sábado, 8 de junho de 2013

Um Rio de serviços ruins

por Gilberto Scofield Jr.


Voltei ao Rio em janeiro depois de nove anos entre as cidades de Pequim, Washington D.C. e São Paulo — nesta última morei três anos — e o tal do distanciamento crítico impôs uma pergunta que me faço todos os dias, desde que botei os pés aqui: por que diabos os serviços são tão ruins no Rio?

É certo que a qualidade dos serviços nunca foi exatamente uma maravilha. Mas, diante dos preços cobrados aos cariocas hoje, esta deficiência se transformou num deboche e numa irritação. Os serviços no Rio são caríssimos e inexplicavelmente ordinários.

Restaurantes cujos garçons não conseguem descrever um prato, bares onde é preciso ser Denise Stoklos para se fazer notar, casas de show incapazes de começar um espetáculo na hora, táxis com motoristas que perguntam antes para onde vai o cliente, balcões de informações com gente que não sabe nada, ônibus que são máquinas de matar, caixas de banco pouco solícitos, caixas de supermercado que jogam suas compras, vendedores de lojas que discriminam, hospitais com técnicos em enfermagem rabugentos.

No Rio, tudo parece tocado pela incompetência ou pela falta de qualidade. Ou os dois juntos. Dia desses, peguei um táxi com o motorista ouvindo um programa religioso. Aos berros. Peço gentilmente ao sujeito que abaixe um pouco o som. E ele: “Mais um sem Jesus no coração”. E eu : “Ele não está no meu coração porque está preso no meu tímpano. O senhor pode baixar o som, por favor?”. Ele abaixou uma coisa ínfima e foi resmungando até chegar ao destino.

No Jobi, o garçom pede uma cadeira vazia na mesa ao lado, ocupada por uma solitária mulher. A ocupante disse que esperava uma amiga, que já estava chegando, mas o garçom garantiu que não tinha problemas, que ele arrumaria outra cadeira. Quando a amiga chegou, a mulher chamou o garçom, mas ele disse que não podia fazer nada. Diante de reclamações indignadas, o garçom apontou a fila na porta: “Se você quiser ir embora, não tem problema. Tem um monte de gente querendo entrar”.

Um amigo vem sofrendo para agendar a entrega de uma estante nova e o conserto da TV a cabo porque as empresas marcam o dia, mas não se comprometem com horário, como se o sujeito tivesse um dia inteiro à disposição.

E há a falta de gentileza. Há coisa de duas semanas, fui à Chocolates Katz do Rio Sul, de que gosto muito, e enquanto bebericava um expresso (R$ 3,80) pedi para provar um cubinho de chocolate extra amargo. Uma delícia. Pedi cem gramas, um potinho de biscoito wafer coberto e a conta. E a atendente: “Vou cobrar seis gramas para incluir o chocolate que o senhor comeu”. Como assim? A prova? Mas se não fosse ela eu não gastaria R$ 35,34 em chocolate!

Um amigo foi ao Cafeína e precisou usar o laptop. Descobriu que a bateria estava acabando e chamou a garçonete: “Você teria uma tomada para eu ligar o meu computador?” E a menina: “Temos, mas o gerente diz que cliente não pode usar".

Há quem explique essa vagabundagem nos serviços apelando para a História. O Rio sempre padeceu de bons serviços para a população porque sempre foi uma cidade dividida desde a Colônia. Para a elite — os senhores de engenho, a corte, os nobres, os governantes da capital, o topo do funcionalismo, os ricos —, tudo. Para os outros, a resignação. Quem mandou não ser “alguém”? Quem mandou não ter “conexões”? Ou seja: se você frequenta o lugar, é um rei. Se não frequenta, que se vire.

Eu prefiro acreditar nos mais pragmáticos: falta investir em treinamento. O que parece é que uma economia turbinada pelo consumo e por programas de redistribuição de renda saiu contratando quem estivesse disponível para trabalhar. E essa mão de obra simplesmente não foi (não é) treinada adequadamente. Só isso explica um cidadão ir a uma região administrativa da prefeitura e ouvir ali que “é mais fácil ligar para o 1746”.

Uma terceira corrente vê passividade nos cariocas. Para essa gente, o carioca não reivindica e não reclama. Uma cidade cheia de belezas naturais parece ser o suficiente e desculpar todas as falhas. Desde que a cerveja esteja gelada, tudo bem que a mesa é bamba e a cadeira, de plástico.

