
Com algumas décadas de atraso, chega ao Brasil o livro "Orson Welles" de Andre Bazin que inaugurou estudos sobre o cineasta americano.
Andre Bazin é o fundador da revista "Cahiers du cinéma" (1951), que reabilitava o cinema americano dando envergadura autoral a alguns de seus diretores. A matéria é parte do site "Revista EntreLivros" e tem autoria de Alexandre Agabiti Fernandez, que descreve aqui passagens interessantes do livro, dando a nós a idéia de que há muito mais coisas por descobrir, além de um longo prefácio escrito por Truffaut em 1978 para a edição americana.
Entre outros aspectos, Andre Bazin analisa minuciosamente o papel das técnicas empregadas pelo cineasta americano, como o uso da lente grande-angular, que oferece um campo visual maior, com mais profundidade de campo; os enquadramentos em câmera baixa; os cenários com teto; os longos planos-seqüência; a relação direta entre atores e cenário. A discussão desses procedimentos que dão corpo à Mise-enscène - muitos deles praticados no período do cinema mudo e colocados de lado com o advento do filme sonoro - deixa claro que "a técnica não é apenas uma outra maneira de pôr em cena, ela põe em causa a própria natureza da narrativa", intuição que mudou o modo de pensar o cinema.
A partir desse conjunto de idéias, Bazin analisou aspectos de outros expoentes do cinema moderno, como o neo-realismo italiano, filmes de Jean Renoir, Roberto Rossellini, Jacques Tati, Akira Kurosawa, Luis Buñuel. E sem dúvida alguma nutriu o cinema de Jean-Luc Godard, que não viveu para conhecer, talvez o que mais abertamente cultiva a dúvida e a multiplicidade de sentidos, o mais radicalmente moderno no sentido baziniano.
Andre Bazin é o fundador da revista "Cahiers du cinéma" (1951), que reabilitava o cinema americano dando envergadura autoral a alguns de seus diretores. A matéria é parte do site "Revista EntreLivros" e tem autoria de Alexandre Agabiti Fernandez, que descreve aqui passagens interessantes do livro, dando a nós a idéia de que há muito mais coisas por descobrir, além de um longo prefácio escrito por Truffaut em 1978 para a edição americana.
Entre outros aspectos, Andre Bazin analisa minuciosamente o papel das técnicas empregadas pelo cineasta americano, como o uso da lente grande-angular, que oferece um campo visual maior, com mais profundidade de campo; os enquadramentos em câmera baixa; os cenários com teto; os longos planos-seqüência; a relação direta entre atores e cenário. A discussão desses procedimentos que dão corpo à Mise-enscène - muitos deles praticados no período do cinema mudo e colocados de lado com o advento do filme sonoro - deixa claro que "a técnica não é apenas uma outra maneira de pôr em cena, ela põe em causa a própria natureza da narrativa", intuição que mudou o modo de pensar o cinema.
A partir desse conjunto de idéias, Bazin analisou aspectos de outros expoentes do cinema moderno, como o neo-realismo italiano, filmes de Jean Renoir, Roberto Rossellini, Jacques Tati, Akira Kurosawa, Luis Buñuel. E sem dúvida alguma nutriu o cinema de Jean-Luc Godard, que não viveu para conhecer, talvez o que mais abertamente cultiva a dúvida e a multiplicidade de sentidos, o mais radicalmente moderno no sentido baziniano.
ANDRE BAZIN
nasceu em Angers, na França, em 1918. Teórico e crítico de cinema, fundou o Cahiers do cinéma, em 1951, ao lado de Jacques Doniol-Valcroze e Lo Duca. Um dos pensadores da nouvelle vague, era amigo pessoal de cineastas como Godard, Truffaut, Bresson, Buñuel, Carné e Cocteau. Morreu em 1958.






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