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quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

11 dicas para ler notícias sem enlouquecer



Os leitores estão enlouquecendo. Faça uma visita às caixas de comentários de qualquer grande portal e você verá o quanto são raras as demonstrações de bom senso. O caps lock parece ser a tecla da moda. Há xingamentos para todos: o autor da reportagem, os entrevistados, os outros comentaristas e as famílias de todos os envolvidos. Teorias da conspiração abundam. Um acidente de carro na Grã-Bretanha ou a alta no preço dos sanduíches no Rio de Janeiro podem ser culpa da Dilma, do PSDB, da imprensa, do imperialismo americano ou de todos eles juntos, dependendo de quem for o leitor.

Antes que alguém se aventure a buscar uma explicação na política nacional, convém lembrar que esse fenômeno se repete no mundo inteiro. Mudam os nomes dos partidos, os políticos execrados e o idioma dos palavrões. A atitude continua igual. O lado bom é que, salvo algumas infelizes exceções, ainda não estamos discutindo aos berros no meio da rua e pulando no pescoço alheio. Reservamos esse comportamento para as caixas de comentários de notícias. Porque são elas as responsáveis por nossa loucura.

Começamos a consumir informações em tempo real há algumas décadas, mas raramente paramos para pensar se isso é saudável. Já escrevi aqui sobre as vantagens de largar as notícias de vez em quando e reservar tempo para leituras mais nutritivas – reportagens mais longas, ensaios e, sobretudo, livros. Abandonar as notícias permanentemente não é uma opção, ao menos para a maioria de nós. Manter-se desinformado por algumas horas pode ser um prazer, mas a desinformação por um período prolongado logo se transforma em ignorância.

Se as notícias são necessárias, precisamos encontrar uma forma saudável de consumi-las. O livro recém-lançado The news: A user's manual (Notícias: Um manual do usuário), do filósofo suíço Alain de Botton, traz sugestões para os leitores que querem aproveitar o que as notícias têm de bom sem cair em suas armadilhas. Reuni 11 das principais dicas do autor nos itens a seguir.

1. Tenha um motivo para ler

Com muita frequência, clicamos em notícias nas redes sociais ou nas páginas de grandes portais simplesmente porque não estamos fazendo nada. "As notícias não vêm com manual de instruções porque lê-las é teoricamente uma das atividades mais fáceis e óbvias do mundo, como piscar os olhos e respirar", afirma Botton. Quando ler notícias se transforma num passatempo, porém, deixamos de pensar sobre as informações que recebemos e aproveitamos muito pouco do que lemos. Antes de ler uma notícia, faça duas perguntas simples para você mesmo: o que você quer saber e por quê? Essas duas respostas tornarão sua leitura muito mais proveitosa.

2. Enfrente seu tédio


"Caetano Veloso estaciona no Leblon" é uma informação que absorvemos instantaneamente. "ONU acusa Coreia do Norte de crimes contra a humanidade" exige algum esforço. As notícias mais relevantes são, na maioria das vezes, as mais monótonas. A culpa nem sempre é do repórter. Alguns assuntos são naturalmente mais áridos do que os outros. Cabe ao leitor perseverar. Se você só der atenção às reportagens fáceis de ler, continuará desinformado mesmo depois de horas dedicadas às notícias.

3. Tente aprender algo

Se você somar todo o tempo que gasta lendo notícias ao longo de um ano, perceberá que essa atividade toma semanas ou até meses inteiros. O que ganhamos em troca do tempo investido? A resposta depende muito do tipo de notícia que lemos e da maneira como encaramos essa leitura. Um mês dedicado a acessar centenas de notícias de política diariamente para ofender candidatos nos comentários é um mês desperdiçado. O mesmo tempo pode ser muito bem aproveitado se lermos reportagens mais aprofundadas sobre os problemas e conquistas do país, entendermos o ponto de vista de cada candidato e nos tornarmos eleitores (e cidadãos) melhores. Depois de ler uma notícia, pergunte-se se aprendeu algo com ela. Se a resposta for "não" na maioria das vezes, é um sinal de que você está lendo as notícias erradas ou dando pouca atenção a elas.

