
Cantares do Ofício de Cantar
III
III
Se queres saber onde começa e onde acaba a tua vida,
não procure à superfície dos dias
nem no trabalho onde consomes
pétala a pétala
a flor do tempo.
Se queres saber onde repousa a tua vida
as margens,
ah, busca as margens do dia.
Levanta as franjas da madrugada – pálpebra –
e debruça-te sobre o poço,
sobre a fonte que alimenta o rio – olho d’água.
Ali, no miolo do tempo,
nas esquinas da noite,
nos degraus da ventania,
encontrarás teu coração
pulsando amargo e alegre
no escuro.
Lucia Fonseca in Diversos Afins
foto: Nicola Novotny
não procure à superfície dos dias
nem no trabalho onde consomes
pétala a pétala
a flor do tempo.
Se queres saber onde repousa a tua vida
as margens,
ah, busca as margens do dia.
Levanta as franjas da madrugada – pálpebra –
e debruça-te sobre o poço,
sobre a fonte que alimenta o rio – olho d’água.
Ali, no miolo do tempo,
nas esquinas da noite,
nos degraus da ventania,
encontrarás teu coração
pulsando amargo e alegre
no escuro.
Lucia Fonseca in Diversos Afins
foto: Nicola Novotny





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