sexta-feira, 3 de novembro de 2006


Balada das dez bailarinas do cassino


Dez bailarinas deslizam
por um chão de espelho.
Têm corpos egípcios com placas douradas,
pálpebras azuis e dedos vermelhos.
Levantam véus brancos, de ingênuos aromas,
e dobram amarelos joelhos.


Andam as dez bailarinas
sem voz, em redor das mesas.
Há mãos sobre facas, dentes sobre flores
e com os charutos toldam as luzes acesas.
Entre a música e a dança escorre
uma sedosa escada de vileza.


As dez bailarinas avançam
como gafanhotos perdidos.
Avançam, recuam, na sala compacta,
empurrando olhares e arranhando o ruído.
Tão nuas se sentem que já vão cobertas
de imaginários, chorosos vestidos.


A dez bailarinas escondem
nos cílios verdes as pupilas.
Em seus quadris fosforescentes,
passa uma faixa de morte tranqüila.
Como quem leva para a terra um filho morto,
levam seu próprio corpo, que baila e cintila.


Os homens gordos olham com um tédio enorme
as dez bailarinas tão frias.
Pobres serpentes sem luxúria,
que são crianças, durante o dia.
Dez anjos anêmicos, de axilas profundas,
embalsamados de melancolia.


Vão perpassando como dez múmias,
as bailarinas fatigadas.
Ramo de nardos inclinando flores
azuis, brancas, verdes, douradas.
Dez mães chorariam, se vissem
as bailarinas de mãos dadas.


Cecília Meireles
Edgard Degas



Serenata


Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.


Permite que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silêncio,
e a dor é de origem divina.


Permite que eu volte o meu rosto
para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho
como as estrelas no seu rumo.


Cecília Meireles
Edgard Degas


Robert Doisneau - 208 fotos na mostra em Paris

A obra de Robert Doisneau, um dos mais importantes fotógrafos franceses do último século, pode ser vista na exposição Doisneau – "Paris em Liberdade", realizada na prefeitura da capital francesa.



A mostra reúne 280 fotos, tiradas pelas ruas de Paris entre os anos 1930 e o início da década de 90 e tem o objetivo de realizar um passeio pelo imaginário parisiense do fotógrafo.

Robert Doisneau se tornou mundialmente conhecido por suas imagens que mostravam o lado popular e romântico de Paris.



Uma de suas imagens mais famosas é Beijo na Prefeitura (Baiser dans l’Hotel de Ville), de 1950, feita para a revista norte-americana Life.

Robert Doisneau, nascido na periferia da capital francesa, percorreu incansavelmente as ruas de Paris durante 60 anos flagrando cenas do cotidiano, sobretudo entre as décadas de 40 e 60.

Sua obra fez com que ele fosse considerado um fotógrafo da chamada "escola humanista", movimento artístico que inspirou cineastas como Marcel Carné ou escritores como Jacques Prévert.

Doisneau sempre recusou a idéia de que seu trabalho poderia ser comparado ao de um historiador da capital ou de um etnólogo. Ele dizia ser uma "falsa testemunha de sua época". Mas suas fotos permitem observar as grandes mudanças da cidade que se modernizava: da Paris romântica dos anos 50 aos prédios de concreto dos anos 70, Doisneau fotografou as transformações urbanas da capital.

Vendeu sua primeira reportagem fotográfica em 1932. Logo depois, foi contratado como fotógrafo industrial pela montadora Renault, mas acabou sendo demitido por faltar com freqüência ao trabalho.

Na realidade, Doisneau preferia tirar fotos pelas ruas de Paris. O fotógrafo faleceu em abril de 1994, deixando um acervo de 450 mil negativos.

A exposição Doisneau – "Paris em Liberdade" pode ser vista até o dia 17 de fevereiro de 2007.




fonte:BBC Brasil

Meu querido Rulinho

Julio Iglesias assegura que nunca deixará de cantar


O cantor espanhol Julio Iglesias assegurou hoje que tomou a decisão de nunca deixar os palcos por ter se dado conta, aos 63 anos, de que cantar não é um ato de vontade seu, mas um exercício que o mantém vivo.

Em entrevista na localidade mediterrânea espanhola de Marbella, o artista, que há poucas semanas lançou seu novo trabalho, "Romantic Classics", reconheceu que tem necessidade de cantar por razões físicas e psíquicas e disse estar convencido de que morrerá no dia em que deixar de fazê-lo.

Após afirmar que realiza no palco "um exercício brutal", que permite que se mantenha "forte e enxuto" e facilita que seu "sangue circule em uma velocidade maior", disse que sabe "mais ou menos" os anos de "vida ativa" que ainda lhe restam e que vai "aproveitá-los ao máximo, sem perder um só segundo".

