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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sempre esperei por ti





Sempre esperei por ti. Pelos sonhos que queríamos sonhar.
No meu leito o silêncio e o frio.
Sempre esperei por ti. Pela vida que queríamos viver.
Nos meus braços a ausência e a saudade.
Sempre esperei por ti. Pelos beijos e pelo amor, que era nosso.
Em mim a dor do impossível.
Sempre esperei por ti. Tenho o teu nome em cada flor e em cada janela.
Mas não te tenho a ti.
No entanto, sempre esperei por ti...




fonte:Maria in O Cheiro da Ilha

segunda-feira, 10 de junho de 2013

O cinzento dos dias







É o cinzento dos dias e a humidade no corpo que nos faz ficar assim. O frio que não escolhe e nos encolhe. A distância que de repente fica mais distante ainda, a uma lonjura difícil de chegar. O mar que deixou de ser azul e nestes dias se pinta de castanho. As ondas que se atiram contra nós em vez de rebentarem suavemente... em espuma de mel.

São dias de fome. E de sede.

São noites de silêncio em que nos ouvimos em gritos calados.
 São as palavras a rebentarem o peito e a ficarem aprisionadas nos dedos. É o sim e o não sem sabermos porquê.

Abro uma garrafa de tinto antigo, deixo-o aquecer até aos 17 graus. Já cheira a pão quente. O doce de abóbora ainda está morno. Falta o requeijão de Seia. E faltas tu. 





fonte: Maria in O Cheiro da Ilha

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Eu amo-te tanto...






Eu amo-te tanto que nem sei se é
racional ou possível
amar assim
quase perdidamente
quase a dar a vida
quase a extinguir-me
se for preciso
Eu amo-te tanto
que o medo de te
perder me assalta
dia e noite em
sonhos que não quero
que não percebo
e que são quase reais
às vezes
Eu amo-te tanto
que acordo quando me
chamas e dizes
não teve importância
O que importa é este
amor que nos agarra
e aperta e machuca
e que não vai acabar nunca.


fonte: Maria in O Cheiro da Ilha
foto: Alvin Booth

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

A Casa






Deixaste-me num dia de outono quase inverno. Sem avisares e sem que pudesse prever. A casa fortaleza ficou igual um tempo. Igual por fora e gelada por dentro.
Os dias passaram e tudo mudou. Da casa restam as paredes, ainda altivas, mas no chão só existem pedras. Entre as pedras o teu coração.
Mais tarde percebi que a casa eras tu. E apressei-me a ir buscar, entre as pedras, o teu coração, que voltei a colocar no meu peito. Para te aquecer.
Foi então que saíste de mim e voaste...


fonte:Maria in O Cheiro da Ilha

quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

Saber





Saber o Momento que é uma Vida na eternidade do Tempo. Saber do corpo que me espera e me abra em flor. Saber do amor renovado a cada noite. E do vento que me sopra no cabelo. Saber que o mar está ali e o cheiro a sargaço vem ter comigo. Saber que a vida se pode transformar num vulcão. E que o fogo se acende a cada abraço por dar. E que a saudade fica sempre por matar. Saber que o que sinto não se pode explicar. E que o meu coração apenas sabe amar. Saber...

Sinto-te tanto, com mar entre nós...

Maria in O Cheiro da Ilha


n.r.: há pessoas que me encantam pela sensibilidade e pela força, e a Maria me encantou primeiro assim, e depois, pessoalmente, me encantou ainda mais.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Tenho







Tenho o peito a sangrar de palavras atravessadas trespassadas que não ouso gritar Tenho os dedos presos nas páginas brancas de um caderno onde não escrevo nem sei pintar Tenho os olhos rasos de água que me saem em gotas pérolas que guardo para te dar Tenho um abraço apertado na garganta que tarda tanto em te abraçar....



fonte:Maria in blog O Cheiro da Ilha

terça-feira, 29 de março de 2011

Pele de mim





Para sempre, a voz do vento. Que se atira contra o teu peito quando a serra está em frente. Para sempre, na eternidade das palavras. Que te nascem do olhar e te escorrem dos dedos em sangue quente. Fervente. Docemente. Desaguando no rio. Em constante desafio...

