segunda-feira, 29 de julho de 2013

Bora seguir o exemplo?



"Os 300 funcionários de limpeza da SuperVia, que transportou nesta JMJ mais de 2,8 milhões de passageiros, número cinco vezes maior do que a média diária, quase não tiveram o que recolher durante esta "Semana Santa".

Os trens chegavam e saíam das estações sem sujeira no chão ou nas lixeiras.

Ao fim das viagens, ainda era possível sentir o cheiro de capim-limão utilizado como aromatizantes nos carros."

Acrescento que mesmo com filas de quase duas horas para os banheiros, ninguém foi pego fazendo xixi pelas ruas, e também os peregrinos ajudaram recolhendo sua própria sujeira das praias.

Civilidade é um bom exemplo a ser seguido, não é mesmo?

fonte: Ancelmo Goes

Pessoa





Tenho uma dor de concha extraviada.
Uma dor de pedaços que não voltam.
Eu sou muitas pessoas destroçadas.



Manoel de Barros

sexta-feira, 26 de julho de 2013

O fofinho



Não sou católica, nem tampouco me tornarei uma, mas rendo-me totalmente à fofurice do Papa Francisco. Ele humaniza a Igreja com a sua simplicidade e com seus discursos que falam de compreensão, amor, fé e justiça. Acho muito difícil que a Igreja Católica tenha outro Papa como ele, prevejo mudanças na Igreja enquanto ele estiver à sua frente. Tomou uma posição contra as drogas, o que cria algum conflito com algumas pessoas, mas não comigo. Além disso, os peregrinos, que encheram a cidade, são muito alegres e a alegria deles é contagiante. Enfim, o Papa Francisco é fofinho.





Papa tomou chimarrão no trajeto de papamóvel entre a multidão. Ele recebeu a bebida de um peregrino e a tomou enquanto não chegava ao palco.




foto:Estadão

quarta-feira, 24 de julho de 2013

terça-feira, 23 de julho de 2013

Jornada Mundial da Juventude







Hoje começa oficialmente a JMJ e até o momento, tirando a figura simples e carismática do Papa, a quem chamo de fofinho, o que se viu me deixou envergonhada e indignada. Ontem tanto o Governador, como o Prefeito, demonstraram uma tremenda incompetência na logística do deslocamento do Papa pela cidade, expondo sua vida. A sorte é que todos os que estavam pelo caminho queriam a mesma coisa: apenas um contato com o Papa. E hoje foi a chave de ouro, pelo menos espero que seja a última gafe do governo. Com um transporte público que já é ineficiente e gerou um catupilhão de protestos no mês passado, sem alguma explicação, peregrinos e a população do Rio de Janeiro, ficaram presos dentro dos vagões do metrô - o melhor meio de transporte para levar os peregrinos à praia de Copacabana - e tiveram de ser retirados, e por falta de energia, as duas únicas linhas do metrô foram totalmente paralisadas. É uma mistura de vergonha e indignação o que sinto. O desgoverno está instalado.




domingo, 21 de julho de 2013

A idéia é boa...


Também sou pacifista e achei a idéia boa, ações sociais, mesmo que obrigatórias, inevitavelmente abrem a cabeça das pessoas, o indivíduo se vê obrigado a parar de enxergar seu próprio umbigo. Eu até acho que não seria má idéia se história política - e principalmente a nossa história política - fosse ensinada nas escolas por que o que se percebe de desconhecimento por grande parte da população jovem é impressionante. Segue abaixo a matéria da Ruth Aquino.



por Ruth Aquino, para Revista Época.


Você quer mesmo um Brasil melhor?
Então faça por onde: em vez de só cobrar, que tal exercer seriamente o civismo e a cidadania?

Então faça por onde – em vez de sair mascarado, quebrando e saqueando. A violência é pouco eficaz. O crime é contraproducente se o objetivo for aperfeiçoar uma democracia. Vivemos um momento histórico, inspirado por revoltas populares na Tunísia, Espanha ou nos Estados Unidos. É hora de aproveitar para o bem a energia de jovens brasileiros idealistas, que rejeitam os vícios da política tradicional e corrupta. Sejam sujeitos e não objetos. Em vez de só cobrar – e virar massa de manobra –, que tal exercer seriamente o civismo e a cidadania?