Está mais do que na hora de mudar isso, não?







n.e.: Esta semana ainda reclamei de um sanduíche que demorava muito e recebi a mal humorada resposta: - tem que esperar, tá saindo (sic). Eu reclamo, mas sou das poucas, o carioca não se importa com nada. Está tudo péssimo e está tudo bem. Sou obrigada a andar de ônibus e rezo, pra não cair dentro dele e chegar bem em casa, é sempre uma aventura estressante. E sendo assim... imagina na Copa.


fonte:O Globo - Panorama Carioca

quarta-feira, 5 de junho de 2013

I Chooose

Se você mora em Viseu (Portugal) e arredores, dê uma passadinha na Chooose, lá você encontra Susana Gateira, Poko Pano, Companhia Marítima, Havaianas, Asics e muito mais. Moda praia, roupa esportiva e também tem um ginásio para colocar o corpitcho em dia. Procure pela Rogéria ou Lígia, duas meninas simpaticíssimas que lhe atenderão com prazer.













A Chooose fica na Urbanização Quinta da Saudade, Avenida Dr. Alexandre Alves nº45 - Viseu. A subir do Palácio do Gelo, a seguir a primeira rotunda, nos prédios entre o BPI e o Santander à esquerda, a Chooose fica entre a Coziform e a loja da Meo, entrada para o edificio INEMPI.



terça-feira, 4 de junho de 2013

Abre o olho!







Fabinho, interesseiro e dissimulado, usa o fato de ter vivido num lar de crianças órfãs como artifício para parecer um cara amigo, boa gente e cheio de boas intenções. Personagem comum no nosso dia-a-dia, é um puxador de tapetes e quem o conhece verdadeiramente, de outros tempos, é aniquilado com suas intrigas com a clara intenção de que não atrapalhem seus objetivos. Alguns, que mesmo que não o conheçam há muito tempo, são capazes de enxergar sua fraqueza de caráter e outros, que necessitam sobreviver a base de bajulações, são suas vítimas. Gosto muito quando alguém se lembra de colocar esse tipo de personagem numa novela, mais real impossível, serve para abrir os olhos dos incautos.




fonte:Novela Sangue Bom

segunda-feira, 3 de junho de 2013

Boa semana!



Resolução de início de semana.


quarta-feira, 29 de maio de 2013

A Adiada Enchente






Velho, não.
Entardecido, talvez.
Antigo, sim.

Me tornei antigo
porque a vida,
tantas vezes, se demorou.
E eu a esperei
como um rio aguarda a cheia.


Mia Couto - Prêmio Camões 2013


n.e.: Volto ao blog na 2a feira


terça-feira, 28 de maio de 2013

Tratar de ser feliz






fonte:Tati Bernardi é escritora, roteirista e publicitária

segunda-feira, 27 de maio de 2013

Xô!





domingo, 26 de maio de 2013

Cute que se farta




Ah, se eu pudesse materializar a imagem...


Eu surto com essas coisas



Estou eu, lendo tranquilamente meu jornal hoje e meus olhinhos não acreditam naquilo que lêem, o título da matéria do O Globo é "Rio terá sinalização especial para megaeventos", mas o que fez meus olhinhos saltarem das órbitas foi a notícia do subtítulo, "Informações também para os moradores da cidade". Segue abaixo a notícia que me deixou perplexa.

"O secretário municipal de Turismo, Antônio Pedro Figueira de Mello, acrescentou que a sinalização também vai ajudar a orientar os moradores da cidade. Isso porque parte do material indicará horários de jogos da Copa das Confederações e a agendas da Jornada da Juventude, além de fazer recomendações para que o carioca evite o transporte público em determinados períodos. Em Londres, a campanha ajudou a evitar o caos no metrô durante as Olimpíadas de 2012. Parte do material estimulava, por exemplo, os britânicos a caminharem para queimar calorias."






Concluindo, a cidade não tem condições de receber eventos de grande porte e a solução é que cariocas andem a pé, ficando os turistas com o transporte público, andar a pé é bom para queimar calorias, conforme indicado aos britânicos nas Olimpíadas de 2012. Mas eu acho que o Secretário Municipal de Turismo gostaria mesmo é que todos nós ficássemos em casa, isso sim o deixaria tranquilo e feliz.


fonte: O Globo - Rio terá sinalização especial para megaeventos

quinta-feira, 23 de maio de 2013

Sambô



Que eu sou vidrada em música, acho que todo mundo sabe, que eu curto gêneros musicais diversos, acho também que todo mundo sabe. Mas que estou fascinada pelo Sambô é praticamente uma novidade, não é? Espero, caso contrário fica taxada aqui a minha transparência.