Pele de mim...




Maria in O Cheiro da Ilha
foto:Hiroshi Hayakawa

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Sabor a mel






Pudesse eu desfazer em pó todas as inquietações
que nos consomem e nos tiram este sorriso franco
soubesse eu navegar nas palavras nos poemas e canções
e aquietar-me à noite em cama vestida de branco
Pudesse eu afugentar os medos os silêncios e os gritos
que me mordem todos os dias e não me deixam respirar
soubesse eu dar todos os abraços ainda que aflitos
e acompanhar-te sempre no teu doce caminhar
Teria o sossego que tanto procuro e me escapa dos dedos
rente ao convés do barco onde te cubro, minha pele
falar-te-ia do mar do vento de nós e dos segredos
que guardo na saudade do teu abraço, sabor a mel.



Maria in O Cheiro da Ilha
foto:Andreas Heumann

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Lentamente






Lentamente me ponho ao caminho, deixando para trás alguns amores. Vejo o tempo correr à velocidade do relógio ou da lua. Sabes que nunca te deixarei sozinho, e que farei minhas as tuas dores. Respiro fundo, os cheiros entranham-me e sou tua. Quem sabe de nós senão o tempo do verbo amar... por isso te quero assim, talvez para me aconchegar...



fonte:Maria in O Cheiro da Ilha
foto: So Woods

quarta-feira, 17 de novembro de 2010

Vieste






Esperava que voltasses.
O teu rugido era tremendo mas dentro de mim o silêncio.
Lambias as rochas mais pequenas e eu ali de desejo fervente.
Vieste em onda larga e derramaste-te por inteiro sobre o meu corpo inerte.
Na maré de vir. Ainda hoje guardo a espuma daquele fim de tarde.
Sangue meu...




fonte:Maria in O Cheiro da Ilha
foto:Szara Reneta

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Há festa!






Vim agora do blog da minha amiga, Maria. E repasso o aviso da Festa. Fico aqui chupando o dedo, pela festa e pela ótima companhia que eu teria. E estou eu com saudades mais uma vez... ô saudade que vai e vem, essa.



fonte: Maria in O Cheiro da Ilha

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

O último amor






Não preciso de te gritar. O silêncio do meu olhar diz-te tudo. Da saudade que te tenho e já não sentes. Do beijo que ficou por dar e que me queima. Do abraço que me envolve e me rasga. Do amor que fizemos, sem idade.
Não preciso de te ter. O silêncio da ausência diz-me tudo. Das tuas mãos no meu corpo e sei que não mentes. Do rio que corre entre nós e que teima. Da maré que ainda somos e que nos rasga. Do amor que fazemos, porque é verdade...


Maria in O Cheiro da Ilha
foto:Martin Filip

quarta-feira, 21 de julho de 2010

...






Com voz trémula pergunto-te o que é ser feliz

Com uma lágrima de alegria refugio-me nas tuas palavras

Com emoção sinto-te carregado de todas as dores

Respiro-te. Estilhaço-me. Perco-me. 
Abraço-te.
E recolho-me, juntando todos os meus amores...



Maria in O Cheiro da Ilha
foto:Jonas Valtersson

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Deixa que me perca






Deixa que me perca em ti uma só vez
Que deste fogo me quero libertar
Devolve-me a frescura da pele ardente
Em que adormeceste e me fizeste sonhar
Com dias e noites de um desejo quente
E fomos rio juntos correndo para o mar
Deixa que me perca em ti mais uma vez
Que das noites de amor me quero libertar
Falaste ao meu peito com a tua voz quente
Deste-me as mãos e beijaste-me o olhar
Como queres que te esqueça ao sol poente
Se tudo de mim levaste no nosso amar...


Maria in O Cheiro da Ilha
foto:Mike Cechanowicz

segunda-feira, 12 de julho de 2010

Para ti...



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Hoje deixo-te linhas. Muitas linhas. Todas elas fazem parte da linha da tua vida, cheia de inquietações e medos. Sonhos, mistérios e segredos. Linhas que já percorreste, outras ainda para andar. Cada linha pode ser um afluente no rio que sempre és. Puro na nascente. Fresco a beber. Ternura refrescante quando em dias quentes mergulho em ti. Fonte solidária que me abraça, sempre que preciso.

