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domingo, 18 de maio de 2014
sexta-feira, 9 de agosto de 2013
Alma

Há mulheres que trazem o mar nos olhos
Não pela cor
Mas pela vastidão da alma
E trazem a poesia nos dedos e nos sorrisos
Ficam para além do tempo
Como se a maré nunca as levasse
Da praia onde foram felizes
Há mulheres que trazem o mar nos olhos
pela grandeza da imensidão da alma
pelo infinito modo como abarcam as coisas e os Homens...
Há mulheres que são maré em noites de tardes e calma...
Sophia de Mello Breyner Andresen
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quarta-feira, 15 de dezembro de 2010
Alma Ferida

A alma está ferida,
Dilacerada pela carne,
Cortada pela raiva contida,
Brinquedos de fome.
A essência insconsciente iluminada,
Não dá luz ao boneco manipulado,
Daí o corte se dar na fonte, maculada.
Desejar o bem ao inimigo é um fardo.
Mas se queres uma alma limpa,
Saudável e em expansão,
Há de se ter esta expressão.
Dir-se-ia pura bobagem de tampa,
Perdoar a quem lhe fere o coração,
Sangra então a alma, e cria a sua estampa.
Cristiano Melo in Braços Abertos
foto:Anke Merzbach
Dilacerada pela carne,
Cortada pela raiva contida,
Brinquedos de fome.
A essência insconsciente iluminada,
Não dá luz ao boneco manipulado,
Daí o corte se dar na fonte, maculada.
Desejar o bem ao inimigo é um fardo.
Mas se queres uma alma limpa,
Saudável e em expansão,
Há de se ter esta expressão.
Dir-se-ia pura bobagem de tampa,
Perdoar a quem lhe fere o coração,
Sangra então a alma, e cria a sua estampa.
Cristiano Melo in Braços Abertos
foto:Anke Merzbach
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
Dor

não é mentira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói
fonte:Ana Cristina César
foto:Anke Merzbach
Fecho para balanço, voltarei na segunda-feira
é outra
a dor que dói
em mim
é um projeto
de passeio
em círculo
um malogro
do objeto
em foco
a intensidade
de luz
de tarde
no jardim
é outra
outra a dor que dói
fonte:Ana Cristina César
foto:Anke Merzbach
Fecho para balanço, voltarei na segunda-feira
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sexta-feira, 1 de outubro de 2010
terça-feira, 29 de junho de 2010
Amor

Amar é fácil. Difícil é cuidar do amor. O amor é exigente. Pede provas a todo o instante.
Não tolera um descuido. Um silêncio ou uma palavra fora do lugar.
Amar é fácil. Difícil é cuidar do amor.
É preciso dar muita atenção ao vento.
Maria José Quintela
foto:Anke Merzbach
Não tolera um descuido. Um silêncio ou uma palavra fora do lugar.
Amar é fácil. Difícil é cuidar do amor.
É preciso dar muita atenção ao vento.
Maria José Quintela
foto:Anke Merzbach
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quinta-feira, 25 de março de 2010
...
quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
Amor?

deito-me sobre tantas coisas inúteis
e me pergunto o que valerá
todo o esforço?
este poema banal
- qualquer deles -
trata-se de traduzir o intraduzível?
a avalanche de microacontecimentos
despencando pelo nosso dorso,
a pele respondendo elétrica;
entre os dedos a escapar-nos;
sob os olhos,
através dos nossos sexos,
e do cataclismo do gozo,
dos corpos,
ou dos pensamentos, que correm
à busca de significado.
o que valerá a minha presença sem sentido
neste mar de sentidos a entrechocarem-se,
neste caos, sem linguagem que o signifique
a não ser o amor que vivi,
vivo,
viverei?
Silvia Chueire
foto: Anke Merzbach
e me pergunto o que valerá
todo o esforço?
este poema banal
- qualquer deles -
trata-se de traduzir o intraduzível?
a avalanche de microacontecimentos
despencando pelo nosso dorso,
a pele respondendo elétrica;
entre os dedos a escapar-nos;
sob os olhos,
através dos nossos sexos,
e do cataclismo do gozo,
dos corpos,
ou dos pensamentos, que correm
à busca de significado.
o que valerá a minha presença sem sentido
neste mar de sentidos a entrechocarem-se,
neste caos, sem linguagem que o signifique
a não ser o amor que vivi,
vivo,
viverei?
Silvia Chueire
foto: Anke Merzbach
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quarta-feira, 27 de janeiro de 2010
Os cabelos

