Realismo socialista com toques fashion

A lenta abertura política e a rápida abertura econômica da China vêm fazendo com que nas últimas três décadas, a arte contemporânea chinesa atraia olhares e dólares em todo o mundo. Parte dela estará à mostra no Centro Cultural Banco do Brasil, no Rio - e não será exposta em SP.
"China Hoje - Coleção Uli Sigg" reúne trabalhos de 27 artistas, selecionados pelo curador Alfons Hug naquela que é a maior coleção de arte contemporânea chinesa. O suíço Uli Sigg, 61, foi embaixador de seu país na China entre 1995 e 98, quando começou a formar o acervo, de atuais 1.500 obras.

"A arte chinesa é um espelho interessante da realidade da China de hoje e diferente da visão oficial. É uma arte com alguns toques de ironia e subversão e que, às vezes, bebe na rica fonte da tradição chinesa", afirma Sigg. A corrente irônica costuma ser chamada de "realismo cínico". São artistas que, com sutileza, comentam o realismo socialista, praticamente a arte oficial durante os anos do líder comunista Mao Tse-tung no poder (1949-76), em especial na chamada Revolução Cultural (1966-69).
A tela de Zeng Fanzhi, por exemplo, mostra os olhos esbugalhados e as mãos desproporcionalmente grandes de um homem ao lado de um pequeno cachorro. Já Qi Zhilong pinta uma jovem com roupa militar, batom cor-de-rosa e elástico da mesma cor, unindo as tranças.
"A moldura é a mesma do realismo socialista, mas há um toque fashion que torna o quadro muito interessante", avalia Alfons Hug, alemão radicado no Brasil e que já selecionara obras chinesas para as Bienais de São Paulo de 2002 e 2004. A peça de maior destaque é um grão de areia, posto num pedestal no foyer do CCBB.
Herdeiro da tradição milenar da caligrafia chinesa, Lu Hao conseguiu escrever 125 caracteres no grão, que terá seu tamanho ampliado 5.000 vezes, graças a uma projeção. Os micro-símbolos contam a história de um homem que deixa sua aldeia e sofre na cidade grande.
A mostra ainda tem uma escultura (de Li Zhanyang) em que Buda é tentado por uma mulher, uma instalação (de Liu Wei) que une confessionários católicos e uma liteira chinesa, fotografias, pinturas que parecem fotos de tão realistas que são -como as de Li Dafang, com influência pop- e paisagens. Tudo figurativo.

"Praticamente não existe abstracionismo na China. Eu também me interessei por criar esse contraponto, já que, no Brasil, se você quiser fazer uma exposição contemporânea de paisagens ou mesmo de retratos, vai ter muita dificuldade", afirma Hug.
CHINA - COLEÇÃO ULI SIGG
» Quando: de ter. a dom.; das 10h às 21h
» Onde: CCBB-RJ
Rua Primeiro de Março, 66, centro
» Quanto: Grátis. Até 5/7
» Informações: tel.: (21) 3808-2020
fonte:Folha de S.Paulo
"China Hoje - Coleção Uli Sigg" reúne trabalhos de 27 artistas, selecionados pelo curador Alfons Hug naquela que é a maior coleção de arte contemporânea chinesa. O suíço Uli Sigg, 61, foi embaixador de seu país na China entre 1995 e 98, quando começou a formar o acervo, de atuais 1.500 obras.

"A arte chinesa é um espelho interessante da realidade da China de hoje e diferente da visão oficial. É uma arte com alguns toques de ironia e subversão e que, às vezes, bebe na rica fonte da tradição chinesa", afirma Sigg. A corrente irônica costuma ser chamada de "realismo cínico". São artistas que, com sutileza, comentam o realismo socialista, praticamente a arte oficial durante os anos do líder comunista Mao Tse-tung no poder (1949-76), em especial na chamada Revolução Cultural (1966-69).
A tela de Zeng Fanzhi, por exemplo, mostra os olhos esbugalhados e as mãos desproporcionalmente grandes de um homem ao lado de um pequeno cachorro. Já Qi Zhilong pinta uma jovem com roupa militar, batom cor-de-rosa e elástico da mesma cor, unindo as tranças.
"A moldura é a mesma do realismo socialista, mas há um toque fashion que torna o quadro muito interessante", avalia Alfons Hug, alemão radicado no Brasil e que já selecionara obras chinesas para as Bienais de São Paulo de 2002 e 2004. A peça de maior destaque é um grão de areia, posto num pedestal no foyer do CCBB.
Herdeiro da tradição milenar da caligrafia chinesa, Lu Hao conseguiu escrever 125 caracteres no grão, que terá seu tamanho ampliado 5.000 vezes, graças a uma projeção. Os micro-símbolos contam a história de um homem que deixa sua aldeia e sofre na cidade grande.
A mostra ainda tem uma escultura (de Li Zhanyang) em que Buda é tentado por uma mulher, uma instalação (de Liu Wei) que une confessionários católicos e uma liteira chinesa, fotografias, pinturas que parecem fotos de tão realistas que são -como as de Li Dafang, com influência pop- e paisagens. Tudo figurativo.

"Praticamente não existe abstracionismo na China. Eu também me interessei por criar esse contraponto, já que, no Brasil, se você quiser fazer uma exposição contemporânea de paisagens ou mesmo de retratos, vai ter muita dificuldade", afirma Hug.
CHINA - COLEÇÃO ULI SIGG
» Quando: de ter. a dom.; das 10h às 21h
» Onde: CCBB-RJ
Rua Primeiro de Março, 66, centro
» Quanto: Grátis. Até 5/7
» Informações: tel.: (21) 3808-2020
fonte:Folha de S.Paulo





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