Hoje deixo-te linhas. Tantas linhas. Algumas que quero ainda percorrer contigo, talvez no areal onde o mar nos beija os pés. Onde desaguas todos os dias, força da natureza feita sonho para saborear. Cada linha pode ser um filho parido sempre com dor. Ou talvez um amor. Quem sabe um grito. Olhar penetrante sorriso menino poeta bailarino. Fonte de ternura e inquietação presente, sempre que preciso.

Hoje deixo-te linhas. Apenas. Gravadas a fogo...


Maria in O Cheiro da Ilha

terça-feira, 18 de maio de 2010

Os dias do verbo amar





Sei dos caminhos enviezados da vida
que lentamente se desfazem no mar
dos dias sim da alegria vivida
dos dias não que teimam em não cessar
Mas já não sei dos dias do verbo amar

Sei dos escolhos que a vida nos oferece
que lentamente se desfazem no mar
das ausências que a solidão tece
e das certezas que nos fazem sonhar
Mas já não sei dos dias do verbo amar

Sei das noites amargas sem o toque da pele
que lentamente se desfazem no mar
dos corpos cansados do amor e do mel
e das lágrimas que saltam do meu olhar
Porque já não sei dos dias do verbo amar.


fonte:Maria in O Cheiro da Ilha
foto: Ricardo da Costa

terça-feira, 13 de abril de 2010

Rente ao coração




Rente ao coração entardeço-me
embalada pelas tuas palavras
que não oiço, mas sei que dizes
No teu peito explodo-me
de pele desfeita todas as noites
com a certeza de que havemos
de nos amar outra vez, um dia...


Maria in O Cheiro da Ilha
foto: Sistermoon

sexta-feira, 12 de março de 2010

Com silêncio dentro...



Onde fica o meu beijo? Onde fica o meu abraço?
No meio da noite e das tuas palavras encontro-me frente a ti, de corpo ardente e coração aberto. Sabes que te quero. Sabes que a minha vida sem ti não faz sentido. Sabes que a amizade é mais forte, às vezes, do que o amor. E sabes que o amor é tanto. Às vezes quase tudo...
Porque te abandonas na solidão, porque buscas o teu grito, que já voou...
Recolho a tua lágrima. Sou rio acostumado a beber-te as lágrimas. Que fatalmente irão desaguar no mar, numa maré de nós, com silêncio dentro...


Maria in O Cheiro da Ilha
foto:Denis Olivier

quinta-feira, 11 de março de 2010

Fala-me do vento



Fala-me do vento. Do que me inunda os sonhos do dia e me inquieta na noite. Do que sopra em todas as direcções menos na minha. Do que te envolve e assobia quando as tempestades te assolam.
Fala-me do vento. Do que respiro para ter a sensação de que te engulo. Do que me bate forte na cara logo de manhã para acordar. Do que te entra no olhar e te faz sorrir assim.
Fala-me do vento. Do que abraço todas as noites quando me deito. Do que na tua ausência dorme sempre comigo neste leito.
Fala-me do vento. Desse que, devagarinho, te faz entrar em mim.


Maria in O Cheiro da Ilha
foto:Geoffroy Demarquet

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Não te quero mais


Não te quero mais. A noite levou-te de mim e eu deixei. Ficou o espanto da tua partida. Não te quero mais. Vou esquecer o teu abraço e o teu cheiro. Que me percorre ainda o corpo. Não te quero mais. Porque o caminho que foi o nosso fugiu-me na escuridão da noite. E eu não o encontro por entre as lágrimas que me escorrem no corpo. Perdi-me de ti do teu abraço do teu cheiro. Perdi-me de nós.
Quero a tua boca só mais uma vez. Morder-me de ti. Passear os meus dedos pelo teu corpo ainda húmido. Quero-te, porque me corres nas veias. Porque és amor amigo amante menino assim distante. Quero-te na solidão da noite. No areal da praia na espuma da onda. Quero-te dentro de mim, como só tu sabes. O sangue a arder. No tempo parado na loucura de nós. Quero-te tanto, quero-te sempre.


Maria in O Cheiro da Ilha
foto: Martin Filip

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