Os cabelos
embora o vento passe
Já não se agitam leves. O seu sangue,
Gelando, já não tinge a sua face.
Os olhos param sob a fonte aflita.
Já nada nela vive nem se agita,
Os seus pés já não podem formar passos,
Lentamente as entranhas endurecem
E até os gestos gelam nos seus braços.
Mas os olhos de pedra não esquecem.
Subindo do seu corpo arrefecido,
Lágrimas lentas rolam pela face,
Lentas rolam, embora o tempo passe.
Sophia de Melo Breyner Andresen
foto: Anke Merzbach
embora o vento passe
Já não se agitam leves. O seu sangue,
Gelando, já não tinge a sua face.
Os olhos param sob a fonte aflita.
Já nada nela vive nem se agita,
Os seus pés já não podem formar passos,
Lentamente as entranhas endurecem
E até os gestos gelam nos seus braços.
Mas os olhos de pedra não esquecem.
Subindo do seu corpo arrefecido,
Lágrimas lentas rolam pela face,
Lentas rolam, embora o tempo passe.
Sophia de Melo Breyner Andresen
foto: Anke Merzbach
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terça-feira, 8 de dezembro de 2009
Anseios

Meu doido coração aonde vais,
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!...
Não 'stendas tuas asas para o longe..
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar...
Florbela Espanca nasceu à 8 de dezembro de 1894
foto: Anke Merzbach
No teu imenso anseio de liberdade?
Toma cautela com a realidade;
Meu pobre coração olha que cais!
Deixa-te estar quietinho! Não amais
A doce quietação da soledade?
Tuas lindas quirneras irreais,
Não valem o prazer duma saudade!
Tu chamas ao meu seio, negra prisão!
Ai, vê lá bem, ó doido coração,
Não te deslumbres o brilho do luar!...
Não 'stendas tuas asas para o longe..
Deixa-te estar quietinho, triste monge,
Na paz da tua cela,a soluçar...
Florbela Espanca nasceu à 8 de dezembro de 1894
foto: Anke Merzbach
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terça-feira, 24 de novembro de 2009
Olhei-me a mim

Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
desejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
Hilda Hilst
foto: Anke Merzbach
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água
desejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há um tempo.
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta
Olha-me de novo. Com menos altivez.
E mais atento.
Hilda Hilst
foto: Anke Merzbach
sexta-feira, 19 de junho de 2009

às vezes tenho os sonhos
mais elementares
desses que envolvem
serpentes e ruas vazias
onde você sempre aparece
do nada no meio
de uma multidão invisível
e o chão desaparece
e eu voo
e toco o seu rosto
e você sorri
e gozamos juntos
todas as horas
dos nossos dias
outras vezes tenho os sonhos
mais elementares
desses que envolvem
mar e noites escuras
e acordo sozinha
fechada em mim
Adrianna Coelho
foto: Anke Merzbach
mais elementares
desses que envolvem
serpentes e ruas vazias
onde você sempre aparece
do nada no meio
de uma multidão invisível
e o chão desaparece
e eu voo
e toco o seu rosto
e você sorri
e gozamos juntos
todas as horas
dos nossos dias
outras vezes tenho os sonhos
mais elementares
desses que envolvem
mar e noites escuras
e acordo sozinha
fechada em mim
Adrianna Coelho
foto: Anke Merzbach
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quarta-feira, 29 de abril de 2009