Iglesias, que vendeu mais de 250 milhões de discos ao longo de sua carreira, recria em seu novo álbum onze grandes clássicos do pop em inglês, compostos ou interpretados por Elvis Presley, Frank Sinatra, The Cars, The Bee Gees, George Michael ou Armando Manzanero.

Iglesias explicou que sua decisão de gravar de novo em inglês depois de doze anos corresponde à necessidade de "despertar a curiosidade em países onde talvez achassem que eu havia deixado de cantar", e admitiu ter "cometido um erro" ao não lançar desde 1994 nenhum trabalho nessa língua.

Também ressaltou que o lançamento de "Romantic Classics" ofereceu a possibilidade de se incorporar "a uma liturgia mais universal dentro da música, porque, infelizmente, quando se faz um disco em espanhol, as fronteiras se fecham".

Sobre a recriação nesse disco de sucessos dos anos 60, 70 e 80, o cantor afirmou que é importante levar em conta "que o original é sempre melhor", embora tenha afirmado que sua maior contribuição a essas canções é seu próprio estilo.

"Se você faz versões e perde o estilo, não vende o disco, porque as pessoas esperam que eu cante como eu canto", declarou Iglesias, que afirmou que a "música acústica, as baladas", que escutou desde criança, o tornaram o cantor que é.

O intérprete lembrou que fez "muitas outras canções que não estão relacionadas com a música romântica", mas que "a canção de amor ou desamor" é o que cativa o público.

A este respeito, Iglesias ressaltou que 90% da música pop e rock é "romântica, com outras palavras e outra atitude musical, mas romântica", e afirmou que quando lhe dizem que ele só canta o amor gostaria "que ouvissem as músicas dos Beatles, porque 95% delas são canções de amor".

n.r.: na minha fantasia consigo visualizar o futuro...algo me inibe o comentário. Gosto do cara... ele é simpático...


fonte:Agencia EFE

Como é bom... - III

Saber ler, escrever...

Como é bom (repetir esta frase com a boca cheia de "om"s)!!!

BOOOM

OOOM

OOOM

BOOOM

OOOM

OOOM



Como é bom... - II

Bienal Internacional de Arquitetura homenageia Oscar Niemeyer

A 8ª Bienal Internacional de Arquitetura de Santo Domingo, que abre hoje, sexta-feira (dia 3), homenageia o Brasil e o arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer. O urbanista Jaime Lerner e o arquiteto Paulo Mendes da Rocha também expõem trabalhos no evento. Os conterrâneos Liana Vallicelli e Gilberto Beleza coordenam conferências sobre arquitetura e design.

Outros homenageados latinos da bienal são os dominicanos Teófilo Carbonell, Pablo Mella, José Miniño, Ramón Vargas Mera e Miguel Vila.

O evento vai até dia 13, no Museu de Arte Moderna, em Santo Domingo. As exposições abordam design arquitetônico, design urbano, design de interiores, arquitetura da paisagem, restauração de monumentos e arquitetura experimental.

O programa inclui conferências, painéis, mesas-redondas, oficinas de pintura para arquitetos e mostra de vídeos. Um dos destaques são documentários sobre a reconstrução das cidades de Paris e Berlim.

Além dos brasileiros Liana e Beleza, coordenam conferências da bienal o arquiteto dominicano Rafael Álvarez, o cubano Augusto Rivero Más, o alemão Udo Beckar e a francesa Isabel Hérault.

n.r.:...saber que um arquiteto brasileiro será homenageado fora de seu país de origem.


fonte:Folha Online

Como é bom... - I

Presidente de Portugal visitará Bienal de S.Paulo na próxima terça-feira


A 27ª Bienal de São Paulo informou que vai receber a visita do presidente português, Aníbal Cavaco Silva, na próxima terça-feira (dia 7) às 15h. Ele estará acompanhado da primeira-dama, Maria Alves da Silva, e de comitiva de 15 assessores.

A visita do presidente português ao pavilhão Ciccillo Matarazzo será acompanhada pelo presidente da Fundação Bienal de São Paulo, Manoel Francisco Pires da Costa, e pela curadora-geral da 27ª Bienal de São Paulo, Lisette Lagnado.

A delegação portuguesa fará escala em São Paulo na volta da 16ª Cúpula Ibero-Americana, a ser realizada em Montevidéu, no Uruguai, neste sábado e domingo (dia 5).

n.r.:...saber que um presidente estrangeiro vai visitar a 27ª Bienal de São Paulo.



fonte:Folha Online

"Construção" - Sandra Cinto

Sandra Cinto lança "Construção", livro sobre sua carreira artística, que ao mesmo tempo é o título de sua exposição individual realizada este ano, na Casa Triângulo, em São Paulo, e do que ela considera ter sido um trabalho de edição feito de forma independente.



