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segunda-feira, 2 de maio de 2011

Pergunta-me





Qualquer coisa
pergunta-me qualquer coisa
uma tolice...
um mistério indecifrável
simplesmente para que eu saiba
que queres ainda saber
para que mesmo sem te responder
saibas o que te quero dizer



Mia Couto
foto:Olgun Yürekler

sexta-feira, 1 de abril de 2011

Lembrando Jorge de Sena






Diz-me devagar coisa nenhuma, assim
como só a presença com que me perdoas
esta fidelidade ao meu destino.
Quanto assim não digas é por mim
que o dizes. E os destinos vivem-se
como outra vida. Ou como solidão.
E quem lá entra? E quem lá pode estar
mais que o momento de estar só consigo?
Diz-me asim devagar coisa nenhuma:
o que à morte se diria, se ela ouvisse,
ou se diria aos mortos, se voltassem.


Jorge de Sena


fonte:Copiado de minha amiga, Ana Paula Barros
foto: Olgun Yürekler

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2011

Olhares





No encontro dos meus olhos nos teus, desnudas a minha alma. Frágil, me fortaleço na tua docilidade.


foto:Olgun Yürekler

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

Poeminho do Contra






Todos esses que aí estão
Atravancando meu caminho,
Eles passarão...
Eu passarinho!




Mario Quintana
foto:Olgun Yürekler

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Beijo






A palavra beijou meu corpo enquanto viajava de mãos dadas com o vento.



foto:Olgun Yürekler

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

Como?







Sardônico sorriso com bruxismo
Teus dentes caem como grãos de arroz,
Não há dor maior que o teu niilismo
Já não sabes se é teu fim atroz.

Punhos serrados com testa franzida,
Goela seca pela aleivosia,
Estóico dromedário da tua vida,
Corcunda prenhe de tua teimosia

Lutar já não consegue, moribundo!
Pedir ajuda já não tem ouvido.
As drogas já não mais surtem efeitos.

Como chegou até ali sem dentes
Com a cara de um ser bicho sem sementes?
Insana sanidade sem direitos.



Cristiano Melo in blog Braços Abertos
foto:Olgun Yürekler

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Sorria!








Cante sorrisos e você receberá beijos como aplausos.




fonte:Olgun Yürekler

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

Clarice, sempre...






Quando fazemos tudo para que nos amem e não conseguimos, resta-nos um último recurso: não fazer mais nada. Por isso, digo, quando não obtivermos o amor, o afeto ou a ternura que havíamos solicitado, melhor será desistirmos e procurar mais adiante os sentimentos que nos negaram.
Não fazer esforços inúteis, pois o amor nasce, ou não, espontaneamente, mas nunca por força de imposição. Às vezes, é inútil esforçar-se demais, nada se consegue; outras vezes, nada damos e o amor se rende aos nossos pés.
Os sentimentos são sempre uma surpresa. Nunca foram uma caridade mendigada, uma compaixão ou um favor concedido. Quase sempre amamos a quem nos ama mal, e desprezamos quem melhor nos quer. Assim, repito, quando tivermos feito tudo para conseguir um amor, e falhado, resta-nos um só caminho...o de mais nada fazer.






Clarice Lispector
foto:Olgun Yürekler

terça-feira, 4 de janeiro de 2011

Sorriso






O sorriso rasgava a sua boca tornando ridícula a sua felicidade.



fonte:Olgun Yürekler

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

As sem-razões do amor






Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.

Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no elipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.

Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.

Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.



Carlos Drummond de Andrade
foto:Olgun Yürekler

Voltei!





fonte:Olgun Yürekler

quinta-feira, 9 de dezembro de 2010

Atalhos






É muito triste saber de pessoas que se perdem pela estrada da vida. Gente que acredita que optar por atalhos lhes levarão a um final feliz. Antecipadamente sabe-se que não, mas é impossível fazê-las enxergar perante a arrogância de sua cegueira. Há quem aprenda com seus erros e há os que vivem repetidamente os mesmos.


foto:Olgun Yürekler

Esfolada






Esfolo a pele dos cantos duros, calejados de dor e melancolias repetitivas.







foto:Olgun Yürekler

domingo, 28 de novembro de 2010

Apartamento





Vago pelo apartamento vazio
Feito alma penada
Com pesos acorrentados aos pés
Nus de um homem sem carne.

Desde que partiste,
A mobília ainda paira no ar
Descompassos nos passos levitados
De alma penada.

Já fui um ser, sabes?
Já andei pelo chão,
Com a mobília no lugar.
E tudo o mais que se segue.

Hoje recebo flores de papelão
Feitas por duendes disformes,
Meus únicos companheiros,
Que me oferecem comida envenenada.


Cristiano Melo in Braços Abertos
foto:Olgun Yürekler




quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Behind





Sou tão misteriosa que não me entendo.


Clarice Lispector
foto:Olgun Yürekler





terça-feira, 19 de outubro de 2010

Tu





O que eu procuro em ti,
Ó amante maravilhosamente disponível,
É esquecer-me do que procuro,
E também de mim.




Vitor Oliveira Jorge
foto:Olgun Yürekler


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