Fanatismo
Minh'alma de sonhar-te, anda perdida
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Porque tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim, enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isso, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundo, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim! ..."
Florbela Espanca
Modigliani em Paris, Por Roger Violett
Andréa, Florbela é uma das minhas poetisas preferidas e Fanatismo é divino. E Fagner, depois de Chico, é o meu outro compositor/cantor preferido.
Florbela Espanca era uma mulher intensa, era "visceral" mesmo, sua poesia e sua vida confirmam; uma mulher perfeita na expressão poética, que escreve amor com "A" maiúsculo para que não aja dúvida sobre a sua própria dimensão. O que mais gosto neste soneto, e que também me chama muito a atenção, é quando ela, cheia de grande conhecimento e experiência emocional, divertidamente ri-se de muitos "pobres ingênuos" - é assim que os considera - que nesse momento de sua vida, tentam consolá-la dizendo ser o amor algo comum, inclusive efêmero. "Pobrezinhos...tsc, tsc, tsc..."
Aconselho para quem gosta do gênero, o livro "Florbela Espanca - Sonetos" pela Ed. Bertrand.
n.r.: ainda estou em falta com várias/os amigas/os desde as férias, porque ainda estou fazendo fisioterapia e o meu PC só para me irritar, não tem colaborado comigo. Mas aos poucos, vou entrando nos eixos (literalmente também).
Meus olhos andam cegos de te ver!
Não és sequer razão do meu viver,
Porque tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim, enlouquecida ...
Passo no mundo, meu Amor, a ler
No misterioso livro do teu ser
A mesma história tantas vezes lida!
"Tudo no mundo é frágil, tudo passa ..."
Quando me dizem isso, toda a graça
Duma boca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
"Ah! Podem voar mundo, morrer astros,
Que tu és como Deus : Princípio e Fim! ..."
Florbela Espanca
Modigliani em Paris, Por Roger Violett
Andréa, Florbela é uma das minhas poetisas preferidas e Fanatismo é divino. E Fagner, depois de Chico, é o meu outro compositor/cantor preferido.
Florbela Espanca era uma mulher intensa, era "visceral" mesmo, sua poesia e sua vida confirmam; uma mulher perfeita na expressão poética, que escreve amor com "A" maiúsculo para que não aja dúvida sobre a sua própria dimensão. O que mais gosto neste soneto, e que também me chama muito a atenção, é quando ela, cheia de grande conhecimento e experiência emocional, divertidamente ri-se de muitos "pobres ingênuos" - é assim que os considera - que nesse momento de sua vida, tentam consolá-la dizendo ser o amor algo comum, inclusive efêmero. "Pobrezinhos...tsc, tsc, tsc..."
Aconselho para quem gosta do gênero, o livro "Florbela Espanca - Sonetos" pela Ed. Bertrand.
n.r.: ainda estou em falta com várias/os amigas/os desde as férias, porque ainda estou fazendo fisioterapia e o meu PC só para me irritar, não tem colaborado comigo. Mas aos poucos, vou entrando nos eixos (literalmente também).





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