É uma vergonha o Índice de Desenvolvimento Humano do Brasil. Ocupamos o 85o lugar no ranking mundial, atrás de Bósnia e Azerbaijão. Faltam médicos e professores em todo o país, não apenas nos confins do Brasil. É um absurdo querer aumentar, por lei, o número de anos de estudo de medicina. Ou exilar residentes em lugares sem condições de trabalho. A atitude desesperada do governo Dilma só expõe a metástase da Saúde. Não há ambulâncias, equipamentos ou médicos suficientes em lugar nenhum no Brasil, e isso inclui Rio de Janeiro e São Paulo.

Relanço então uma ideia que defendi há três anos em ÉPOCA: instituir o serviço civil obrigatório, que substituiria o alistamento no Exército para quem completa 18 anos. O serviço militar, com mais de um século, é um anacronismo num país sem guerra. É sexista, por contemplar apenas homens. Em vez dele, rapazes e moças dedicariam um ano de sua vida para servir à comunidade. Em meio expediente, para não atrapalhar os estudos. Funcionaria como um estágio e poderia ser pago pelo Estado com um salário mínimo. Os filhos da classe média e da elite aprenderiam mais sobre o Brasil real se fossem convocados a ensinar a crianças e adolescentes carentes português, matemática, inglês, história, informática. Design ou balé. Capoeira ou música. Gastronomia ou fotografia.

O serviço civil obrigatório seria uma oportunidade de integração, educação, disciplina. Não existe, em nosso país partido, nenhuma estratégia de entendimento real entre as classes. Não se treinam o ouvido nem a compaixão. Jovens deveriam consagrar um tempo ao bem público. Para criar bases e valores. Desperdiçamos um exército de jovens inteligentes e criativos. Há os que sonham em sair do Brasil sem chegar a entender o país em que nasceram. Nem aprendem a dar bom-dia ou a agradecer por um serviço prestado.

Na Suíça ou na Alemanha, é possível escolher o serviço civil em vez do militar. No Brasil, a Constituição de 1988 também contempla a objeção de consciência, que isenta o cidadão do serviço militar se contrariar suas crenças filosóficas, religiosas ou políticas. Mas não existe um serviço alternativo formalizado. Várias escolas estimulam a consciência social, mas iniciativas isoladas não bastam. Deveríamos preparar jovens para servir a pátria como cidadãos.

Para quem tem filosofia pacifista como eu, o serviço militar é uma agressão. A alternativa não passa pela violência. Ser empreendedor, ser voluntário, ir para a política são, todas elas, formas mais eficazes de mudança. Um estudante de Direito poderia, no primeiro ano da faculdade, dedicar seis horas diárias a atender pequenas causas em favela. Um estudante de contabilidade montaria pequenos negócios para famílias pobres e empreendedoras. Um estudante de letras incentivaria adolescentes a ler e escrever contos ou poesias. Outro ensinaria a ser inventivo no computador, a tocar piano ou a falar inglês. São tantos dons aprendidos na universidade, financiados pelos pais ou com nossos impostos. Por que não retribuir?

Isso nada tem a ver com filantropia ou caridade. “O serviço civil alternativo seria um rito de passagem do jovem para a idade adulta”, diz o empreendedor social Rodrigo Baggio, fundador do Comitê para Democratização da Informática. Baggio encara o serviço civil como “um aprendizado cívico, uma experiência que ajuda o jovem a escolher sua própria profissão e seu futuro”. “Valoriza o currículo”, diz ele. “O jovem que já foi voluntário é hoje mais solicitado no mercado.” O serviço civil ainda gera um pacto social mais eficaz. Deveria, segundo Baggio, haver uma parceria entre governo, sociedade civil, ONGs e empresas, com o apoio do Fundo de Amparo ao Trabalhador. Uma comissão destinaria o jovem a certo trabalho, a partir de uma capacitação básica em direitos humanos, cidadania e empreendedorismo.

O serviço militar prepara para a guerra. E se preparássemos os jovens para a paz? Há no Brasil 31 milhões de jovens de 18 a 26 anos, segundo o IBGE. Pouquíssimos se alistam nas Forças Armadas. Dá para entender também o desinteresse pelo voto e pela política partidária. Torço por uma mudança de fundo, sem confete e sem violência. Uma Jornada Nacional da Juventude. Que se engaje de verdade, sem ódio e sem sangue nos olhos, num futuro melhor para este Brasil desigual, ineficiente e entregue a políticos sem o menor apreço pelo interesse público.


fonte: Revista Época

É uma força...



