar na fila do cartório como todo mundo. Ele queria que a cidadania alemã lhe fosse entregue em uma bandeja.

Mas o humor difícil do austríaco atrapalhou as primeiras tentativas de torná-lo um cidadão alemão. Em 1930, um membro do partido nazista arranjou para que ele fosse nomeado chefe da guarda de Hildburghausen, uma cidade na região alemã de Turíngia. Isto tornaria automaticamente Hitler um cidadão alemão. Mas o futuro Führer fez estardalhaço: o emprego de policial de aldeia não era do seu agrado.

Os então membros do partido nazista em Braunschweig - uma fortaleza do movimento nazista - acabaram encontrando um meio. A primeira tentativa deles de dar a Hitler um cargo de professor da Universidade Técnica de Braunschweig fracassou, mas eles tiveram sucesso depois, ao encontrar para ele um cargo no escritório de topografia de Braunschweig. O tempo era curto, já que Hitler queria concorrer como candidato nas iminentes eleições presidenciais. O Ministério do Estado, então, lhe deu o cargo de "administrador da delegação de Braunschweig em Berlim".

Sem qualquer habilitação profissional que o qualificasse ao cargo, o imigrante recém-naturalizado fez imediatamente vários pedidos de férias. E, como planejado, nunca assumiu o cargo.

A burocracia

O projeto de Saalmann para expatriação de Hitler enfrenta um pequeno problema: a Constituição alemã proíbe destituir uma pessoa de sua cidadania caso ela fique sem Estado - como Hitler ficaria, já que desistiu de sua cidadania austríaca em 1925. Ele deveria ter sido expulso do país um ano antes, já que foi aprisionado por ter sido considerado culpado de alta traição após o "putsch" de Kapp, em 1923. Mas o juiz simpatizante dos nacionalistas determinou que as leis relevantes da República de Weimar não podiam ser aplicadas a um homem "que pensa e se sente como um alemão, como Hitler". Assim, o líder nazista permaneceu na Alemanha.

Os advogados têm suas dúvidas sobre se um homem morto pode ser destituído de sua cidadania - apesar de Hitler já ter sido destituído de seu status como cidadão honorário de Braunschweig, em 1946. Enquanto isso, peritos legais que trabalham para o Parlamento regional da Baixa Saxônia estão analisando a proposta de Saalmann. Isolde Saalmann rejeita as alegações de que sua proposta visa a conquistar votos nas próximas eleições regionais. "Este será meu último mandato legislativo", ela afirma.



fonte:Der Spiegel

quinta-feira, 8 de março de 2007

O homem que escreve cartas de amor

Um dia com o último redator público de cartas de Saigon



A principal agência de correios de Ho Chi Minh fica perto do Rio Saigon, na parte mais tranqüila da cidade, onde os arranha-céus ainda não furam as nuvens e nenhuma motocicleta cruza as ruas zoando como um enxame de abelhas. Fica na frente da catedral de Notre Dame, em um prédio colonial antigo de 1886. Parece com os mercados antigos de Paris, pintado em cor de pêssego, com ventiladores zumbindo entre colunas ornamentais e a luz solar entrando por uma clarabóia no telhado. É um lugar eterno - a mais bela agência de correio em toda a Ásia.

Duong Van Ngo, um homem forte de 77 anos, estaciona sua bicicleta à sombra dos plátanos, cujos troncos são pintados de branco como se usassem polainas. Ele saúda os vendedores de postais e atravessa os arcos com o relógio da estação. São oito horas, o início de seu dia de trabalho em uma manhã quente e úmida de fevereiro.

Ngo se senta na ponta de uma longa mesa de madeira, abaixo de um mural de Ho Chi Minh. Ele tira de sua mala dois dicionários e uma lista de códigos postais franceses. Depois, coloca uma fita vermelha em sua manga esquerda para ficar facilmente reconhecível e expõe o cartaz: "Informações e Assistência de Redação".

A primeira pessoa a procurar seu balcão é um homem do delta do Mekong. Ele traz uma carta endereçada a um empresário na Europa. Há um ano que ele trabalha como motorista para esse empresário, levando-o para refeições de negócios e reuniões. Ele pede por escrito se o europeu poderia conseguir um seguro saúde para ele e dar-lhe um adiantamento de US$ 200 (em torno de R$ 400). Ngo traduz a carta para o inglês. "Prezado senhor", escreve com sua caneta tinteiro, "poderia educadamente pedir, sinceramente". Ou seria melhor dizer "afetuosamente"? Não, isso é intimo demais. O homem lhe dá uma nota. Ngo coloca-a dentro do dicionário sem nem olhar.

Ngo é um mediador entre mundos - um escritor de cartas profissional do tipo que costumava existir antigamente. Ele escolhe cada palavra meticulosamente, formula as frases cautelosamente, burila o estilo da carta. Ele sabe como são importantes as palavras, e o mal que podem fazer. Ngo não apenas traduz, ele faz uma ponte entre as pessoas, aconselha-as e conforta-as, discretamente e com perfeita atenção à forma.

Ngo trabalha no correio desde os 17 anos. Ele diz que nunca perdeu um dia de trabalho, nem durante as guerras. Ele fala as línguas dos ex-ocupantes fluentemente até hoje; aprendeu francês na escola e inglês com os soldados americanos.

