Se te pareço noturna e imperfeita
Olha-me de novo. Porque esta noite
Olhei-me a mim, como se tu me olhasses.
E era como se a água desejasse.
Escapar de sua casa que é o rio
E deslizando apenas, nem tocar a margem.
Te olhei. E há tanto tempo
Entendo que sou terra. Há tanto tempo
Espero.
Que o teu corpo de água mais fraterno
Se estenda sobre o meu. Pastor e nauta.
Olha-me de novo. Com menos altivez
E mais atento.
[I]
Hilda Hilst
"Rio de Janeiro"
Fotografia: Marc Ferrez





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