Mostrando postagens com marcador Maria Teresa Horta. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Maria Teresa Horta. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Coerência





A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para dia 28, sexta-feira da próxima semana, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.

“Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”, explicou Maria Teresa Horta à Lusa.

“Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência”, salientou a escritora que acrescentou: “Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores”.

Para Maria Teresa Horta, “o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974] e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural”.

A autora afirmou que “o país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto”.

“Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro”, deixou claro Maria Teresa Horta.

A escritora disse que já informou a Fundação Casa de Mateus da sua decisão, assim como a sua editora e falou com cada um dos membros do júri.

A premiada salientou ainda a “satisfação” que lhe deu ter sido distinguida “por um júri que representa três gerações de poetas: o Vasco Graça Moura que é da minha [geração], o Nuno Júdice, que é da seguinte, e o Fernando Pinto do Amaral, que é a mais nova”.

No sítio da Fundação Casa de Mateus, na Internet, é afirmado que “a sessão solene de entrega do Prémio será agendada brevemente”.

fonte:Público

segunda-feira, 30 de agosto de 2010

Desdizer





Este esquecer de mim
por bem te querer
este te perder
e envolver nos braços

Este meu dizer e desdizer
de nunca te prender
mas não esquecer que o faço

Este meu delírio
minha febre
este meu medo de saber

Este meu vício
e minha causa
este meu motivo
de não ser


Maria Teresa Horta
foto: Maria Bogdanova

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Ouso!





Eu ouso a paixão
não a recuso

Escuto os sentidos sem o medo por perto
troco a ternura da rosa
ponho a onda no deserto

A tudo o que é impossível
abro e rasgo o coração
Debaixo coloco a mão
para colher o incerto

Desembuço o amor
no calor da emboscada
infrinjo regras e impeço

Troco o sonho dos deuses
por um pequeno nada

Desobedeço ao preceito
e desarrumo a paixão
Teço e bordo o meu avesso
e desacerto a razão

Maria Teresa Horta
foto: Tom Dirven




terça-feira, 30 de março de 2010

...



Serei luz nos teus braços
serei cálice
maciez na curva dos teus lábios

Serei mansidão na mesma hora
em que me torne fogo e não consiga
rasgar a minha paixão e ir-me embora

Serei a tua invenção
e corpo intenso
louca sofreguidão no meu desvairo

Serei o teu grito
no delírio
e também devassidão se necessário.


Maria Teresa Horta
foto:B Berenika




quinta-feira, 19 de novembro de 2009

Sede



Abro-te as portas querendo
a tua luz
numa sede de ti que não se acalma

Não me negues a água...


Maria Teresa Horta
foto: Simona Andrei

sexta-feira, 26 de junho de 2009



Sou voraz não me apego
ao abrigo da alma

Sou o corpo o incêndio
só o fogo
me acalma


Maria Teresa Horta
foto: Victor Zamanski

domingo, 29 de março de 2009



Não quero viver
sem ti
mais nenhum tempo

Nem sequer um segundo
do teu sono

Encostar-me toda a ti eu não invento
Tu és a minha vida o tempo todo


Maria Teresa Horta
foto: Andreas Heumann
música: culpa de uma amiga



terça-feira, 17 de março de 2009


Morrer de Amor


Morrer de amor
ao pé da tua boca

Desfalecer
à pele
do sorriso

Sufocar
de prazer
com o teu corpo

Trocar tudo por ti
se for preciso

Maria Teresa Horta
foto: Pascal Reenoux

quinta-feira, 15 de janeiro de 2009



Pedir-te a sensação
a água
o travo

aquele odor antigo
de uma parede
branca

Pedir-te da vertigem
a certeza
que tens nos olhos quando
me desejas

Pedir-te
sobre a mão
a boca inchada
um rasto de saliva
na garganta

pedir-te que me dispas
e me deites
de borco e os meus seios
na tua cara

Pedir-te que me olhes e me aceites
me percorras
me invadas
me pressintas

Pedir-te que me peças
que te queira
no separar das horas
sobre a língua

Meu ciúme
meu perfil
minha fome

meu sossego
minha paz
minha aventura

Meu sabor
minha avidez
saciedade

minha noite
minha angústia
meu costume


Maria Teresa Horta
foto: Susan Burnsrtein

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

Serenamente


Aqui serenamente
sou feliz
sem qualquer memória do passado

sem qualquer cansaço
mascarado
ou trevas que encubram
qualquer escombro

de ti tudo o que vem
é quente e súbito

da tua voz
amor
do nosso encontro único



Maria Teresa Horta

terça-feira, 21 de outubro de 2008


Serenamente


Aqui serenamente
sou feliz
sem qualquer memória do passado

sem qualquer cansaço
mascarado
ou trevas que encubram
qualquer escombro

de ti tudo o que vem
é quente e súbito

da tua voz
amor
do nosso encontro único


Maria Teresa Horta
foto: Christian Coigny

quinta-feira, 21 de agosto de 2008



Quando se quer
da distância fazer
perto

Quando se inventa
do outro
a melhor parte

Quando se toma a lonjura
e por certo se tem do incerto
aquilo que não sabe

Quando se inventa na espera
o que adivinha
ser pelo excesso a linha do baraço

Quando a ausência vacila
no silêncio e traz de volta
o fogo no regaço


Maria Teresa Horta
foto: Sweetcharade

sexta-feira, 9 de novembro de 2007


A Voz


Da tua voz
o corpo
o tempo já vencido

os dedos que me
vogam
nos cabelos

e os lábios que me
roçam pela boca
nesta mansa tontura
em nunca tê-los...

Meu amor
que quartos na memória
não ocupamos nós
se não partimos...

Mas porque assim te invento
e já te troco as horas
vou passando dos teus braços
que não sei
para o vácuo em que me deixas
se demoras
nesta mansa certeza que não vens.


Maria Teresa Horta
foto: Ralf Franz


Poema Antigo


O homem que percorro
com as mãos

e a lua que concebo
na altitude
do tédio

Só
o oceano
penso paralelo — ventre
à praia intata
das janelas brancas
com silêncio

ciclamens-astros
entre
as vozes que calaram
para sempre
o verbo — bússola
com raiz — grito de relevo

O homem que percorro
com as mãos

a estátua que consinto

a lua que concebo.


Maria Teresa Horta
foto: May García


Dúvida


Amor
a tua voz
e a minha sensação de vácuo

de liberdades paralelas
ontem
esquinas encontradas
no ângulo dos lábios

Amor
a tua lâmpada de nevoeiro
sulcado
manhãs de aves
súbitas
com noites inventadas

nada
é o teu rosto
insetos de vertigem
sem paisagem.


Maria Teresa Horta
foto: Natalia Szulc

sábado, 3 de fevereiro de 2007


Desperta-me de noite


...
Desperta-me de noite
com o teu corpo
tiras-me do sono
onde resvalo

E eu pouco a pouco
vou repelindo a noite
e tu dentro de mim
vai descobrindo vales.


Maria Teresa Horta
"Death and Life, 1911" (detalhe) - Gustav Klimt

(pintor austríaco, 1862-1918 - Simbolismo/Art Nouveau)
Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.