segunda-feira, 5 de dezembro de 2005


Amavisse

Como se te perdesse, assim te quero.
Como se não te visse (favas douradas
Sob um amarelo) assim te apreendo brusco
Inamovível, e te respiro inteiro

Um arco-íris de ar em águas profundas.

Como se tudo o mais me permitisses,
A mim me fotografo nuns portões de ferro
Ocres, altos, e eu mesma diluída e mínima
No dissoluto de toda despedida.

Como se te perdesse nos trens, nas estações
Ou contornando um círculo de águas
Removente ave, assim te somo a mim:
De redes e de anseios inundada.

(II)

Descansa.
O Homem já se fez
O escuro cego raivoso animal
Que pretendias.

(Via Vazia - VIII)


Hilda Hilst
"Nua com espelho" - Joan Miró

Psiu...acorda!!

Volvo cria sistema "anti-cochilo"

A Volvo anunciou que está finalizando os testes de um novo equipamento de segurança veicular. Trata-se do Driver Alert, um dispositivo que avisa o motorista antes de ele cair no sono.

Formado por uma câmera - instalada entre o pára-brisa e o retrovisor interno -, um microprocessador e vários sensores espalhados pelo carro; o Driver Alert acompanha o comportamento do veículo, medindo constantemente a distância entre ele e as sinalizações de solo de ruas ou rodovias, a partir de velocidades acima de 65 km/h. Caso, ele "perceba" que há risco na forma como o veículo está sendo conduzido, um sinal sonoro é emitido para alertar o motorista.

De acordo com o gerente do projeto, Wolfgang Birk, a decisão de optar pelo monitoramento do comportamento do carro em vez dos movimentos do volante ou dos olhos, foi motivada por ela ser a mais confiável indicação de que algo está errado.

"Ele (o Driver Alert) permite que o motorista seja alertado a tempo de evitar um acidente", explica Birk. "Nós não monitoramos o comportamento humano, pois ele pode variar de pessoa a pessoa. Com isso, os riscos de alarme falso diminuem".

Segundo a National Highway Traffic Safety Administration (NHTSA), órgão de trânsito do governo dos Estados Unidos, cerca de 100 mil acidentes por ano são causados por distração de motoristas. Desse total, 1,5 mil resultam em vítimas fatais e cerca de 70 mil feridos. A Associação de Seguradoras da Alemanha (German Insurance Association), por sua vez, estima que, aproximadamente 25% dos acidentes fatais nas estradas alemãs são causadas por fadiga ao volante.

n.r.:não fiquei muito convencida.

Salvador será capital brasileira da cultura


A partir desta segunda, dia 5, Salvador vai se transformar na Capital Brasileira de Cultura. A cidade vai sediar o Seminário Nacional de Conselhos Estaduais de Cultura, no Palácio da Aclamação. A cidade receberá secretários de Cultura de todos os estados, além dos presidentes dos Conselhos Estaduais de Cultura. Na terça-feira, dia 6, será aberto o VI Mercado Cultural, com mais de 100 apresentações e 1.500 artistas de música, teatro e dança, com apresentações em vários pontos de Salvador, durante seis dias.

UE aprova criação de "lista negra" de companhias aéreas

O Conselho de ministros dos Transportes da União Européia aprovou hoje o regulamento que estabelece a criação de uma "lista negra" de companhias aéreas perigosas, que serão proibidas de operar no território do bloco.

A proposta de regulamento, que já tinha recebido o apoio do Parlamento Europeu, também estabelece o direito dos passageiros de conhecer a identidade da companhia que realizará seu vôo, problema que ocorre sobretudo quando se trata de vôos charter.

O texto, adotado por unanimidade, estabelece que a lista comum incluirá todas as companhias que, por descumprimento dos requisitos de segurança, forem proibidas de usar os aeroportos e o espaço aéreo dos Estados-membros, ou estiverem submetidas a restrições, como a obrigação de voar sempre com um tipo de avião determinado.

A Comissão Européia anunciou que a primeira versão da lista, que pode incluir 50 companhias, deve ser publicada em fevereiro ou março de 2006, assim que estiverem concluídos diversos trâmites jurídicos.

A "lista negra" será publicada nos sites das autoridades da UE e dos Estados-membros responsáveis pela segurança aérea, assim como nos sites de aeroportos, agências de viagem e escritórios de operadores turísticos, o que não era previsto pela proposta inicial.

Além disso, o regulamento obrigará as agências de viagem a informar aos clientes o nome da companhia aérea de cada vôo que contratarem e a indenizar os turistas se, por uma mudança de última hora, a companhia for substituída por uma incluída na "lista negra".

Para elaborar a lista da UE, que será revisada a cada três meses, cada país deverá redigir listas próprias com as companhias aéreas que estiverem proibidas de usar seus aeroportos ou seu espaço aéreo.
A matéria na íntegra aqui.


n.r.:
até que enfim!

