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terça-feira, 6 de outubro de 2009

Renascença



sob a chuva meus olhos
revelam a luz nas cores
das horas lúcidas

reflexos de deuses estrondosos
em minhas memórias

livres de marquises
meus pés dissipam o asfalto
e a nostalgia ressurge
ríspida e imprevista
em incessantes fluxos
na paisagem úmida

improvisada

a vida vaza nas esquinas
de um cruzamento abstrato
constantemente renovado
pelas águas que correm
junto ao meio fio da lâmina
das minhas palavras
e de nossos atos

e nesse ar concreto
onde me encontro
tudo sufoca
tudo é ralo

há dramas contidos no meu corpo
derramado e exposto
na calçada



Adrianna Coelho in Metamorfroseando
foto: Geoffroy Demarquet

sexta-feira, 19 de junho de 2009



às vezes tenho os sonhos
mais elementares
desses que envolvem
serpentes e ruas vazias
onde você sempre aparece
do nada no meio
de uma multidão invisível
e o chão desaparece
e eu voo
e toco o seu rosto
e você sorri
e gozamos juntos
todas as horas
dos nossos dias


outras vezes tenho os sonhos
mais elementares
desses que envolvem
mar e noites escuras
e acordo sozinha
fechada em mim


Adrianna Coelho
foto: Anke Merzbach

terça-feira, 10 de fevereiro de 2009


Miragem


não sei se sou voo
ou vertigem

asa estrangeira sobre teus versos
avisto o mar impossível
e mergulho

esbarro no último ponto
de tuas reticências
e nem sei se te encontro


Adrianna Coelho
foto: Elena Platonova

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