Esta música me diz muito, me arrepia do cucuruco da cabeça à pontinha do pé. Ser Maria é uma força que nem te conto... é uma estranha mania de ter fé na vida.


sexta-feira, 19 de julho de 2013

É assim...







Serei o que você quiser, mas só quando eu quiser.






Clarice Lispector

segunda-feira, 15 de julho de 2013

Belezura



Sempre que visitamos um amigo, saímos ganhando. Hoje foi esta música. Bifei-a da Maria, do O Cheiro da Ilha.







Sabe Deus tudo o que me vai na alma
Sabe Deus onde encontro a minha calma
Só Deus sabe como calma era manhã em que saíste
nesse dia em que me deixaste e para sempre partiste

Sabe Deus como é fria a nossa cama
Sabe Deus como a minha voz te chama
Só Deus sabe como eu posso viver nesta tristeza
De saber que não vais voltar
esta é a minha certeza.

Mas se Deus quiser tu estarás à minha espera
Onde é sempre Primavera
Mas se Deus quiser voltarei para junto a ti
Renascendo onde morri



fonte:Maria in O Cheiro da Ilha

Será que não foi você que pediu para não ser amado?





Ela parou de amar porque você mandou.

Você não notou, mas sua companhia atendeu seu apelo.

Em algum momento, você cansou de receber amor. Em algum momento, você esnobou o amor.

Em algum momento, você se incomodou de ser amado e disse: "não fique em cima", "me dê espaço", "me deixe respirar", "preciso de liberdade".

Você delimitou um teto, demarcou um ponto de amar: mais que isso me incomoda.

Colocou uma régua na boca. Uma fita métrica no lugar das sobrancelhas.

Pôs uma placa de não avance, censurou a ternura.

E o outro lado começou a se reprimir, a se tolher, a esconder o amor até desaparecer, até perder a graça. O outro lado não pretendeu ser chato, incômodo, invasivo. E não estendeu mais as mãos como antes, e não abraçou como antes, e não beijou com a sinceridade de antes, não comentou seu dia como antes. E se apagou progressivamente. Afastou-se como um rio que pede carona para a neblina. Afastou-se pois você pediu para ser amado menos.

Para o amor permanecer, ama-se sem parar. Ama-se sem se preocupar com a quantidade.

É parar o amor que ele some. É estacionar o amor que ele não volta a andar.

Quem não aceita amor acaba desamado. Acaba levando o fora.



Fabricio Carpinejar

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Ah, Brasil....




Hoje é dia de Greve Geral, as centrais sindicais marcaram essa greve com as seguintes propostas:

- Reduzir o preço e melhorar a qualidade dos transportes coletivos;

- Mais investimentos na saúde e educação pública;

- Fim do fator previdenciário e aumento das aposentadorias;

- Redução da jornada de trabalho de 44 hs semanais, para 40hs sem prejuízo de salário;

- Fim dos leilões das reservas de petróleo;

- Contra o PL 4330 da terceirização;

- Contra o PL 092 que permite privatizar o serviço público;

- Reforma Agrária;

- Reajuste linear e data-base para os servidores públicos.

Para não variar, os coxinhas, recém acordados do berço esplêndido, que nunca se interessaram em nada que acontecia no país, e nem acham possível que partidos de esquerda possam estar em desacordo com o governo, vociferam estar contra a greve de hoje, por ser única e exclusivamente, uma manifestação de apoio à Presidente. Já não sei se começo a sentir pena, mas são um bando de inúteis esses coxinhas. Segue a musiquinha:







terça-feira, 9 de julho de 2013

Saiu no "Gente Boa"






"O casamento da festa junina de uma turma do ensino médio do colégio católico São Vicente de Paulo, sábado, no Cosme Velho, foi entre duas meninas. O padre estava fantasiado de Marcos Feliciano e, depois do "sim", as noivas deram um selinho - e foram aplaudidas por todos."