A Pequena Notável

Mito Carmen Miranda é recontado em exposição no Rio de Janeiro

Carmen Miranda, a atriz e cantora brasileira de maior fama internacional no século XX, será recriada em uma exposição no Rio de Janeiro, junto com seus extravagantes chapéus de frutas e das monocórdias canções de carnaval.

A mostra "Carmen Miranda Para Sempre" passeia durante três décadas pela trajetória da artista que gravou 322 músicas, pelas quais detém o título de "inventora da música popular brasileira", com o qual triunfou em Hollywood e na Broadway para fazer parte de um exclusivo panteão de divas mundiais do espetáculo.

A vida de Maria do Carmo Miranda da Cunha, nascida em Portugal no dia 9 de fevereiro de 1909 e habitante do Rio de Janeiro desde os dez meses de idade, é contada através de 700 peças de coleção reunidas no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro.

Fotografias, pôsteres de filmes, roupas, vestidos, documentos, trechos de filmes e discos jogam nova luz sobre "a Pequena Notável", uma figura que no Brasil transita entre o esquecimento e as lembranças vagas e estereotipadas.

"Ela foi a grande intérprete da alegria brasileira", afirmou o escritor Ruy Castro, autor de uma recém-editada biografia que coincide com a exposição inaugurada esta semana por ocasião dos 50 anos da morte de Miranda.

"A exposição mostra Carmen como uma grande artista, mulher e ser humano", disse Ruy Castro à EFE, enquanto preparava os últimos detalhes dos textos de sua autoria que acompanham a mostra.

O início nas nascentes rádios cariocas, seu triunfo no Brasil, sua ida para os EUA, seus trabalhos ao lado de Dean Martin, Jerry Lewis, Groucho Marx, César Romero e John Payne, e sua etapa de declínio são contadas de uma maneira "sinuosa e curvilínea".

Em 4 de agosto de 1955, pouco após participar do "Jimmy Durante Show", Miranda, então com 46 anos, teria ataque do coração que terminaria a matando.

Após o programa, Miranda foi a uma festa na casa de amigos e morreu só, enquanto os outros se divertiam no apartamento de baixo.

Com essa morte discreta, "poupou seu público de uma imagem tão pouco afeita a Carmen Miranda", nas palavras de Castro.

Sua última imagem, saindo pela porta do set do programa, faz parte do documentário "Bananas is my Business" da cineasta Helena Solberg, também apresentado nesta exposição multimídia.

Em um dos extremos da exposição há um pequeno palco que recria um cabaré dos anos 50, com uma pequena tela de cinema que apresenta sucessos de outros tempos. Também há uma pequena galeria que reúne fotos de Carmen obtidas em Buenos Aires pela célebre Annemarie Heinrich.

Vestidos e colares originais, jóias, prendas, peças restauradas e criações inspiradas no "modo Carmen Miranda de se vestir" lembram a radiante figura desta mulher avassaladora de 1,54 metro de estatura.

O típico vestido de "baiana" e os inseparáveis chapéus de frutas também integram a mostra. Este era o traje quase permanente da artista, que se transformou em uma fantasia.

Para seus críticos, Miranda personificava o estereótipo da república das bananas, da qual Washington queria se aproximar como parte de sua política externa de "New Deal" e boa vizinhança.

Ano após ano, cantava as mesmas canções com a mesma indumentária e portando seus chapéus de carnaval. Em sua arte, um Brasil tropical aparecia confundido com o distante Caribe.

As ingênuas marchas de carnaval do período americano às vezes eram fundidas com sons caribenhos ao estilo de "Mamãe eu quero", enquanto ela dançava requebrando os quadris, como uma precursora das mulatas que hoje impressionam os turistas no Rio de Janeiro.

Outros testemunhos mais trágicos revelam a vulnerabilidade de sua vida fora dos palcos. A cantora passou os últimos anos à base de morfina e barbitúricos para manter de pé sua alegria em cena, ao mesmo tempo que era explorada por seu marido.

As imagens e testemunhos de seu enterro, que contou com a presença de meio milhão de pessoas no Rio de Janeiro, retratam a dor de sua ausência.

Mas, após percorrer a exposição, são apenas seu sorriso radiante, seu olhar, seus cabelos flutuando no ar e seu indefectível chapéu de frutas os que ficam na memória do público.

domingo, 4 de dezembro de 2005

"Tô exausto!"

UOL Bichos - TOP 10

Depois de brincar no playground, nada como uma boa soneca! Ele ficou em terceiro e em sétimo lugar em novembro, mas foi o primeiro bicho a realizar a façanha de aparecer duas vezes em um TOP 10!

Panasonic e Ecotecnologia

A Panasonic, a marca principal pela qual a Matsushita Electric Industrial Co., Ltd. é conhecida em todo o mundo, anunciou hoje o término das construções da casa Eco & UD (Universal Design), uma casa-modelo que incorpora o comprometimento que a empresa tem com a ecologia, e os princípios de design universal.

A casa é construída e repleta de produtos, tecnologias e idéias da Panasonic, oferecendo produtos para um ambiente confortável, e um novo estilo de vida em um ambiente ecológico. Por exemplo, a casa emprega sistemas de energia solar e geração de energia através de células. Para aumentar a eficiência e reduzir o efeito de aquecimento das ilhas de calor urbanas, é colocado um telhado verde.

