Degas foi a ponte entre o estático e o movimento. Sua constante procura era o segredo do movimento, o movimento da vida, em constante observação. A mostra "Degas - O Universo de um Artista" tem cerca de 200 obras do francês Hilaire Germain Edgar de Gas (1834-1917), o filho de um banqueiro que ficou a ser conhecido na história da arte apenas como Degas.
O Masp é um dos únicos museus do mundo a contar com a série completa das 73 bailarinas - o D'Orsay, o Metropolitan de Nova York e o Carlsberg Glyptotek, em Copenhague, são os outros.
Romaric Surgel Büel, francês radicado no Rio, um dos curadores da mostra, utiliza as duas idéias como norte de uma exposição que, indubitavelmente, tem como destaque as 73 esculturas de bronze que representam bailarinas. Embora seja uma das preciosidades do acervo, o conjunto raramente é exposto no museu.
Degas apenas apresentou em vida uma dessas obras: a "Bailarina de 14 Anos", ainda em molde em cera, mas com saia, corpete e uma peruca. "Ele queria aproximar a escultura do cotidiano com o uso desses materiais, mas foi bastante criticado ao exibi-la", afirma Ana Magalhães, especialista na obra do francês e consultora da mostra. A série foi fundida em bronze de 1919 a 1932, após a morte do seu autor.
O universo de Degas são os bastidores, os ensaios das bailarinas, onde o movimento era constante, desde um olhar para a sapatilha à arrumação do cabelo da bailarina. E o curador Büel descreve bem as inovações de Degas.
"Ele retrata pessoas comuns, como cantoras de cabaré, passadeiras, jóqueis, freqüentadores de bares e bordéis. Também os coloca em ambientes que prenunciam o mundo do século 20, como as chaminés industriais de "Cavalheiros Antes da Partida". Faz a ponte do impressionismo para a modernidade", avalia Büel. Organizador de salões impressionistas, admira e é influenciado por alguns colegas de movimento - em "Princesa Pauline de Metternich", o fundo da tela com motivos orientais o aproxima de Van Gogh, por exemplo. Mas Degas é peculiar por sua habilidade em retratar cenas com movimento.
"Seu olhar é como o de uma câmera fotográfica. Ele congela e reproduz o movimento das figuras com grande apuro. Não à toa também se interessou pela nascente arte fotográfica", diz Büel. Nesse ponto, as bailarinas foram inspiração constante para a observação de Degas. Algumas telas presentes na mostra, como "Dançarinas de Balé" e "Dançarinas Amarelas", evidenciam a obsessão e o talento do artista frente ao movimento. Cavalos também serão outra fonte de inspiração de suas telas, em preocupações plásticas que o aproximam dos precursores do cinema, como Eadweard Muybridge (1830-1904).
Todas essas inovações não fizeram de Degas um detrator de obras clássicas. Admirava Ingres (1780-1867) e, quando o mestre neoclássico lhe disse para sempre pintar de memória, seguiu o conselho durante sua trajetória.
"Ao contrário dos impressionistas, que adoravam pintar ao ar livre, Degas era um artista de ateliê. Seu fascínio por Ingres era tão grande que, quando já estava cego, pediu para tatear uma tela do pintor que pertencia à sua coleção", conta Büel. O apreço por obras clássicas e de contemporâneos fez de Degas um grande colecionador. Alguns de seus artistas preferidos têm telas no Masp, como Anthony van Dyck (1599-1641), cujo "Retrato da Marquesa Lomellini, com os Filhos em Oração", faz par com seu "Estudo de Mãos".
Degas - O Universo de um Artista
» Onde: Masp
Av. Paulista, 1.578 - S.Paulo
» Quando: das 11h às 18h (bilheteria fecha às 17h)
de terça a domingo
» Quanto: R$ 7 a R$ 15
» Informações: (11) 3251-5644
n.r.: prestem atenção! Desta vez a entrada não é gratuita.
fonte: Folha de S.Paulo
O Masp é um dos únicos museus do mundo a contar com a série completa das 73 bailarinas - o D'Orsay, o Metropolitan de Nova York e o Carlsberg Glyptotek, em Copenhague, são os outros.
Romaric Surgel Büel, francês radicado no Rio, um dos curadores da mostra, utiliza as duas idéias como norte de uma exposição que, indubitavelmente, tem como destaque as 73 esculturas de bronze que representam bailarinas. Embora seja uma das preciosidades do acervo, o conjunto raramente é exposto no museu.
Degas apenas apresentou em vida uma dessas obras: a "Bailarina de 14 Anos", ainda em molde em cera, mas com saia, corpete e uma peruca. "Ele queria aproximar a escultura do cotidiano com o uso desses materiais, mas foi bastante criticado ao exibi-la", afirma Ana Magalhães, especialista na obra do francês e consultora da mostra. A série foi fundida em bronze de 1919 a 1932, após a morte do seu autor.
O universo de Degas são os bastidores, os ensaios das bailarinas, onde o movimento era constante, desde um olhar para a sapatilha à arrumação do cabelo da bailarina. E o curador Büel descreve bem as inovações de Degas.
"Ele retrata pessoas comuns, como cantoras de cabaré, passadeiras, jóqueis, freqüentadores de bares e bordéis. Também os coloca em ambientes que prenunciam o mundo do século 20, como as chaminés industriais de "Cavalheiros Antes da Partida". Faz a ponte do impressionismo para a modernidade", avalia Büel. Organizador de salões impressionistas, admira e é influenciado por alguns colegas de movimento - em "Princesa Pauline de Metternich", o fundo da tela com motivos orientais o aproxima de Van Gogh, por exemplo. Mas Degas é peculiar por sua habilidade em retratar cenas com movimento.
"Seu olhar é como o de uma câmera fotográfica. Ele congela e reproduz o movimento das figuras com grande apuro. Não à toa também se interessou pela nascente arte fotográfica", diz Büel. Nesse ponto, as bailarinas foram inspiração constante para a observação de Degas. Algumas telas presentes na mostra, como "Dançarinas de Balé" e "Dançarinas Amarelas", evidenciam a obsessão e o talento do artista frente ao movimento. Cavalos também serão outra fonte de inspiração de suas telas, em preocupações plásticas que o aproximam dos precursores do cinema, como Eadweard Muybridge (1830-1904).
Todas essas inovações não fizeram de Degas um detrator de obras clássicas. Admirava Ingres (1780-1867) e, quando o mestre neoclássico lhe disse para sempre pintar de memória, seguiu o conselho durante sua trajetória.
"Ao contrário dos impressionistas, que adoravam pintar ao ar livre, Degas era um artista de ateliê. Seu fascínio por Ingres era tão grande que, quando já estava cego, pediu para tatear uma tela do pintor que pertencia à sua coleção", conta Büel. O apreço por obras clássicas e de contemporâneos fez de Degas um grande colecionador. Alguns de seus artistas preferidos têm telas no Masp, como Anthony van Dyck (1599-1641), cujo "Retrato da Marquesa Lomellini, com os Filhos em Oração", faz par com seu "Estudo de Mãos".
Degas - O Universo de um Artista
» Onde: Masp
Av. Paulista, 1.578 - S.Paulo
» Quando: das 11h às 18h (bilheteria fecha às 17h)
de terça a domingo
» Quanto: R$ 7 a R$ 15
» Informações: (11) 3251-5644
n.r.: prestem atenção! Desta vez a entrada não é gratuita.
fonte: Folha de S.Paulo








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