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segunda-feira, 23 de março de 2009



Dele

me encantaram
seus versos
...
palavras
magia da alma
...
me comoveram
seus olhos
...
seu calor
de homem bom
me apaixonaram
seus beijos
intensos
entrega
...
de amor


Rosangela Maluf
foto: Susan Jolie

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

Poesia e Música



... Penso em ti com tamanha ternura
como se fosses de vidro ou película de loiça
que apenas com o pensar te pudesses partir.


António Gedeão
desconstruído por O'Sanji em Planoalto 2
Sarah McLachlan

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008



Há mulheres que dizem:
Meu marido, se quiser pescar, pesque,
mas que limpe os peixes.
Eu não. A qualquer hora da noite me levanto,
ajudo a escamar, abrir, retalhar e salgar.
É tão bom, só a gente sozinhos na cozinha,
de vez em quando os cotovelos se esbarram,
ele fala coisas como "este foi difícil"
"prateou no ar dando rabanadas"
e faz o gesto com a mão.

O silêncio de quando nos vimos a primeira vez
atravessa a cozinha como um rio profundo.
Por fim, os peixes na travessa,
vamos dormir.
Coisas prateadas espocam:
somos noivo e noiva.


Adélia Prado
foto: Lilya Corneli

sexta-feira, 14 de março de 2008


Liberdade


Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.


Sophia de Mello Breyner Andresen
foto: Geoffroy Demarquet

quinta-feira, 17 de janeiro de 2008


I Bruise Easily


My skin is like a map
of where my heart has been
And I can't hide the marks
but is not a negative thing
So I let down my guard
drop my defenses down by my clothes
I'm learning to fall
with no safety net to cushion the blow
I bruise easily
So be gentle when you handle me
There's a mark you leave
Like a love heart caved on a tree
I bruise easily
Can't scratch the surfaces
without moving me underneath
I bruise easily
I find your fingprints
on a glass of wine
Do you know you're leaving them
all over this heart of mine too
But if I never take this leap of faith
I'll never know
So I'm learning to fall
with no safety net to cushion the blow
I bruise easily
So be gentle when you handle me


Natasha Bedingfield
foto: David Swanson

domingo, 2 de dezembro de 2007

Hoje é o Dia do Samba



O que é isso meu amor? Isso é fundo de quintal, é pagode pra valer...



quinta-feira, 18 de outubro de 2007


Un vestido y un amor


Te vi... juntabas margaritas del mantel
Ya se que te trate bastante mal,
no se si eras un angel o un rubi
O simplemente te vi.

Te vi, saliste entre la gente a saludar
Los astros se rieron otra vez, la llave de mandala se quebro
O simplemente te vi.

Todo lo que diga esta de mas,
las luces siempre encienden en el alma
y cuando me pierdo en la ciudad, vos ya sabes comprender
Es solo un rato no mas, tendria que llorar o salir a matar.
Te vi, te vi, te vi... yo no buscaba nadie y te vi.

Te vi... fumabas unos chinos en Madrid
Hay cosas que te ayudan a vivir
no hacias otra cosa que escribir
Y yo simplemente te vi.
Me fui... me voy, de vez en cuando a algun lugar
Ya se, no te hace gracia este pais...
Tenias un vestido y un amor...y yo simplemente te vi.

Todo lo que diga esta de mas,
las luces siempre encienden en el alma
y cuando me pierdo en la ciudad,
vosya sabes comprender... es solo un rato no mas,
tendria que llorar o salir a matar...
Te vi, te vi, te vi... Yo no buscaba nadie y te vi.


Fito Paez
foto: Jim Presley

segunda-feira, 28 de maio de 2007


Hoje não...


Amanhã pensarei em tudo!
Nos problemas, nos dilemas
Nas dificuldades e contrariedades
Nos contratempos e aborrecimentos
Nos estorvos e obstáculos.
E convicta tomarei resoluções,
E encontrarei soluções
E saídas geniais,
De becos que não têm saída.
E serei corajosa, guerreira,
Combativa,
Imbatível na coragem e na vontade.
Mas...
Hoje não…
Hoje quero deitar-me num campo de girassóis adormecidos
Embrulhada em réstias de sol e de calor.
Quero rever-me em estrelas e uma a uma colhê-las,
E ver na lua o teu rosto que me sorri e me vigia
E me diz com um piscar de olho:
- Preguiçosa! Nada fizeste todo o dia.
E eu calma, sonolenta, sorrindo no teu sorriso, ofertando-te uma estrela
Murmurando dir-te-ei:
- Amanhã serei capaz, amanhã serei audaz.
Mas hoje não...Porque vieste.
Hoje não...Que estás comigo.
Hoje não...Que és luar
Que me banha e me deleita,
Que me toca e se deita
A meu lado,
Num campo de girassóis adormecidos.
Amanhã eu farei tudo!
Mas hoje não...
Que te tenho nos braços e adormeço contigo


Encandescente
foto:Pascal Renoux


As tuas mãos


Como podem tuas mãos ser em mim fogo e água
E atearem labaredas e correrem como um rio
E matarem minha sede e serem fogo e arrepio
E serem chama e calor
E serem húmidas brasas
E serem sólidos os teus dedos
E em mim nascerem asas
E voar nas tuas mãos
Fogo, água e arrepio
Tremer ardendo de paixão
E desfazer-me em gotas de água
Entre os teus dedos
Nas tuas mãos
Minha prisão e minhas asas.



Encandescente
foto:Pascal Renoux

segunda-feira, 26 de março de 2007


Esquadros


Eu ando pelo mundo prestando atenção em cores que eu não sei o nome.
Cores de Almodóvar, cores de Frida Kahlo, cores.
Passeio pelo escuro, eu presto muita atenção no que meu irmão ouve.
E como uma segunda pele, um calo, uma casca, uma capsula protetora.
Ai eu quero chegar antes, pra sinalizar o estar de cada coisa, filtrar seus graus.
E u ando pelo mundo divertindo gente, chorando ao telefone.
E vendo doer a fome nos meninos que têm fome.

Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela.
Quem é ela? Quem é ela? Eu vejo tudo enquadrado, remoto controle.

Eu ando pelo mundo, e os automóveis correm para quê?
As crianças correm para onde?
Transito entre dois lados, de um lado eu gosto de opostos.
Exponho meu modo, me mostro, eu canto para quem?

Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela.
Quem é ela? Quem é ela? Tudo enquadrado, remoto controle.

Eu ando pelo mundo e meus amigos, cadê?
Minha alegria, meu cansaço.
Meu amor, cadê você? Eu acordei, não tem ninguém ao lado.

Pela janela do quarto, pela janela do carro, pela tela, pela janela.
Quem é ela? Quem é ela? Tudo enquadrado, remoto controle.



Adriana Calcanhoto
Aldemir Martins - "O Flautista"

quarta-feira, 5 de abril de 2006




Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

agora e sossega a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,

meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos a noite é um poema
que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.


Maria do Rosário Pedreira
Gustav Klimt
- "Mother and Child" [pintor austríaco, (1862-1918) - art nouveau]

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