A empresa está enfrentando da melhor forma possível os problemas de aquecimento global em suas fábricas, e como também em seus produtos. Para acelerar a redução na emissão de gases que causam o efeito estufa de seus produtos, a empresa tem adotado um indicador para avaliar o nível de impacto que seus produtos têm sobre o aquecimento global durante toda a sua vida útil.

A casa, montada apenas com produtos avançados e “limpos”, já atingiu a nota 5, de acordo com a escala da Panasonic. Entre eles estão um ar-condicionador auto-limpável, uma geladeira livre de hydro-fluorcarbono, uma maquina de lavar louça que lava uma quantia muito menor de água, e ainda conta com dispositivos de iluminação de vida longa que virtualmente não precisa ser substituído.

A casa foi projetada para acomodar pessoas de diversas idades e tamanhos. Os corredores são largos o suficiente para a passagem de cadeiras de rodas e corrimãos foram instalados para auxiliar e prevenir acidentes. Toda a mobília da casa tem as pontas arredondadas e os móveis são colocados numa altura que podem ser acessados mesmo se você estiver sentado em uma cadeira.

Uma tela de plasma grande tem um papel importante dentro da casa como o centro de informações. A TV é usada para controlar e gerenciar o uso de energia dentro da residência, e pode servir também como monitor de segurança. Ela também serve para entretenimento e comunicação permitindo que o usuário acesse ou compre filmes e música virtualmente, assim como também permite que usuários possam interagir.

A casa tem oito ambientes incluindo um quarto conceitual, uma sala de estar, uma cozinha completa, um sistema de geração de energia por células, um sistema de segurança equipado com reconhecimento de íris, um home theater de alta qualidade com controle remoto universal para operar todos os equipamentos de Áudio e Vídeo, além de um quarto que promete um bom descanso com cama, luzes, sons e ar condicionado controlados.

A casa Eco & UD estará aberta para o público todos os finais de semana, e nos feriados nacionais do Japão após a abertura oficial que acontecerá dia 4 de janeiro.
http://panasonic.co.jp/euhouse

"SÁBADO, DEZEMBRO 03, 2005"

"Pensei seriamente antes de escrever o que vou escrever a seguir.
Tenho feito pesquisas aos textos e poemas que escrevo e edito aqui, não só por títulos mas por versos isolados e de forma aleatória, e encontrei blogs inteiros feitos com poemas e textos meus em que a desonestidade chega ao ponto de dizerem que os escreveram a uma certa hora para determinada pessoa, estando eles até já registados na Sociedade Portuguesa de Autores.
Sei que quem recebeu mails com textos meus, não editou as coisas de má fé e não me refiro a isso, mas sim a plagiar descaradamente e modificar o titulo para não ser detectado, esta situação está completamente fora de controle porque não me refiro a dois ou três blogs nem vinte mas muitos mais e também foruns, páginas de fotografiae e até grupos de poesia.
Tenho de arranjar uma forma de preservar o que escrevo.
Portanto, tenho neste momento duas alternativas, a primeira deixar de mostrar o que escrevo no blog e na minha página, a outra, fazer uma lista pública de quem desonestamente plagia o trabalho dos outros, porque certamente não o fazem só comigo.
Estou numa encruzilhada.
A todos os que até hoje editaram textos meus mostrando assim apreço e identificaram a autoria mostrando honestidade intelectual e respeito pela escrita um enorme obrigada.

posted by encandescente at 12/03/2005"

sábado, 3 de dezembro de 2005

O drama do populismo urbano -

As favelas crescem e se multiplicam no Rio de Janeiro
porque são um bom negócio para os que apostam na miséria

Arquivo Nacional/Correio da Manhã
Favela da Rocinha na década de 60:
ainda havia a possibilidade de conter o avanço

Oscar Cabral
A Rocinha hoje: 56.000 moradores,
espigões e um problema fora de controle

As duas fotos que o leitor vê acima sintetizam um drama urbano. Elas mostram o crescimento da favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, entre a década de 60 e os dias de hoje. A compreensão do fenômeno da favelização e de suas causas tem ocupado autoridades, políticos, acadêmicos e, claro, os cariocas que sofrem com a degradação de sua cidade. As explicações são muitas. Mas a história de Patrícia da Silva, 28 anos, pode ser um bom começo para entender por que as favelas não param de surgir e crescer.

Patrícia mora com o marido e dois filhos na parte mais alta da Rocinha. O lugar tem o elegante nome de Laboriaux (pronuncia-se em francês, Laborriô), homenagem à família que era proprietária do terreno. Os barracos ali avançam morro acima formando um braço de pobreza em meio à Mata Atlântica. Sua casa, de 22 metros quadrados, está em situação irregular, ultrapassando os limites estabelecidos pela prefeitura para áreas de preservação ambiental. É uma das 89 construções nessa situação.

