quinta-feira, 6 de abril de 2006


O mundo é grande


O mundo é grande e cabe
nesta janela sobre o mar.
O mar é grande e cabe
na cama e no colchão de amar.
O amor é grande e cabe
no breve espaço de beijar.

Carlos Drummond de Andrade
Vincent Van Gogh - "Pessegueiro em flor (Recordação de Mauve)"

Mãos dadas


Não serei o poeta de um mundo caduco.
Também não cantarei o mundo futuro.
Estou preso à vida e olho meus companheiros
Estão taciturnos mas nutrem grandes esperanças.
Entre eles, considere a enorme realidade.
O presente é tão grande, não nos afastemos.
Não nos afastemos muito, vamos de mãos dadas.
Não serei o cantor de uma mulher, de uma história.
Não direi suspiros ao anoitecer, a paisagem vista na janela.
Não distribuirei entorpecentes ou cartas de suicida.
Não fugirei para ilhas nem serei raptado por serafins.
O tempo é a minha matéria, o tempo presente, os homens presentes,
a vida presente.


Carlos Drummond de Andrade
Vincent Van Gogh
- "Noite estrelada"


A um ausente


Tenho razão de sentir saudade,
tenho razão de te acusar.
Houve um pacto implícito que rompeste
e sem te despedires foste embora.
Detonaste o pacto.
Detonaste a vida geral, a comum aquiescência
de viver e explorar os rumos de obscuridade
sem prazo sem consulta sem provocação
até o limite das folhas caídas na hora de cair.


Antecipaste a hora.
Teu ponteiro enloqueceu, enloquecendo nossas horas.
Que poderias ter feito de mais grave
do que o ato sem continuação, o ato em si,
o ato que não ousamos nem sabemos ousar
porque depois dele não há nada?


Tenho razão para sentir saudade de ti,
de nossa convivência em falas camaradas,
simples apertar de mãos, nem isso, voz
modulando sílabas conhecidas e banais
que eram sempre certeza e segurança.


Sim, tenho saudades.
Sim, acuso-te porque fizeste
o não previsto nas leis da amizade e da natureza
nem nos deixaste sequer o direito de indagar
porque o fizeste, porque te foste.


Carlos Drummond de Andrade
Vincent Van Gogh
- "Olivais"

Poesia


Gastei uma hora pensando em um verso
que a pena não quer escrever.
No entanto ele está cá dentro
inquieto, vivo.
Ele está cá dentro
e não quer sair.
Mas a poesia deste momento
inunda minha vida inteira.


Carlos Drummond de Andrade
Vincent Van Gogh
- "Amendoeira em flor"[pintor holandês (1853-1890), Impressionismo]

O Evangelho de Judas Iscariotes

Um documento trazendo o ponto de vista de Judas Iscariotes sobre a crucificação de Cristo foi publicado nesta quinta-feira nos Estados Unidos pela revista National Geographic.

O Evangelho Segundo Judas data entre o século 3 e 4 e acredita-se que o documento, um frágil papiro de 31 páginas, seja uma cópia de um original escrito por volta de 150 dC.

Ele foi descoberto em Beni Masar no Egito durante a década de 1970 e foi escrito originalmente em cóptico (antigo idioma egípcio).

A única cópia do texto foi conservada, autenticada e traduzida agora para o inglês.

O documento mostra Judas como um personagem benéfico, o favorito de Jesus, que teria colaborado com os seus planos para salvar a humanidade.

Essa visão é semelhante à dos cristãos gnósticos, um grupo de religiosos do 2º século que rivalizava com a Igreja. Os gnósticos foram denunciados como hereges em 180 dC.

Eles acreditavam que Judas seria de fato o mais iluminado dos apóstolos e teria proporcionado a possibilidade de a humanidade ser redimida através da morte de Cristo. Sendo assim, Judas mereceria gratidão.

A visão dos gnósticos teria sido escrita em grego em um documento datado de 150 dC. Pesquisadores cogitam a possibilidade de que o documento publicado nesta quinta-feira seja uma cópia deste texto.

O Evangelho Segundo Judas foi adquirido no ano 2000 pela fundação suíça Maecenas Foundation for Ancient Art, que iniciou sua tradução.

