terça-feira, 22 de agosto de 2006

Chega de impunidade

Dia da blogagem coletiva para um basta a violência

Carlos do blog "Beco dos Bytes" (becodosbytes.blogspot.com) me avisou e obviamente aderi para ser mais uma voz contra tanta violência a que somos submetidos diariamente sem que nenhuma atitude por parte das autoridades que tem competência sobre a gestão do assunto tome medidas que sejam de fato eficientes para que possamos ter o básico direito de ir e vir em qualquer cidade brasileira e a qualquer hora.

Diferentemente do que dizem os especialistas sobre o assunto violência e insegurança - um não existe sem o outro - nós, sociedade de "culpados" por não termos nascido em favelas, há muito viramos vítimas. Somos tão vítimas como vários trabalhadores que por falta de condições materiais, são obrigados a morar nas favelas e a serem "coniventes" por medo de seus algozes e por pura atitude de sobrevivência.

Este post faz parte da blogagem coletiva proposta pela Laura (lauravive.blogspot.com). A partir daqui vou transcrever parte do post do Carlos, que já começa dizendo que todos nós estamos fartos de tanta violência e tanta impunidade. "Como o tema é muito amplo, o texto será concentrado no nosso querido país, o Brasil.

Vou começar falando sobre um fato que presenciei e que nunca vou esquecer. Há algum tempo, perto da minha casa, um grupo de flanelinhas “tomou conta” de uma parte da calçada aonde as pessoas costumavam parar seus carros. Além de “vigiarem” os carros, eles gostavam de perturbar as pessoas que passavam pela rua, especialmente idosos e crianças – os mais indefesos. Um certo dia, eu presenciei uma cena lastimável. Estava na parte de fora da padaria que fica ao lado do território dos flanelinhas e vi que eles estavam bem agitados, fazendo uma verdadeira bagunça, brigando entre si e falando palavrões bem cabeludos quando uma senhora já de idade passou pelo local e foi ofendida pelo grupo. Sentindo-se totalmente agredida, ela avistou o que deveria ser a solução (pelo menos o melhor que poderia ser feito) do seu problema, um policial estava parado do lado de fora da padaria. A senhora se aproximou e contou o que havia acabado de acontecer ao policial, que rapidamente a levou até o grupo. Eu, que estava observando, procurei me aproximar um pouco mais para saber qual seria a atitude do policial. Infelizmente, o pior aconteceu. Ao chegar próximo do grupo, o policial diz: “Aê, a vovó tá fazendo queixa de vocês!” Um dos marginais se vira e responde, “Fazendo queixa, é!? Pode deixar que a gente vai cuidar dela!” E depois disso, todos começaram a rir num tenebroso tom de deboche, enquanto a pobre senhora teve que ir embora completamente sem acreditar no que havia acabado de acontecer.

Até hoje, sempre que me lembro disso, fico com o mesmo sentimento de impotência perante tamanha safadeza. O policial que deveria nos proteger, na verdade, protege os nossos agressores. Não sei se o grupo, que felizmente não está mais por aqui, fez algo a mais contra a indefesa velhinha (espero que não), mas o ato daquele policial não é único. É apenas mais um dos vários que deveriam nos proteger, mas que não protege."



Posso dizer que há muito tempo, na rua onde moro e arredores, o assalto a carros a noite é semanal, dizer que são diários seria exagero. Mas não é exagero dizer que quase são diários. Era assim.
Há dois meses, a coisa ficou banal. Os assaltantes já se aperceberam que aqui como em muitas outras ruas, nada se altera com relação a segurança, e passaram a ser totalmente descarados no alto do conhecimento que têm que continuarão impunes. Agora eles chegam a pé, em horário de bastante movimento de pessoas nas ruas, sem se preocuparem que algo possa impedí-los de um roubo, de um ganho. A maldita frase "perdeu, perdeu!" já é parte do inconsciente de qualquer morador do Rio de Janeiro.

E contrário ao que usualmente serve como desculpa, pelas ruas a que me refiro, nem por isso, receberam um policiamento mais constante. As pessoas assaltadas, cujos carros, dinheiro e documentos são levados pela bandidagem, dão queixa na delegacia mais próxima. Mas o que fazer? A última notícia que tivemos através dos jornais é que a polícia não têm dinheiro para pôr gasolina em seus carros e que os telefones também foram cortados por falta de pagamento. Como fazer para pedir ajuda? Não sei.

Um turista português morreu esfaqueado na praia de Copacabana, poucas semanas depois de um turista paulista morrer na Estrada das Paineiras - outro local turístico - defendendo sua família de um sequestro. E ainda há moradores do Rio que escrevem aos jornais e comparam um assassinato como esse a um assalto nas ruas de Paris, ou Nova York, ou noutra grande cidade qualquer que membros de sua família costumam visitar. Realmente, não foi um filho dessa pessoa que morreu.

Aqui, somos violentados em nossos direitos, outros povos vem aqui fazer turismo e morrem e mesmo assim alguns moradores dessa cidade não enxergam nada do que está acontecendo. E na mesma semana em que o jovem português de 19 anos morreu, na quinta- feira e sexta-feira houve um total de 28 assaltos contra turistas. Foi notícia em vários jornais e rádios do Rio de Janeiro.

Nesse fim de semana, por medo da violência, um pai e uma mãe foram apanhar a filha em uma festinha na Barra da Tijuca, na volta à casa, ouvem um barulho e a mãe está sangrando após ter sido atingida por uma bala perdida na cabeça. No Jornal "O Globo" de hoje - ver em www.oglobo.com.br - é noticiado que o carro que foi perfurado pela bala até ontem não havia sido periciado. É dessa forma que estamos vivendo nosso dia a dia.

Não consigo entender como algum turista ainda queira vir para o Rio de Janeiro. Não venham! A situação de violência aqui é grave. Estar vivo é pura questão de sorte!


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