Em quatro ocasiões, a prefeitura visitou Patrícia para informá-la de que teria de sair daquele local. A primeira foi há nove anos. Por algum tempo ela se sentiu impedida de continuar com melhorias em seu barraco. Mas acabou construindo uma laje. Voltou a ser advertida duas vezes até que, em junho de 2004, recebeu um ultimato da prefeitura: quinze dias para sair, ao fim dos quais seu barraco seria inevitavelmente derrubado.

Até hoje, um ano e meio depois, os funcionários não voltaram para cumprir o ultimato. Não é só isso. Atualmente, as casas têm água fornecida pela companhia estadual de águas e esgotos, energia elétrica e serviço de telefonia fornecidos pelas concessionárias. Por 25 reais mensais, também podem ter TV a cabo, com 38 canais. Só quem não apareceu por lá foi o pessoal da prefeitura encarregado de conter o avanço das favelas.

A história de Patrícia não contém todos os ingredientes do fenômeno da favelização que ocorre no país, mas resume com clareza uma das principais causas – a inação do poder público. Sua casa está irregularmente instalada num terreno que não lhe pertence. E no entanto ela dispõe de todos os recursos para continuar no mesmo lugar, sejam eles oferecidos pelo Estado ou por empresas privadas.

É pela soma de casos assim que, no Rio de Janeiro, o processo de favelização chegou a uma situação explosiva. São mais de 700 favelas no município, nas quais vive 1,1 milhão de pessoas. Boa parte delas está na Zona Sul da cidade, considerada um cartão-postal do país. Os danos são evidentes. Principalmente no que toca à segurança pública.

Como esses locais se transformaram em trincheiras, com toda a dificuldade de acesso e monitoramento, a polícia não consegue desencastelar os bandidos. As explosões de violência são previsíveis e toleradas. Na semana passada, traficantes tomaram um ônibus e queimaram vivos os passageiros. Cinco pessoas que voltavam para casa morreram carbonizadas, entre elas uma menina de 2 anos. Doze pessoas ficaram feridas.

Foi o 73º ataque de traficantes a ônibus no Rio de Janeiro neste ano. Nada foi feito antes para evitar esses ataques. Previsivelmente, nada será feito agora. Em um país civilizado, manifestações de crueldade e impunidade dessa magnitude derrubariam o prefeito, o governador, o ministro da Justiça e o presidente. No Brasil, vai-se colocar a culpa na desigualdade de renda e tudo continuará na mesma. Se o crescimento descontrolado das favelas é um drama, a impunidade dos criminosos que elas escondem é uma tragédia.

O primeiro passo para entender a favelização é notar que o processo é secular e nunca foi enfrentado a sério. A favelização ocorreu no vácuo do Estado. As favelas tornaram-se um bom negócio nas mãos de aproveitadores em geral e políticos em particular. Assim como no Nordeste, em que a "indústria da seca" é a garantia de que a miséria sempre vai existir no sertão, criou-se, no Brasil, uma indústria das favelas capitaneada por governantes populistas.

O exemplo mais famoso foi o do ex-governador Leonel Brizola, que defendeu a manutenção dos barracos, concedeu títulos de propriedade e promoveu a criação de uma rede de ações de cunho assistencialista que impulsionou a favelização no Rio de Janeiro. Mas os casos se repetem. Centros sociais, mantidos por candidatos de olho na eleição seguinte, se multiplicam nessas áreas, oferecendo desde vagas para crianças em creches até serviço de ambulância.

As disputas políticas acirradas chegaram às associações de moradores. Na última eleição para a associação dos moradores da Rocinha, a disputa se polarizou entre o ex-governador Anthony Garotinho e o prefeito Cesar Maia. O candidato do prefeito foi vitorioso. Vivendo em condições precaríssimas e com todo tipo de carência que se possa reunir em uma só região de uma cidade, a Rocinha é um dos maiores currais eleitorais do Rio de Janeiro.

Nenhum político corre o risco de desagradar aos poderosos cabos eleitorais da favela. E quem são eles? Intermediários entre o mundo legal e os traficantes. Inocentes úteis cujas vidas são hipotecadas aos criminosos.

"Ronaldo França e Ronaldo Soares" - Veja on-line

sexta-feira, 2 de dezembro de 2005

Chove, o calor foi embora. A temperatura desceu e ficou super agradável.
Já está escuro. O barulho que faz lá fora é constante.
A janela tem bolinhas de água deixadas pelas folhas das árvores próximas
que balançam enquanto o vento vem e vai.
Ás vezes, brilham, quando um farol qualquer de um carro passa.
A música que comecei a ouvir é absolutamente maravilhosa sem ser triste.


