Mostrando postagens com marcador Pablo Neruda. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pablo Neruda. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Saudade






Saudade é solidão acompanhada,
é quando o amor ainda não foi embora,
mas a amada já...

Saudade é amar um passado
que ainda não passou,
é recusar um presente que nos machuca,
é não ver o futuro que nos convida...

Saudade é sentir que existe
o que não existe mais...

Saudade é o inferno dos que perderam,
é a dor dos que ficaram para trás,
é o gosto de morte na boca dos que continuam...

Só uma pessoa no mundo deseja sentir saudade:
aquela que nunca amou.

E esse é o maior dos sofrimentos:
não ter por quem sentir saudade,
passar pela vida e não viver.

O maior dos sofrimentos é nunca ter sofrido.


Pablo Neruda

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Te amo






Te Amo

Te amo de uma manera inexplicable
te amo de uma maneira inexplicável
De una forma inconfesable
de uma forma inconfessável
De un modo contradictorio
de um modo contraditório

Te amo
Con mis estados de ánimo que son muchos
Te amo , com meus estados de ânimo que são muitos
Y cambian de humor continuamente
e mudar de humor continuadamente
Por lo que ya sabes,
pelo que você já sabe
El tiempo
o tempo
La vida
a vida
La muerta
a morte

Te amo
Con el mundo que no entiendo
Te amo, com o mundo que não entendo
Con la gente que no compreende
com as pessoas que não compreendem
Com la ambivalencia de mi alma
com a ambivalência de minha alma
Con la incoherencia de mis actos
com a incoerência dos meus atos
Con la fatalidad del destino
com a fatalidade do destino
Con la conspiración del desejo
com a conspiração do desejo
Con la ambigüedad de los hechos
com a ambigüidade dos fatos
Aún cuando te digo que no te amo, te amo
ainda quando digo que não te amo, te amo
Hasta cuando te angaño, no te engaño
até quando te engano, não te engano
En el fondo, ilevo a cabo un plan
no fundo levo a cabo um plano
Para amarte mejor
para amar-te melhor.

Te amo.
Sin reflexionar, inconscientemente,
Te amo , sem refletir, inconscientemente
irresponsablemente, espontáneamente
irresponsavelmente, espontaneamente
involutariamente, por instinto
involuntariamente, por instinto
por impulso, irracionalmente
por impulso, irracionalmente
En afecto no tengo argumentos lógicos
de fato não tenho argumentos lógicos
ni siquiera improvisados
nem sequer improvisados
Para fundamentar este amor que siento por ti,
para fundamentar este amor que sinto por ti
que surgió misteriosamente de la nada,
que surgiu misteriosamente do nada
Que no ha resuelto mágicamente nada
que não resolveu magicamente nada
Y que milagrosamente, de a poco, con poco ya nada
e que milagrosamente, pouco a pouco, com pouco e nada,
Ha mejorado lo peor de mi
melhorou o pior de mim

Te amo.
Te amo con un cuerpo que no piensa
te amo com um corpo que não pensa
Con un corazón que no razona,
com um coração que não raciocina
Con una cabeza que no coordina
com uma cabeça que não coordena

Te amo
incomprensiblemente
te amo incompreensivelmente
Sin preguntarme por qué te amo
sem perguntar-me porque te amo
Sin importarme por qué te amo
sem importar-me porque te amo
Sin cuestionarme por qué te amo
sem questionar-me porque te amo

Te amo
sencillamente porque te amo
Te amo
simplesmente porque te amo
Yo mismo no se por qué te amo
Eu mesmo não sei porque te amo


Pablo Neruda

quarta-feira, 31 de março de 2010

Antes de amarte, amor, nada era mio







Antes de amarte, amor, nada era mío,
vacilé por las calles y las cosas,
Nada contaba ni tenía nombre,
El mundo era del aire que esperaba.

Yo conocí salones cenicientos,
Túneles habitados por la luna,
Hangares crueles que se despedían,
Preguntas que insistían en la arena.