A artista plástica iniciou sua trajetória na década de 90. Em 1994 fez sua primeira individual na Casa Triângulo, em São Paulo, e quatro anos depois, participou da 24ª Bienal de São Paulo, curada por Paulo Herkenhoff.

Uma das características de seus trabalhos são os traços delicados que aparecem em telas que representam, entre outras coisas, céu e estrelas. Suas instalações misturam desenhos, objetos e esculturas.


fonte:UOL

quinta-feira, 2 de novembro de 2006

"O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias"

"O Ano em que Meus Pais Saíram de Férias" conta o drama de um garoto durante a ditadura e a Copa de 1970, quando seus pais inesperadamente o deixam com o avô paterno, por terem que fugir devido à repressão da ditadura militar.
Porém o avô enfrenta problemas, o que faz com que Mauro, um garoto de 12 anos tenha de ficar com Shlomo, um velho judeu solitário que é seu vizinho. Enquanto aguarda um telefonema dos pais, Mauro precisa lidar com sua nova realidade, que tem momentos de tristeza pela situação em que vive e também de alegria, ao acompanhar o desempenho da seleção brasileira na Copa do Mundo.
"Saíram de férias" é o eufemismo para quem entra na clandestinidade. Com Germano Haiut, Michel Joelsas, Simone Spoladore, Caio Blat e Paulo Autran.

A ditadura é um monstro palpável. Tem cabeça, tronco, membros e seu interior é igual ao de qualquer um de nós. Mas ela é a besta. Pensa e age rapidamente porque suas conseqüências não a prejudicam e nós, como cidadãos precisamos estar sempre nos lembrando dela para que não volte, não se instale. É tipo bicho-de-pé, ninguém vê mas existe e vive à espreita, na menor distração está lá, incomodando. Não se assustem, tem cura.



fonte: Adoro Cinema

quarta-feira, 1 de novembro de 2006

Explosão

Não estou bem... Há um ano, meu tio, irmão da minha mãe, faleceu. Há menos de um mês, outro tio, mais querido ou tanto quanto o outro, faleceu, e também de uma hora para a outra, chocante! Como creio na vida após a morte, a morte não me pertuba, não me incomoda. Não tenho mêdo de morrer, mas de sofrer tenho muito mêdo, pânico! A saudade, essa sim, me incomoda muito. Perder contatos, já perdi tantos... perder o contato físico de quem partiu dessa vida aqui na terra, também perdi muitos...

Eu rio muito, brinco muito, digo muita bobagem, sou irônica, sou folgada, sou irritadiça, sou moleca, sou anti-preconceito, sou esnobe, sou muita coisa...muitas em uma só, talvez por isso não consiga viver nada pela metade, sempre fui assim, desde criança. Intensa, atrevida, como se o dia pudesse acabar agora, nesse minuto e depois...depois não teria mais jeito, não haveria volta. Festas? Se é para estar é para saborear até a última gota, amanhã, será outra, não essa, nada igual.

Mas tenho de me desmentir. Em algum período da minha vida, não fui nada disso. Fui omissa, não participante, não falante, como uma pessoa que se coloca a boiar numa piscina e fica assim, inerte em movimento (ora, nesse caso é possível, o movimento fica por conta da água, que não é inerte). Terei sido uma fingida sem-vergonha? Não sei. Fingi para mim, as contas nesse caso, ficam pagas e o prejuízo é pessoal. Mas será que não me importava ou tinha mêdo? Sempre tive mêdo de perder. Mêdo não, pavor mesmo! Perdi muito cedo, em pequena, e numa época na qual não era comum uma criança frequentar um psicólogo, levei muitos anos superando só, sem a ajuda de ninguém, duas grandes perdas. Claro que ainda me refiro à elas, preciso me lembrar desse divisor de águas. Hoje me esforço para não fugir à menor indicação que tal poderá acontecer. E mesmo que o futuro demonstre o contrário, morro de mêdo, mas aguento.

Não gosto de morar sozinha, mas aprendi muito bem a viver sozinha, inevitável para quem é filha única, mas também já morei sozinha. Adoro gente, todos, principalmente as que sorriem, porque me fazem sorrir ainda mais. Hoje espalhei sorrisos para tudo quanto foi lado, que é bastante diferente de dar sorrisos por aí a qualquer um ou uma. Ri muito, porque encontrei mais de uma amiga ao mesmo tempo o que nem sempre acontece.

Mas tudo aquilo que foge da lógica me confunde.Acho, não, tenho certeza de que não entendo de sentimentos. Sou totalmente ignorante, sou muito lógica e quase sempre me sinto perdida nesse emaranhado das sutilezas. E se falo de sentimentos, sempre é no sentido abrangente do termo, não falo da relação homem/mulher, é muito pessoal, não cabe aqui. E é aí que me estrepo sempre, nunca entendo nada. Gosto demais que se importem comigo, aliás, sim, tenho períodos de imensa carência, confesso! Me derreto quando se importam comigo e não disfarço. Pago um preço sempre alto quando me entrego inteira, mas não posso me arrepender, eu não quis assim? Aguenta, Maria! Aguenta!