Acredita-se que a National Geographic tenha pago cerca de US$ 1 milhão pelos direitos de publicação.

Mais informações sobre o documento aqui (em inglês) no site da National Geographic.


fonte: BBC Brasil

Fóssil revela elo entre peixes e animais terrestres

Fósseis de animais encontrados no Canadá revelam o "elo perdido" que explicaria a evolução dos peixes em animais terrestres, segundo um estudo de paleontólogos americanos publicado na revista científica Nature.

As descobertas estão dando a pesquisadores uma visão inédita desse estágio fundamental da evolução da vida na Terra.

Os espécimes, de 383 milhões de anos, são descritos como animais semelhantes aos crocodilos, com barbatanas ao invés de membros, e que provavelmente viveram em águas rasas.

Antes dessas descobertas, os paleontólogos sabiam que peixes de nadadeiras lobadas (em forma de lóbulo, arredondadas) evoluíram para criaturas terrestres durante o período Devoniano.

Mas os registros de fósseis mostravam um intervalo entre o Panderichthys - um peixe que viveu há cerca de 385 milhões de anos e que mostra sinais de evolução para criaturas que sobrevivem em ambientes terrestres - e o Acanthostega - o primeiro quadrúpede conhecido, que data de 365 milhões de anos atrás.

Em 1999, os professores de paleontologia Neil Shubin, da Universidade de Chigago, e Edward Daeschler, da Academia de Ciências Naturais da Filadélfia, começaram uma exploração da parte ártica do Canadá na tentativa de encontrar o "elo perdido" que explicaria a transição da água para a terra.

Após vários anos de buscas, com pouco sucesso, eles tiraram a sorte grande em 2004.

"A incrível descoberta veio quando um dos membros da equipe encontrou o focinho de um animal de cara achatada despontando de um penhasco - e isso é totalmente o que você quer encontrar porque, se tiver sorte, o resto do esqueleto estará enterrado no penhasco", disse Shubin à BBC.

A equipe encontrou três fósseis da nova espécie Tiktaalik roseae, em bom estado de conservação e quase completos, em uma área do Ártico chamada Território Nunavut. O maior fóssil tem quase 3 metros de comprimento.

O fóssil tem algumas características dos peixes, como barbatanas e escamas nas costas.

Mas ele também tem várias características em comum com criaturas terrestres. O animal tem uma cabeça chata com os olhos no topo, semelhante à de um crocodilo, e o início de um pescoço, o que não existe em peixes.

"Quando nós olhamos dentro da barbatana observamos um ombro, um cotovelo e uma versão inicial de um pulso, o que é muito similar a animais que também habitam a terra", afirmou Shubin.

"Essencialmente nós temos um animal feito para poder se sustentar no chão."

Os cientistas acreditam que a posição dos olhos da criatura significa que ela provavelmente viveu em águas rasas.

Um molde do fóssil será exibido no Museu da Ciência de Londres a partir desta quinta-feira.


fonte: BBC Brasil

Descoberta pirâmide em bairro da Cidade do México

Arqueólogos descobriram uma pirâmide de 1.500 anos enterrada sob uma colina em um dos subúrbios mais pobres e violentos da Cidade do México.

Os cientistas acreditam que ela tenha sido construída pelo mesmo povo ancestral responsável pelo complexo de Teotihuacan, que inclui as famosas pirâmides do Sol e da Lua.



Partes da estrutura estão bastante danificadas pois a colina vem sendo utilizada há décadas como palco de encenações da crucificação de Cristo durante a Semana Santa, que costumam contar com a presença de mais de 1 milhão de pessoas.

A pirâmide tem 18 metros de altura e cada um de seus quatro lados, 150 metros.

Ela foi abandonada em cerca de 800 d.C., quando aconteceu o colapso da cultura Teotihuacan.

"Quando os habitantes locais nos viram cavando, eles não acreditavam que pudesse existir uma pirâmide ali", disse o arqueologista Jesus Sanchez, que explora o local desde 2004.

"Eles acreditaram em nós apenas quando as formas e os pisos com altares foram encontrados."

"A maioria deles está orgulhosa e nos ajudou muito a proteger as relíquias."

A encenação popular da Paixão de Cristo teve início em 1833, para agradecer a uma suposta proteção divina durante um surto de cólera.

