domingo, 21 de maio de 2006

Melancolia

Não foi sem motivo - foi por um baita desânimo - que não comentei sobre o terror qua aconteceu há uma semana. Dá uma imensa tristeza ver a cidade que não pára, como é conhecida São Paulo, ficar refém do terror, parecia que assitia pela TV à uma guerra civil. Pessoas assassinadas viravam números que iam se atualizando pelos meios de comunicação.

No meio do susto, me atravessava uma melancolia por ouvir os discursos habituais de vários representantes do Estado e especialistas em violência urbana. Estes, que sempre sabem tudo o que deveria e poderia ter sido feito por governos anteriores ao longo de muitos anos, como transformações na educação de nossas crianças, projetos disso e daquilo e blá-blá-blá. Enquanto isso, soluções que precisariam ser imediatamente tomadas, tal qual estratégia de guerra, ficavam para ser negociadas em outra hora, e mais pessoas continuavam sendo números, a cada momento que crescia a quantidade de mortos. Enquanto todo esse horror acontecia ao mesmo tempo, o Sr. Governador do Estado de São Paulo aparecia para dar entrevistas comunicando que tinha a situação sob controle e sob o controle da polícia de São Paulo. A mesma que ia caindo morta a cada esquina. Ah, só como "detalhe", o domingo da matança foi O Dia das Mães aqui no Brasil.

É muito chato ficar falando de mortes. É cansativo viver falando mal, dia sim dia não dos governos. É insuportável estar sempre reclamando e olhando o tal lado negativo da "vida". Mas, talvez, quem sabe? Pura suposição minha. Acho que essa melancolia que provavelmente já toma conta do nosso inconsciente coletivo, levou Martha Medeiros, que escreve na Revista do Globo aos domingos, a ter a idéia de um texto super bacana que resolvi publicar aqui.


As coisas que importam


"No mesmo dia em que o Parreira anunciava a lista de convocados para a Copa, os jornais totalizavam 86 mortos nos ataques a policiais em São Paulo e 66 ônibus urbanos queimados. Como escrevo esta coluna com quase uma semana de antecedência, os números podem estar muito aquém do total atualizado, mas são assustadores igualmente.
Então Rogério Ceni vai à Alemanha ficar na reserva do gol no lugar de Marcos e o Brasil é atacado por criminosos que dão ordens de dentro das penitenciárias, por celular. Um Brasil em busca de vitória, outro Brasil insuportavelmente derrotado. E o pior é que estamos perdendo pra gente mesmo.
Eu, que sempre gostei de futebol, desta vez não estou ligando a mínima para o Mundial. Não há gol que vá me tirar esta sensação de humilhação, de vergonha e de desânimo diante da situação em que nos encontramos. Qual é a nossa estratégia para vencer, para sermos campeões em alguma coisa que não seja no esporte? Não existe. Não há um Ronaldinho Gaúcho no Planalto. Não há um Kaká no Congresso. Não há craques que possam nos dar alguma esperança de sair deste atoleiro, desta zona do rebaixamento moral e ético.
De quatro em quatro anos, apostamos todas as nossas afichas nas palavrinhas "penta", "hexa", na ilusão de que elas nos façam sentir um pouquinho invencíveis, grandes em alguma coisa. Mas a barra anda tão pesada lá fora que não vou esperar que meia dúzia de jogos me reconciliem com o país. Melhor apostar imediatamente nas coisas que nunca nos desapontam. Nas coisas que importam.

O sol nasce no lado esquerdo do meu apartamento e entra pela minha janela. Minha filha mais moça leva uma foto minha dentro da mochila. Meu pai me deu um disco de Schubert que o emociona muito, sinal de que ele quer dividir sua emoção comigo. Tenho uma foto no meu escritório em que estou abraçada a uma amiga que mora na Suíça e a saudade é boa.
Água é a melhor bebida que existe. Fazer as pazes com quem a gente ama faz o coração relaxar. O mar é sempre bonito, esteja azul ou cinza, calmo ou agitado. Minha mãe ainda vive. Minha filha mais velha está apaixonada pela primeira vez. Solidão não é ausência de nada, é só a presença intensa de nós mesmos. A dois centímetros da minha boca, sei que ele vai me beijar.
Hoje dormi sem nenhum sobressalto. Andar de pés descalços na areia é melhor que massagem. Sublinhei diversas passagens de um livro que me capturou sem piedade. E um filme me mostrou que o desespero também tem a sua poesia. Amanhã vou comer peixe. Ainda lembro de quando eu era pequena e tinha medo de que tudo desse errado, mas não deu. Ainda estou aqui.
O amor ainda tem o poder de de unir duas pessoas que não se conhecem. Eu escuto música. O telefone me traz a voz dos amigos. O sofá da sala é confortável. Eu ando de meias pela casa. Um cálice de vinho tinto é obrigatório. Tenho muito tempo livre: todo o nosso tempo é livre. A lua fica cheia uma vez por mês. Tomo banho de sol da janela do meu quarto. Aquele mesmo sol que entra pelo lado esquerdo do meu apartamento.
Me rendo ao que parece pequeno, mas invencível. Só mesmo um pouco de ternura para neutralizar tanta violência.


E-mail: martha.medeiros@oglobo.com.br

quinta-feira, 18 de maio de 2006

Mostra em Londres revela "segredos" do Surrealismo

A Hayward Gallery (www.hayward.org.uk), em Londres, está inaugurando a exposição "Undercover Surrealism - Picasso, Miró, Masson and the vision of Georges Bataille" de 11 de maio a 30 de julho, que apresenta 200 objetos reproduzidos na revista radical francesa Documents e tenta oferecer um novo olhar sobre trabalhos de grandes artistas.

Entre várias informações, revelações sobre a visão de Georges Bataille e sua revista Documents são ainda mais interessantes. "Paris no final dos anos 20 era o coração artístico e intelectual da Europa. O Surrealismo era o movimento de vanguarda dominante ao mesmo tempo em que o jazz surgia. Um novo mundo cultural estava sendo criado. A revista Documents de Georges Bataille que foi publicada de 1929 a 1930 e enfrentava esse momento intelectual e artístico, batendo de frente com o movimento Surrealista, com questionamentos radicais aos valores do Ocidente, ao que era primitivo e ritual, à cultura popular. Documents justapôs arte, etnografia, arqueologia e cultura popular de tal forma que as noções de "primitivo" e "imaginário" foram subvertidos".


"
Entre as obras expostas na Hayward está "Homenagem a Picasso", publicada no meio do ano de 1930. Pablo Picasso foi o único artista a ter um exemplar inteiro da revista Documents dedicado ao seu trabalho.

Serão expostos na Hayward dez desenhos e pinturas do mestre. Entre elas "As Três Dançarinas", de 1925. A revista Documents apresentava lado a lado intelectuais, acadêmicos e pintores como Picasso, Joan Miró (obra "Composição", de 1930) ou escultores como Alberto Giacometti e intelectuais como Claude Lévi-Strauss.