A essa altura da vida, com tantos aninhos feitos, já sei que é traço de personalidade: ser desligada, distraída, porque quero sempre resolver montes de coisas em tempo recorde a ponto de me dar conta de estar entre duas pistas só quando buzinam - meu anjo da guarda é ótimo -, acho que um cockpit para mim seria perfeito. Esticar o braço aqui ali, o pescoço, enquanto isso, o olho direito já está atento a outro detalhe. E sou intensa de carinho e sentimentos, não economizo. Uma lépida borboleta saltitante. Ah...mas em compensação, quando vem o tombo, é duro, duríssimo. Fazer o quê? Não há quem seja chato e sobreviva? Conheço vários...um porre de gente, cheios de nhém-nhém-nhém...

E há dias, em que não aguento o mundo, sorri o que podia, e preciso de colo e não encontro unzinho sequer... não é a primeira vez e não será a última. Amanhã vai ser outro dia!


Confissão


Que esta minha paz e, este meu amado silêncio
Não iludam a ninguém
Não é a paz de uma cidade bombardeada e deserta
Nem tampouco a paz compulsória dos cemitérios
Acho-me relativamente feliz
Porque nada de exterior me acontece...
Mas,
Em mim, na minha alma,
Pressinto que vou ter um terremoto


Mario Quintana

terça-feira, 31 de outubro de 2006

Drummond

Carlos Drummond de Andrade nasceu em Itabira do Mato Dentro - Minas Gerais, no dia 31 de outubro, há 104 anos atrás. De uma família de fazendeiros em decadência, estudou na cidade de Belo Horizonte e com os jesuítas no Colégio Anchieta de Nova Friburgo RJ, de onde foi expulso por "insubordinação mental". De novo em Belo Horizonte, começou a carreira de escritor como colaborador do Diário de Minas, que aglutinava os adeptos locais do incipiente movimento modernista mineiro.

Ante a insistência familiar para que obtivesse um diploma, formou-se em farmácia na cidade de Ouro Preto em 1925. Fundou com outros escritores A Revista, que, apesar da vida breve, foi importante veículo de afirmação do modernismo em Minas. Ingressou no serviço público e, em 1934, transferiu-se para o Rio de Janeiro, onde foi chefe de gabinete de Gustavo Capanema, ministro da Educação, até 1945. Passou depois a trabalhar no Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional e se aposentou em 1962. Desde 1954 colaborou como cronista no Correio da Manhã e, a partir do início de 1969, no Jornal do Brasil.

O modernismo não chega a ser dominante nem mesmo nos primeiros livros de Drummond, Alguma poesia (1930) e Brejo das almas (1934), em que o poema-piada e a descontração sintática pareceriam revelar o contrário. A dominante é a individualidade do autor, poeta da ordem e da consolidação, ainda que sempre, e fecundamente, contraditórias.

Torturado pelo passado, assombrado com o futuro, ele se detém num presente dilacerado por este e por aquele, testemunha lúcida de si mesmo e do transcurso dos homens, de um ponto de vista melancólico e cético. Mas, enquanto ironiza os costumes e a sociedade, asperamente satírico em seu amargor e desencanto, entrega-se com empenho e requinte construtivo à comunicação estética desse modo de ser e estar.

Vem daí o rigor, que beira a obsessão. O poeta trabalha sobretudo com o tempo, em sua cintilação cotidiana e subjetiva, no que destila do corrosivo. Em Sentimento do mundo (1940), em José (1942) e sobretudo em A rosa do povo (1945), Drummond lançou-se ao encontro da história contemporânea e da experiência coletiva, participando, solidarizando-se social e politicamente, descobrindo na luta a explicitação de sua mais íntima apreensão para com a vida como um todo. A surpreendente sucessão de obras-primas, nesses livros, indica a plena maturidade do poeta, mantida sempre.

Alvo de admiração irrestrita, tanto pela obra quanto pelo seu comportamento como escritor, Carlos Drummond de Andrade morreu no Rio de Janeiro RJ, no dia 17 de agosto de 1987, poucos dias após a morte de sua filha única, a cronista Maria Julieta Drummond de Andrade.



