Meu corpo surge próximo à árvores torcidas
Que dançam com a ventania.
A passagem é estreita entre folhas e trepadeiras
E a faca não corta os galhos macios.
Engulo a lágrima que amarga a garganta
Enquanto espinhos pontudos roçam nas pernas.
Feridas novas sangram junto com antigas que reabrem,
Mas a dor constante, anestesia.
O choro distante já não incomoda.
Os olhos distorcem o passado próximo.
Vejo outra dor que será vencida.
Cristina Caetano
"a persistência da memória" - Salvador Dalí





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