Segundo Pablo Picasso, "A arte é uma mentira que nos faz perceber a verdade". Vale lembrar que Picasso foi um dos criadores do Cubismo, juntamente com o pintor francês Georges Braque, um movimento que tratava as formas da natureza por meio de figuras geométricas, representando todas as partes de um objeto em um mesmo plano. A representação do mundo passava a não ter nenhum compromisso com a aparência real das coisas.


fonte: BBC Brasil, Wikipédia e Hayward Gallery

Baaarça!


Não sou fanática por futebol, gosto como qualquer outro esporte. Quanto à esportes, fui "criada dentro" do Fluminense, representei o clube algumas vezes, e só. Nenhuma paixão.

Há uns dez anos - mais ou menos - passei a sentir uma simpatia pelo Barcelona, o Barça. Como comecou? Não faço a mínima idéia. Mas tenho consciência que teve a ver com uma percepção minha quanto ao espírito da equipe - quando casualmente assistia algum jogo -, que sempre demonstrava a vontade de vencer, parecia que davam "o sangue" por isso. Como se diz por aí:" vestiam a camisa". Foi esse algo mais que me contagiou.

Ontem, sem saber muito bem qual era o título que o Barcelona e o Arsenal disputavam, lá pelos 20 minutos do primeiro tempo, fui assistir ao jogo. E daí não desgrudei mais. Colei, em frente da televisão. Amei! Sentia uma energia boa. Demais!

E deu Barça!


quarta-feira, 17 de maio de 2006

Como pode ser bom - um dia ou outro -, morar na cidade do Rio de Janeiro

Parte deste post é exatamente igual ao do dia 29/03. A diferença é que a mostra "Luz e Sombra na Pintura Italiana" se encontra desde o início desta semana no Paço Imperial, Rio de Janeiro. Ainda não estive lá, mas pressinto que mais dia menos dia irei ao Paço. Eu explico...

Comentei que minha lombar estava mais prá lá do que prá cá. Segundo uma amiga mázinha - e também "colunável" -, a culpa é da idade. Nasci rebelde; traço de personalidade que tem como principal defeito, causar prejuízo ao sujeito da ação. Teria de ficar deitada, nunca no sofá, menos computador. Tá! Tá!

Concluindo: depois de aguentar a dor ao máximo do impossível (sou ótima para aturar dores físicas, já as emocionais...), vi-me obrigada a aceitar uma seringa imensamente cheia de um líquido(analgésico), cujo nome comprido terminava em "dor".

Como é bom uma injeção na veia, juro! É a coisa mais - uma das coisas - maravilhosa que já inventaram. Uns minutinhos e o mundo - sem dor - fica lindo. Sente-se um soninho básico, mas uma mão carinhosa que ampara a volta à casa e mais tarde, alguns goles de iogurte para proteger o estômago de uma bomba que precisa ser ingerida de 8 em 8 horas, deixam qualquer rebelde "desarmado". Meu novo apelido é "Cuco", de hora em hora tenho de me levantar da cadeira e dar uma "voltinha".


Luz e sombra na pintura italiana

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"Sansone e Dalila", de Pietro Liberi (1614-1687)


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"Ritratto del poeta Pietro Aretino", de Tiziano Vecellio (1490-1576)


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"Cavallo con Mossiere", Pietro Muttoni, o "Pietro della Vecchia" (1602/1603-1678)



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"Davide con la testa di Golia", Domenico Fetti (1589-1624)


Luz e Sombra na Pintura Italiana - Entre o Renascimento e o Barroco
» Onde: Paço Imperial - Centro, Rio de Janeiro

Façam-me um favor, visitem o site do Paço em: www.pacoimperial.com.br para maiores informações. Normalmente as mostras por lá não costumam abrir antes das 11:30hs. Na hora do almoço e à tarde é mais garantido.

fonte: Nuvens sobre o Atlântico

Guimarães Rosa: Ciclo de palestras em S.Paulo

- "São muitos e milhões de jardins, e todos os jardins se falam. Os pássaros dos ventos do céu - constantes trazem recados. Você ainda não sabe. Sempre à beira do mais belo.
Este é o Jardim de Evanira. Pode haver, no mesmo agora, outro, um grande jardim com meninas."

Guimarães Rosa

A contemporaneidade da obra de Guimarães Rosa, que causou uma verdadeira revolução na nossa linguagem quando foi lançada, em 1956, é um dos temas do ciclo de debates que comemora este seu 50º aniversário.

O Seminário Internacional João Guimarães Rosa vai até sexta-feira no anfiteatro da faculdade de Geografia da USP (av. prof. Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária). "A idéia é discutir a obra em todas as suas vertentes, não só a literária, mas também a histórica, a geográfica e a psicanalítica, entre outras", diz Heinz Dieter Heidemann, vice-diretor do IEB (Instituto de Estudos Brasileiros), que mantém o acervo e a biblioteca pessoais de Guimarães Rosa e organiza o evento.

Na abertura, o crítico literário Antonio Candido dará um depoimento sobre seus encontros com o escritor, assim como o bibliófilo José Mindlin, também proprietário dos originais do livro. "Conheci Rosa pessoalmente em 1946, em Paris, e cheguei à conclusão de que ele era um homem de duas personalidades", diz Mindlin. "Por um lado, aparentava ser um sujeito socialmente muito agradável, que não parecia ser um intelectual, por outro era aquele escritor incrível."

Programação completa no site www.ieb.usp.br
» Onde: Auditório da Geografia da USP
Av. Prof. Lineu Prestes, 338, Cidade Universitária, São Paulo
» Quanto: grátis
» Informações: (0/xx/11) 3091-2088 ou pelo e-mail ieb-jgr50@usp.br


fonte: Folha Online

terça-feira, 16 de maio de 2006


Paisagem na janela


Quero ler todos os livros
e reler os mesmos livros
enquanto envelheço sossegada
quieta e sossegada na poltrona macia
como a cabeça do homem
que espreitei pela vidraça
caminhando apressada
pela Malieban - Utrecht


E era grisalha a cabeça do homem
E era macia a luz sobre o texto
E era calmo o estar em si
Ele lia todos os meus livros
Todos os livros que quero e que quero reler
nos entardeceres à luz suave -
abajur e poltrona engrisalhando
o corpo acalmando a pele assim
já passou não foi nada não chore
viver foi só um susto feche os olhos
está quase passando não chore não
chore logo você verá
acaba num tão de-repente
entardecendo
apagando
logo


Cyana Leahy

segunda-feira, 15 de maio de 2006


O grande amor


Haja o que houver
Há sempre um homem para uma mulher
E há de sempre haver
Para esquecer um falso amor
E uma vontade de morrer

Seja como for
Há de vencer o grande amor
Que há de ser no coração
Como um perdão pra quem chorou


in "Poesia completa e prosa: "Cancioneiro"
Vinícius de Moraes
foto: Christian Harkness

Anúncios vão à leilão em Nova York

Para aqueles que têm horror à tecnologia usando o velho discurso fatalista onde com uso de tanta tecnologia ninguém mais saberá como se utilizava o bom e "lindo" telefone de parede e outras coisinhas ainda mais antigas, fica aqui provado o contrário.