Encontrei o DVD completo no Utube, divirtam-se!





quarta-feira, 22 de maio de 2013

O Laço e O Abraço






Meu Deus! Como é engraçado!
Eu nunca tinha reparado como é curioso um laço... uma fita dando voltas.
Enrosca-se, mas não se embola, vira, revira, circula e pronto: está dado o laço.
É assim que é o abraço: coração com coração, tudo isso cercado de braço.
É assim que é o laço: um abraço no presente, no cabelo, no vestido, em qualquer coisa onde o faço.
E quando puxo uma ponta, o que é que acontece?
Vai escorregando... devagarzinho, desmancha, desfaz o abraço.
Solta o presente, o cabelo, fica solto no vestido.
E, na fita, que curioso, não faltou nem um pedaço.
Ah! Então, é assim o amor, a amizade.
Tudo que é sentimento. Como um pedaço de fita.
Enrosca, segura um pouquinho, mas pode se desfazer a qualquer hora, deixando livre as duas bandas do laço. Por isso é que se diz: laço afetivo, laço de amizade.
E quando alguém briga, então se diz: romperam-se os laços.
E saem as duas partes, igual meus pedaços de fita, sem perder nenhum pedaço.
Então o amor e a amizade são isso...
Não prendem, não escravizam, não apertam, não sufocam.
Porque quando vira nó, já deixou de ser um laço.




Mario Quintana

Uma pergunta



O que leva uma pessoa a inventar coisas sobre outra? Qual o motivo da maledicência?

terça-feira, 21 de maio de 2013

Bora desejar!





Que tal abrir a porta do dia, dia
Entrar sem pedir licença
Sem parar pra pensar
Pensar em nada...

Legal ficar sorrindo à toa, toa
Sorrir pra qualquer pessoa
Andar sem rumo na rua

Pra viver e pra ver
Não é preciso muito
Atenção, a lição
Está em cada gesto
Tá no mar, tá no ar
No brilho dos seus olhos
Eu não quero tudo de uma vez
Eu só tenho um simples desejo

Hoje eu só quero que o dia termine bem


segunda-feira, 20 de maio de 2013

Reflexo





Não tenho a menor dúvida disso, como tratamos os outros é um reflexo da nossa vida. Todos temos problemas, mas como os encaramos refletirá aquilo que somos, pessoas amargas com sua própria vida em algum momento jogarão suas frustações em cima do outro, e percebemos isso na nossa convivência diária com um cem número de pessoas. Ser magoado e em reação magoar outra pessoa não é uma boa maneira de estar na vida. Por que algumas são sempre tão gentis e outras não? A resposta está dentro de você.

foto: PsicOnlineBrasil

domingo, 19 de maio de 2013

Eu disse que não me importaria mais...

mas é difícil!



Li hoje na coluna do Ancelmo Gois:

Paes aperta o cerco
Cláudio Ferraz, o delegado que coordena a área de transporte complementar do Rio, anuncia amanhã novas áreas da cidade onde vai ser proibida a circulação de vans.
A partir de sábado, vias como Linha Amarela, Estrada Grajaú-Jacarepaguá, Estrada de Furnas, no Alto da Boa Vista, e Túnel da Grota Funda serão interditadas às vans.

Tem mais...
Agora, Flamengo, Glória e Catete também estão entre os bairros onde vans não entrarão.

Eu não ando de van, mas em algumas localidades do Rio de Janeiro, a van, que seria o transporte alternativo, é o único existente para atender às necessidades da população. E o Sr. Prefeito, me parece, está se lixando para a vida de uma centenas de famílias, já que um belo dia, no passado recente, ele autoriza a circulação de vans pela cidade e num outro belo dia, ele decide que não quer mais. Agora imaginem aquele cidadão que empenhou suas economias para virar um empresário e que num dia acorda e percebe que jogou suas economias no lixo, já que não terá alternativas. Ninguém vai comprar um veículo que não pode circular pela cidade, porque a cada dia é uma surpresa, o Sr.Prefeito decide, de rompante, que elas não poderão circular nos lugares onde antes podiam. E daí que várias pessoas fiquem desempregadas e sem um meio de sustento? Somos todos palhaços mesmo...


fonte:Ancelmo Gois

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Bom djia, djia!

Se joga que hoje é sexta!


quinta-feira, 16 de maio de 2013

Novo método para conseguir votos:

Afague meu ego





O jeito de falar do carioca, com todos seus nuances, seu ritmo, o X no lugar do S, é motivo de orgulho para quem nasceu aqui e faz questão de quando encontra um paulista puxar mais ainda o sotaque. Afinal, no Teatro e na música é o sotaque carioca o oficial do Brasil.