4. Seja seu próprio editor


Diariamente, editores enfrentam a tarefa de escolher quais são os fatos mais importantes para os leitores. A tarefa é difícil e a margem de erro é enorme. O que importa para um leitor pode ser absolutamente irrelevante para outro. Há notícias que todos devem ler, mas a maioria dos nossos interesses é pessoal. Talvez a informação mais importante do dia para você não esteja na manchete, mas sim no pé da página, ou até mesmo em outro site. Busque-a. Você é o único responsável por encontrar o conteúdo que você quer ler.

5. Acompanhe as grandes histórias

Muitas das notícias que lemos são apenas pequenas partes de narrativas muito maiores, que só serão compiladas por historiadores daqui a alguns anos. Notícias como "Batistas abrem espaço para que mulheres sejam pastoras" ou "Lupi voltou a negociar com Eduardo Campos" tornam-se muito mais interessantes quando as enxergamos como peças num quebra-cabeça, e não como fatos que se encerram em si. Acompanhar as notícias diariamente é como ler, ao mesmo tempo, dezenas de livros que ainda estão sendo escritos. Quem se dá conta disso consegue aproveitá-las muito mais.

6. Pense como um estatístico


Diariamente, centenas de milhões de fatos triviais acontecem sem registro nos jornais, revistas ou sites noticiosos. O noticiário privilegia, por princípio, acontecimentos incomuns. Uma desvantagem disso é que, se formarmos nossa visão de mundo com base no jornalismo, teremos a impressão de que fatos atípicos são muito mais frequentes do que parecem. A maioria dos aviões não cai. A maioria dos motoristas não se envolve em acidentes graves. A maioria das pessoas que caminham na rua à noite não é assaltada. Há motivos para termos cuidado, mas o mundo não é tão perigoso quanto os jornais nos dizem.

7. Busque bons exemplos


Por mais que as notícias ruins chamem atenção, quem tiver paciência para procurar algo construtivo em meio ao noticiário será recompensado. As notícias nos mostram o que pensam e como vivem algumas das pessoas mais importantes e bem-sucedidas de nossa geração. É possível encontrar bons exemplos nas páginas de política, economia, cultura, esportes e celebridades. Ler sobre eles pode nos ensinar a viver melhor.

8. Não seja uma máquina de indignação


A raiva é a reação natural a muita das notícias que lemos. Crimes, denúncias de corrupção e declarações impensadas em entrevistas nos deixam instantaneamente indignados. Isso é, a princípio, algo bom. A indignação é fundamental para que busquemos melhorar a sociedade. O risco é nos transformarmos em máquinas de indignação em série, sentindo raiva de uma notícia diferente a cada dia sem fazer nada a respeito disso. “As notícias deveriam nos ajudar a ter raiva pelos motivos certos, e a transformá-la em algum projeto construtivo”, afirma Botton.

9. Lembre-se das notícias de ontem


O jornalismo é obcecado pela novidade. Histórias que são importantíssimas hoje podem desaparecer das páginas dos sites e jornais amanhã ou na semana que vem, a não ser que algo novo seja descoberto. Isso não as torna menos importantes. Muitas vezes esquecemos denúncias de corrupção publicadas há meses ou anos apenas porque não há nada de novo no caso. Será que o que era suficiente para nos indignar ontem merece ser completamente esquecido hoje?

10. Não terceirize suas opiniões


Basta abrir um jornal ou acessar um site de notícias e você encontrará dezenas de pessoas dispostas a pensar por você. "Flaubert odiava as notícias por acreditar que elas impediam os leitores de pensar por contra própria", afirma Botton. As redes sociais tornaram isso ainda pior. Quem quiser abrir mão do direito de formar sua opinião precisa apenas clicar em curtir ou compartilhar. Alguns chegam ao absurdo de "limpar" a timeline quando deparam com um ou outro amigo discorda de sua opinião. Ouvir quem discorda de nós é fundamental para que aprimoremos nossas ideias. Leia as opiniões favoráveis e contrárias à sua. Abra jornais, revistas e sites diferentes. Quanto mais opiniões você ler sobre algum assunto, mais ponderada e instruída será a sua.