A arte dos anúncios publicitários luminosos de Nova York, que fizeram história na Times Square através de inúmeros filmes, se mantêm porque foram sendo substituídas por telas digitais.

A arte, em suas diversos caminhos de expressão, tem de ser preservada. Através dela no futuro, pessoas poderão ter acesso ao conhecimento de uma sociedade anterior à sua. Arte é história, história é vida.

E daí, achei fantástica a idéia de leiloarem os antigos anúncios que fizeram parte da história da cidade de Nova York.



Serão leiloados no dia 18 de maio pela casa Freeman, da Filadélfia. Os desenhos, placas e anúncios em neon pertencem à companhia Artkraft Strauss, responsável por boa parte da propaganda colocada na Times Square há décadas.

Alguns anúncios ficaram famosos, como o da Coca-Cola, em dezembro de 1991, que tinha quase 20 metros de altura e, com a ajuda de jogos de luz criava a impressão de que o líquido saía da guarrafa. No anúncio a seguir, da década de 30, é o de amendoins da marca Planters produzia um efeito em que os amendoins pareciam ser despejados na rua. Outro
dos itens à venda é um desenho do outdoor para os cigarros Camel que soltava anéis de fumaça a cada quatro segundos. A propaganda esteve exposta de 1941 a 1966.





fonte: BBC Brasil

A honra nacional

Todo governo deve honrar com os compromissos do seu país e da mesma forma, proteger os seus interesses. A soberania deve ser exercida de dentro para a fora e nunca ao contrário. Por isso a defesa da honra nacional é prioritária à amizade ou ideologias. Nunca um país e consequentemente o seu povo podem ser prejudicados em nome de atitudes populistas.

Não se rompem acordos bilaterais da forma como a Bolívia rompeu com o Brasil e menos ainda um governo deve aceitar imposições e expropriações passivamente. O Brasil sempre fez bom uso de sua diplomacia, a história comprova que sempre foi firme na defesa de sua soberania.

Ninguém, creio eu - menos ainda, a sociedade brasileira -, esperava que o Brasil entrasse em luta armada contra a Bolívia pela expropriação da Petrobrás como disse Nosso Guia. Nós brasileiros, que como a Bolívia, temos no nosso país grande parte da população sem recursos mínimos como saúde e educação, esperávamos que o governo que nos representa fosse mais firme na defesa de nossos interesses, nesse caso, da nossa Petrobrás.

José Murilo de Carvalho é historiador e neste domingo (14/05) lendo o que escreveu na coluna "TEMA EM DEBATE: Política externa" tive uma aula de história do Brasil bastante interessante sobre o significado de uma frase muito conhecida, "A honra nacional":

"Uma das paixões de D. Pedro II foi o Brasil. Quando estava em questão a honra nacional, ele era intransigente, quase exageradamente intransigente para uma pessoa de temperamento racional e pacifista. A intransigência revelou-se em todas as ocasiões em que estiveram em jogo o interesse e a honra nacionais.

Sua primeira manifestação verificou-se em 1852. O presidente da Confederação Argentina, Juan Manuel Rosas, interviera no Uruguai em apoio a Oribe, que hostilizava os gaúchos lá residentes, desapropriando sem indenização suas propriedades. Os gaúchos faziam grande pressão sobre o governo reivindicando que ele defendesse seus interesses. Dom Pedro era favorável à neutralidade do Brasil no Prata, mas ressalvava a defesa dos interesses e da honra nacionais que, no caso, via ameaçados. Chamou, para o Ministério dos Estrangeiros, Paulino José Soares de Sousa, que definiu com clareza a política platina do Brasil: manter o status quo, não conquistar território nem deixar que a Argentina conquistasse. Daí a decisão de defender a praça de Montevidéu contra Oribe e de aliar-se aos governadores das províncias argentinas de Entre Rios, Urquiza, e de Corrientes, Virasoro, ambos rivais de Rosas. O desfecho da luta se deu na batalha de Monte Caseros, em 1852, em que Urquiza, apoiado por tropas brasileiras, derrotou Rosas.


A segunda manifestação aconteceu durante o conflito com Douglas Christie, representante da Inglaterra no Rio de Janeiro. O caso era muito mais sério do que o primeiro, pois tratava-se de enfrentar o país mais poderoso da época. Christie era arrogante e vinha aporrinhando o governo brasileiro em torno de várias questões. O caldo entornou de vez no final de 1862 quando três oficiais da marinha inglesa foram presos na Tijuca por desacato à polícia. Um deles era um capelão beberrão e de maus costumes. Christie exigiu satisfação pela prisão dos marinheiros e indenização por um episódio anterior de saque de navio inglês. Não querendo o conflito, o imperador achava, no entanto, que o Brasil “não podia anuir com decoro”. As exigências foram rejeitadas. O truculento diplomata mandou então que a marinha inglesa apreendesse navios mercantes brasileiros fora da baía. Uma dúzia deles foi apreendida. Em resposta, a esquadra brasileira foi colocada de prontidão. O imperador e o ministério decidiram que nenhum navio de guerra brasileiro, se atacado, arriaria a bandeira, indo de preferência ao fundo. Se as presas fossem trazidas para dentro da baía, os fortes e os navios de guerra deveriam entrar em ação.

Dom Pedro desceu de São Cristóvão para a cidade a fim de encorajar a resistência, sob aplausos da multidão comandada por Teófilo Otoni. Garantiu aos manifestantes que o governo só admitiria saída que fosse honrosa para o país. Os jornais incitavam a população a reagir e falou-se em organizar corpos de voluntários para resistir à agressão inglesa. Dom Pedro só admitia negociar depois da liberação dos navios apreendidos. Christie cedeu, liberou os navios e aceitou o arbitramento para o caso dos marinheiros, tendo o governo pago, sob protesto, a indenização pelo saque.

O ministro inglês foi substituído pelo secretário da legação. O ministro brasileiro na Inglaterra pediu os passaportes ao mesmo tempo em que no Rio de Janeiro o governo dava os passaportes a Christie. As relações diplomáticas entre os dois países foram interrompidas, e só foram restabelecidas em 1865, mediante pedido de desculpas da Inglaterra.

A manifestação mais dramática da preocupação do imperador com a honra do Brasil se deu durante a Guerra do Paraguai. Como sempre, o conflito começou no Uruguai, onde, novamente, os proprietários gaúchos eram hostilizados, agora pelo presidente Berro. Novas pressões sobre o governo. Os gaúchos, que já se tinham separado do Brasil, ameaçavam: se o Império não servia para os defender, para que serviria? Com o apoio da Argentina, desta vez nossa aliada, foi feito um acordo com Aguirre, sucessor de Berro. Mas o acordo não foi cumprido e, em conseqüência, o Brasil lançou um ultimato. A legação brasileira em Montevidéu foi atacada e a bandeira nacional foi arrastada pelas ruas. Como reação, o Brasil apoiou Flores, adversário de Aguirre, e o ajudou a chegar ao poder. Nem os diplomatas brasileiros, nem os argentinos acreditavam que o Paraguai fosse intervir na disputa. Mas López, sem declarar guerra, aprisionou o vapor Marquês de Olinda. Logo depois, declarou guerra e invadiu Mato Grosso e Rio Grande do Sul.