Poesia

Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


Carlos Drummond de Andrade
Caspar David Friedrich - "Wanderer above the Sea of Fog, ca. 1818"
(pintor alemão, romantismo - 1774-1840)


n.r.: dizem que morreu de tristeza pela morte da filha.


texto: Releituras


Letra: Ferida Exposta ao Tempo


É forçoso dizer que me faz falta
o poema que existe e nunca li,
como se alhures
brotassem coisas que não vi
e que distantes,
carentes,
dependessem de mim.
Algo como se o intocado fosse a sinfonia
inacabada, mais:rasgada
como o quadro nunca esboçado, perdido
na abatida mão do artista.

O ausente
é uma planta
que na distância se arvora
e é tão presente
quando o passado que aflora.

E a literatura, mais que avenida ou praça
por onde cavalga a glória, é um monumento,
sim, de dúbia estória: granito e rima,
alegoria ao vento, lugar onde carentes
e arrogantes
cravamos nosso nome de turista:
-estive aqui, desamado,
riscando a pedra e o tempo
expondo meu sangue e nome
com o coração trespassado.


Affonso Romano de Sant'Anna
Emile Bernard - "Buckwheat Harvesters at Pont-Aven, 1888"
(pintor simbolista francês - 1868-1941)


Parabéns!!!




Ricardo, comemora o dia de hoje com toda a família bonita que você tem. Eu ainda não tinha tido chance para perceber que você tem uma companheirona ao teu lado e isso é muito bacana.

Queridíssimo, beijos e desejos de muita saúde e milhões de felicidades no dia de hoje. Muita luz e muita força para todos vocês!

Cristina

Com essa, lá vem exploração!

Elefantes reconhecem própria imagem no espelho

Eu gosto muito da BBC. Onde mais encontar tantas notícias interessantes sobre estudos científicos?

De acordo com um estudo americano, os elefantes têm a capacidade de reconhecer sua própria imagem no espelho. Até agora, esse tipo de reação só tinha sido observada em seres humanos, nos grandes primatas e nos golfinhos nariz-de-garrafa.

O estudo, realizado pelo Centro Nacional Yerkes de Pesquisa de Primatas, da Universidade americana de Emory, analisou o comportamento de três elefantes asiáticos em frente a um espelho de grandes proporções (2.5 por 2.5 metros).

Um dos animais, a elefanta Happy, passou no clássico teste da marca na testa, usado para avaliar o reconhecimento de imagem em crianças e macacos. Ela tocou o “X” pintado em sua testa com a tromba repetidas vezes. A marca só podia ser vista pela elefanta através do espelho. Happy ignorou uma outra marca, feita com tinta transparente para garantir que ela não estava reagindo apenas à sensação ou ao cheiro da substância.

Os outros elefantes não passaram nesse teste, mas também deram sinais de reconhecimento de sua imagem, inspecionando, por exemplo, dentro de suas bocas. Os animais também levaram comida para ser consumida em frente ao espelho.

"A complexidade social do elefante, seu conhecido comportamento altruísta e, claro, seu enorme cérebro fizeram dele um candidato lógico para o teste em frente ao espelho”, disse Joshua Plotnik, da Universidade Emory.

Vários animais reagem ao reflexo em espelhos, mas poucos mostram indicações de que sabem que se trata de suas próprias imagens refletidas.

Cães, por exemplo, reagem ao "outro cachorro" e muitas vezes procuram o que acreditam ser outro animal atrás do espelho.

"Os elefantes já tinham sido testados antes, mas os estudos haviam usado espelhos relativamente pequenos e fora do alcance dos animais", disse Plotnik. "Esse estudo é o primeiro a testar os animais em frente a enormes espelhos que eles podiam tocar, esfregar e inspecionar.

"Segundo Frans de Waal, que também participou da pesquisa, "o elefante entra para a elite cognitiva dos animais". "Apesar de os elefantes serem muito mais distantes de nós do que os grandes primatas, eles parecem ter desenvolvido capacidades sociais e cognitivas semelhantes às nossas, entre elas os sistemas sociais complexos e a inteligência", disse Waal. "Esses paralelos entre humanos e elefantes sugerem uma evolução cognitiva convergente, possivelmente relacionada à sociabilidade complexa e à cooperação.

"Os elefantes analisados vivem no zoológico do Bronx, em Nova York.


n.r.: quanto aos cães, ainda tenho algumas dúvidas. Desde pequeno, coloco o meu, um cocker inglês azul-ruão (especifico a cor porque dizem alterar a personalidade do animal na raça), não está nem aí para si mesmo em frente a um espelho e ele não tem problemas de visão.
Permanece a grande dúvida porque meu cachorro é muito zen. Raramente se estressa com outro cão ou cadela, no máximo, uma rosnada básica tipo "não torra a minha paciência" e nada mais. É o exemplo do "não tô nem aí" da espécie canina, é super na paz. Já ouvi algo como: "ele se acha superior", de um ser humano. Me escangalho de rir.



fonte:BBC Brasil

Resposta ao comentário da Fernanda

Para que meus dois leitores não se sintam "perdidos" neste post, explico que Fernanda, um nome que tanto pode ser real ou fictício como também é difícil afirmar que seja de um homem ou de uma mulher - "coisas" da internet... -
fez um comentário duro a respeito do povo português no post onde dou a notícia de que em 2008 será criado o Museu Mar de Língua Portuguesa em Lisboa.