Estudei no São Vicente, e na minha época diziam que os padres de lá eram comunistas, o que deixava alguns, na época, de cabelo em pé. Sempre foi um colégio de vanguarda. Fiquei feliz ao saber que o São Vicente não mudou com o passar do tempo. E de Marcos Feliciano não preciso falar, não é mesmo? Todos conhecem este político.




fonte:Gente Boa - jornal O Globo

quinta-feira, 4 de julho de 2013

Pessoa






Paro às vezes à beira de mim próprio e pergunto-me se sou um doido ou um mistério muito misterioso.




fonte:Fernando Pessoa

quarta-feira, 3 de julho de 2013

domingo, 30 de junho de 2013

Sem sentido








Boa semana!




quinta-feira, 27 de junho de 2013

Finalmente uma conclusão, bem básica

Sobre os manifestantes



Uma minoria, politizada há muito tempo - independente de classe social -, sabe pelo que luta e sabe o que quer. A maioria vai pela micareta. Há os coxinhas, recém acordados do berço esplêndido. Estes se manifestam pacificamente.

Uma minoria, também despolitizada e perdida, acredita que estão fazendo uma revolução e se é revolução tem de ter sangue, é preciso bagunçar para mostrar o descontentamento. E uma outra minoria vai apenas para saquear lojas. Estes são os baderneiros.

E é óbvio que no meio disso também há os fascistas, que devem ser repudiados por qualquer um que tenha cérebro.




n.e.: Só espero que a luta por um Brasil melhor não esfrie com o tempo, e espero, sinceramente, que os que acordaram agora, finalmente se interessem e fiscalizem, se realmente aquele que recebeu seu voto fez, durante seu mandato, aquilo que se propôs fazer.

quarta-feira, 26 de junho de 2013

Sempre esperei por ti





Sempre esperei por ti. Pelos sonhos que queríamos sonhar.
No meu leito o silêncio e o frio.
Sempre esperei por ti. Pela vida que queríamos viver.
Nos meus braços a ausência e a saudade.
Sempre esperei por ti. Pelos beijos e pelo amor, que era nosso.
Em mim a dor do impossível.
Sempre esperei por ti. Tenho o teu nome em cada flor e em cada janela.
Mas não te tenho a ti.
No entanto, sempre esperei por ti...




fonte:Maria in O Cheiro da Ilha

Estranha






Ela é estranha. Tem olhos hipnóticos. E a gente sente que ela não espera mais nada de nada nem de ninguém, que está absolutamente sozinha e numa altura tal que ninguém jamais conseguiria alcançá-la. Muita gente deve achá-la antipaticíssima, mas eu achei linda, profunda, estranha, perigosa. É impossível sentir-se à vontade perto dela, não porque sua presença seja desagradável, mas porque a gente pressente que ela está sempre sabendo exatamente o que se passa ao seu redor.


Caio Fernando Abreu

terça-feira, 25 de junho de 2013

Se tanto me dói que as coisas passem






Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de amor se eternizassem



Sophia de Mello Breyner Andresen

segunda-feira, 24 de junho de 2013

Últimas notícias - Protestos pelo Brasil



Prefeitos das 26 capitais foram convidados pela presidente Dilma Rousseff para o debate sobre mobilidade urbana e as tarifas do transporte, nesta segunda-feira, 24. Os temas mobilizaram as manifestações recentes no País. Governadores também foram convidados para o encontro. Na abertura do encontro, Dilma apresentou cinco pactos a serem apresentados aos líderes.

A presidente defendeu, entre outros pontos, a realização de um plebiscito para que a população decida sobre a necessidade de uma reforma política. Os demais pactos referem-se à responsabilidade fiscal, saúde, educação e transporte público. Em seu discurso, Dilma defendeu ainda uma legislação que classifique a corrupção como crime hediondo.

Abaixo, os principais trechos do discurso da presidente:

16h50 – Após a fala da presidente, a transmissão da reunião foi interrompida.

16h49 - ”Meu governo não vai transigir na manutenção da lei e da ordem, coibindo a ação de vândalos e arruaceiros. Reafirmo meu compromisso de ajudá-los. Mas quero repetir principalmente que meu governo está ouvindo as vozes democráticas. É preciso saber escutar a voz das ruas. É preciso que todos, sem exceção, entenda esses sinais com humildade e acerto.” “Se aproveitar bem o impulso dessa nova energia política poderemos fazer mais rápido muita coisa. (…) Gostaria de pedir que dois ministros do meu governo fizessem rápidos esclarecimentos sobre a saúde e sobre o transporte público.