A reação à invasão foi imediata por parte do governo e da população. O imperador assumiu a liderança do esforço de guerra e o fez, sem esmorecer, durante os cinco anos que durou o conflito. Só admitia sair da guerra de maneira honrosa para o Brasil. Isso incluía cumprir o tratado da Tríplice Aliança que exigia a deposição e expulsão de López. A expressão “honra do Brasil” tornou-se uma constante em suas declarações, verbais e escritas, públicas e privadas. Ameaçou abdicar o trono para alistar-se como voluntário e doou 25% de seus vencimentos para o esforço de guerra. Rejeitou mediações, insistindo em que a vitória era uma questão de honra para o país. Pacifista radical por educação e convicção, tornou-se um beligerante em defesa do que julgava ser a honra do Brasil.

Em meio às grandes festas da vitória, em 1870, escreveu na Fala do Trono: “A História atestará em todos os tempos que a geração atual mostrou-se constante e inabalável no pensamento unânime de desagravar a honra do Brasil.”

A última prova de amor ao Brasil ele a deu já no exílio ao não permitir que se falasse mal do país, ou do governo republicano, em sua presença. O amor à pátria lhe foi reconhecido por todos, amigos e inimigos, por ocasião da morte. Os métodos usados no século XIX para defender a honra nacional não precisam, nem devem, ser repetidos. Mas vale a pena registrar que naqueles tempos, e mesmo nos tempos do barão do Rio Branco, o Brasil não levava desaforo para casa."



fonte: Jornal O Globo

sexta-feira, 12 de maio de 2006


Alma perdida



Toda esta noite o rouxinol chorou,
Gemeu, rezou, gritou perdidamente !
Alma de rouxinol, alma de gente,
Tu és, talvez, alguém que se finou !


Tu és, talvez, um sonho que passou,
Que se fundiu na Dor, suavemente ...
Talvez sejas a alma, a alma doente
Dalguém que quis amar e nunca amou !

Toda a noite choraste ... e eu chorei
Talvez porque, ao ouvir-te, adivinhei
Que ninguém é mais triste do que nós !

Contaste tanta coisa à noite calma,
Que eu pensei que tu eras a minh'alma
Que chorasse perdida em tua voz ! ...




Florbela Espanca
Camille Claudel, "Abandon"

A fotografia de Abelardo Morell - MAM, S.Paulo

Tudo na fotografia de Abelardo Morell tem a ver com o tempo. É claro que o tempo é um elemento inerente a esta arte, mas na obra do cubano radicado em Nova York ele é o carro-chefe, não só no aspecto técnico, mas também no poético.

A começar pelas fotos feitas com a técnica de câmera escura, ponto alto de seu trabalho, em que capta imagens de paisagens externas projetadas em paredes de quartos cujas janelas são vedadas com plástico negro. Um buraco de um centímetro de diâmetro é suficiente para a passagem da luz. Depois, é só disparar a câmera e esperar um tempo. Oito horas, para precisar.

"Na primeira vez em que fiz a experiência, minha mulher, meu filho e eu vimos as pessoas que passavam na rua caminhando de ponta cabeça em nossa parede", lembra, emocionado. Confirmadas as expectativas do experimento - "senti que tinha descoberto a fotografia" -, vedou algumas salas em Boston e passou a ensinar a técnica a seus alunos. Depois, avançou para grandes cartões postais do mundo.

No Museu de Arte Moderna (MAM), em São Paulo, estão pendurados de ponta-cabeça a Torre Eiffel, a London Bridge, o Times Square, o Empire State Building e a Giraldilla de Havana, sobrepostos aos móveis dos quartos que serviram de câmera. É um olhar curioso, especialmente na era das digitais que fazem quase uma dezena de fotos por segundo.

"Não gosto da cultura da rapidez", explica. "Hoje em dia, trabalho sem trabalhar, disparo a câmera e vou ao cinema, vou tomar um café. Volto depois de oito horas", sorri. As imagens começam a ser captadas pela manhã e dependem da luminosidade do dia para ficaram boas. "Curto o processo anterior ao resultado. Leva dias para eu conseguir a imagem que procuro", conta o fotógrafo.

O Rio deve ganhar seu retrato de ponta-cabeça (trad.: de cabeça para baixo) no ano que vem: "Sobrevoei a cidade ontem e fiquei encantado. Chocado, também, ao ver um hotel luxuoso pegado à favela", confessa o cidadão novaiorquino. "No ano que vem, me hospedo lá e faço a foto", promete ao público que o acompanhou num tour informal pela mostra, exposta no MAM até 25/6.

Visão Revelada: Seleções da obra de Abelardo Morell
»Onde: Museu de Arte Moderna (MAM) - São Paulo
Parque do Ibirapuera, portão 3.
»Quando: De 11/5 a 25/6
Diariamente, das 10h às 18h
»Quanto: entrada franca
»Informações: (11) 5549-9688 e 5085-1300


fonte: UOL

Cada um se manifesta como pode

Ou "o Greenpeace virou ôba-ôba"

Ativista do Greenpeace protesta durante encontro de líderes da América Latina, Caribe e União Européia em Viena.

15 segundos de alegria


Ativista do Greenpeace é retirada após protesto em encontro de líderes da América Latina, Caribe e União Européia em Viena.

A felicidade do dever cumprido

n.r.: Comentários? Acho que tô ficando velha...fiquei passada! De queixo caído! Mas pelas fotos é possível perceber a alegria que contagiou os líderes presentes. Tenho algumas dúvidas que tenham prestado atenção ao motivo do manifesto. C'est la vie...

fonte: UOL

quarta-feira, 10 de maio de 2006

FAAP iNOVA - S.Paulo

No Museu de Arte Brasileira da FAAP, está a mostra "FAAP iNOVA - Criatividade, Arte e Tecnologia", até o dia 28. Apresentando dez atrações interativas de arte eletrônica, que proporcionam aos visitantes estímulos criados por efeitos de luz, espelhos e painéis.

Visitante pisa em espelho d'água e faz surgir flores em "Moderation"

Realizada pela Faculdade de Computação e Informática da FAAP e com curadoria de Marcelo Tas, a exposição convida os visitantes, por exemplo, a estimular com projeção de luz o desabrochar de flores em "Flower Garden", de Zachary Simpson, e soprar um aro de bolha de sabão para manter projetados poemas em "Poesia Efêmera", de Liana Brazil e Russ Rive.
Em "Mariposa", de Zachary Simpson, borboletas pousam na sombra do visitante

Paralelamente à mostra, acontecem oficinas com nomes importantes dos efeitos visuais e da animação, como Carlos Saldanha, diretor da animação "A Era do Gelo 2", e Richard Rouse, designer especializado em cenas de ação de jogos como "Mortal Kombat".