Don't know why

I waited 'till I saw the sun
I don't why I didn't come
I left you by the house of fun
I don't why I didn't come
I don't why I didn't come

When I saw the break of day
I wished that I could fly away
Instead of kneeling in the sand
Catching teardrops in my hand

My heart is drenched in wine
But you'll be on my mind
Forever

Out across the endless sea
I would die in ectasy
But I'll be a bag of bones
Driving down the road alone

My heart is drenched in wine
But you'll be on my mind
Forever

Something has to make you run
I don't know why I didn't come
I feel as empty as a drum
I don't know why I didn't come
I don't know why I didn't come
I don't know why I didn't come

Jesse Harris

Voz - Norah Jones

n.r.: nem sempre precisamos sonhar na nossa língua materna.

O que é que a Bahia tem?

Samba de roda do Recôncavo Baiano é patrimônio da humanidade

O samba de roda da Bahia foi proclamado, no dia 25 de Novembro, pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) como Património da Humanidade na categoria de expressões orais e imateriais.O anúncio das 43 novas obras-primas do Património Oral e Imaterial da Humanidade foi feito pelo director-geral da UNESCO, Koichiro Matsuura, com o objectivo de distinguir as formas de expressão populares e tradicionais e sensibilizar a opinião pública para o reconhecimento do valor de seu património.

Nascido no Recôncavo Baiano, o samba de roda é um estilo musical afro-brasileiro tocado por um conjunto de pandeiro, atabaque, berimbau, viola e chocalho, acompanhado por canto e palmas, e está associado a datas festivas do Candomblé. É a segunda manifestação cultural brasileira a ganhar o título de património da humanidade. Em 2003, foram inscritas as expressões gráficas dos índios Wajãpi, uma tribo que vive no Amapá.

O título internacional de obra-prima do Património Oral e Imaterial da Humanidade foi criado pela UNESCO, em 2001, como forma de estimular os governos, as organizações não governamentais (ONG) e as próprias comunidades locais a reconhecer, valorizar, identificar e preservar o seu património intangível. A proclamação ocorre a cada dois anos, a partir de uma selecção de espaços e expressões de excepcional importância, feita por meio de um júri internacional, dentre as candidaturas oferecidas pelos países. No caso do Brasil a candidatura do samba de roda foi estimulada pelo ministro da Cultura, Gilberto Gil, e competentemente preparada pelo Instituto do Património Histórico e Artístico Nacional (IPHAN), sob a coordenação do etnomusicólogo Carlos Sandroni.

Veja mais sobre a reportagem aqui.


n.r.:Soube através da Lua

"Está tudo óptimo", um livro de receitas para crianças


«Está tudo óptimo» é um livro de receitas para crianças, mas as receitas mais importantes não são as que constam das páginas, mas as que resultam da venda da obra. O dinheiro obtido com esta obra infantil reverte para a associação Acreditar - Associação de Pais e Amigos das Crianças com Cancro.

A Acreditar é uma instituição que «pretende ajudar as crianças e as respectivas famílias a superar melhor os diversos problemas que se colocam a partir do momento em que é diagnosticado o cancro, contribuindo para fomentar a esperança».

Algumas figuras públicas como Ricardo Carriço e Rui Unas juntaram-se à iniciativa para ajudar a divulgar as histórias que os elementos da associação têm para contar.

Ale das receitas, o livro conta ainda com as ilustrações, que «farão as delícias dos mais novos», explica a Acreditar.

«Está tudo óptimo» está à venda directamente na instalações da Acreditar (em Lisboa, Porto, Coimbra e Funchal), nas livrarias (desde 21 de Novembro) e, entre 8 e 11 de Dezembro na banca da associação no centro comercial Amoreiras em Lisboa.
n.r.: esta eu vi na Lua

Lembram-se? Mas agora....

Já encontra-se nas Livrarias!!


E Para Encomendar
Clicar aqui
Preço: 7,90 euros


O meu rio

No meu rio que não corre para a foz
Da minha cidade sem nome
Navega a minha saudade
Líquida corre a minha voz.
Segue os passos do meu amor
O meu rio que não corre para a foz.
E na cidade sem nome
Onde o meu amor estiver
Desaguará o meu rio
E cumprirá o seu fado
Dirá da minha saudade
E será mar a seus pés.

Quando não estás

Quando não estás invento-te.
Imagino histórias
Escrevo argumentos
Realizo filmes
Para encher de ti
O tempo em que não estás.
Puxo-te por um braço
Trago-te para o meu espaço
És voz amante de um filme de Almodovar
Calmo. Terno. Meigo
Carinho. Paz.
Ou persegues-me. Agarras-me
Empurras-me contra um canto
Possuis-me ao ritmo alucinante de Tarantino
E somos paixão absurda
Que tudo destrói à passagem
Que esgota os sentidos
Arrasa o corpo
Não acalma a alma
Não conhece paz nem calma
Mas é fogo violento que arde
E exige sempre mais.
Quando não estás presente
Invento-te.
Para estares sempre
Mesmo quando não estás.

Encandescente

Produto nacional

Designer de móveis, Cláudia Moreira Salles apresenta
"a cara da casa brasileira"



A designer de móveis Claudia Moreira Salles tem quase três décadas de criação revistas em exposição, no Museu da Casa Brasileira, e em livro, lançado simultaneamente à abertura _que acontece nesta quinta-feira, 1º de dezembro, em São Paulo. Ambas focadas em cerca de 30 móveis emblemáticos da obra de Claudia, livro e mostra destacam o caráter artesanal com que a designer trata elementos brasileiros em construções contemporâneas de mobiliário.