O local não deve ser totalmente explorado por ser atualmente considerado de importância religiosa, segundo Sanchez.

"Tanto a estrutura pré-hispânica como os rituais da Semana Santa são parte de nossa herança cultural, portanto temos que descobrir maneiras de protegê-los."



fonte: BBC Brasil

quarta-feira, 5 de abril de 2006




Dorme, meu amor, que o mundo já viu morrer mais
este dia e eu estou aqui, de guarda aos pesadelos.
Fecha os olhos agora e sossega o pior já passou
há muito tempo; e o vento amaciou; e a minha mão
desvia os passos do medo. Dorme, meu amor -

a morte está deitada sob o lençol da terra onde nasceste
e pode levantar-se como um pássaro assim que
adormeceres. Mas nada temas: as suas asas de sombra
não hão-de derrubar-me eu já morri muitas vezes
e é ainda da vida que tenho mais medo. Fecha os olhos

agora e sossega a porta está trancada; e os fantasmas
da casa que o jardim devorou andam perdidos
nas brumas que lancei ao caminho. Por isso, dorme,

meu amor, larga a tristeza à porta do meu corpo e
nada temas: eu já ouvi o silêncio, já vi a escuridão, já
olhei a morte debruçada nos espelhos e estou aqui,
de guarda aos pesadelos a noite é um poema
que conheço de cor e vou cantar-to até adormeceres.


Maria do Rosário Pedreira
Gustav Klimt
- "Mother and Child" [pintor austríaco, (1862-1918) - art nouveau]

Estudo mostra o que as mulheres procuram

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O velho ditado segundo o qual as mulheres buscam homens ricos parece estar ultrapassado depois que uma pesquisa divulgada na quarta-feira mostrou que as mulheres estão começando a colocar a aparência física acima da riqueza.

A mudança está acontecendo porque as mulheres ficaram livres das amarras que anteriormente ditavam como elas escolhiam um companheiro, conforme se tornam mais donas de suas próprias finanças, disse o estudo.

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"Estamos vendo que as mulheres que têm controle sobre suas finanças estão menos preocupadas com o status econômico dos seus companheiros em potencial e se interessam mais em quão atraentes eles possam ser", disse uma das autoras, Fhionna Moore, da Universidade de St. Andrews, da Escócia.

A descoberta, que será publicada na edição do Evolution and Human Behaviour, mostrou, no entanto, que as mulheres com níveis menores de independência financeira ainda tendem a priorizar o status financeiro de um homem sobre sua aparência.

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Moore descobriu que conforme muda o nível de "controle de recursos" de uma mulher, muda também suas preferências. "É o controle e a independência que o dinheiro traz, em vez do nível de renda absoluto, que aparenta ser a chave da variável", disse à Reuters.

Uma análise dos questionários devolvidos por 1.851 mulheres heterossexuais com idades entre 18 e 35 anos mostrou que as mulheres eram capazes de mudar suas atitudes relativamente rápido em reação às mudanças de seu status financeiro.

"Nós parecemos capazes de mudar nossas preferências em um curto período, o que sugere que fatores ambientais em vez de traços inerentes têm um grande impacto na escolha", disse ela. "As mulheres são mais rápidas em comportamento adaptável do que se pensava anteriormente", acrescentou Moore, que faz parte do departamento de psicologia da universidade.


n.r.: acho difícil criar um ideal masculino e também não rola um homem rico e mais ou menos feio ou mais ou menos grosseiro e também rico. Para qualquer relacionamento ter graça é primeiramente necessário atração, dos dois, homem e mulher, o resto todo mundo já sabe: os dois vão se conhecendo, continuam juntos e dura o quanto tiver de durar.

Mas acho que depende muito de aonde esse tipo de estudo é feito, acho que ainda há muitas mulheres procurando segurança e mais "independência" financeira através de um "bom e rico" marido. E vamos concordar com um aspecto da situação? É um velado "mútuo acordo".

Muito pessoalmente, prefiro três pobres à um rico.

V de Vingança

HQ original será relançada

A editora Panini pretende relançar, ainda neste mês, a HQ de "V de Vingança" em edição única, com 304 páginas, por R$ 39,90.