A segunda pessoa a procurá-lo é uma jovem de batom vermelho, luvas e um pequeno chapéu para protegê-la do sol. Ela dá a Ngo seu telefone celular Nokia e mostra algumas mensagens de texto. Estão escritas em francês e parecem românticas. Ngo traduz espontaneamente: "Quando vier visitá-la, você me mostrará o Vietnã e me ensinará sua língua, mal posso esperar". A mulher sorri envergonhada. Ela conheceu o francês por um site da Web. Amanhã vai voltar e compor sua resposta, com a ajuda de Ngo.

As funcionárias do correio chamam-no de o homem que escreve cartas de amor. Ele já provocou tantos casamentos, dizem, e é um poeta. Bem, diz Ngo, "talvez dois ou três casamentos. O amor em geral se esvai entre os continentes, com as duas línguas, duas culturas - você sabe. Não é fácil."

Ngo ouviu milhares dessas histórias. Algumas bonitas, outras trágicas. Ele procurou crianças de soldados americanos e parentes de cidadãos vietnamitas que escaparam de barco após a guerra. Ele testemunhou muito sofrimento. Ele não dá detalhes. Seus clientes pagam-no por seu silêncio.

Algumas vezes, ele mesmo recebe cartas. Os agradecimentos vêm de todo o mundo e são endereçados ao "Escritor de Cartas, Correio Central, Saigon". Ngo nunca recebe mensagens eletrônicas. Detesta computadores e telefones celulares. "As palavras que vêm de uma máquina não tem alma", diz ele, acrescentando que as pessoas que usam tais máquinas perderam toda educação e noção de estilo.

Turistas japoneses chegam durante a tarde e o fotografam como se fosse um fóssil em um museu. As funcionárias do correio grampeiam páginas de fax e conversam. No meio disso tudo, novos clientes esperam na mesa de Ngo. Eles lhe dão seus livros de endereços, assim como caixas para seus parentes no exterior. "Vitogo", diz uma mulher que trabalha no mercado e usa um chapéu de palha de arroz. "A rua é chamada Victor Hugo", diz ele virando os olhos brevemente, "como o famoso escritor." Ele escreve o endereço no documento de envio.

Ho Chi Minh, lá no mural, teria gostado do que ele faz -"conectar pessoas" por meio de sua caneta tinteiro? Ngo sorri. Política, diz ele, está fora de sua província. Ele conta que costumava ser observado pela polícia, porque era suspeito de trair segredos para os inimigos do Estado. Ainda bem, isso acabou, diz ele. Hoje, o Vietnã é global, e o mundo tornou-se um lugar complexo e imprevisível, diz ele. Isso também significa que há maior demanda hoje por seu trabalho do que antes.

Ngo é atualmente o último escritor da cidade antes conhecida como Saigon. O penúltimo, seu colega Lieng, morreu há 10 meses e não foi substituído. Ngo acha que o mundo poderia fazer mais uso de pessoas como Lieng e ele.

Infelizmente, diz ele, "ele simplesmente não quer nos pagar mais".

n.r.:lindo, não é? Me fez lembrar um filme magnífico e brasileiro: "Central do Brasil".


fonte:Der Spiegel
foto:Atelier do Bonsai

terça-feira, 6 de março de 2007

Estímulo visual vende música erudita

Mulheres peladas estampam capas de discos de Mozart e Beethoven


A gravadora Petrol Records resolveu utilizar a imagem de mulheres na venda de seu produto. O bizarro é que modelos com pouca ou nenhuma roupa estão protegidas apenas por instrumentos eruditos estampando as coletâneas da gravadora para as composições de Beethoven, Mozart e outros.

Apesar de o gênero ter um tom mais comedido em seus lançamentos, segundo o jornal "Guardian", não é a primeira vez que um lançamento de música clássica flerta com a nudez. O quarteto de cordas Bond conseguiu evitar que sua gravadora colocasse uma foto sensual na capa de seu disco de 2000, mas posteriormente posou para imagens do tipo.

O mercado de música erudita há anos passa por uma crise de vendagens de discos de seus títulos.


fonte:G1

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2007

Bléin, Blón, Bléin, Blón

Horário de verão termina à meia-noite de sábado


Acertem os ponteiros do relógio, o horário de verão termina à meia-noite do próximo sábado (dia 24), quando os relógios deverão ser atrasados em uma hora nas regiões Sudeste, Sul e Centro-Oeste.

A medida vigora desde o dia 5 de novembro de 2006. A expectativa do governo era a de que a mudança no horário provocasse, durante 112 dias, uma redução na demanda de energia entre 4% e 5% no início da noite, horário em que o sistema elétrico é mais utilizado.



O resultado efetivo da medida neste ano ainda está sendo contabilizado pelo governo. O ONS (Operador Nacional do Sistema Elétrico) chegou a estimar que a economia atinja R$ 50 milhões, valor equivalente à geração de usinas termelétricas que deixariam de ser utilizadas com a mudança no horário.

O horário de verão foi adotado pela primeira vez no Brasil em 1931, com duração de cinco meses. Até 1967 a mudança no horário foi decretada nove vezes. Desde 1985, no entanto, a medida vem sendo adotada sem interrupções, com diferenças apenas nos Estados atingidos e no período de duração.


fonte:Folha Online
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