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quinta-feira, 23 de setembro de 2010

O Brasil sangra...

O peso da corrupção, por Míriam Leitão



É evidente que houve um aumento da corrupção no governo. Houve um momento em que era comum dizer que o rigor da apuração dava a impressão de mais corrupção. Agora, é difícil esconder. O caso Erenice traz sinais inquietantes. Um deles é a sem-cerimônia com que uma família no coração do governo se espalhou em lobbies, nepotismo, conflitos de interesse.

Cinco anos depois do mensalão, e já sabedores de que alguns dos suspeitos de 2005 hoje respondem a processo no Supremo Tribunal Federal, os integrantes do grupo em torno da ex-ministra-chefe da Casa Civil faziam seus negócios. Mesmo que se desconsiderem todos os pontos ainda obscuros ou inconsistentes, ainda assim, o que resta é prova clara de que há uma sensação de impunidade no governo.

O ano de 2005 ficará como marco de uma fronteira, e ela não é boa. Naquele ano, após as longas noites que os cidadãos ficaram de vigília acompanhando as estarrecedoras confissões e depoimentos dos responsáveis pelo caso do mensalão, o país tinha dois caminhos: encobrir ou enfrentar. Escolheu o pior. O melhor seria ter debatido a construção dos mecanismos de proteção da sociedade brasileira contra a repetição dos mesmos eventos. O que acabou prevalecendo foi o caminho das versões mutantes do presidente da República, que saiu do "fui traído", para a versão mais conveniente que é a de dizer que é vítima da "elite".

O Brasil está num momento importante da sua história. Venceu vários obstáculos, fez reformas modernizantes, estabilizou a economia e começa a incluir os que estavam à margem do progresso. Isso foi feito por governos diferentes. Somos considerados no mundo um caso de sucesso, temos algumas vantagens em relação aos concorrentes, podemos atrair capital que financie o nosso desenvolvimento.

A corrupção, no entanto, é um entrave político e econômico. Na política, por óbvio. A qualidade das instituições está se deteriorando. Depois do deprimente espetáculo de políticos da base recebendo dinheiro distribuído por um fornecedor do governo, do escatológico dinheiro na cueca, o país não melhorou. Novos escândalos surgiram. No Executivo e no Congresso. O caso do DEM de Brasília, por ter sido tão bem documentado, deixou nas retinas as imagens da corrupção em mãos, meias, paletós, sacolas e bolsas. O resto é um certo cansaço do cidadão, como se tudo isso fizesse parte da paisagem.

Outra forma de distorção é o uso abusivo da máquina pública para fins partidários. A saída do governo, para fugir da acusação de crime político de espionagem de adversários, foi a de rebaixar uma instituição como a Receita a uma recorrente praticante de crime comum.

A compra de dossiê forjado para combater adversários foi banalizada, depois que nada aconteceu com pessoas do comitê de campanha do presidente da República em 2006, que foram apanhadas com a extravagante quantia de R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo.

O rebaixamento dos padrões morais e a repetição produzem descrença no cidadão. Parece um filme visto e revisto. As autoridades afirmam nada saber e invocam o princípio jurídico da dúvida em favor do réu. Que ninguém duvide que esse princípio é fundamental. Mas está na hora de alguém invocar um princípio que proteja a vítima da repetição incessante dos desvios do dinheiro coletivo.

Na economia, os reflexos não são menos corrosivos. Aumentam custos, induzem à ineficiência. Como o grande mercado de qualquer economia é o de compras governamentais de mercadorias e serviços, e como é o setor público que distribui licenças de operação de serviços, todas as empresas se organizam na lógica da corrupção. Em vez de buscar a eficiência, se esforçar por uma tecnologia ou um processo de produção mais barato para ganhar a licitação, é muito mais lucrativo recrutar quem sabe entregar o envelope à pessoa certa. Os funcionários das empresas que sabem aumentar a eficiência, reduzir o custo ou promover o salto tecnológico do produto a ser vendido ao Estado têm menos importância do que os que conhecem corredores, gavetas, bolsos ou contas bancárias das pessoas certas.

Dessa forma, cria-se um ambiente de contágio mútuo, um círculo vicioso. Quanto mais a empresa corrompe, mais o Estado é corrompido. Quanto mais o Estado é corrompido, mais qualquer negócio com ele só pode ser feito mediante o pagamento por fora. Quanto mais se paga propina, mais o serviço encarece e perde qualidade. Quanto mais avança esse processo, mais se criam privilégios e cartórios.

Num país assim, os melhores investidores não entram. O risco e o grau de incerteza crescem. O país passa a atrair investidores que sabem jogar o mesmo jogo e isso acaba contaminando também o capital externo que entra.

A corrupção tem de ser vencida, porque é um obstáculo ao progresso político, econômico e institucional. Mas essa grave barreira ao nosso futuro é discutida aos espasmos, a cada novo escândalo. A solução não é pregar o moralismo que já nos levou a outros descaminhos. A solução sempre será prestação de contas, transparência e punição.


. . .


Mas não voltei ainda.



fonte:Míriam Leitão

quarta-feira, 10 de junho de 2009

Eu não queria falar...

Eu até nem gosto de falar, mas até parece perseguição...

Então... leio mês passado no G1, quando nosso presidente passava uns dias na Turquia, que o Brasil não entraria em recessão, aliás, que nosso querido país de tamanho continental teria um crescimento positivo enquanto outros países teriam crescimento negativo, ler aqui. E fui dormir tranquila e os dias foram passando.

Ontem à noite, sentada em frente à TV, comendo meu rosbife, levo um choque e quase engasgo, quando o jornalista no noticiário da GNT, sai com a frase num sopetão: "O Brasil está em recessão!" Como assim? Então ele não sabia de nada, de novo? Não pode ser.

E colei a seguinte notícia da página da Época: "Foi divulgado nesta manhã (dia 9) o desempenho do PIB brasileiro no 1º trimestre de 2009 em relação aos três meses anteriores, e a queda de 0,8% confirma um cenário já previsível: a recessão. O G1 lembra que o IBGE já havia encolhido 3,6% no último trimestre de 2008. Por isso, como houve redução por dois trimestres seguidos, fica configurado o período recessivo. Os setores que mais contribuíram para o resultado negativo desse primeiro trimestre foram os investimentos (queda de 12,6% em relação ao 4º tri de 2008) e as exportações e bens de serviços (-16%).

E a marolinha não era tão marolinha assim, infelizmente...


fonte: Época e G1

terça-feira, 26 de junho de 2007

Sem comentários

Lula é aprovado por 64% e seu governo por 47,5%


O índice de aprovação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pela população é o segundo melhor desde 2005, aponta pesquisa CNT/Sensus divulgada nesta terça-feira. De acordo com a pesquisa, 64% disseram aprovar o presidente. O resultado ficou estável em relação à pesquisa anterior, realizada em abril, quando 63,7% tiveram a mesma opinião. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais, para mais ou para menos.

Mais da matéria aqui.

n.r.: sem palavras...


fonte:Folha Online
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