Olá Fernanda, boa tarde!

Espero que a tua raiva e nojo sejam por você ter sofrido algum desgosto com um português ou uma portuguesa e com isso - nem assim, para mim, desculpável - tenha ganho um verdadeiro horror a tudo que tenha relação com Portugal, caso contrário é mesquinho. As tuas palavras são totalmente preconceituosas. E preconceito é coisa que me causa asco!

Não te conheço, não sei se teu nome é realmente Fernanda, se é mulher, idade, se é do Rio, de Pernambuco, Bahia, São Paulo etc, nada! Parto do princípio que você é tão brasileira quanto eu sou, e por isso sinto muito que um país que propaga tanta liberdade, tanto de atitudes quanto miscigenação como o Brasil, que é tão democrático a ponto de reeleger um presidente cujo staff está totalmente envolvido em corrupção, possa ainda em pleno séc. 21 ter idéias tão tacanhas, tão retrógradas da sua parte, Fernanda, com relação a outros povos, neste caso, aos portugueses.

Acredito que você se nivela a estes mesmos portugueses a que se refere no comentário - além de eu ter a certeza que são uma minoria pouco culta e inteligente dos mesmos - que afirmam que nosso português é tão mal falado quanto escrito e que "nos" chamam de macacos etc e tal... enfim, até na culta França existe quem não saiba qual é a capital do Brasil, mas isso você não deve nem imaginar.

Você não deve ter conhecimento da quantidade de cantores brasileiros que vendem discos e fazem anualmente shows em Portugal sempre com casa cheia. Nesse mês, Chico Buarque, que não acho que fale assim um português tão diferente do meu se apresenta em Lisboa, ingresso caro e um montão (montão soa feio, mas existe no nosso português-brasileiro) de portugueses e portuguesas estão lá, assistindo o nosso Chico. Esse "povinho português", como você diz, prestigia o artista brasileiro.

E livros? Você tem idéia do número de escritores brasileiros que são lidos em Portugal além do Paulo Coelho? E admire-se! Brasileiros aqui, sim, Fernada. Em terra brasilis consomem livros de autores portugueses, além de autores cabo-verdianos, angolanos etc. Você algum dia leu alguma notícia sobre a Feira Internacional de Literatura de Paraty? Estes não tem nojo nem ódio como o seu.

Se a ministra portuguesa recusou comparações com o nosso museu, é problema dela e do jornalista da agência lusa que a entrevistou - em bom português - com a intenção de gerar polêmica e conseguiu, pelo menos deste lado do Atlântico. Não só acredito como tenho de te informar que o enfoque do museu português será certamente diferente do nosso, a nossa cultura é bastante diferente apesar de termos a mesma língua. E é esse o grande barato de existirem portugueses, russos, chineses, franceses, japoneses, alemães, iraquianos, brasileiros etc. A diferença cultural! Caso contrário para que sair daqui para ali? Que enfadonho um mundo tão igualzinho de costumes, idéias, sabores, cores. Chato, Fernanda, muito chato!

Quem sai ganhando e para mim é o mais importante, é a língua portuguesa. A minha, a sua, a dos portugueses e de alguns povos africanos. Pela sua beleza e riqueza, a língua portuguesa merece ser conhecida e reconhecida em toda a parte do mundo e não apenas em São Paulo. O povo português ganha um museu que deve existir em qualquer país de língua portuguesa.

E existe palavra com mais significado e sentimento que saudade? Só existe em português. Fernanda, onde você vê "cópia barata" eu vejo uma belíssima iniciativa cultural. E é o máximo que posso comentar. Não conheço o projeto do museu. Por enquanto sei da idéia e aprovo.

Fernanda, tenho certeza que não vou mudar seu pensamento, aliás o tempo já me ensinou que o preconceito é feio, sujo, mas existe e olha que sou branquinha, branquinha. O preconceito não tem cor, classe social, nacionalidade ou sexo. Existe, infelizmente. Mas nunca poderia ficar calada. Em primeiro lugar porque o blog é meu e nele escrevo o que me dá vontade de escrever e sinto nojo a todo preconceito, acho inadimissível, mas não posso curar o mundo dessa praga.

Bem, tudo isso é para você compreender - caso queira, também se não quiser, tanto faz - que este ódio é apenas seu, isolado e não afeta em nada aos portugueses. Não vou apagar seu comentário. Serve de exemplo. É mais um preconceito velado, além do que existe em relação aos negros no Brasil. Tendo dinheiro, tudo pode ser "perdoado".