Com texto de Alan Moore e arte de David Lloyd, a "graphic novel" foi publicada originalmente entre 1982 e 1985 na revista inglesa de quadrinhos alternativos "Warrior", onde não chegou a ser finalizada. Em 1988, Moore e Lloyd retomaram e concluíram a série na norte-americana DC Comics.

Inspirada pelo cenário político da época ("Havia uma espécie de eixo Reagan/ Thatcher, parecia que a sociedade ocidental estava mudando para pior", disse Moore) e misturando referências literárias ("1984", de Orwell, "Fahrenheit 451", de Bradbury), dos quadrinhos ("O Sombra", "Judge Dredd") e das artes (Shakespeare, Max Ernst), a dupla criou um intrincado libelo contra o totalitarismo.

Na história, um mascarado de passado misterioso e inclinação anarquista luta contra o governo fascista que se instalou na (então) Inglaterra futurística de 1997, após a guerra nuclear.

"V" já havia sido publicada no Brasil em 1989, em cinco edições, pela editora Globo. Depois, foi republicada pela Via Lettera.

Homenagem à Carequinha


"Ai, ai, ai, carrapato não tem pai"


Faleceu hoje, no Rio de Janeiro, com 90 anos e em atividade, o palhaço Carequinha. Carequinha faz parte da infância da minha geração, adorava quando ele escondia a cara na imensa gola que movimentava para cima e para baixo. Aos 90 anos, Carequinha não era idoso, Carequinha era palhaço. É estranho falar de sentimentos de criança por um grande artista, então abro esse espaço para publicar o que foi escrito hoje a respeito do "maior palhaço do mundo".

George Savalla Gomes nasceu a 18 de julho de 1915 na cidade de Rio Bonito, no interior do Estado do Rio de Janeiro. Filho do casal de trapezistas Elisa Savalla e Lázaro Gomes, sua mãe teve as dores do parto em cena e ele nasceu ali mesmo, no Circo Peruano, de propriedade de seu avô, José Rosa Savalla. O pai morreu quando ele tinha dois anos e foi o segundo marido da mãe, Ozório Portilho, que o levou ao picadeiro pela primeira vez quando tinha cinco anos e lhe deu o nome artístico. Colocou nele uma peruca de careca e lhe disse que, daquele dia em diante, seria o palhaço Carequinha.

Carequinha cresceu nos picadeiros do Circo Peruano e em outros, como o Circo Ocidental, do padastro, até chegar ao Circo Alemão Sarrazani, no Rio de Janeiro, em 1951. No Sarrazani ele fazia papel de palhaço na primeira parte do espetáculo e de galã na segunda parte, quando eram encenadas peças de teatro. Um dos atores era um alfaiate, Fred Vilar, que fazia o palhaço Fred e viria a ser seu companheiro fiel de palco.

Em busca de outros públicos, Carequinha levou seu show para fora dos picadeiros, apresentando-se em aniversários e clubes, além de representar o Brasil quatro vezes no exterior. Ele venceu um concurso da Itália do palhaço mais moderno do mundo, representando o Brasil no 1º Festival Internacional de Clowns. Ele foi o primeiro palhaço da televisão brasileira, entrando para a TV Tupi em 1951, o ano seguinte à inauguração da emissora, a primeira do país. Lé ele fez o Circo Brombril que ficou 16 anos no ar.

Ele gravou 26 discos e suas músicas eram muito populares entre as crianças em tempos mais inocentes que os atuais. Sua primeira gravação ocorreu em 1957, a marcha de Miguel Gustavo "Fanzoca so rádio", que fez bastante sucesso. Ele teve grandes êxitos como "O bom menino" ("o bom menino não faz xixi na cama, o bom menino não faz malcriação..."), "A marcha do carrapato" ("ai, ai, ai, carrapato não tem pai..."), "Parabéns parabéns" e cancões de roda tradicionais como "Escravos de Jó", "Ciranda cirandinha", "Carneirinho carneirão" e "O cravo brigou com a rosa".

Nos anos 80, apresentou um programa infantil na TV Manchete, até ser tirado do ae para que entrasse o programa da Xuxa, que começou naquela emissora sua carreira artística. Ele se apresentou para vários presidentes brasileiros, entre eles Getúlio Vargas e Juscelino Kubstchek, além de ser condecorado pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.