Claudia é conhecida por aliar simplicidade com detalhamento, além de dominar as nuances de uma matéria-prima que tem forte identificação com o Brasil: a madeira. Nascida (em 1955) e formada (em 1978) no Rio de Janeiro - de onde em meados dos anos 80 para morar em São Paulo -, seu ambiente de criação foi embebido na tradição aristocrática da arte moderna nacional, por nomes como Candido Portinari, Lucio Costa, Affonso Eduardo Reidy e Lasar Segall.

O recorte feito dos móveis criador por Claudia Moreira Salles inclui peças representativas de sua trajetória, como os bancos Dueto (1992), Iracema (1993) e Jangada (2000), a mesa Fresta (2001), a cadeira Quase Mínima (2004) e o sofá e poltrona Tragara (1997). Nelas, é possível ver as diferentes tonalidades e veios da madeira em harmonia e o uso da transparência, dos espaços vazios, das elipses, para dar leveza a criações que são densas pela natureza da madeira.

EXPOSIÇÃO: CLAUDIA MOREIRA SALLES
» Onde: Museu da Casa Brasileira
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2705 - Jd. Paulistano - S.P.
» Quando: De 2/12 a 15/1/2006
Terça a domingo, das 10h00 às 18h00
» Quanto: R$ 4,00
» Informações: (11) 3032-2564 e www.mcb.sp.gov.br

Mostra reúne 200 obras de Miró em São Paulo

"Bleu II" - Miró


As cores, os traços e o movimento da obra de Joan Miró (1893-1983) chegam a São Paulo em 206 obras que serão expostas a partir do dia 8 de dezembro na mostra gratuita !Mirabolante Miró!, no Instituto Tomie Ohtake. Entre os trabalhos estão ilustrações para poemas e livros, como um escrito por João Cabral de Melo Neto.

As obras, que incluem litografias e xilogravuras, vieram da Galeria Lelong, de Paris, guardiã de um grande acervo da obra gráfica de Miró. Os trabalhos foram expostos recentemente em Porto Alegre e já estão na capital paulista, aguardando a montagem do espaço concebido por Pedro Mendes da Rocha, cuja concepção busca interferir o mínimo possível no ambiente das obras.

Pintor, gravador e escultor, o catalão Miró teve uma vasta produção de gravuras, foco central da mostra. As 178 gravuras e 28 pôsteres que serão expostos enfocam a sua produção dos anos 60 até os anos 80 e trazem, como nas telas, a forte relação do catalão com as cores puras (vermelho, azul, amarelo) e o movimento, marcado pelos traço negro em companhia da cor.

"A cor é protagonista na obra de Miró, assim como a linha", assinala o curador da mostra no Brasil, Fábio Magalhães, ex-curador-chefe do Masp e secretário-adjunto da Cultura do Estado de São Paulo - a curadoria da seleção ficou a cargo de Jean de Frémon, crítico e diretor da Galeria Lelong.

"Miró criou um léxico visual de identidade única", complementa Magalhães. "Sua obra é um constante movimento, um cosmos em formação. Quando você vê uma linha e um ponto, parece que a linha tirou o ponto para dançar."

!Mirabolante Miró!
»Onde: Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima, 201, Pinheiros - S.Paulo
»Quando: 8 de dezembro a 6 de fevereiro.
Terça a domingo, das 11h00 às 20h00
»Quanto: grátis

quinta-feira, 1 de dezembro de 2005

Britânicos fazem o "maior amigo secreto do mundo"

Três estudantes de Swindon, cidade de 115 mil habitantes ao sul da Grã-Bretanha, levaram o conceito de amigo secreto ao extremo, tentando convencer toda a população local a participar.

Jon Richards, Matt Green e Zoe Hooper montaram um site na Internet, convidando as pessoas a se registrar para participar do que deve ser provavelmente o maior amigo secreto do mundo.

Os participantes receberão e-mails com a idade e o sexo da pessoa para quem eles precisam comprar um presente. Da mesma forma, eles receberão um presente de alguém.

Os estudantes disseram que não estão recebendo nada pelo trabalho, a não ser “um sentimento de calor interior”.

Para manter o anonimato, garantir a segurança e prevenir o envio de presentes inapropriados, as pessoas precisam enviar a lembrança, com custo entre 3 e 4 libras (de R$ 11,50 a R$ 15,30), à equipe do amigo secreto de Swindon, que o empacotará e entregará em mãos ao destinatário.

Jon, Matt e a estudante de enfermagem Zoe estão se preparando para uma correria com embalagens e entregas. “Pode levar uns três dias, mas já pedimos a ajuda de nossas famílias’, disse Matt.