OFICINAS
9/5, às 19h30 - "A vida 'animada' de Carlos Saldanha", com Carlos Saldanha
16/5, às 19h30 - "Japão: dos mangas às mulheres virtuais", com Julius Wiedemann
19/5, às 10h - "A cinematografia dos games", com Richard Rouse
»Informações: (11) 3662-7391

FAAP iNOVA - Criatividade, Arte e Tecnologia
»Onde: Museu de Arte Brasileira da FAAP, prédio 1
Rua Alagoas, 903, São Paulo.
»Quando: até 28/5, de terças a sextas, das 10h às 20h.
Sábados, domingos e feriados, das 10h às 17h.
»Quanto: entrada franca
»Informações: (11) 3662-7198


fonte: UOL

Atitude fashion ?

Grupo católico indiano quer Dan Brown "vivo ou morto"

Os livros de Dan Brown, desde o "Código Da Vinci", mexeram com todas as cabecinhas à volta do mundo. Não há coisa mais out, nos últimos tempos, do que não ter lido - pelo menos - o Código Da Vinci. Pior do que isso, só a infeliz idéia de mencionar o tempo que se levou lendo um livro, este ou qualquer outro. Para quem não consegue se imaginar fazendo parte da lista dos "miseráveis, lentos e coitadinhos", nem ouse dizer que levou mais de um mês lendo qualquer livro. Sua vida social pode ficar com uma mancha que levará tempo até ser esquecida. Quem avisa, avisa só por avisar... Pessoalmente, não tô nem aí.

Mas quando escolhi o título deste post, "Atitude fashion?" foi causa de uma dúvida pessoal a respeito de greves de fome.Seria a mais nova moda, ou apenas uma imensa coincidência do mundo globalizado? Não sei dizer.

Há mais de uma semana um senhor político resolveu fazer greve de fome por se sentir "perseguido" e graças lá ao "Deus" dele, dizem que ele está muito bem. Agora, na notícia que se segue, o Fórum Social Católico Indiano convocou uma greve de fome por tempo indeterminado (igualzinha ao do senhor político) a partir de sexta-feira em protesto contra a estréia no país do filme "O Código da Vinci". E a caça ao escritor oferece recompensa para quem o encontrar "vivo ou morto". E são católicos, mesmo? Cruzes!!!

Se a notícia tivesse vindo dos EUA, não me admiraria tanto, afinal a imensa quantidade de obesos mórbidos que o país têm poderia ter conduzido à tal sacrifício - a greve de fome -, para disfarçar alguma dieta coletiva criada por alguma nova seita (só para gordinhos) lá por aqueles lados. Mas na Índia ?! Um país com exemplos seculares de saudáveis tratamentos de saúde ? Fazer greve de fome é tão pouco saudável e também é tão ocidental. Mais estranho ainda é querer chamar a atenção utilizando a greve de fome num país onde a religião da maioria da população é hindu. Ok, são todos muito magrinhos; mas é apenas essa a "lógica" desse tipo de greve.

Bem, mas esta imensa quantidade de dúvidas é minha, a notícia da greve é da EFE e segue logo abaixo:

"O Fórum Social Católico da Índia convocou uma greve de fome por tempo indeterminado a partir de sexta-feira, em protesto contra a estréia no país do filme "O Código da Vinci". O fórum também oferece uma recompensa em dinheiro para quem capturar o escritor Dan Brown "vivo ou morto", informou hoje o jornal local "Hindustan Times".

O grupo considera o livro do americano Dan Brown, que deu origem ao filme, uma obra "anti-cristã". A tese central do livro e do filme sustenta que Jesus se casou com Maria Madalena e que sua descendência chegou a nossos dias, protegida por uma poderosa sociedade secreta.

"Pedimos a todos que sejam cuidadosos quando lerem o livro", disse o secretário-geral do Fórum Social Católico, Joseph Dias, observando que "o impacto de um filme é muito maior". "Haverá uma lavagem cerebral em massa se o filme for exibido na Índia", opinou.

O fórum promove hoje uma "cruzada de orações" no Convento de Cannosa, na cidade de Mumbai (Bombaim). Um membro do grupo, Nicholas Almeida, ofereceu quase US$ 25 mil a "quem trouxer Dan Brown morto ou vivo".

A distribuidora do filme, Sony Pictures, manteve a data da estréia.



O Código Da Vinci
Sinopse: Após um curador ser morto, um simbologista é chamado para decifrar as misteriosas pistas deixadas. As investigações levam a mensagens ocultas nas obras de Leonardo Da Vinci, que indicam a existência de uma sociedade secreta. Dirigido por Ron Howard (Uma Mente Brilhante) e com Tom Hanks, Audrey Tautou, Jean Reno, Paul Bettany, Ian McKellen e Alfred Molina no elenco.



fonte: EFE

terça-feira, 9 de maio de 2006


Brisa


Se, sozinho
O corpo cansado a alma inquieta
Sentires um afago, uma carícia
Uma brisa que ao ouvido é sussurro
Palavra de conforto, calor.
Sou eu.
Rasgando o tempo
Atravessando o espaço
Tornando-me
Brisa, carícia,
Possibilidade de abraço
Palavra, amor.


Encandescente, in Encandescente, Colecção Polvo - Poesia.
Pablo Picasso, "Blue Nude"

Brasil: gostosamente diversificado

Preferência Gastronômica Nacional - parte II

CENTRO-OESTE
De um lado estão os chapadões e a vegetação típica do Cerrado. Do outro, o Pantanal, a maior planície inundável do planeta.A combinação proporciona fartura de peixes, carnes e frutos nativos. Dali vem o pequi, fruta amarela e cheia de espinhos em seu interior, de sabor e perfume marcantes, ideal para comer com arroz e frango. Também é a terra na qual cresce a guariroba, palmito amargo típico do Cerrado e ingrediente imprescindível do empadão goiano.

De carne consistente e muitíssimo saboroso, o pintado está entre os peixes mais consumidos. Outro clássico pantaneiro é o caldo de piranha, que tem fama de afrodisíaco. Vale experimentar também o peixe preparado na telha de barro ou envolto em folha de bananeira e assado em braseiro.

A riqueza dos rios se estende à terra firme. O Estado de Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do país. Não à toa, a carne ocupa a segunda posição na preferência das mesas. Além dos cortes tradicionais como costela, picanha e alcatra, a carne bovina é matéria-prima da lingüiça de maracaju e do arroz-de-puta-rica. O primeiro é um embutido preparado com os pedaços mais gordos do boi, temperados com pimenta- vermelha e cumari, alho, cebola e suco de laranja azeda. O segundo leva arroz e uma mistura de carnes frescas, salgadas e defumadas, como a carne-seca.

SUDESTE
Pluralidade é a grande marca da cozinha do Sudeste, talvez a mais democrática de todo o Brasil. Vai da comida mineira, caseira e preparada em panela de barro, à alta gastronomia, executada nos grandes centros e servida em restaurantes luxuosos do eixo Rio-São Paulo. O fogão a lenha das casas típicas do interior mineiro cozinha pratos envoltos em história. Tutu de feijão, frango ao molho pardo, feijão-tropeiro, angu, galinha caipira com quiabo... Algumas receitas remontam à época da escravidão, outras à do Ciclo do Ouro, e todas trazem um pouco da herança deixada por índios, portugueses e escravos. Com o urucum, ingrediente indígena, a moqueca é um orgulho do capixaba, que utiliza azeite de oliva no lugar do azeite de dendê baiano.