Carequinha estava radicado em São Gonçalo há mais de 60 anos. Ele teve cinco filhos e pelo menos sete netos e bisnetos. Mas a tradição da família acabou com ele. Ninguém quis seguir a carreira de palhaço.

Recentemente, ele havia se emocionado com a história do ex-menino do tráfico que quer ser palhaço, mostrado no documentário Falcão, Meninos do Tráfico, exibido no Fantástico. Beto Carrero, inclusive, havia contactado Carequinha para dar aulas de circo para que o rapaz, hoje cumprindo pena, pudesse, no futuro, trabalhar em seu circo.

George Savalla Gomes, o palhaço Carequinha, de 90 anos, morreu na manhã desta quarta-feira na sua residência, em São Gonçalo. Carequinha sentiu-se mal de madrugada, reclamando de falta de ar e dores no peito. Foi medicado na sua residência e seria internado para exames no Hospital das Clínicas, que fica em frente à sua casa, mas não resistiu.


fonte: Globo Online

terça-feira, 4 de abril de 2006

"Jardim do Solar" - Museu da Casa Brasileira, SP

Há muito muito tempo atrás, uma cidade brasileira crescia rapidamente. Na virada do século 19 (1895) para o século 20, sua população de 130 mil habitantes da qual 71 mil eram estrangeiros chegou a 239 mil e 200 habitantes em 1900. Surgiam as primeiras linhas de bonde, os reservatórios de água e a iluminação à gás. As ruas e avenidas eram arborizadas, arejadas e circundadas por palacetes de grandes cafeicultores, a elite paulistana.

Foi uma época que a maioria de nós só conheceu através de livros ou pela boca de nossos avós e bisavós, mas graças à manutenção de poucas construções antigas e à preservação de vários documentos fotográficos mantém viva a memória verde de uma cidade que podemos desfrutar muitos anos depois.

Jardim do Solar é a exposição que apresenta o jardim do Museu da Casa Brasileira (MCB), como um acervo vivo e um dos últimos espaços verdes remanescentes que ilustram hábitos de moradia da elite paulistana, entre o final do século 19 e a 2ª Grande Guerra.



A mostra consiste de painéis instalados no próprio jardim, que recuperam um pouco da história desse espaço verde nascido como parte integrante do solar do casal Fábio e Renata Prado, em 1945, no contexto das mudanças de costumes que tiveram lugar na capital, a partir do final do século 19. Também convida a um passeio pelo bosque, ao apresentar individualmente 30 árvores.

A curadoria da exposição é do arquiteto e historiador Guilherme Mazza Dourado. A mostra será usada para desenvolver programas de educação ambiental com escolares e integra uma ação de revitalização do jardim, realizada com a colaboração da Associação Nacional de Paisagismo (ANP) e da Associação Brasileira de Arquitetos Paisagistas (Abap).


Jardim do Solar
» Onde: Museu da Casa Brasileira
Av. Brigadeiro Faria Lima, 2750
» Quando: de 2/4 a 2/7.
Terça a domingo, das 10h às 18h
» Informações: tel.(11)3032-3727 e 3032-2564


fonte: MCB e DPH - A Cidade de São Paulo

Portugal vai criar museu dedicado à arte do século 20

Portugal vai criar um grande museu dedicado à arte do século 20, depois que o governo fechou um acordo com um magnata na segunda-feira para permitir que obras de artistas como Pablo Picasso, Andy Warhol e Salvador Dalí sejam exibidas.

O acordo entre o governo socialista português e o magnata Joe Berardo permitirá que a maior coleção de arte moderna e contemporânea do país, quase 900 obras ao todo, seja colocada em exibição no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

Obras de Jeff Koons, Joan Miró e Francis Bacon estarão entre os trabalhos exibidos no que o governo diz que será uma das melhores coleções de arte moderna do mundo, já que incluirá peças de todos os principais movimentos artísticos do período.

"Se não plantamos sementes para ter algo grandioso, nós não teremos nem mesmo coisas pequenas. Gostaria de tornar este em um dos melhores museus do mundo", disse Berardo na cerimônia que selou o acordo, que contou com a presença do primeiro-ministro, José Socrates.