Sarah Bernhardt volta a ser venerada



"Se eu fosse mais velha, teria podido conhecer Sarah Bernhardt. Não era magnífica?", diz Marilyn Monroe num trecho do clássico "O Pecado Mora ao Lado". Assim começa, no Jewish Museum de Nova York, a primeira exposição consagrada por um grande museu americano a esse monstro sagrado do teatro. "Sarah Bernhardt: the Art of High Drama" ficará até 2 de abril de 2006 aberta a visitação.

"A atriz mais famosa do mundo" em sua época é "a mãe" das atrizes de Hollywood modernas, afirmou Carol Ockman, historiadora de arte e responsável pela mostra.

Sarah Bernhardt (1844-1923) "é a primeira estrela de massas, ela criou o modelo da celebridade hollywoodiana tal como o conhecemos atualmente. Conseguiu um público internacional, ninguém conseguiu isto melhor do que ela. Ela representa o teatro clássico francês, mas também a grandeza ao estilo Hollywood", estimou.

A atriz francesa se apresentou por todo o mundo, das ilhas Samoa ao Senegal, percorrendo também os Estados Unidos durante oito anos, viajando de trem. Ela parava numa cidade e representava, sob uma capa e sempre em francês.

Ela soube primeiro que todos como se cria a notoriedade: "uma repetição", é preciso estar em todas as partes. Ela fez a sua publicidade, associou seu nome a produtos e sua imagem aparecia estampada em pacotes de cigarros na França ou na propaganda de cremes nos Estados Unidos. Também ajudou o inventor Thomas Edison, que gravou sua voz a partir de 1881.

Seu esplendor de diva, seu estilo de vida, seus desafios aos cânones da feminilidade, sua falta de etiqueta - "judia e católica, cultivada e popular" - continuam sendo nos Estados Unidos uma referência da contracultura, do mundo do teatro, segundo Ockman.

No total, 250 objetos pessoais e acessórios de teatro estão expostos no Jewish Museum, vindos do Museu Orsay de Paris, do Museu Alphonse-Mucha do Japão e do Victoria and Albert Museum de Londres: retratos de Nadar, um crânio humano oferecido por Victor Hugo, um corselet com cintura de vespa para representar "Hernani", um espelho com o lema "Apesar de tudo" ou caricaturas da estrela.

Para os organizadores da exposição, a atriz "continua ancorada na cultura americana". Durante muito tempo, a expressão "Quem você pensa que é? Sarah Bernhardt?" foi bastante comum nos Estados Unidos.

No dia 12 de dezembro, várias atrizes americanas, entre elas Debra Winger e Cherry Jones, farão uma apresentação no Museu com base no repertório da atriz "com voz de ouro".

Brrrrr!!!!

Mudança no oceano pode deixar Europa mais fria

A neve cobriu até o Palácio de Versallhes,
na França


Mudanças nas correntes do Oceano Atlântico poderão esfriar o clima na Europa dentro de poucas décadas, segundo cientistas.


Pesquisadores do Centro Nacional de Oceanografia da Grã-Bretanha afirmam que as correntes derivadas da Corrente Marítima do Golfo estão enfraquecendo, o que leva menos calor para o hemisfério norte.

As conclusões dos cientistas, publicadas na revista científica Nature, são baseadas em 50 anos de observações do Oceano Atlântico.

Os pesquisadores afirmam que os líderes políticos europeus precisam se preparar para um futuro que pode ser mais frio.

As descobertas vêm de um projeto de pesquisa britânico chamado Rapid, que visa reunir provas relativas à uma possível mudança climática rápida na Europa.

Veja o restante da matéria aqui.


Tenho-te saudades

Diz o meu nome!
Diz se és capaz
Enquanto dormes, sonhas e balbucias
qualquer som.

Eu me apago
Enquanto névoa, espectro.
A luz do farol acesa percebe apenas o vulto
Que não se mostra.

Diz se não sentes
o corpo, a pele tão macia, tão morna
quando a alcanças na tua mão
teu braço esticado, longe...

Desapareço!
Sou o teu melhor sonho.


Cristina Caetano

"Fields in spring" - Claude Monet

Há anos enchendo o caneco

Exposição rastreia centenas de anos de bebedeira em Londres

Canecas medievais mostram bebebores
com a "barriga inflada"


A cultura de se embebedar na Grã-Bretanha já existia há centenas de anos, segundo uma exposição que vai reabrir a galeria medieval do Museu de Londres, no próximo dia 25 de novembro, na capital britânica.
Especialistas encontraram provas de que no século 12 os londrinos bebiam cerveja aos litros, começando no café da manhã, por causa da má qualidade da água na cidade.

A exposição no Museu de Londres inclui uma seleção de canecas e jarras que mostram homens com barrigas de cerveja.

Os vários bares e estabelecimentos de Londres eram usados "para "bebedeiras desmesuradas de tolos", segundo um escritor da época. Há 700 anos, Londres tinha 1.300 bares de cerveja, um para cada 50 moradores da cidade.

John Clark, o curador da galeria Londres Medieval, disse que "a maioria das pessoas, inclusive as crianças, bebiam a tradicional cerveja da época, feita sem lúpulo". "Ao preço de um centavo de libra por galão (de 4,5 litros), apenas os mais pobres tinham que beber água."