A Chegada da Caixa de Abelhas
Encomendei esta caixa de madeira
Clara, exata, quase um fardo para carregar.
Eu diria que é um ataúde de um anão ou
De um bebê quadrado
Não fosse o barulho ensurdecedor que dela escapa.
Está trancada, é perigosa.
Tenho de passar a noite com ela e
Não consigo me afastar.
Não tem janelas, não posso ver o que há dentro.
Apenas uma pequena grade e nenhuma saída.
Espio pela grade.
Está escuro, escuro.
Enxame de mãos africanas
Mínimas, encolhidas para exportação,
Negro em negro, escalando com fúria.
Como deixá-las sair?
É o barulho que mais me apavora,
As sílabas ininteligíveis.
São como uma turba romana,
Pequenas, insignificantes como indivíduos, mas meu deus, juntas!
Escuto esse latim furioso.
Não sou um César.
Simplesmente encomendei uma caixa de maníacos.
Podem ser devolvidos.
Podem morrer, não preciso alimentá-los, sou a dona.
Me pergunto se têm fome.
Me pergunto se me esqueceriam
Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore.
Há laburnos, colunatas louras,
Anáguas de cerejas.
Poderiam imediatamente ignorar-me.
No meu vestido lunar e véu funerário
Não sou uma fonte de mel.
Por que então recorrer a mim?
Amanhã serei Deus, o generoso – vou libertá-los.
A caixa é apenas temporária.
Sylvia Plat (trad. Ana Cândida Perez e Ana Cristina César)
foto: Anke Merzbach
Clara, exata, quase um fardo para carregar.
Eu diria que é um ataúde de um anão ou
De um bebê quadrado
Não fosse o barulho ensurdecedor que dela escapa.
Está trancada, é perigosa.
Tenho de passar a noite com ela e
Não consigo me afastar.
Não tem janelas, não posso ver o que há dentro.
Apenas uma pequena grade e nenhuma saída.
Espio pela grade.
Está escuro, escuro.
Enxame de mãos africanas
Mínimas, encolhidas para exportação,
Negro em negro, escalando com fúria.
Como deixá-las sair?
É o barulho que mais me apavora,
As sílabas ininteligíveis.
São como uma turba romana,
Pequenas, insignificantes como indivíduos, mas meu deus, juntas!
Escuto esse latim furioso.
Não sou um César.
Simplesmente encomendei uma caixa de maníacos.
Podem ser devolvidos.
Podem morrer, não preciso alimentá-los, sou a dona.
Me pergunto se têm fome.
Me pergunto se me esqueceriam
Se eu abrisse as trancas e me afastasse e virasse árvore.
Há laburnos, colunatas louras,
Anáguas de cerejas.
Poderiam imediatamente ignorar-me.
No meu vestido lunar e véu funerário
Não sou uma fonte de mel.
Por que então recorrer a mim?
Amanhã serei Deus, o generoso – vou libertá-los.
A caixa é apenas temporária.
Sylvia Plat (trad. Ana Cândida Perez e Ana Cristina César)
foto: Anke Merzbach
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quinta-feira, 23 de abril de 2009

é que às vezes é impossível transformar a dor em beleza. montar com ela mosaicos coloridos. lindos. às vezes, cacos devem permanecer cacos. pequenos pedaços, separados pra sempre, depois da queda que os criou.
Eduardo Baszczyn
foto: Anke Merzbach
Eduardo Baszczyn
foto: Anke Merzbach
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domingo, 12 de abril de 2009
Silêncio

Suspirou. Raios tímidos de sol se misturavam a uma chuva fininha que não molhava os que se abrigavam debaixo da copa alargada da árvore.
O ônibus não vinha e o pensamento ia longe indiferente ao barulho do trânsito.
Dois olhares surpresos, dois beijos, dois sorrisos largos.
¨Tudo bem? Tudo bem e com você? Tudo bem.¨
E continuaram se olhando em silêncio e o tempo parecia haver parado.
As palavras queimavam na boca pedindo pra sair, brigando com a racionalidade do pensamento.
¨Por que ela não fala? Por que ele não fala?¨
¨Bem, tchau!¨, disseram ao mesmo tempo.
Os dois finalmente se mexeram tomando caminhos opostos.
Cris Caetano
foto: Anke Merzbach
O ônibus não vinha e o pensamento ia longe indiferente ao barulho do trânsito.
Dois olhares surpresos, dois beijos, dois sorrisos largos.
¨Tudo bem? Tudo bem e com você? Tudo bem.¨
E continuaram se olhando em silêncio e o tempo parecia haver parado.
As palavras queimavam na boca pedindo pra sair, brigando com a racionalidade do pensamento.
¨Por que ela não fala? Por que ele não fala?¨
¨Bem, tchau!¨, disseram ao mesmo tempo.
Os dois finalmente se mexeram tomando caminhos opostos.
Cris Caetano
foto: Anke Merzbach
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quarta-feira, 18 de março de 2009