Quando converso com estrangeiros que adoram várias cidades do Brasil e continuam vindo aqui a passeio, eles não são capazes de acreditar que no Brasil ainda exista brasileiros pensando no Brasil como colônia portuguesa.

Amo ter nascido aqui, amo ser descendente de portugueses e ter DUAS nacionalidades. Adoro me considerar uma cidadã do mundo, que viaja menos do que gostaria, por falta de grana. E não há muito mais o que dizer, Fernanda. Só que, juro... há documentos comprovando...e na Biblioteca Nacional tenho certeza de que você poderá encontrá-los. O Brasil é independente, republicano e democrático.

Cristina Caetano


segunda-feira, 30 de outubro de 2006


João e Maria


Agora eu era o herói
E o meu cavalo só falava inglês
A noiva do cowboy era você além das outras três
Eu enfrentava os batalhões, os alemães e seus canhões
Guardava o meu bodoque e ensaiava o rock para as matinês
Agora eu era o rei
Era o bedel e era também juiz
E pela minha lei a gente era obrigado a ser feliz
E você era a princesa que eu fiz coroar
E era tão linda de se admirar
Que andava nua pelo meu país
Não, não fuja não
Finja que agora eu era o seu brinquedo
Eu era o seu pião, o seu bicho preferido
Vem, me dê a mão, a gente agora já não tinha medo
No tempo da maldade acho que a gente nem tinha nascido
Agora era fatal que o faz-de-conta terminasse assim
Pra lá desse quintal era uma noite que não tem mais fim
Pois você sumiu no mundo sem me avisar
E agora eu era um louco a perguntar
O que é que a vida vai fazer de mim?

alguém grita: "LINDOOOOO!!!!"

Chico Buarque/Sivuca

CD antiguinho, "CHICO AO VIVO"

Museu da Língua Portuguesa de Portugal vai abrir em 2008


A ministra da Cultura de Portugal, Isabel Pires de Lima, disse nesta segunda-feira que o Museu Mar da Língua Portuguesa, que vai abrir em 2008, deverá ser instalado no atual Museu de Arte Popular, em Lisboa, pela sua localização estratégica e pelo fato simbólico de estar frente ao Tejo.

A ministra rejeitou comparações com o Museu da Língua Portuguesa em São Paulo, afirmando tratar-se de duas "realidades semelhantes", mas formalizadas com ópticas diferentes.

O novo museu, que custará cerca de R$ 6,8 milhões, financiados em partes iguais pelo Orçamento de Estado e por fundos comunitários através do Plano Operacional de Cultura, é "uma opção da política cultural do Ministério", disse Lima.

O Museu Mar da Língua Portuguesa - Centro Interpretativo das Descobertas ocupa os três mil metros quadrados do atual Museu de Arte Popular luso e poderá ser visitado a partir de 2008.

O atual acervo do Museu de Arte Popular será integralmente transferido para o Museu Nacional de Etnologia, também na zona de Belém, durante o próximo ano, disse aos jornalistas o presidente do Instituto Português de Museus, Manuel Bairrão Oleiro.

O mesmo responsável garantiu a manutenção dos murais do museu, pintados por Tom Anahory, Paulo Ferreira, Carlos Botelho e Estrela Faria que, apesar de não se enquadrarem no programa do novo museu, estarão sempre visíveis para o público e para pesquisadores.


fonte:Lusa

Teresinha


O primeiro me chegou como quem vem do florista
Trouxe um bicho de pelúcia, trouxe um broche de ametista
Me contou suas viagens e as vantagens que ele tinha
Me mostrou o seu relógio, me chamava de rainha
Me encontrou tão desarmada que tocou meu coração
Mas não me negava nada, e, assustada, eu disse não

O segundo me chegou como quem chega do bar
Trouxe um litro de aguardente tão amarga de tragar
Indagou o meu passado e cheirou minha comida
Vasculhou minha gaveta me chamava de perdida
Me encontrou tão desarmada que arranhou meu coração
Mas não me entregava nada, e, assustada, eu disse não

O terceiro me chegou como quem chega do nada
Ele não me trouxe nada também nada perguntou
Mal sei como ele se chama mas entendo o que ele quer
Se deitou na minha cama e me chama de mulher
Foi chegando sorrateiro e antes que eu dissesse não
Se instalou feito posseiro, dentro do meu coração


Chico Buarque/Maria Bethânia


Gente Humilde


Tem certos dias
Em que eu penso em minha gente
E sinto assim
Todo o meu peito se apertar
Porque parece
Que acontece de repente
Como um desejo de eu viver
Sem me notar
Igual a como
Quando eu passo no subúrbio
Eu muito bem
Vindo de trem de algum lugar
E aí me dá
Como uma inveja dessa gente
Que vai em frente
Sem nem ter com quem contar

