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sábado, 16 de agosto de 2008

Sacrifício recompensado

César Cielo é campeão olímpico



Quando César Cielo conquistou a medalha de bronze nos 100 m livre, na quarta-feira, e disse que iria trazer também a medalha de ouro, poucos acreditaram no que o nadador falava. Nesta sexta-feira, ele cumpriu a promessa. Com 21s30, a apenas dois centésimos do recorde mundial, o brasileiro quebrou novamente a marca olímpica da prova e conquistou o primeiro ouro do Brasil em Pequim.

"É difícil, os 50 m são sempre difíceis. Com nadadores como esse ao lado nunca se sabe. No fim, tudo deu certo", celebrou o brasileiro.

Com a medalha de ouro dos 50 m livre, conquistada nesta noite (manhã de sábado em Pequim), ele se torna o primeiro brasileiro campeão olímpico da natação. Antes dele, as principais glórias nas piscinas eram de prata, duas com Gustavo Borges (100 m livre em Barcelona-1992 e 200 m livre em Atlanta-1996) e uma com Ricardo Prado (400 m medley em Los Angeles-1984).

Dois franceses completaram o pódio, Amaury Leveaux com 21s45 para levar a prata, e Alain Bernard, atual campeão olímpico dos 100 m livre, bronze com 21s49. "Eu estava nervoso antes. Todos que entraram na final, qualquer um podia vencer. Fiquei focado na minha raia, fui buscar meu melhor. Não olhei em volta. E foi meu dia de sorte, meu melhor foi suficiente", comentou o brasileiro.

Nas eliminatórias para a prova, Cielo já dava sinais de que poderia surpreender. No primeiro dia em que caiu na água para nadar a distância, ele quebrou o recorde olímpico, com 21s47 - a marca foi quebrada logo na seqüência por Leveaux, com 21s46. Nas semifinais, ele voltou a abaixar o melhor tempo já nadado em edições olímpicas. Com 21s34, ele foi para a final com o melhor tempo entre os oito classificados.

O medalhista de ouro em Pequim disse que, aos poucos, foi ganhando a certeza de que tinha chances reais de brigar por medalha. "[A crença no ouro] Começou ontem depois da semifinal, quando nadei abaixo do recorde olímpico e senti que podia nadar um pouquinho mais abaixo ainda. Fiquei o dia inteiro pensando nessa prova, mas alguma coisa me ajudou a dormir. Consegui dormir, mesmo nervoso".

Nada mal para o garoto de Santa Bárbara d'Oeste que tentou, antes da natação, ser judoca ou jogador de vôlei. "O problema do judô é que eu era muito mais alto que os meninos da minha idade, então me colocavam pra lutar com os mais velhos e eu levava muita porrada". O vôlei foi uma escolha do pai, também César. Quem definiu a carreira do nadador, porém, foi a mãe, Flávia, que o levou para o Pinheiros em 2003.

Em São Paulo, ele passou a treinar com o nadador que, anos mais tarde, superaria: Gustavo Borges. "Fiquei quase dois anos treinando com ele e aprendi muita coisa. O Gustavo é muito atencioso e perfeccionista, e me ajudou a melhorar minha técnica", conta. Foi o veterano que levou o jovem nadador para Auburn, a universidade em que se consagrou como um dos maiores velocistas do circuito universitário norte-americano.

E foi de Auburn que veio outra peça chave na conquista: o australiano Brett Hawke. Técnico na universidade, ele se integrou à comissão técnica da equipe brasileira à pedido de Cielo, para manter o programa de treinos tão vitorioso que o brasileiro fazia nos EUA. Ex-nadador olímpico, Hawke foi sexto em Atenas-2004.

"O que eu sempre digo a ele é que a melhor fase da minha carreira veio quando eu menos pensava nos meus adversários", lembra o técnico. Nos 100 m livre, em que nadou na raia oito, o conselho funcionou para o bronze. Nos 50 m livre, foi ainda mais longe: valeu ouro.

. . .


E o Brasil fez bonito no futebol jogando contra Camarões. Foi constantemente vaiado pela torcida presente no estádio mesmo jogando um bom futebol. Motivo? Não sei, os jogadores camaroneses não são nenhuns coitadinhos, a maior parte de seus jogadores atua em grandes equipes de Futebol. Mas é muito melhor vencer quando há muita gente torcendo contra.


fonte:UOL
foto: UOL e Estadão

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Jogos Olímpicos 2008

César Cielo é bronze na natação




Em Atlanta-1996, Fernando Scherer entrou na final dos 50 m livre com o oitavo tempo. “Não dá”, pensaram. Deu. A medalha de bronze do catarinense nas águas norte-americanas foi a última individual da natação brasileira. Nesta quarta-feira (horário de Brasília), agora nas Olimpíadas de Pequim, a história se repetiu.

Depois de 12 anos do feito de Scherer, coube a César Cielo mais uma vez desafiar os favoritos, cair na água com tempo pior do que o de todos os seus rivais, e sair da água festejando o pódio. O tempo de 47s67 foi o melhor da vida do nadador de Santa Barbara d´Oeste. O melhor da história de um sul-americano.

“Ontem (terça-feira), o professor Ricardo (Moura, supervisor da CBDA, Confederação Brasileira de Desportos Aquáticos) me lembrou que o Fernando tinha saído da raia oito para o bronze nos 50 m. Disse que já tinha visto essa história. Eu pensei que ele estava louco, mas quando cheguei na piscina, senti que pelo menos o bronze estava aberto. Que dava para pegar”, afirmou o novo medalhista.

O que parecia impossível, também, era prestar atenção à raia oito. Todos que estavam no complexo aquático do Cubo d’Água, em Pequim, tinham seus olhos voltados para as raias centrais, onde a dupla batalhava pelo ouro e prata. Logo ao lado estava Pieter van den Hoogenband, atual bicampeão olímpico da distância.

“Até agora eu não sei ainda como eu fiz isso. Pensei, estou na raia oito, longe da marola. E pior do que oitavo eu não podia ficar. Tentei ir para cima e fiz a minha prova perfeita. Em nenhum momento olhei para o lado", explicou Cielo.

O nadador paulista entrou na água como zebra total. O melhor tempo de sua vida, 47s91, não estava entre os primeiros colocados. Em Pequim, até o início dessa final, tinham sido nadadas oito das dez melhores provas dos 100 m da história, com o recorde mundial da distância tendo sido quebrado três vezes.

Cielo passou pelos primeiros 50 m em terceiro e manteve a colocação no final, com 47s67. Chegou empatado com o norte-americano Jason Lezak, que nadou na raia ao seu lado. Ao final da prova, Cielo olhou para o placar e não acreditou. Seu nome era o quarto na lista. Ele não acreditou. “Olhei, meu nome estava em quarto, mas eu tinha certeza que tinha visto um três ali. Tinha certeza”. Foi então que ele percebeu o empate e, enfim, comemorou.

O brasileiro não conteve a emoção e foi às lágrimas ao falar de seu feito. "É muito bom, parece que era para ser, eu tinha sonhado que tinha ficado em terceiro, mas acordei e falei estou na raia oito. Mas consegui. É muito bom trazer essa medalha para o Brasil".


fonte:UOL
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