Busco o porquê de quase tudo, dos meus gostos, dos meus mau-gostos, da minha empatia, antipatia, muito mais das escolhas erradas do que das certas, porque as certas não me levam a pensar em nada, só a vivê-las plena de felicidade.
Tantas foram as vezes que não encontrei resposta pros meus questionamentos, mas não desisti deles, foram apenas abandonados, deixei pra lá. Busco um autoconhecimento que no fundo sei ser utópico porque me percebo em constante mutação.
Eu amo música e uma amiga me apresentou ¨Gerânio¨, de Marisa Monte, ouvi e sorri com a alma.
Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente
Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes
Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga
Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema
Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
fonte:Euzinha
foto: Anke Merzback
Tantas foram as vezes que não encontrei resposta pros meus questionamentos, mas não desisti deles, foram apenas abandonados, deixei pra lá. Busco um autoconhecimento que no fundo sei ser utópico porque me percebo em constante mutação.
Eu amo música e uma amiga me apresentou ¨Gerânio¨, de Marisa Monte, ouvi e sorri com a alma.
Ela que descobriu o mundo
E sabe vê-lo do ângulo mais bonito
Canta e melhora a vida, descobre sensações diferentes
Sente e vive intensamente
Aprende e continua aprendiz
Ensina muito e reboca os maiores amigos
Faz dança, cozinha, se balança na rede
E adormece em frente à bela vista
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
Conhece a Índia e o Japão e a dança haitiana
Fala inglês e canta em inglês
Escreve diários, pinta lâmpadas, troca pneus
E lava os cabelos com shampoos diferentes
Faz amor e anda de bicicleta dentro de casa
E corre quando quer
Cozinha tudo, costura, já fez boneco de pano
E brinco para a orelha, bolsa de couro, namora e é amiga
Tem computador e rede, rede para dois
Gosta de eletrodomésticos, toca piano e violão
Procura o amor e quer ser mãe, tem lençóis e tem irmãs
Vai ao teatro, mas prefere cinema
Sabe espantar o tédio
Cortar cabelo e nadar no mar
Tédio não passa nem por perto, é infinita, sensível, linda
Estou com saudades e penso tanto em você
Despreocupa-se e pensa no essencial
Dorme e acorda
fonte:Euzinha
foto: Anke Merzback
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sexta-feira, 13 de março de 2009
Eu sei que já desejei bom fim de semana, mas...

é pelo medo que muitos não voltam para abrir o porão. andar pelo silêncio. tatear pelo escuro. guardar tudo em caixas. é por causa do medo do cômodo, sempre trancado, que muitos permanecem fantasiados, máscaras cobrindo o verdadeiro rosto mesmo depois dos dias de alegria.
Eduardo Baszczyn in Coisas de Gaveta
foto: Anke Merzbach
Eduardo Baszczyn in Coisas de Gaveta
foto: Anke Merzbach
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quarta-feira, 11 de março de 2009

Porque te mentes?
Porque te mentes?
Porque dizes que de nada te lembras
quando eu sei que nada esqueces?
Porque não sais desse marasmo, dessa paz podre
e voltas à vida, aos sorrisos das manhãs claras
ou dos fins de tarde à beira mar?
Porque te mentes?
Porque insistes em negar tudo o que vivemos
se ainda te sinto em lágrimas nas minhas mãos?
Porque não apagas todas as palavras azuis
de sofrer e de dor e de angústia e desamor
e fazes renascer em ti o verbo amar?
fonte:Maria in O Cheiro da Ilha
foto: Anke Merzbach
Porque dizes que de nada te lembras
quando eu sei que nada esqueces?
Porque não sais desse marasmo, dessa paz podre
e voltas à vida, aos sorrisos das manhãs claras
ou dos fins de tarde à beira mar?
Porque te mentes?
Porque insistes em negar tudo o que vivemos
se ainda te sinto em lágrimas nas minhas mãos?
Porque não apagas todas as palavras azuis
de sofrer e de dor e de angústia e desamor
e fazes renascer em ti o verbo amar?
fonte:Maria in O Cheiro da Ilha
foto: Anke Merzbach
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sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

quero fugir desta teia em que delirantemente me enredo. buscando - a cada
momento - a razão deste sentir que magoa e dói. alucinada, repito. quero_te.
e não te_quero. porque tu não existes. a não ser na minha memória e da forma
como te_quero. tu és um pássaro. de asas viajantes. olhos de verde lago. garras
que me dilaceram por dentro. onde tu não vês.
O´Sanji
foto: Anke Merzbach
momento - a razão deste sentir que magoa e dói. alucinada, repito. quero_te.
e não te_quero. porque tu não existes. a não ser na minha memória e da forma
como te_quero. tu és um pássaro. de asas viajantes. olhos de verde lago. garras
que me dilaceram por dentro. onde tu não vês.
O´Sanji
foto: Anke Merzbach
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