São casas simples
Com cadeiras na calçada
E na fachada
Escrito em cima que é um lar
Pela varanda
Flores tristes e baldias
Como a alegria
Que não tem onde encostar
E aí me dá uma tristeza
No meu peito
Feito um despeito
De eu não ter como lutar
E eu que não creio
Peço a Deus por minha gente
É gente humilde
Que vontade de chorar


Garoto/Chico Buarque/Vinícius de Moraes

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O Código Aleijadinho, de Leandro Müller


Em dezembro de 2004 o best-seller da vez era O Código da Vinci, de Dan Brown. Era quase Natal, e o presente era meio óbvio. Na onda daquele sucesso vinham os chamados livros derivados, como o 'Decifrando O Código da Vinci', que não vendiam menos. Nessa altura, o Sylvio Siffert (Livraria Argumento) vislumbrou a possibilidade de entrar nesse filão e, numa tarde num bar de Ipanema, Roberto Edretti (Livraria da Travessa) disse a Leandro Müller: “Por que a gente não faz O Código Aleijadinho?" Pegou na hora.
Os dois primeiros deixaram o projeto, mas Leandro continuou e acabou alterando a déia inicial, modificando tudo e criando uma obra diferente, mais independente de O Código da Vinci. Assim surgiu um dos livros mais interessante dessa temporada chatíssima de eleição no Brasil.

Muitos mistérios cercam a figura do Aleijadinho. O mais impressionante deles foi o resultado da exumação do seu corpo em 1999. Até então, se pensava que ele morrera de hanseníase (lepra), porém, a verdadeira causa mortis foi porfiria. Além disso, os ossos da mão apresentaram uma coloração avermelhada e, após a analise laboratorial, foi detectada uma concentração anormal de cobalto, chumbo, cádmio e níquel nesses ossos. Como tais elementos eram muito utilizados na composição de pigmentos de tinta, especula-se que o Aleijadinho também tenha feito pinturas. Vai saber. É nessa última perspectiva misteriosa que está focado o romance.

Há também muitos fatos curiosos ligados à concepção da história, aos personagens e à pesquisa dos locais, fatos e obras de arte citados no romance. Por exemplo, no Fórum de Ciência de Cultura do Campus da Praia Vermelha da UFRJ existem vários estudos de restauração de antigos painéis que foram pintados por cima com tinta branca. A partir dessa idéia, Leandro foi até a igreja da Sé de Mariana para procurar uma parede semelhante, na qual pudesse ser descoberto um painel similar. Qual não foi a sua surpresa ao constatar que, na capela lateral daquela igreja, já havia, de fato, um estudo para restauração de um painel, oculto atrás de camadas de tinta...

Depois de intensa pesquisa in loco, tudo fotograficamente registrado em detalhes e 1 ano debruçado sobre mapas das cidades que visitou, Leandro nos brinda com o Código Aleijadinho.
Eu já estou no meio do livro, que me chegou via Glaucia Lewicki.
E você, vai esperar a próxima saga comercial do Paulo Coelho?


by Eduardo Tetera - inconsciente e-coletivo

domingo, 29 de outubro de 2006


O Bêbado e a Equilibrista


Caía a tarde feito um viaduto
E um bêbado trajando luto
Me lembrou Carlitos
A lua, tal qual a dona do bordel,
Pedia a cada estrela fria
Um brilho de aluguel
E nuvens, lá no mata-borrão do céu,
Chupavam manchas torturadas, que sufoco!
Louco, o bêbado com chapéu-coco
Fazia irreverências mil pra noite do Brasil.

Meu Brasil

Que sonha com a volta do irmão do Henfil.
Com tanta gente que partiu num rabo de foguete.
Chora a nossa pátria mãe gentil,
Choram Marias e Clarisses no solo do Brasil.
Mas sei que uma dor assim pungente
Não há de ser inutilmente, a esperança
Dança na corda bamba de sombrinha
E em cada passo dessa linha pode se machucar
Azar, a esperança equilibrista
Sabe que o show de todo artista
Tem que continuar...

João Bosco e Aldir Blanc




"Eu me equilibro todos os dias, no circo onde sou palhaço"

quinta-feira, 26 de outubro de 2006

CHEGOUUU!!!!

Bunny Lover







Ao vivo, na minha mão é muito mais linda, os detalhes são fantásticos, desde o envelope, a embalagem até o produto final. O acabamento é cuidado.

O trabalho do Ricardo Rodrigues é absolutamente fantástico. São objetos de coleção, bonecos, quadros etc. Um de seus trabalhos pode ser visto na foto da revista aí abaixo. A edição é portuguesa deste mês, outubro.





WISHES&HEROS - wishes-heros.blogspot.com
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