segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Lisboa e Tejo e Tudo



Antes de mais nada deixo aqui um dos comentários a respeito do texto de Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, feito nesta publicação do Blog do Noblat: "O eleitorado do PT não lê. Quem se informa fica sapateando de raiva, mas inutilmente. A Dilma sabe disso, por isso não está nem aí."

por Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, para o Blog do Noblat:


Como é possível que uma senhora que já não é mais criança, ocupante do mais alto cargo de uma Nação cheia de problemas, se comporte como uma Maria-Chuteira que não sabe mais nem em quê gastar de tanto que seu marido ganha?

À menina que sai da periferia de qualquer de nossas cidades e vai parar em Barcelona ou Madrid e fica extasiada com as purpurinas de sua nova vida, dá-se um desconto: é natural que queira pavonear-se para os da sua turma.

Mas dona Dilma ir se exibir em Lisboa e nos fazer passar pelo vexame de mostrar que no fundo ainda somos os mesmos tupinambás boquiabertos com os espelhos e as miçangas?

Será que ela porventura acha que os grandes empresários do mundo não vão pôr num prato da balança a estadista e seu discurso em Davos e no outro a deslumbrada sem limites?

Será que ela por um átimo de segundo achou que esse piquenique às margens do Tejo ia passar despercebido e que não ia ser comparado com o rastilho de pólvora que começa a unir nossas cidades?






Eu mesma respondo. Acho que ela está convencida que nós, os trouxas absolutos, não faremos nada e que ela, retroalimentada pelo PT e seu dono, pode mesmo tudo e que nada de mau lhe acontecerá, a não ser a reeleição e aí...

Bem, aí entra a Carta do Leitor de O Globo, que copio:

“Estou cansado de ver oportunistas manipularem pessoas, usando a religião e a política para ganhar dinheiro fácil e poder. De ver tantas mortes e acidentes em estradas esburacadas, perigosas e mal conservadas. De ver políticos jogando pretos contra brancos, empregados contra patrões, pobres contra ricos, incentivando o preconceito e botando lenha na fogueira da luta de classes. De ver ministérios inúteis, criados para acomodar companheiros, no esquema do toma lá dá cá. Estou cansado da carga tributária de 37,5% do PIB, uma das mais altas do mundo, com quase nenhum retorno. De ter medo de sair à rua, apavorado com bala perdida, assalto e arrastões. Do trânsito e do transporte público sempre infernais. De ver políticos e governantes zombarem da nossa inteligência. Da educação cada vez mais desvalorizada. Estou cansado de muitas coisas, mas, principalmente, de ver a mediocridade tomando conta do país. Rubem Paes, Niterói, RJ”.

É carta que seria assinada por mim e por muita e muita gente. Perfeita. E com o timbre da Verdade.

Eu só acrescentaria uma linha depois de olhar detidamente a foto-testemunha do ‘rolézinho’ às margens do Tejo: precisavam sair carregando a mercadoria?



*O título, já se sabe, é do poema Lisbon Revisited (1926), Álvaro de Campos (Fernando Pessoa).


Para quem não sabe o que aconteceu: a Presidente Dilma, entre Davos e Havana, fez uma paradinha junto com sua comitiva, em Lisboa, e ficaram hospedados em 2 hotéis, ocupando 45 quartos, sendo que a diária da suíte presidencial de um deles ficou ao precinho de 26 mil reais e foram distrair o estômago, num dos restaurantes mais caros de Lisboa. A viagem, obviamente, não constava de sua agenda oficial, por isso, a indignação da senhora do texto acima, assim como de um número imenso de brasileiros.


fonte:Maria Helena Rubinato Rodrigues de Sousa, professora e tradutora, escreve semanalmente para o Blog do Noblat desde agosto de 2005.
foto: Dilma Roussef e o chef Joachim Koerper, no restaurante Eleven.

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