16h45 - O quinto pacto é sobre a educação pública. “Avançamos muito nas últimas décadas, mas precisamos de mais recursos. “Meu governo tem lutado para que 100% dos royalties do petróleo e 50% do pré-sal sejam investidos na Educação. Confio que os senhores congressistas aprovarão esse projeto que tramita com urgência. “

16h42 - O quarto pacto é relacionado ao transporte público. “Fazer mais metrôs, VLTs e corredores de ônibus. O governo federal já desonerou impostos. (…) Desoneramos também o IPI para compra de ônibus”, enumerou Dilma que falou sobre desoneração de impostos em combustíveis. “Decidi destinar R$ 50 bilhões para novos investimentos em obras de mobilidade urbana.” “O nosso pacto precisa, pois, assegurar também uma grande participação da sociedade na discussão política do transporte. Estou criando o Conselho Nacional do Transporte Público com participação de representantes da sociedade civil. “

16h39 - ”O terceiro pacto é na questão da saúde. Quero propor a aceleração de investimentos já existentes.” Entre as ações, Dilma falou sobre o envio de médicos às cidades mais necessitadas e a contratação de médicos estrangeiros. “Sei que vamos enfrentar um bom debate democrático. Gostaria de dizer à classe médica, que não se trata de medida hostil. Trata-se de medida emergencial, localizada, tendo em vista a grande dificuldade que enfrentamos para localizar médicos em número suficiente para trabalhar nas áreas mais pobres.” Segundo a presidente, a contratação de estrangeiros só ocorrerá quando não houver outra possibilidade.

16h37 - A presidente destacou a reforma política entre os cinco pontos. “Tenhamos a iniciativa de romper esse impasse (de aprovar a reforma).” “O Brasil está maduro para avançar e já deixou claro que não quer ficar parado onde está.” Dilma fala sobre o combate à corrupção e defendeu a que atos de corrupção dolosa seja qualificada como crime.

16h35 - A energia que vem das ruas é maior que qualquer obstáculo. Não há porque ficarmos inertes, incomodados ou divididos. Por isso, eu trago propostas concretas e disposição política para discutirmos ao menos cinco pactos.

16h34 - O povo está agora nas ruas dizendo que querem que as mudanças continuem. Ele está nos dizendo que querem mais cidadania. As ruas estão nos dizendo que querem serviços públicos de qualidade, querem representação política permeável. (…) querem que o cidadão, e não o poder econômico, esteja em primeiro lugar. Cabe a cada um de nós cumprir essa nova e decisiva dimensão da vontade popular.

16h32 – A presidente agradeceu a presença dos governadores e prefeitos.


. . .


Acho que o primeiro passo foi dado, acredito que não era necessário esperar que o povo fosse às ruas para que finalmente a presidente anunciasse as medidas descritas acima.



fonte:Estadão

domingo, 23 de junho de 2013

Voltando à programação normal




Boa semana!







Para refletir




Em função do momento que vive o Brasil eu achei que seria interessante deixar aqui a análise do Deputado Jean Wyllys, a qual achei bastante lúcida. O que vale aqui é a análise e a reflexão independentemente da preferência por este ou aquele partido.




Em entrevista ao A Tarde Online, o deputado Jean Wyllys analisa as manifestações pelas ruas do país e aponta as respostas que o legislativo deve dar para refletir os interesses das pessoas que estão se manifestando nas ruas:

"A Tarde - As falas de algumas pessoas denunciam um certo descompasso sobre como agir de forma direta na sociedade, para além das ruas...

Jean Wyllys - Nós somos uma democracia jovem ainda. Os governos Lula fizeram alguma coisa que é inegável. É que houve, que é fato inegável, um mérito, houve de fato redução da pobreza durante o governo de Lula. E emergiu uma nova classe média que é a classe C. Ela teve acesso às redes sociais... mas ela já vem sendo alijada há muito tempo do direito à Educação de qualidade. Ausência de educação para a cidadania, impediu que as pessoas participassem da política, no sentido assim, da fiscalização sobre o poder, impediu que elas fizessem a democracia participativa. A democracia é representativa e participativa. Agora, como estamos numa democracia jovem, chegou a hora dessas pessoas fazerem a democracia participativa. Essas manifestações foram o primeiro momento dessa democracia participativa. Eu acredito que com a experiência negativa as pessoas vão aprender, na próxima, elas terão objetivos mais claros, coisas mais concretas. Mas essa colcha de retalhos não funciona. A única que foi apresentada concretamente foi a do MPL e essa foi atendida. Com essas experiências dos fascistas, dos vândalos, elas vão ver que democracia participativa não é só ocupar as ruas sem um objetivo concreto - uma democracia são suas instituições democráticas. Acho que foi bonito, foi um primeiro movimento. E eu vou ser nesse momento positivista: sem ordem não há progresso. O caótico é bacana para o espetáculo, para a pauta da TV. Eu defendo, por exemplo, que o partido esteja lá, é um direito dele. Quando você perguntava para um desses meninos nas ruas, diziam: "A gente é contra tudo isso que tá aí". Mas eu perguntava: mas contra tudo isso que taí o que? Não sabiam dizer. A gente é contra partidos. Sim, mas você quer colocar o que no lugar dos partidos? O que eu percebo é que essa juventude foi pra rua sem alfabetização politicamente, foi só com a vontade e isso é bom. Eles pediam por exemplo explicação pelos gastos da Copa. É tarde, deveria ter sido discutido antes, E quem estava discutindo eram os partidos de esquerda. Houve discussões, capitaneadas por partidos. Não me venham agora dizer que os partidos tem de estar fora porque quem estava discutindo isso enquanto o gigante dormia eram os partidos.