Todo estaba vacío, muerto y mudo,
Caído, abandonado y decaído,
Todo era inalienablemente ajeno.

Todo era de los otros y de nadie,
Hasta que tu belleza y tu pobreza
Llenaron el otoño de regalos.




Pablo Neruda

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009



Dois amantes felizes não têm fim nem morte,
nascem e morrem tanta vez enquanto vivem,
são eternos como é a natureza.



Pablo Neruda
foto:Elfi Kaut

domingo, 4 de janeiro de 2009

Início de um novo ano



Não te quero senão porque te quero,
e de querer-te a não te querer chego,
e de esperar-te quando não te espero,
passa o meu coração do frio ao fogo.
Quero-te só porque a ti te quero,
Odeio-te sem fim e odiando te rogo,
e a medida do meu amor viajante,
é não te ver e amar-te,
como um cego.

Tal vez consumirá a luz de Janeiro,
seu raio cruel meu coração inteiro,
roubando-me a chave do sossego,
nesta história só eu me morro,
e morrerei de amor porque te quero,
porque te quero amor,
a sangue e fogo.


n.r.: Voltei! Saudades desse meu adorado "Nuvens". Feliz Ano Novo!


Pablo Neruda
foto: Owen O'Meara

terça-feira, 2 de setembro de 2008



Solta-me as mãos
E deixa livre o meu coração!
Deixa que os meus dedos percorram
Os caminhos do teu corpo.
A paixão – sangue, fogo, beijos –
Incendeia-me em labaredas trémulas.
Ai, tu não sabes o que é isto!
É a tempestade dos meus sentidos
Dobrando a selva sensível dos meus nervos.
É a carne que grita, com suas línguas ardentes!
É o incêndio!
E está aqui, mulher, como um tronco intacto.
Agora que a minha vida feita de cinzas voa
Até ao teu corpo cheio, como a noite, de astros!
Deixa-me livres as mãos
E deixa livre o meu coração!
Só te desejo a ti, a ti só desejo!
Não é amor, é um desejo que se esgota e que se extingue,
É a precipitação de fúrias, aproximação do impossível.
Mas tu estás aí.
Estás para me dares tudo,
E para me dares o que tens, à terra vieste –
Como eu, para te ter
E te desejar,
E te receber!


Pablo Neruda
trad.: O'Sanji
foto Giuseppe Sarcinella

quarta-feira, 27 de agosto de 2008



Te amo
de uma maneira inexplicável
de uma forma inconfessável
de um modo contraditório
Te amo!
com meus estados de ânimo que são muitos
e mudam de humor
continuamente pelo que já sabes...
O tempo!
A vida!
A morte!
Te amo!
com o mundo que não entendo
com a gente que não compreendo
com a ambivalência de minha alma
com a incoerência de meus atos
com a fatalidade do destino
com a conspiração do desejo
com a ambigüidade dos fatos
Te amo!
Ainda quando te digo
que não te amo...
Te amo!
Até quando te engano...
não te engano!
No fundo levo a cabo um plano
para amar-te melhor

Te amo! sem refletir inconscientemente
irresponsavelmente
espontaneamente
Te amo!

por instinto
por impulso
irracionalmente
efetivamente
Não tenho argumentos lógicos
nem sequer improvisados
para fundamentar
este amor que sinto por ti
que surgiu misteriosamente do nada
que não resolveu magicamente nada
e que milagrosamente
com este pouco, com este nada
tem melhorado o pior de mim
Te amo
com um corpo
que não pensa
com um coração
que não raciocina
com uma cabeça
que não coordena
Te amo!
incompreensivelmente
sem perguntar-me porque te amo
sem importar-me porque te amo
sem questionar-me porque te amo
Te amo!
singelamente porque te amo
Eu mesmo não sei
porque te amo!
Te amo!


Pablo Neruda
fot: Susan Burnstein

Blog Widget by LinkWithin
 
Creative Commons License
Esta obra está licenciada sob uma Licença Creative Commons.