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terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Em reflexão






Esconder-se no porão, de vez em quando, é necessidade vital. Precisamos de silêncio e solidão, e não apenas os poetas. Senão, corremos o perigo de nos esvairmos em som, fúria e esterilidade. O campo para que a palavra se instale para o autor e para o leitor é o campo do silêncio e da audição.



Adélia Prado

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

por Adélia...






Dor não tem nada haver com amargura. Acho que tudo que acontece é feito pra gente aprender cada vez mais, é pra ensinar a gente a viver. Desdobrável. Cada dia mais rica de humanidade.


Adélia Prado

segunda-feira, 17 de janeiro de 2011

Começando a semana com Adélia e Chico




Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra. (Adélia Prado)




segunda-feira, 8 de março de 2010

A nós, mulheres!



Dia Internacional da Mulher


Eu ia começar esse post falando sobre nós, sobre o que fazemos no nosso dia-a-dia, que somos filhas, mães, namoradas e esposas, sobre a nossa mil e uma utilidades e parei de escrever. Senti uma dorzinha pequena aqui dentro do peito pensando que precisa existir um dia para valorizar a mulher e parei. Ainda precisa existir esse dia em pleno século 21.

Senti uma magoazinha pensando que lavamos, passamos, cozinhamos, arrumamos a casa, cuidamos dos filhos, que trabalhamos dentro e fora de casa e ainda temos o prazer em escutar - nem sempre, mas vá lá - atentas, aos problemas dos nossos companheiros e ainda assim precisa existir um dia pra mostrar a nossa importância. Todo dia é nosso, temos de ser valorizadas todos os dias. Alguma dúvida?

E enquanto escrevo penso que a culpa nem é de vocês, queridíssimos namorados, pais e maridos, a culpa é ainda de um grande número de mulheres que não se impõem na maioria das vezes.

Mas aprendam de uma vez por todas: não temos a força que vocês têm e somos muito menos racionais, somos mais sensíveis, somos diferentes, mas temos capacidade intelectual pra ocuparmos os mesmos cargos que vocês.

E ainda nos derretemos com beijos, carinho e principalmente com atenção. Adoramos nos sentir importantes na vida de vocês, e por favor... se importem menos em nos dar satisfação se chegam tarde em casa pro jantar. Não queremos controlar vocês, apenas queremos jantar com vocês.

Quando nasci um anjo esbelto,
desses que tocam trombeta, anunciou:
vai carregar bandeira.
Cargo muito pesado pra mulher,
esta espécie ainda envergonhada.
Aceito os subterfúgios que me cabem,
sem precisar mentir.
Não sou feia que não possa casar,
acho o Rio de Janeiro uma beleza e
ora sim, ora não, creio em parto sem dor.
Mas o que sinto escrevo. Cumpro a sina.
Inauguro linhagens, fundo reinos
— dor não é amargura.
Minha tristeza não tem pedigree,
já a minha vontade de alegria,
sua raiz vai ao meu mil avô.
Vai ser coxo na vida é maldição pra homem.
Mulher é desdobrável. Eu sou. (Adélia Prado)


Mas vamos comemorar na mesma, meninas! Se hoje é dia de comemoração, que haja festa!


segunda-feira, 1 de dezembro de 2008



Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.


Adélia Prado
foto: Lilya Corneli

terça-feira, 15 de abril de 2008



...Não me falou em amor. Essa palavra de luxo.


Adélia Prado
foto: Agnieszka Motyka

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