Pois agora o sotaque carioca pode se tornar Patrimônio Cultural de Natureza Imaterial da Cidade do Rio de Janeiro. É o que prevê projeto de lei apresentado pelo vereador Cesar Maia (Democratas) à Câmara dos Vereadores.

Nas justificativas Maia destaca que o sotaque carioca é parte integrante fundamental da identidade dos moradores do Rio de Janeiro. O carioca aprecia o seu próprio sotaque. Sendo assim, a pronúncia dos cariocas têm caráter e importância local e global.

n.e.: O Rio de Janeiro está bem servido com os Vereadores que tem, ninguém sabia que o sotaque carioca é parte integrante da identidade dos cidadãos que nela vivem e nasceram. Este tipo de projeto de lei é realmente tudo o que faltava pra cidade, vai que um gringo aprende o carioquês e leva embora com ele.


fonte e texto:Diário do Rio

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Palavra de ordem: Agir



Ultimamente os jornais na TV tem nos passado notícias, através de vídeos, de agressões nas escolas. Alunos agredindo professores, professores agredindo alunos e além de achar um grande absurdo o festival de agressões, eu sempre me pergunto: Quem filmou aquilo? Por que ao invés de filmar não agiu? Por que não chamou por ajuda, por que não interveio? Taí abaixo a explicação. Vamos mudar isso, por favor? Vamos agir mais - em qualquer situação - e observar menos, ok?



segunda-feira, 13 de maio de 2013

Nossa Senhora de Fátima



Somos amigas há mais de 20 anos, quando cheguei à Portugal fui logo lhe fazer uma visitinha porque estava com saudades, a tinha visto quando esteve passeando no Brasil. Hoje deixo-lhe um abraço e um beijinho porque sei que ela gosta.



quarta-feira, 8 de maio de 2013

Poema






Quer saber mais? Aqui ó: Revista Tudo e Etc





fonte: Objetos Inanimados

Violência Urbana

Os ânimos pululam, as pessoas desistiram de racionalizar, culpa da violência constante? Talvez, mas não podemos esquecer que a polícia não pode fazer o papel do bandido, esperamos que tenham ações de inteligência para que os danos a pessoas inocentes sejam o menor possível ou nenhum. Há pessoas honestas e inocentes vivendo nas favelas do Rio de Janeiro. Segue abaixo a declaração de Marcelo Freixo, com a qual concordo, com relação à notícia do momento: A ação policial que levou à morte um traficante do Rio de Janeiro.

"O que estamos defendendo é que se tenha controle legal sobre as ações de quem responde pelo Estado. Que aja conforme o interesse público. Porque hoje se mata um traficante e a amanhã pode matar qualquer pessoa. Não se trata de uma defesa de um traficante ou outro. O tráfico é cruel, é violento e massacra a vida dessas comunidades, mas o Estado não pode competir com o tráfico de quem tem mais capacidade de ser violento. Tem algo que diferencia o Estado e o crime, que é a nossa necessidade de cumprirmos a lei. E esse episódio precisa ser investigado. Por que o helicóptero estava sozinho, já que não tinha operação por terra? Por que os tiros são dados colocando a vida de terceiros em risco? Não podemos permitir isso. Uma operação como essa jamais aconteceria em outro território que não fosse uma favela da Zona Norte ou Zona Oeste do Rio. A dignidade das pessoas não pode ter CEP. O tráfico é bárbaro, tem que ser enfrentado, mas o Estado não pode abrir mão do seu papel legal. Nós queremos uma política de segurança pública eficaz, que os policiais sejam valorizados, mas que garanta direitos e, acima de tudo, seja comprometida com a dignidade humana", afirmou Marcelo Freixo.

terça-feira, 7 de maio de 2013

A coisa tá braba...






fonte: Chow Hon Lam - designer gráfico

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Metrô de Roma - O impossível tornado possível

Ou, Como Preservar o Passado




Em Roma, o que seria incrível e difícil de concretizar, tornou-se possível… sempre com uma equipa de “cirurgiões” por perto. Desde os anos 30 até à actualidade, o metropolitano ganhou forma, ainda inacabada, numa das cidades com mais património histórico considerado do mundo. O planeamento da obra sofre mais um desvio, à medida que o subsolo desvenda achados que não são surpresa. Mas “escavar” o passado traz sempre surpresas…

Um metrô na “cidade eterna”

A história, a cultura e o desenvolvimento de Roma anunciavam, desde há décadas, o surgimento de um meio de transporte como o metropolitano. A Roma moderna que guarda, em si, os “pilares” da Roma Antiga (a descoberto e debaixo do solo), bem como as crescentes filas de trânsito e o modo reconhecidamente “diferente” (ou desviante) de os romanos conduzirem na cidade, viriam a tornar o metro uma boa solução de transporte.

