segunda-feira, 30 de outubro de 2006

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O Código Aleijadinho, de Leandro Müller


Em dezembro de 2004 o best-seller da vez era O Código da Vinci, de Dan Brown. Era quase Natal, e o presente era meio óbvio. Na onda daquele sucesso vinham os chamados livros derivados, como o 'Decifrando O Código da Vinci', que não vendiam menos. Nessa altura, o Sylvio Siffert (Livraria Argumento) vislumbrou a possibilidade de entrar nesse filão e, numa tarde num bar de Ipanema, Roberto Edretti (Livraria da Travessa) disse a Leandro Müller: “Por que a gente não faz O Código Aleijadinho?" Pegou na hora.
Os dois primeiros deixaram o projeto, mas Leandro continuou e acabou alterando a déia inicial, modificando tudo e criando uma obra diferente, mais independente de O Código da Vinci. Assim surgiu um dos livros mais interessante dessa temporada chatíssima de eleição no Brasil.

Muitos mistérios cercam a figura do Aleijadinho. O mais impressionante deles foi o resultado da exumação do seu corpo em 1999. Até então, se pensava que ele morrera de hanseníase (lepra), porém, a verdadeira causa mortis foi porfiria. Além disso, os ossos da mão apresentaram uma coloração avermelhada e, após a analise laboratorial, foi detectada uma concentração anormal de cobalto, chumbo, cádmio e níquel nesses ossos. Como tais elementos eram muito utilizados na composição de pigmentos de tinta, especula-se que o Aleijadinho também tenha feito pinturas. Vai saber. É nessa última perspectiva misteriosa que está focado o romance.

Há também muitos fatos curiosos ligados à concepção da história, aos personagens e à pesquisa dos locais, fatos e obras de arte citados no romance. Por exemplo, no Fórum de Ciência de Cultura do Campus da Praia Vermelha da UFRJ existem vários estudos de restauração de antigos painéis que foram pintados por cima com tinta branca. A partir dessa idéia, Leandro foi até a igreja da Sé de Mariana para procurar uma parede semelhante, na qual pudesse ser descoberto um painel similar. Qual não foi a sua surpresa ao constatar que, na capela lateral daquela igreja, já havia, de fato, um estudo para restauração de um painel, oculto atrás de camadas de tinta...

Depois de intensa pesquisa in loco, tudo fotograficamente registrado em detalhes e 1 ano debruçado sobre mapas das cidades que visitou, Leandro nos brinda com o Código Aleijadinho.
Eu já estou no meio do livro, que me chegou via Glaucia Lewicki.
E você, vai esperar a próxima saga comercial do Paulo Coelho?


by Eduardo Tetera - inconsciente e-coletivo

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