A Tarde - Como isso respinga no Congresso e em 2014?

Jean Wyllys - Isso já respingou lá no Congresso. Após a grande manifestação de segunda-feira, tivemos uma reunião grande do colégio de líderes. Ivan Valente que é líder do PSOL não estava então eu como vice-líder fui. Antes da gente abrir a reunião, estávamos conversando entre nós e eu vi que a grande maioria dos deputados não entende o que está acontecendo mesmo. Por quê? Porque a maioria dos deputados é alheia... alheia aos novos tempos. É alheia ao fato de que essa juventude está em rede, que ela está articulada em rede. Os deputados não perceberam essa mutação, não estão nas redes sociais, não dialoga no twitter com essa gente, não sabe o que está atravessando o corpo social, portanto, foram pegos de surpresa. Eu fui o primeiro a falar e eu disse: a gente precisa dar uma resposta. E a resposta que as pessoas querem é que a pauta legislativa reflita os seus interesses. São interesses difusos e há pautas que não tem consenso. Mas é possível identificar o que é de consenso. E o que é de consenso tem de estar nessa pauta. Por exemplo: educação é um consenso. A nossa pauta poderia esboçar esse consenso votando os 10% dos royalties do pré-sal. Isso é função do Legislativo. Nós poderíamos atender à essa reivindicação colocando em prática o PNE - Plano de Educação e Metas, que passou pela Câmara dos Deputados e parou no Senado - Renan Calheiros não põe na pauta. Havia consenso em relação à segurança também. Então, a gente podia votar a PEC 300. E no bojo dessa votação discutiríamos que polícia nós queremos. Uma polícia que não faça como a polícia da Bahia na quinta-feira. A polícia da Bahia foi uma das mais truculentas em todas as manifestações, a que mais reprimiu durante os manifestantes. "


A íntegra da entrevista aqui: http://atarde.uol.com.br/politica/materias/1512952-jean-wyllys-jaques-wagner-nao-cumpriu-a-promessa-dele

fonte: Portal A Tarde

sexta-feira, 21 de junho de 2013

Apartidários e Antipartidários





por Rafael Mafei Rabelo Queiroz para o Estadão

Ficaram enormes os protestos. Enormes em número de participantes e tamanho de pautas. O movimento pelo passe livre, coeso em sua demanda e estratégico em sua forma de atuação, ganhou como enteado a luta pela rejeição da PEC 37 – vá lá, também uma demanda razoavelmente específica –, mas agora a turba que ocupa as ruas dia sim, outro também, faz lembrar o Tim Maia: mais saúde, mais educação, mais moradia, mais tudo!



Alguns militantes de partidos que compareceram às manifestações nos últimos dias com apetrechos de suas agremiações – camisas, bandeiras, bonés ou o que valha – foram duramente reprimidos pelos demais participantes. Nem se importaram em refletir se muitas dessas pautas, pelas quais o pessoal do Movimento Tim Maia (mais tudo!) protesta agora, são em grande parte aquelas pelas quais a turma de muitos partidos se bate faz tempo.



Pode isso, Arnaldo? Segundo o pessoal o Movimento Tim Maia (MTM), pode, porque as manifestações agora são “apartidárias”.