A ministra da Cultura, Isabel Pires de Lima, disse que o novo museu, que deve abrir as portas até o final do ano, era um grande passo para a promoção do turismo em Portugal.

O acordo foi conseguido após uma década de negociações entre Berardo e o governo português sobre a disposição de sua coleção de arte, que hoje está espalhada em vários locais em Portugal. Algumas obras estão em depósitos.

No ano passado, Berardo chegou a ameaçar levar sua coleção para a França. A mídia também disse que a Itália e Miami haviam oferecido locais para acolher suas obras.

A coleção tem cerca de 4.000 peças, mas há muitas moedas, porcelanas, livros e outros itens que não são do século 20.

Segundo o acordo de dez anos, o governo terá primazia para comprar a coleção. Berardo e o governo português também vão contribuir cada um com 500 mil euros por ano para a obtenção de novas peças.

O magnata Berardo, nascido na Ilha da Madeira, começou a vida vendendo frutas na África do Sul e fez fortuna com a mineração. Seus negócios abrangem indústrias, vinhedos, hotéis e bancos.


segunda-feira, 3 de abril de 2006

Copiando e colando em Blogspot

Este post foi copiadíssimo do Périplus Weblog que saiu hoje com novidades acontecendo para quem vive ou vai passar por Sampa, ai ai...

Em bom português: sou uma carioca desconsolada. Mas esqueçam as queixas usuais que faço com meus botões e prestem atenção à publicação que saiu no blogue da Adriana Paiva logo ali abaixo, e façam o favor de seguir o caminho dos links.


Na quinta-feira que vem (6), a partir das 19h, vai rolar na Casa das Rosas a segunda edição da leitura "Corpo a Corpo com a Poesia" , evento idealizado pelo poeta Ricardo Domeneck -- autor de Carta aos Anfíbios (2005) .

A jornalista gaúcha radicada em São Paulo, Angélica Freitas ( vizinha do Tome uma Xícara de Chá ) , participou da primeira edição da leitura em fevereiro passado e no momento dedica-se ao seu livro de estréia ( 'Rilke Shake' - Cosac Naify + Editora 7 Letras ) , que tem lançamento previsto para o segundo semestre . Angélica também tem textos na antologia "Cuatro Poetas Recientes de Brasil" (Black & Vermelho - Argentina), que será lançada no final de abril, na " 32ª Feria Internacional del Libro de Buenos Aires " .

A serenata


Uma noite de lua pálida e gerânios
ele viria com boca e mãos incríveis
tocar flauta no jardim.
Estou no começo do meu desespero
e só vejo dois caminhos:
ou viro doida ou santa.
Eu que rejeito e exprobro
o que não for natural como sangue e veias
descubro que estou chorando todo dia,
os cabelos entristecidos,
a pele assaltada de indecisão.
Quando ele vier, porque é certo que vem,
de que modo vou chegar ao balcão sem juventude?
A lua, os gerânios e ele serão os mesmos
— só a mulher entre as coisas envelhece.
De que modo vou abrir a janela, se não for doida?
Como a fecharei, se não for santa?



Adélia Prado
Giovanni Bellini
- "Young woman at her toilette", 1515
[pintor italiano (1426-1516), renascimento - 1ª fase]

"Orson Welles" por Andre Bazin

Com algumas décadas de atraso, chega ao Brasil o livro "Orson Welles" de Andre Bazin que inaugurou estudos sobre o cineasta americano.

Andre Bazin é o fundador da revista "Cahiers du cinéma" (1951), que reabilitava o cinema americano dando envergadura autoral a alguns de seus diretores. A matéria é parte do site "Revista EntreLivros" e tem autoria de Alexandre Agabiti Fernandez, que descreve aqui passagens interessantes do livro, dando a nós a idéia de que há muito mais coisas por descobrir, além de um longo prefácio escrito por Truffaut em 1978 para a edição americana.

