
O corpo não espera. Não.
Por nós ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.
Jorge de Sena
foto:Denis Olivier
Por nós ou pelo amor. Este pousar de mãos,
tão reticente e que interroga a sós
a tépida secura acetinada,
a que palpita por adivinhada
em solitários movimentos vãos;
este pousar em que não estamos nós,
mas uma sêde, uma memória, tudo
o que sabemos de tocar desnudo
o corpo que não espera; este pousar
que não conhece, nada vê, nem nada
ousa temer no seu temor agudo...
Tem tanta pressa o corpo! E já passou,
quando um de nós ou quando o amor chegou.
Jorge de Sena
foto:Denis Olivier





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2 comentários:
Li o Jorge de Sena com as imagens do Rio na cabeça.
Tenho de voltar para o reler, daqui a bocado.
Um abraço apertado e solidário
Ontem eu não refleti sobre postar aqui sobre a catástrofe que se abatia sobre a minha cidade.
Mas quando me senti uma pessoa muito privilegiada por viver bem, numa área que foi pouco afetada pela chuva enquanto via pela TV a dor de quem perdia familiares e outros que se sentiam mal por não ter conseguido socorrer todas as pessoas que haviam sido soterradas pelas próprias casas, não pensei duas vezes. A minha indignação serve de muito pouco, mas...
Beijos, Maria
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