O pessoal do MTM confunde, porém, apartidário com antipartidário. Apartidária é a demanda que nasce de algum tipo de organização não institucionalizada como partido – pode ser um grupo de amigos, uma ONG, uma associação de moradores de bairro etc. É possível aderir à demanda isoladamente, sem ter de comprar um pacote fechado de ideias, como um programa de partido ou uma tradição dogmática religiosa. Antipardiário, ao contrário, é aquele que não aceita a existência de partidos, ou rejeita que seu pleito político, qualquer que seja, venha a ser abraçado por algum partido, somado a seu programa e por ele defendido na arena política formal.



Quem é verdadeiramente apartidário, faça como fez o Movimento Passe Livre: organize-se, debata ideias, bole uma estratégia, conheça sua demanda muito melhor do que seus adversários (quem assistiu ao Roda Viva da semana passada viu o quanto os organizadores do movimento conhecem profundamente bem a sua pauta), não se deixe capturar por um partido ou qualquer outra organização, mas não se recuse a interagir com as instituições políticas formais. Muitas das entidades da sociedade civil organizada que têm sucesso em fazer avançar suas demandas políticas não querem ser partidos, mas não rejeitam que suas propostas sejam incorporadas por um ou vários partidos. Ao contrário, às vezes é justamente o que buscam, pois isso aumenta as chances de que suas demandas sejam alcançadas.



Quem se diz apartidário, mas na verdade é antipartidário, deve desde já passar a mão no telefone e cancelar todos os compromissos futuros até… bem, o resto da vida, e viver como uma espécie de easy rider das manifestações de rua, protestando a esmo e para sempre, do nada ao lugar algum. E se num desses protestos aparecer alguém do seu lado gritando “Anauê!” ou esticando o braço em riste com o cabelos bem aparadinhos, camisetas apertadas e botas pretas de cano longo do tipo “meu Deus, não é possível que isso seja confortável!”, não se assuste. São seus novos amigos antipartidários, muito prazer. Eles também acham que essa coisa de coordenar suas demandas em grupo, como em um partido, faz com que comprometamos parte dos nossos ideais. Além do que demora muito para se chegar a qualquer decisão – e no fim os políticos sempre virão impor alguma condição em troca! Devo dizer, porém, que experiências políticas anteriores dessa toada favoreceram regimes de governo totalmente centrados no Executivo (porque o Legislativo era reduzido a nada) e controlados através de regimes de governança muito pobres, de tipo plebiscitário, quando muito. Se estiver de acordo com isso, vá em frente, mas por favor tente impedi-los de quebrar coisas e bater em pessoas. (Atenção: peça com muito jeito, pois esse pessoal costuma ser bravo.)



Partidos são intermediários entre povo e governo. Na democracia brasileira, como em quase todas as outras, além de lutarem por suas próprias bandeiras (que são justas em muitos casos), fazem a mediação entre as instituições políticas formais e pleitos de grupos apartidários, empresas, e sociedade civil organizada. Muitos importantes avanços políticos que conseguimos no Brasil aconteceram por esta via, como a Lei da Ficha Limpa, orgulho nosso de cada outubro de ano par, que só saiu do papel porque foi abraçada por políticos e partidos constrangidos pela pressão popular. Também nosso movimento de direitos humanos, que desde a década de 1980 passou a colocar no debate público a demanda por condições justas de moradia, educação e saúde para todos os brasileiros (muitas das mesmas bandeiras do MTM, vejam só!), teve início fora do mundo político institucionalizado e depois foi abraçado por partidos à época novos (PT, PSDB) que os levaram para dentro da arena política, passando a disputar o poder com diversas dessas bandeiras – ou alguém acha que direito à educação, moradia e saúde ganharam tal importância na Constituição por caminhos antipartidários?



Uma coisa é acharmos importante a renovação das bandeiras políticas dos partidos, ou entendermos necessário melhorar a responsividade partidária a demandas que sejam vindas da sociedade e externas a suas próprias aporias de disputa por poder. Outra, bem diferente, é rejeitar, por princípio, que partidos aceitem nosso convite para bailar e incorporem as demandas coesas de importantes protestos em seus programas. E uma terceira, antidemocrática e totalitária, é achar que só a sua via de fazer avançar demandas políticas – a via antipartidária – deve ser aceita, e que a via partidária deve ser suprimida no grito e no tapa, como fizeram ontem com pessoas que levavam bandeiras de partidos na Avenida Paulista.




fonte: Estadão - Rafael Mafei Rabelo Queiroz é Doutor em Direito pela USP, é professor da Escola de Direito de São Paulo da Fundação Getulio Vargas (DIREITO GV) e da Faculdade de Direito da USP.
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