Mas é também no Sudeste que a gastronomia reflete o ecletismo de uma região que recebeu gente de todo o mundo. Os italianos escolheram São Paulo para fincar a bandeira de sua cozinha. Macarronada, pizza, polenta e carnes com molho de tomate entraram no cardápio e caíram no gosto dos paulistas. O filé à parmigiana e as massas fazem parte da lista dos pratos mais consumidos nos restaurantes de toda a Região Sudeste.

Só perdem mesmo para o bacalhau. O pescado passou a marcar presença na dieta carioca com o estabelecimento da Corte portuguesa no início do século XIX. Da matéria-prima salgada nasceram os tradicionais bolinhos de bacalhau- aclamados das mesas de botequim aos templos da alta gastronomia - e receitas mais elaboradas. Uma delas, o bacalhau à Gomes de Sá, virou prato campeão entre as casas que defendem a tradição culinária d'além-mar.

SUL
Eis uma culinária européia por excelência. Imigrantes alemães, italianos, espanhóis, açorianos, holandeses, suíços e poloneses encontraram nos Estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul muito mais do que abrigo e trabalho. Depararam-se com as condições geográficas e climáticas favoráveis para o consumo de suas receitas típicas e o cultivo de produtos como a uva, para o vinho, e o repolho, para o chucrute germânico. Rapidamente, as massas banhadas em molho de tomate, as conservas, as sopas e os embutidos foram incorporados ao cardápio do sulista e se espalharam por todo o país.

Caminho inverso trilhou a carne-de-sol nordestina, que chegou ao Rio Grande do Sul pelas mãos do cearense José Pinto Martins. Mas foi lá que, com a alcunha de charque, ela se transformou no principal ingrediente do arroz-de-carreteiro, ótimo parceiro para o festejado churrasco. Esse campeão de pedidos nos restaurantes gaúchos domina os ares por todo o Estado e faz sucesso entre os vizinhos. A preferência reflete-se na liderança das receitas da Região Sul.

Em Santa Catarina, um diferencial: a carne na brasa divide a preferência com peixes, moluscos e crustáceos. Tudo muito fresco. Ostras retiradas da água pouco antes de ir à mesa, camarões tenros e peixes cujas carnes macias e brancas desmancham na boca (a tainha é a campeã em popularidade). Também no Sul, mais especificamente na Serra Gaúcha, os italianos abrasileirados têm suas tradições mais vivas. Estão lá as principais vinícolas do Brasil, os rodízios de galetos "al primo canto" (herança das passarinhadas) e as massas preparadas artesanalmente.

Retificação: Todas as imagens deste post foram retiradas a pedido de seu proprietário.



fotos: Arroz de frango com pequi, feijoada e ostras.
fonte: Revista Gula

Brasil: gostosamente diversificado

Preferência Gastronômica Nacional - parte I

Saiu uma reportagem na Revista Gula dos pratos favoritos de cada região brasileira. Fico imaginando como foi a comilança, melhor dizer, o trabalho que teve a equipe do Guia Quatro Rodas, da Editora Abril, de São Paulo no ano passado.

18 jornalistas percorreram este nosso imenso país com a missão de fazer refeições em 966 cidades para avaliar restaurantes e descobrir o que o brasileiro gosta de comer. As informações recolhidas deram origem a um banco de dados com 7.408 descrições de pratos principais. Cada um dos 2.287 restaurantes publicados na edição do Guia (publicidade gratuita - infelizmente - aqui por este blog) de 2006 indicou três receitas mais procuradas ou recomendadas.

Informações cruzadas, e foi possível chegar a um concenso. Sabe-se agora do hábito gastronômico nacional nessa altura do século 21. O que, e de que forma o brasileiro come pelo país afora; que por sua imensidão, há anos tem o tema (gastronomia ou utensílios de cozinha etc) como objeto de estudo para historiadores especialistas no assunto, cujo resultado são livros bastante interessantes e facilmente encontrados em livrarias espalhadas pelo país.

Entretanto, um pensamento levemente malévolo me assalta: será que este tipo de notícia seria capaz de afetar dietas de emagrecimento ou greves de fome ? Nã, seria? Talvez seria apenas mais um tema de estudo para as universidades inglesas e americanas que adoram pesquisar sobre o comportamento humano.

Daqui para a frente o mérito da reportagem é exclusividade da jornalista Silvana Azevedo, na Revista Gula. As edições em função do espaço do post ficaram por minha conta, mas o link da reportagem completa pode ser acessado através do título logo acima.

"Que arroz e feijão que nada, o brasileiro gosta na verdade é de peixe. Em suas mais variadas formas de preparo, é o ingrediente mais pedido em quatro regiões do país. Só perde a coroa no Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde nada é tão bem recebido à mesa como um belo e suculento pedaço de carne assada. Se feita na brasa, melhor ainda.Confira os hábitos alimentares e os campeões das mesas de cada recanto do país.

Norte
Exótica, de sabores instigantes e aromas tropicais, a culinária da Região Norte é rica e diversificada. No Pará, a herança indígena fala mais alto com suas receitas à base de frutos da terra, como a mandioca - planta da qual nada se desperdiça. A folha, chamada de maniva, entra no preparo da maniçoba, prato feito de carne suína (uma espécie de feijoada). O tucupi, caldo azedo extraído da mesma mandioca-brava, aparece em receitas como o pato no tucupi (ave cozida com temperos e jambu, folha que causa leve dormência na boca) e o tacacá (caldo com camarão seco, goma de mandioca cozida, jambu, ervas e pimenta), muito consumido nas ruas de Belém. Por meio de processos artesanais, a mandioca também se transforma em farinha e goma para a festejada tapioca.

A riqueza da Bacia Amazônica abastece as mesas com tucunarés, pirarucus, dourados, jaraquis - e aí por diante. São mais de 2.000 espécies de peixe. O filhote, conhecido por piraíba quando adulto, e o tambaqui, cujas espinhas largas, longas e flexíveis são chamadas de costelas, dividem gostos na região. Feitos na telha, com pirão e arroz, assados na brasa ou grelhados e servidos com os mais diversos tipos de molho, esses peixes de carnes firmes, saborosas e com boa dose de gordura permitem variadas formas de preparo.

O encantamento pela diversidade da Amazônia trouxe exploradores entre os séculos XVII e XVIII. E, com eles, vieram o gado bovino e a salga como método de conservação. Por conta disso, a carne-de-sol foi incorporada aos costumes locais.Receitas à base desse ingrediente conquistaram o segundo lugar na lista das mais pedidas no Norte.

NORDESTE
Trazido pelos escravos africanos, o azeite de dendê dá cor e sabor a acarajés, moquecas e bobós baianos. Outro resultado da miscigenação culinária bem sucedida é um emblemático prato da cozinha maranhense: o cuxá, que mistura a vinagreira, verdura de origem africana, ao gergelim, indispensável na mesa árabe. Nas mãos das talentosas negras, os ovos e o açúcar tão apreciado pelos colonizadores portugueses foram incorporados ao coco e deram forma a quindins, cocadas e bolos.