Entre outros aspectos, Andre Bazin analisa minuciosamente o papel das técnicas empregadas pelo cineasta americano, como o uso da lente grande-angular, que oferece um campo visual maior, com mais profundidade de campo; os enquadramentos em câmera baixa; os cenários com teto; os longos planos-seqüência; a relação direta entre atores e cenário. A discussão desses procedimentos que dão corpo à Mise-enscène - muitos deles praticados no período do cinema mudo e colocados de lado com o advento do filme sonoro - deixa claro que "a técnica não é apenas uma outra maneira de pôr em cena, ela põe em causa a própria natureza da narrativa", intuição que mudou o modo de pensar o cinema.

A partir desse conjunto de idéias, Bazin analisou aspectos de outros expoentes do cinema moderno, como o neo-realismo italiano, filmes de Jean Renoir, Roberto Rossellini, Jacques Tati, Akira Kurosawa, Luis Buñuel. E sem dúvida alguma nutriu o cinema de Jean-Luc Godard, que não viveu para conhecer, talvez o que mais abertamente cultiva a dúvida e a multiplicidade de sentidos, o mais radicalmente moderno no sentido baziniano.


ANDRE BAZIN

nasceu em Angers, na França, em 1918. Teórico e crítico de cinema, fundou o Cahiers do cinéma, em 1951, ao lado de Jacques Doniol-Valcroze e Lo Duca. Um dos pensadores da nouvelle vague, era amigo pessoal de cineastas como Godard, Truffaut, Bresson, Buñuel, Carné e Cocteau. Morreu em 1958.


sexta-feira, 31 de março de 2006



Desperta-me de noite
O teu desejo
Na vaga dos teus dedos
Com que vergas
O sono em que me deito

É rede a tua língua
Em sua teia
É vício as palavras
Com que falas

A trégua
A entrega
O disfarce

E lembras os meus ombros
Docemente
Na dobra do lençol que desfazes

Desperta-me de noite
Com o teu corpo
Tiras-me do sono
Onde resvalo

E eu pouco a pouco
Vou repelindo a noite
E tu dentro de mim
Vai descobrindo vales.


Maria Teresa Horta
Tiziano -
"Violante (La Bella Gatta)"


Dia


As galinhas com susto abrem o bico
e param daquele jeito imóvel
- ia dizer imoral -
as barbelas e as cristas envermelhadas,
só as artérias palpitando no pescoço.
Uma mulher espantada com sexo:
mas gostando muito.


Adélia Prado
Tiziano -
"Flora", 1515 - [Titian - pintor italiano (1485-1576), alta renascença]

Overmundo

O que é e como funciona

O Overmundo é um website colaborativo, que é construído através da sua participação. Ele é feito para mostrar as culturas de todo o Brasil, inclusive aquelas que não costumam aparecer habitualmente na grande mídia nacional.

A sua participação é o motor do Overmundo. Basta se cadastrar, para poder participar da construção do site. Uma vez que você tenha realizado o seu cadastro, você poderá:

a) Escrever textos e realizar entrevistas para serem publicados no Overmundo.

b) Disponibilizar suas criações, como fotos, músicas, filmes, textos etc.

c) Colocar itens na agenda de festas e eventos de todo o país.

d) Construir o guia da sua própria cidade, com dicas, lugares, festivais, festas e outras atividades.

e) Votar nas matérias que mais gostou, contribuindo para que elas ganhem destaque no site.

f) Comentar os textos, dicas e conteúdos do site, contribuindo para complementar as informações de outros usuários.

Além disso, nem é preciso dizer que você pode ler, ouvir, assistir e explorar tudo no site e para tanto não é preciso estar cadastrado.

O Overmundo funciona como um canal para revelar novas visões sobre a cultura do Brasil. Nele, a edição é colaborativa: cabe à própria comunidade de usuários decidir o que será incluído no site e dar destaque para os conteúdos mais legais. No Overmundo, o seu voto de "Gostei!" vale Overpontos, que fazem com que os conteúdos ganhem cada vez mais destaque. Os conteúdos em destaque na página principal do site são aqueles escolhidos pelo seu voto.

A bola do Overmundo é portanto de todos, o site só funciona com a sua participação. Quanto mais gente participar, tudo ficará melhor. Não é por acaso que o Overmundo adota uma licença chamada Creative Commons, que permite e pede o compartilhamento de tudo que está postado no site. Por isso, leia, escreva, compartilhe, comente, vote, dialogue e mostre todo o poder colaborativo desencadeado pela internet.