Tom Knox, cervejeiro chefe da cervejaria Nethergate, que produz a cerveja tradicional ale - a versão moderna das cervejas medievais - disse que a "ale era a bebida favorita quando a água e o leite eram normalmente contaminados, e o chá e o café eram desconhecidos na Inglaterra". "A fervura da cerveja durante o processo e a produção do álcool durante a fermentação destruíam a maior parte das bactérias", explica ele.

Durante o século 15, a cerveja feita com lúpulos se popularizou em Londres, substituindo a cerveja tradicional.

Segundo um observador de 1542, o hábito de beber cerveja "é em detrimento" de muitos dos ingleses já que "faz o homem engordar e faz a barriga inflar".

Segundo especialistas, o vinho importado era popular entre as classes mais abastadas da época, que podiam pagar pela bebida.

As canecas e jarras da época, inclusive as cerâmicas de uso diário e taças de vinho ricamente trabalhadas, vão ser exibidas na galeria medieval.

World AIDS Day

Support World AIDS Day

Brasileiro Vik Muniz expõe na Itália

"Vik Muniz nas coleções italianas" é a mostra do renomado artista plástico brasileiro que Turim recebe em dezembro. Composta por 22 obras, a exposição foi organizada pela Ersel, um dos grupos de investimento mais cotados internacionalmente, em colaboração com as galerias Photo&Contemporary.

Além das obras mais famosas, também estarão expostos alguns de seus trabalhos dos últimos cinco anos, inéditos para o público italiano, em que utilizou materiais mais extravagantes, como o chocolate com açúcar refinado, fios de lã e pedaços de jornal.

Paralelamente à mostra será apresentado o livro "Reflex: A Vik Muniz Primer", um "tour guiado" pela imaginação pirotécnica de Muniz. Na obra, as imagens são relacionadas a textos que relatam a inspiração, a metodologia da realização e o processo de produção.

O reconhecimento de Vik Muniz veio depois que se mudou para Nova York, onde estudou cenografia e direção teatral e começou a dedicar-se à pintura, escultura e à fotografia. No final dos anos 80, concentrou sua atenção na fotografia.

Os trabalhos de Muniz estão presentes nas coleções permanentes dos mais prestigiosos museus norte-americanos e europeus.

Livro derruba mitos sobre Carmem Miranda

Há cinco anos, ao começar a pesquisar a vida de Carmen Miranda para uma biografia a que se dedicaria com exclusividade a partir de abril de 2003, Ruy Castro ainda considerava plausíveis alguns mitos em torno da vida da cantora. Agora, ao lançar "Carmen - Uma Biografia", poucos desses mitos ficaram de pé.

O cruzamento de dezenas de entrevistas com pesquisas em jornais e arquivos pessoais derrubou para sempre uma série de lendas. Mas, para Castro, essa operação, em vez de diminuir a "pequena notável", aumenta seu tamanho.

"Um dos orgulhos que esse livro me dá é que espero ter conseguido mostrar que Carmen foi praticamente a inventora da música popular brasileira como cantora. Ela inventou um jeito brasileiro de cantar. E já chegou pronta aos Estados Unidos. Na verdade, ela já estava pronta em "Taí'", exalta Castro, referindo-se ao sucesso de 1930 que transformou Carmen de anônima em estrela em um Carnaval.

O jornalista derruba no livro a idéia superficial de que o estereótipo eternizado por Carmen teria sido uma imposição de Hollywood. Afinal, "O Que É Que a Baiana Tem?" surgiu em um filme brasileiro de 1938, "Banana da Terra", e, nele, Carmen, orientada por Dorival Caymmi, já se valeu de indumentária e trejeitos parecidos com os que internacionalizaria a partir do ano seguinte.

"O que houve foi uma exacerbação do personagem", assinala Castro, lembrando que não aconteceu com Carmen nada muito diferente do que acontecia com astros e estrelas norte-americanas. "Spencer Tracy e Humphrey Bogart, por exemplo, faziam sempre o mesmo tipo. As pessoas já sabiam o que iam ver. Carmen ainda conseguiu falar em português nos filmes. Perdeu algumas batalhas, mas ganhou outras."

Duas lendas ambientadas no Cassino da Urca também foram aterradas por Castro. A primeira dizia que Lee Shubert, o empresário mais importante da Broadway, tinha visto um show de Carmen por acaso e que, impressionado, decidira contratá-la.

Impressionado ele ficou, mas, como provam cartas do acervo de Shubert que Castro consultou, pedira uma reserva no cassino já alertado de Carmen poderia interessá-lo. "E o que ele fazia era teatro de variedades, no qual uma brasileira como Carmen poderia se encaixar bem", diz o jornalista.

A segunda lenda, mais famosa, tratava das vaias que ela sofrera ao se apresentar na Urca em 15 de julho de 1940, logo após retornar de sua primeira e muito bem-sucedida temporada norte-americana.

A matéria na íntegra aqui.

Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.