Aparentemente prejudicado por causa da distância do centro e do mar, o agricultor sertanejo soube aproveitar o presente da terra e colocou na panela o feijão-verde (vagem no sudeste), a mandioca (ali chamada de macaxeira) e a carne de bode com seus miúdos. Da sua culinária de subsistência nasceram receitas clássicas como a carne-de-sol do Rio Grande do Norte e o baião-de-dois do Ceará. Mas é no mar que o nordestino encontra sua fonte maior de riqueza. Lagostas, siris e camarões estão entre os frutos mais festejados. Porém, nenhum deles supera o consumo do peixe, que nos restaurantes representa o dobro dos pedidos preparados à base de camarão.

O crustáceo fica atrás dos pratos de carne, em segundo lugar na pesquisa. Impossível pôr os pés na Bahia sem experimentar uma de suas fumegantes moquecas servidas em cumbuca de barro, fartas em peixe, aromatizadas com azeite de dendê, enriquecidas pelo ardor da pimenta e coroadas com muito coentro. A versão da receita do restaurante Paraíso Tropical, de Salvador, ganha ainda a companhia rara de duas frutas típicas: a pitanga e o cítrico biribiri.



fotos: Bobó de camarão (salgado) e pudim de tapioca (doce).
fonte: Revista Gula

segunda-feira, 8 de maio de 2006


Os versos que te fiz


Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz !


Florbela Espanca
Auguste Belloc, "Nude Reclining on a Chaise"

Proibido à pessoas sensíveis

Lulinha de pelúcia
"O carioca Raul Mourão encaixota boneco do presidente em exposição em SP e debocha da imagem "paz e amor"

A galeria Oeste, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, exibe a mostra "Lulinhadepelúcia e Outras Coisas", do artista plástico carioca Raul Mourão. A idéia de criar bonecos de pelúcia inspirados no presidente Luiz Inácio Lula da Silva é anterior à crise do mensalão.

Na realidade, já durante a campanha eleitoral, em 2002, o artista cogitava transformar o então candidato em brinquedo de criança. "Lula parece o candidato das criancinhas", comentava ele à época, referindo-se ao jeito de falar e à performance do petista, que se autodesignou "Lulinha paz e amor".

Com o tempo, o projeto saiu da esfera da brincadeira e acabou entrando no circuito da arte. O "processo de bonequização" do presidente foi levado a termo e, com o produto básico realizado, Mourão passou a criar situações a partir dele. No Rio, o "Lulinhadepelúcia" (assim mesmo, grudado, como o artista batizou a coisa) transformou-se numa instalação na galeria Lurixs. Desenhos preliminares do boneco também foram enviados a artistas com o desafio de que os completassem com idéias próprias.

Em São Paulo, Mourão privilegiou peças nas quais o Lulinha aparece socado em caixas de madeira e vidro e, mais uma vez, contou com a colaboração de outros artistas. Entre os convidados para interferir em desenhos, estão Artur Lescher, José Spaniol, Leda Catunda, Renata Lucas, Rochelle Costi e Carlito Carvalhosa.

Projeto controvertido, que desperta reações variadas, de adesão e repulsa (além de considerações variadas sobre seu alcance artístico), "Lulinhadepelúcia" naturalmente encontrou eco na mídia, e o próprio presidente da República solicitou um exemplar. Na entrevista que se segue, fruto de conversas e trocas de e-mail, o artista plástico fala sobre o trabalho e suas articulações com o ambiente político e também artístico.





n.r.: Há gosto para tudo!


fonte: Folha de S.Paulo

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Nosso cotidiano e a censura

BB cancela a exposição "Erotica" em Brasília

Este título se refere ao seguinte assunto:"Depois de três reuniões tensas, realizadas entre a semana passada e ontem, a direção do Banco do Brasil decidiu cancelar a exposição "Erótica - Os Sentidos na Arte" em Brasília. O motivo do cancelamento é o impasse causado pela censura a uma obra da artista plástica Márcia X que mostra dois pênis cruzados feitos com rosários religiosos. A mostra, que passou por São Paulo e pelo Rio, seria inaugurada no próximo dia 15".

Mas antes vamos tentar entender como e porquê esse lê-lê-lê começou há muitas semanas atrás. Bem, começou com a Opus Christi, uma organização católica, chamando a exposição de pornográfica e a obra, considerada uma blasfêmia.

No dia 20 de fevereiro começava no CCBB-RJ a exposição, "Erótica - Os Sentidos na Arte" com seu término em 30/04. Como qualquer exposição que se apresente no Brasil, as visitas não são obrigatórias. Vai quem quer, quem pode e quem gosta. Só que a artista Márcia X teve a sua obra "Desenhando em Terços" (vista logo abaixo) censurada pelo Banco do Brasil, que "cedia" o espaço de seu Centro Cultural para a exposição.

"Desenhando em Terços" - Marcia X

Aqui seguem trechos de notícias sobre o veto à obra:
1."A obra foi retirada da exposição "Erotica - Os Sentidos na Arte". O banco diz ter recebido centenas de telefonemas contra a obra, que retrata dois rosários que desenham formatos de pênis. O CCBB ainda não se manifestou a respeito do novo protesto.

Márcio Botner, um dos autores da carta, diz que as reivindicações são a volta da obra à exposição "Erótica - Os Sentidos da Arte" e a retratação do CCBB. "Eles nos devem um pedido de desculpas", afirma. Os artistas pedem também um pronunciamento do ministro Gilberto Gil contra a censura". Fonte: UOL

A notícia sobre o cancelamento da exposição em Brasília me deixou surpresa. Pensei que o "problema" havia sido ultrapassado. Que o ocorrido tinha sido uma encrenca local. Que nada! Me senti meio naïf e desiludida com o alcance do poder da Igreja neste país e qual é o benefício para nós desse poder? Claro que não consigo obter alguma resposta.

O dia a que se refere o texto, com a opinião do Marcelo Negromonte, editor do UOL Cinema, já passou, mas o cancelamento da exposição em Brasília é atual. Portanto, faço copy and paste porque acho que vale a pena ler o que foi escrito. Anda tudo muito errado por essas bandas, onde faltam escolas, ensino básico e o Fome Zero é uma piada de mau gosto. E o título que Negromonte dá, é:

Caso Márcia X: Museu deveria ser território livre do alcance de qualquer Igreja

A proibição de qualquer manifestação por meio da arte é inócua. Não apenas o impedimento provoca uma exposição exacerbada daquilo que se pretendia eliminar, como os seus praticantes, cegos pela ignorância, são incapazes de perceber o fato.

O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro abriga até o dia 30 a mostra "Erotica - Os Sentidos na Arte". Nesse evento estava a obra "Desenhando em Terços", de Márcia X (1959-2005) _um sobrenome que sugere a piada de ter sido também ele censurado_, retirado esta semana devido a "centenas de reclamações", segundo a direção do CCBB. Pesa na decisão também o fato de a organização católica Opus Christi ter entrado na Justiça por causa da obra. Esse grupo considera a obra "blasfema" e "agressiva à fé católica".

