Mostrando postagens com marcador gilka machado. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador gilka machado. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Ausência



Sentimento de ausência
Não é o que se chama
Saudade... Ausência
É algo maior !...

Ausência é a sensação de tudo diferente!
Uma fuga no tempo, um vazio na gente!...
Uma angústia abstrata suspensa no ar...
... Ausência é a presença da perda em cada canto!
A falta desse bem que seria tanto
E que se foi, para não mais voltar!...

... Ausência está em qualquer cousa...
... Nas palavras bonitas
De ternura que não serão ditas
Nunca mais !...

... Ausência está sempre perto
De mim! E eu sempre avisto
E encontro Ausência, aonde quer que vá!...

Ausência é diferente
De lembrança ou de saudade. É algo maior!
É como se fosse o eco de outro mundo
Zunindo nas cousas, doendo na gente!
... É como sumir no vazio profundo
Que fica estranho e fica imenso em derredor!...



Gilka Machado
foto: Eligiusz Langner

quinta-feira, 16 de abril de 2009



Sentimento de ausência
Não é o que se chama
Saudade... Ausência
É algo maior !

Ausência é a sensação de tudo diferente!
Uma fuga no tempo, um vazio na gente...
Uma angústia abstrata suspensa no ar...
--- Ausência é a presença da perda em cada canto!
A falta desse bem que seria tanto
E que se foi, para não mais voltar!...

... Ausência está em qualquer cousa...
... Nas palavras bonitas
De ternura que não serão ditas
Nunca mais !...

... Ausência está sempre perto
De mim! E eu sempre avisto
E encontro Ausência, aonde quer que vá!...

Ausência é diferente
De lembrança ou de saudade. É algo maior!
É como se fosse o eco de outro mundo
Zunindo nas cousas, doendo na gente!
--- É como sumir no vazio profundo
Que fica estranho e fica imenso em derredor!...



Gilka Machado
foto: Ralph Man

terça-feira, 14 de outubro de 2008


Derradeiro Apelo


Estas serão as minhas últimas palavras
aos teus sentidos,
serão o meu apelo derradeiro
Tanto te disse, tanto te escrevi!
Como encontrar agora período preciso,
a perfeita expressão,
para te revelar este silêncio estranho
que me começa a ungir
o exausto coração?!

Vieste-me na hora dadivosa,
na hora imortal
da frutificação:
dei-te toda a doçura dos meus pomos
e voltaste-me as costas
com prazer...
Mas eu bendigo essa tua fome
que saboreou os frutos
que haviam de mais tarde
apodrecer

Foste a montanha azul
que me atraiu os passos;
em cujas arestas agressivas
rasguei meus sonhos,
despenhando-me...

Porém, daqui, da alfombra deste vale
de desfalecimento,
como teus longes me seduzem ainda,
como me apareces belo,
que saudade de ti,
minha montanha azul!
Sou olhos e não tenho visão;
sou boca e tudo me parece insípido;
o meu tato não sente
os espinhos que colhe
na solidão em que me deixaste;
e em vão as rosas da primavera
abrem os lábios
ao meu olfato

Só a tua lembrança
conserva vivo
um pouco do meu ser

Só a tua saudade
prende-me ainda
à beleza da vida

Onde estás?!
Onde estou?!

Sou um corpo
que espera a alma
para acabar de morrer


Gilka Machado
foto: Geoffroy Demarquet

quarta-feira, 20 de agosto de 2008



Eu quisera viver
como os passarinhos:
cantando a beira dos caminhos,
cantando ao sol, cantando aos luares,
cantando de tristeza e de prazer,
sem que niguém ouvidos desse aos meus cantares.

Eu quisera viver em plenos ares,
numa elevada trajetória,
numa existência quase incorpórea;
viver sem rumo, procurar guarida
à noite para, em sono, o corpo descansar,
viver em vôos, de corrida
roçar apenas pela vida!

Eu quisera viver sem leis e sem senhor,
tão somente sujeita às leis da natureza,
tão somente sujeita aos caprichos do amor...
Viver na selva acesa
pelo fulgor solar,
o convívio feliz das mais aves gozando,
viver em bando,
a voar, a voar.


Gilka Machado
foto: Martin Kovalik

domingo, 17 de agosto de 2008


O retrato fiel


Não creias nos meus retratos,
nenhum deles me revela,
ai, não me julgues assim!

Minha cara verdadeira
fugiu às penas do corpo,
ficou isenta da vida.

Toda minha faceirice
e minha vaidade toda
estão na sonora face;

naquela que não foi vista
e que paira, levitando,
em meio a um mundo de cegos.

Os meus retratos são vários
e neles não terás nunca
o meu rosto de poesia.

Não olhes os meus retratos,
nem me suponhas em mim.



Gilka Machado
foto: Andreas Heumann

quarta-feira, 21 de março de 2007


Reflexão


Há certas almas
como as borboletas,
cuja fragilidade de asas
não resiste ao mais leve contato,
que deixam ficar pedaços
pelos dedos que as tocam.


Em seu vôo de ideal,
deslumbram olhos,
atraem as vistas:
perseguem-nas,
alcançam-nas,
detem-nas,
mas, quase sempre,
por saciedade
ou piedade,
libertam-nas outra vez.


Ela, porém, não voam como dantes,
ficam vazias de si mesmas,
cheias de desalento...


Almas e borboletas,
não fosse a tentação das cousas rasas;
- o amor de néctar,
- o néctar do amor,
e pairaríamos nos cimos
seduzindo do alto,
admirando de longe!...Há certas almas
como as borboletas,
cuja fragilidade de asas
não resiste ao mais leve contato,
que deixam ficar pedaços
pelos dedos que as tocam.


Em seu vôo de ideal,
deslumbram olhos,
atraem as vistas:
perseguem-nas,
alcançam-nas,
detem-nas,
mas, quase sempre,
por saciedade
ou piedade,
libertam-nas outra vez.


Ela, porém, não voam como dantes,
ficam vazias de si mesmas,
cheias de desalento...


Almas e borboletas,
não fosse a tentação das cousas rasas;
- o amor de néctar,
- o néctar do amor,
e pairaríamos nos cimos
seduzindo do alto,
admirando de longe!...


Gilka Machado
Jean Broc - "The Death of Hyacinth, 1801"
[pintor francês, 1771-1850]

Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.