11. Saiba quando se desconectar

"Para ter uma vida fértil, é necessário reconhecer os momentos em que as notícias não têm nada importante ou original para nos ensinar", diz Botton. Se as notícias do dia começarem a te entediar ou irritar, resista à tentação de abrir a caixa dos comentários para descontar a raiva. É muito mais produtivo esquecer as notícias por algum tempo e procurar algo melhor para ler. Experimente o prazer de ser desinformado por algumas horas. Não há mente sã que resista a uma overdose de notícias.


n.e.: Tenho pena dos estagiários dos jornais nas redes sociais, sempre são xingados, no mínimo de manipuladores, mas já li coisa pior. O usual, e também mais light, é alguém comentar com a frase que já é típica: "essa notícia mudou minha vida." E eu não entendo por quê o ser humano tem esse tipo de comportamento, por que são agressivos com quem apenas publica uma determinada matéria, acho que tem muita gente precisando urgentemente de terapia.


 

fonte: Danilo Venticinque, in Época.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Facebook já provocou 28 milhões de divórcios



Um estudo realizado por advogados britânicos mostra que o Facebook é citado em quase todas as causas de separação nos últimos meses.

"Mais de 20% dos pedidos de divórcio fazem referência ao Facebook", revela o director-geral do Divórcio-Online, Mark Keenan, citado pelo 'Expansión'.

"A razão mais apontada tem que ver com conversas sexuais inadequadas com pessoas com quem os utilizadores não as deveriam ter", explica o mesmo responsável.

A dimensão do fenómeno é tal que já há empresas a desenvolver softwares próprios para que as pessoas possam espiar os seus companheiros através das redes sociais.


. . .



Não entendi muito bem pra quê desenvolver um software especial, já que não ter seu/sua companheiro/a em sua lista de amigos, provavelmente deve ser motivo para divórcio.

Taí uma notícia que não me causa espanto. Quem tem um perfil no Facebook já deve ter levado pelo menos uma cantada de um/uma desconhecido/a. Portanto, a rede social só veio facilitar a vida de quem já andava à caça mesmo antes dela existir. E isso vale para homens e mulheres.

E da mesma forma que eles e elas andam à caça, o/a parceiro/a dessas pessoas percebem as escapadelas, ou a intenção destas, por sua cara-metade e acho que é até mais simples (não é à toa que a notícia menciona a "razão mais apontada"), nem deve ser preciso que a conversa tenha um caráter sexual, por menos há motivo para brigas e daí a um divórcio não é um passo tão longo assim.

Percebe-se paqueras, e a intenção das mesmas também, através de comentários que são feitos, pelo tipo de pessoas que são adicionadas, pelas músicas etc. Portanto, da mesma forma que a rede social facilita encontros também facilita a análise do comportamento do outro, principalmente para aqueles que de uma certa forma já não confiam em quem tem como companheiro/a.

Acredito que antes da existência das redes sociais e dos celulares, era muito mais difícil pegar um parceiro/a com outro/a, por motivos óbvios. Hoje, se a pessoa desliga um celular ou o barulhinho (ou a falta dele) é estranho é motivo para o já desconfiado ter um pulgão atrás da orelha.

E antes que alguém comece a "viajar" sobre o que escrevi... há comentários e comentários. Basicamente, o que se espera num relacionamento a dois, além do óbvio amor, é o respeito, e quem se sabe respeitado não se aborrece com comentários de pessoas do sexo oposto no mural de seu/sua companheiro/a.

Enfim, os séculos passam e tudo parece permanecer na mesma, a tecnologia muda mas as pessoas, não. (Cris Caetano)

fonte:Cláudia M. in Facebook

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

Rede Social







Não se enganem, estou em férias, mas como o filme está gerando curiosidade, resolvi falar sobre ele.