A "blasfêmia": dois terços dispostos em forma de pênis que resultam numa cruz _ou num X.

O tal Opus Christi quer mais. Vai pedir na Justiça a retirada de um quadro sem título, da mesma mostra do CCBB, de autoria de Alfredo Nicolaiewsky, em que são Jorge está ao lado de um "nu masculino".

Quase na segunda década do século 21, a Igreja Católica, por meio de uma obscura facção reacionária, continua agindo como se ainda fosse o século 14, quando a política vigente da instituição era a selvagem Inquisição _expediente de que a própria Igreja hoje se envergonha.

Duas discussões surgem aqui. A primeira é que a "fé católica" está fora do âmbito religioso no caso em questão, ainda que seja explicitamente referente a ela. Não se trata de de uma profanação de um altar de igreja. O museu é por definição território livre _de tudo e de todos. Portanto ocorre uma manifestação que não diz respeito aos valores sacros, mas ao que eles representam numa cultura católica (por enquanto) como a brasileira _e isso vai além do alcance da Igreja.

O que está no espaço expositivo de um museu, "templo das Musas", deveria ser tratado com a mesma reverência que qualquer obra que integra o ambiente de uma igreja porque há motivos para que esse ou aquele objeto esteja lá _e esteja disposto da maneira em que está. Não consta que tenha havido censura externa de nada do que a Igreja exiba em seus templos. Por que a violência do caso Márcia X?

A segunda questão é o direito de expressão. Isso é pedra fundamental da democracia. Não se pode aceitar tudo de todos, é saudável haver abordagens divergentes da "oficial"; é iluminador, acima de tudo.

Por fim, há o fato de nem todos serem católicos nem acreditarem em Deus, e essa pluralidade está sendo "agredida", para usar o mesmo termo do grupo. Santa ignorância".

Há quem pense que tal preocupação com o fato possa ser uma bobagem. Mas longe disso. Quem ou o que perde com isso? O nosso futuro. Basta fazermos uma comparação simples em como é tratada a educação e a cultura no Brasil e como a mesma é tratada há anos na Europa e nos Estados Unidos. Não é possível viver apenas de samba e futebol.

n.r.: e prometo aos meus amigos blogueiros que colocarei minhas visitas - que são bem mais regulares - em dia. Minha coluna lombar pifou agora; não é nada grave. É que nos dois últimos meses, ela se comportou com bravura, já que tive de carregar muitas vezes ao colo, mais de 15 kgs do meu fofo cãozinho, que já está muuuuito melhor. :)

terça-feira, 2 de maio de 2006

4º Motivo da rosa


Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.


Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.


Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.


E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.


Cecília Meirelles

Os anos passam e a notícia continua a mesma

Jovens americanos são geograficamente analfabetos

Os jovens americanos sabem pouco da geografia mundial e até mesmo da nacional. A maioria se revelou incapaz de localizar o Iraque em um globo e quase a metade não consegue identificar os estados de Ohio e Nova York em um mapa, segundo uma pesquisa publicada nesta terça-feira.

A consulta Roper, feita a pedido da National Geographic, mostrou que a maioria dos jovens com idades entre 18 e 24 anos não só carecem de conhecimentos geográficos, como a ignorância a respeito não lhes preocupa.

"A metade pensa que é 'importante mas não absolutamente necessário' saber onde ficam os países mencionados nos noticiários (50%) ou saber falar um idioma estrangeiro (47%)", destacou um relatório sobre a pesquisa.

O estudo destaca que apesar da quase constante cobertura informativa desde a invasão dos Estados Unidos ao Iraque, em março de 2003, 63% dos entrevistados não foram capazes de localizar o país no mapa e 75% não conseguiram encontrar Israel ou Irã.

Nove em cada 10 se revelaram incapazes de dizer onde fica o Afeganistão em um mapa da Ásia, 75% não conseguiram encontrar a Indonésia e 70% não foram capazes de localizar a Coréia do Norte.

Por outro lado, só um terço dos consultados (33%) escolheu o Paquistão entre as quatro opções para a pergunta sobre um país que havia sido atingido por um gigantesco terremoto em outubro de 2005.

A China foi o país sobre o qual os jovens americanos demonstraram ter mais informações. Sete em cada 10 (69%) conseguiram localizá-la no mapa, embora 75% tenham respondido que o inglês é o idioma nativo mais falado no país, ao invés do mandarim. A pesquisa, que incluiu 510 entrevistas, foi realizada entre dezembro de 2005 e janeiro de 2006.

A National Geographic divulgou os resultados da consulta ao lançar uma campanha de cinco anos para melhorar o conhecimento geográfico entre os jovens americanos.

"O analfabetismo geográfico afeta nosso bem-estar econômico, nossas relações com outras nações, com o meio ambiente, e nos isola do mundo", disse John Fahey, presidente da Sociedade National Geographic.

"Sem geografia, nossos jovens não estarão prontos para enfrentar os desafios do cada vez mais interligado e competitivo mundo do século XXI".

n.r.: "we are the world, we are..." Oh! Yeah, Yeah!!!


fonte: AFP

O Universo Mítico de Carybé - S.P.

Museu Afro Brasil expõe a "baianidade" latente do artista

Hector Julio Páride Bernabó - Carybé, nasceu em Lanus, na Argentina no dia 7 de fevereiro de 1911. Foi pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, muralista, pesquisador, historiador e jornalista.

xilogravura da série "Visitações à Bahia" - 1974

Fez 5 mil trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Desenhou para livros de Jorge Amado. Era obá de Xangô, posto honorífico do candomblé. Morreu do coração durante uma sessão num terreiro de candomblé em Salvador, na Bahia em 2 de outubro de 1997.

"Festa do Pilão de Oxalá", desenho da série Iconografia dos Deuses Africanos

Uma extensa mostra sobre o baiano Carybé (1911-1997) e seu universo ocupa o espaço do Museu Afro Brasil, além da coleção de Odorico Tavares, exposta no subsolo. A partir do dia 6/5, mais Bahia: 80 artistas mostram obras inspiradas em letras de Dorival Caymmi.

"O Ovo da Ema" - 1976, óleo sobre tela

Na mostra dedicada a Carybé, há enorme variedade de registros: pinturas, esculturas, desenhos, gravuras. Somadas, cerca de 500 obras mostram a produção intensa de Hector Julio Paride Barnabó - o apelido, Carybé, foi dado na juventude por Jorge Amado, em referência a um peixe selvagem. "Fazer uma mostra retrospectiva seria congelar o trabalho de Carybé. Prefiro, em vez disso, mostrar o universo mítico que permeia um artista cheio de meandros", diz o curador, Emanoel Araújo.


O Universo Mítico de Hector Julio Paride Barnabó - O Baiano Carybé
»Quando: até dia 2/7; de terça a domingo, das 10h às 18h;
»Onde: Museu Afro Brasil
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 10, Parque Ibirapuera.
»Informações: tel. (011) 5579-0593
»Quanto: entrada franca


fonte: Folha de S.Paulo e Wikipédia
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