Arqueólogos descobrem pátio do decorador da única mulher faraó

Uma equipe de arqueólogos descobriu o pátio do decorador dos templos da rainha Hatchepsut (1482-1502 a.C.), que pertenceu à dinastia faraônica, na cidade monumental de Luxor, cerca de 720 quilômetros ao sul do Cairo.

O ministro de Cultura do Egito, Farouk Hosni, disse, em comunicado divulgado pelo Conselho Supremo de Antigüidades (CSA), que o pátio pertence ao decorador Gahuty e foi descoberto junto à tumba dele na região de Zeraa Abul Naga, na margem oeste do rio Nilo.

O átrio, construído com blocos de adobe (argila seca), servia para apresentar oferendas para as divindades faraônicas e como local de descanso para os visitantes do túmulo, disse o egiptólogo Zahi Hawas, secretário-geral do CSA.

"Este é um dos maiores pátios de tumbas descobertos até agora em Luxor, já que tem 34 metros de comprimento", declarou Hawas. O pesquisador afirmou que as paredes da instalação possuem imagens esculpidas que ilustram ritos religiosos praticados na época de Hatchepsut, a única mulher faraó.

O egiptólogo também disse que próximo da cripta, no túmulo de "Hora", o chefe dos moinhos do faraó Amenofis I (1525-1545 a.C.), os arqueólogos encontraram um conjunto de vasilhas de cerâmica.

Por último, o chefe de arqueologia de Luxor, o egiptólogo Ali Asfar, disse à EFE que os analistas, que trabalhavam na zona há pouco mais de três anos, darão prosseguimento às escavações nas duas tumbas para descobrir todos os detalhes do trabalhos realizados pelos dois funcionários dos reis Harchepsut e Amenofis I.

quinta-feira, 30 de março de 2006


Crescimento


Hoje faço oito anos
e aproveito pra ser terrível
enquanto posso matar pássaros,
ou afogar gatinhos.
Depois, vão proibir minhas maldades
e me restringir
aos filmes de guerra.


Leila Míccolis
Portinari -
1935, "Futebol"

"South Park" e a seita dos famosos de Hollywood

South Park se vinga de Isaac Hayes e mata Chef

Os criadores do desenho South Park se vingaram do cantor Isaac Hayes, que abandonou o seriado e deixou de fazer a voz de Chef, matando seu personagem de forma cruel após transformá-lo em um pedófilo.

Hayes, um membro da Cientologia, abandonou o seriado em protesto contra um episódio que satirizava a seita. Ele participava de South Park desde seu início, em 1997.

O novo episódio, o primeiro da 10ª série, foi exibido na quarta-feira nos Estados Unidos e mostra Chef recebendo uma lavagem cerebral do “Super Clube de Aventuras” – uma referência velada à Cientologia.

Hayes não participou do episódio. Suas falas foram aparentemente coladas a partir de gravações antigas.

Ao anunciar sua saída do seriado, Hayes disse que o fazia por causa de sua “intolerância e inveja para as crenças religiosas”.

Mas o co-criador Matt Stone disse: “Em dez anos e mais de 150 episódios de South Park, Isaac nunca teve problemas com o seriado por fazer piada com cristãos, muçulmanos, mórmons ou judeus”.

“Ele teve um súbito caso de sensibilidade religiosa quando era sua religião retratada no desenho”, disse ele.

Após a saída de Hayes, a rede de TV americana Comedy Central suspendeu o episódio original, que satirizava mais diretamente a seita e Tom Cruise, também membro da Cientologia.

O incidente levou a boatos de que Cruise teria exigido a suspensão do episódio, o que foi negado por seus agentes.


Beaufort 2006 - Bélgica

A cada três anos, na costa Flamenga é realizada uma mostra de arte onde artistas plásticos de todo o mundo deixam 10 municípios ao longo da costa marcados por seus trabalhos. É a "Beaufort 2006", "Beaufort Inside - Beauford Outside". Sua última edição foi a "2003 Beaufort, art by the sea".


Manada de elefantes que parece caminhar em direção ao mar é uma das obras da trienal de arte de Beaufort, que acontece na costa da Bélgica.

fonte: UOL - Imagens do dia
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