A ideia de dar corpo ao metrô de Roma começou nos anos 30 e a sua construção, nessa década, teve como principal motivo providenciar uma ligação rápida entre a estação central “Termini” e um novo bairro da cidade, “E42” ou “Esposizione Universale Roma” (“EUR”), onde se realizaria a Exposição Universal de 1942. A capital fora da capital para o fascismo italiano de Benito Mussolini. Com ele, a Itália entrara na II Guerra Mundial pelo lado da Alemanha nazi.

Com o início da guerra, em 1939, a exposição não se realizou, apesar dos túneis e de outras infra-estruturas construídas aquando da interrupção das obras, entre a estação “Termini” e a “Piramide”. Devido às circunstâncias, tais túneis acabaram por ser usados como refúgio face aos ataques aéreos, ou outros vindos do exterior. Para essa exposição, teriam sido projectados monumentos relacionados com o passado histórico da Roma Imperial, antiga, tais como o “Palazzo della Civiltà”, um Coliseu com um formato cúbico, um obelisco a Guglielmo Marconi e um Arco do Triunfo cuja construção não se iniciou.

No âmbito não só do metropolitano de Roma mas dos restantes transportes da cidade em geral, a já referida estação “Termini” ganhou relevância por ser ali que eram centralizadas as partidas e chegadas de/a Roma - ao contrário de Paris, onde as gares de l’Est, du Nord e a estação de Austerlitz, por exemplo, redistribuem os serviços de transporte.

A estação tinha sido inaugurada, primeiramente, pelo Papa Pio IX (ainda quando o Papa detinha o poder temporal da cidade), em 1863, e esteve para ser chamada de “Estação Central dos Caminhos-de-Ferro Romanos”. Devido à exposição universal, como já referimos, também foi decidida a substituição desta primeira estação central por uma nova, em 1937 - projecto interrompido pela guerra. Terminados os esforços de guerra e a estabilização do funcionamento do próprio país, as obras foram retomadas. Só no início do ano de 1955 é que viria a ser inaugurada a primeira linha de metro; a segunda linha chegou 25 anos depois. Até ao final do século XX, a rede de metro alargou-se um pouco mais para além da cidade de Roma. Actualmente, encontra-se em construção a futura linha C que se previa estar concluída, na totalidade, em 2015. Ainda em fase de planeamento está uma futura linha D.

A cultura material que dá sentido ao património histórico romano existente vai entravando o crescente desenvolvimento da contemporaneidade utilitária e, também, artística (não haverá arte neste género de construções?). É nestas escavações e obras que, rapidamente, verificamos a ligação entre o medieval, o renascentista e as necessidades do contemporâneo. Relacioná-las, sem prejuízos, torna-se em Roma um verdadeiro desafio, maior do que mexer num subsolo com mais de 2000 anos de história reconhecida.

Encarou-se como inovador a passagem de carruagens de metro ao lado de estruturas antiquíssimas, numa tentativa de contrastar as feições de um tempo que nos parece intemporal sempre que observamos tais achados arqueológicos, mas a preocupação de conservar o histórico obrigou a refazer trajectos projectados do metropolitano, com “curvas” e profundidades superiores às esperadas. Contudo, tal processo, mais do que uma equipa experiente e competente de arqueólogos, necessitou de uma equipa de “cirurgiões” que conseguissem, com autênticas “réguas e esquadros”, conciliar, num só solo, temporalidades distintas. Fora os riscos que se podem correr - como por exemplo, o de fazer passar uma carruagem “vibrante” por baixo do Coliseu.

O tesouro histórico e artístico é um conjunto de segredos que o solo romano esconde mas que, no fundo, não são surpresa. Ainda assim, em Agosto deste ano divulgou-se a notícia de uma descoberta pouco convencional: um antigo espaço de cultivo de cannabis num túnel de metro abandonado, no sudeste de Roma, decorrente do fascismo italiano. Oficialmente, era uma “quinta” de cogumelos, mas o odor a marijuana, segundo a Agência Reuters, desmascarou-a.

fonte e texto:Obvius
foto:Fragmento de parede na estação Termini (Wikicommons, Notafly).
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