Assisti ao filme Rede Social, dirigido por David Fincher (de Seven e Clube da Luta), e conta a estória da criação do Facebook pelos amigos Mark Zuckerberg e Eduardo Saverin. O filme se baseia no livro Bilionários Por Acaso, de Ben Mezrich.

A Rede Social tem como pano de fundo a Universidade de Harvard em 2003. Mark Zuckerberg (Jesse Eisemberg) é um estudante que acaba de levar um fora da namorada e se vinga destruindo a reputação dela através de um post no seu blog, ao mesmo tempo, cria com seu único amigo, o programador brasileiro Eduardo Saverin (Andrew Garfield) um aplicativo batizado de Facemash, cujo objetivo é criar uma disputa da beleza das universitárias de Harvard. O acesso ao aplicativo é tão grande (22 mil pessoas em menos de 4 horas) que a rede da Universidade dá pane.

A minha maior curiosidade estava diretamente relacionada ao fato deste filme ter sido indicado para o Globo de Ouro e porque muito provavelmente também será indicado ao Oscar. Mas sai da sessão sem entender o porquê das indicações.

Achei interessante (muito longe de ser um bom filme) e temo que pareça mais interessante para quem tem uma conta no Facebook do que para as demais pessoas que não têm.

É inevitável fazer uma análise, mesmo que bastante superficial, sobre a personalidade de Mark (o criador do Facebook). Ele é um nerd e um gênio, que rouba a idéia de um trio de estudantes de Harvard, e cria um fenômeno chamado The Facebook (hoje, a maior rede social do planeta com mais de 500 milhões de usuários), que posteriormente, por idéia do criador da Napster, Sean Parker (Justin Timberlake), é chamado apenas de Facebook.



Mark, como todo gênio, é arrogante e essa arrogância dá o toque de humor que o filme necessita ou seria bastante maçante. Além disso, Mark é mimado, vingativo, ganancioso e trapaceiro. Não concordei, e quem estava comigo tampouco, quando a advogada de Mark diz que ele "não é um babaca, mas se esforça pra ser". Ele É um babaca (jerk ou idiota)! Mas não contarei mais nada porque quem passa por aqui pode não ter visto o filme.

Se você gosta de estar atualizado sobre o que acontece na net e tem curiosidade pelo surgimento do fenômeno Facebook, vale a pena ver o filme, mas não acho que o tema vire horas de papo numa conversa de amigos num bar.

"O grande objetivo a ser alcançado é o status concedido pela inovação. Afinal de contas, como um dos alunos de Harvard diz no decorrer do filme, "ganhar dinheiro não impressiona aqui". Mark quer mais e, para tanto, está disposto a tudo. A Rede Social é, na verdade, um filme sobre a busca por este objetivo. Mais do que criar um sucesso comercial e ganhar muito dinheiro, Mark queria algo que lhe concedesse a "imortalidade", o colocasse no panteão da informática. Um patamar similar ao de Bill Gates, citado como exemplo. O grande pecado do filme é tentar justificar esta busca através de um olhar romântico, como revela sua cena final. Por mais que seja viável, soa de certa forma exagerado." (Francisco Russo in Adoro Cinema)


N.e.: E eu estava em dúvida se dava a minha opinião no melhor estilo "teoria da conspiração", mas lá vai: como não achei um grande filme e em nenhum momento o filme retrata sobre quanto e como o Facebook pode influenciar a sociedade (aliás, passa sutilmente sobre a questão "status do relacionamento" quando a namorada de Eduardo questiona por este ainda estar "solteiro" no Facebook), nem é esse o objetivo do filme. Portanto, acredito que é uma grande jogada de marketing induzir a curiosidade das pessoas, que ainda não têm conta na rede, sobre o fenômeno Facebook e não me admiro nada, se após o filme, o número de contas no Facebook tiver um aumento considerável, o que pode enriquecer ainda mais o ganancioso Mark.



fonte:Euzinha
imagem: Google
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