Preferência Gastronômica Nacional - parte II
CENTRO-OESTE
De um lado estão os chapadões e a vegetação típica do Cerrado. Do outro, o Pantanal, a maior planície inundável do planeta.A combinação proporciona fartura de peixes, carnes e frutos nativos. Dali vem o pequi, fruta amarela e cheia de espinhos em seu interior, de sabor e perfume marcantes, ideal para comer com arroz e frango. Também é a terra na qual cresce a guariroba, palmito amargo típico do Cerrado e ingrediente imprescindível do empadão goiano.
De carne consistente e muitíssimo saboroso, o pintado está entre os peixes mais consumidos. Outro clássico pantaneiro é o caldo de piranha, que tem fama de afrodisíaco. Vale experimentar também o peixe preparado na telha de barro ou envolto em folha de bananeira e assado em braseiro.
A riqueza dos rios se estende à terra firme. O Estado de Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do país. Não à toa, a carne ocupa a segunda posição na preferência das mesas. Além dos cortes tradicionais como costela, picanha e alcatra, a carne bovina é matéria-prima da lingüiça de maracaju e do arroz-de-puta-rica. O primeiro é um embutido preparado com os pedaços mais gordos do boi, temperados com pimenta- vermelha e cumari, alho, cebola e suco de laranja azeda. O segundo leva arroz e uma mistura de carnes frescas, salgadas e defumadas, como a carne-seca.
SUDESTE
Pluralidade é a grande marca da cozinha do Sudeste, talvez a mais democrática de todo o Brasil. Vai da comida mineira, caseira e preparada em panela de barro, à alta gastronomia, executada nos grandes centros e servida em restaurantes luxuosos do eixo Rio-São Paulo. O fogão a lenha das casas típicas do interior mineiro cozinha pratos envoltos em história. Tutu de feijão, frango ao molho pardo, feijão-tropeiro, angu, galinha caipira com quiabo... Algumas receitas remontam à época da escravidão, outras à do Ciclo do Ouro, e todas trazem um pouco da herança deixada por índios, portugueses e escravos. Com o urucum, ingrediente indígena, a moqueca é um orgulho do capixaba, que utiliza azeite de oliva no lugar do azeite de dendê baiano.
Mas é também no Sudeste que a gastronomia reflete o ecletismo de uma região que recebeu gente de todo o mundo. Os italianos escolheram São Paulo para fincar a bandeira de sua cozinha. Macarronada, pizza, polenta e carnes com molho de tomate entraram no cardápio e caíram no gosto dos paulistas. O filé à parmigiana e as massas fazem parte da lista dos pratos mais consumidos nos restaurantes de toda a Região Sudeste.
Só perdem mesmo para o bacalhau. O pescado passou a marcar presença na dieta carioca com o estabelecimento da Corte portuguesa no início do século XIX. Da matéria-prima salgada nasceram os tradicionais bolinhos de bacalhau- aclamados das mesas de botequim aos templos da alta gastronomia - e receitas mais elaboradas. Uma delas, o bacalhau à Gomes de Sá, virou prato campeão entre as casas que defendem a tradição culinária d'além-mar.
SUL
Eis uma culinária européia por excelência. Imigrantes alemães, italianos, espanhóis, açorianos, holandeses, suíços e poloneses encontraram nos Estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul muito mais do que abrigo e trabalho. Depararam-se com as condições geográficas e climáticas favoráveis para o consumo de suas receitas típicas e o cultivo de produtos como a uva, para o vinho, e o repolho, para o chucrute germânico. Rapidamente, as massas banhadas em molho de tomate, as conservas, as sopas e os embutidos foram incorporados ao cardápio do sulista e se espalharam por todo o país.
Caminho inverso trilhou a carne-de-sol nordestina, que chegou ao Rio Grande do Sul pelas mãos do cearense José Pinto Martins. Mas foi lá que, com a alcunha de charque, ela se transformou no principal ingrediente do arroz-de-carreteiro, ótimo parceiro para o festejado churrasco. Esse campeão de pedidos nos restaurantes gaúchos domina os ares por todo o Estado e faz sucesso entre os vizinhos. A preferência reflete-se na liderança das receitas da Região Sul.
Em Santa Catarina, um diferencial: a carne na brasa divide a preferência com peixes, moluscos e crustáceos. Tudo muito fresco. Ostras retiradas da água pouco antes de ir à mesa, camarões tenros e peixes cujas carnes macias e brancas desmancham na boca (a tainha é a campeã em popularidade). Também no Sul, mais especificamente na Serra Gaúcha, os italianos abrasileirados têm suas tradições mais vivas. Estão lá as principais vinícolas do Brasil, os rodízios de galetos "al primo canto" (herança das passarinhadas) e as massas preparadas artesanalmente.
Retificação: Todas as imagens deste post foram retiradas a pedido de seu proprietário.
fotos: Arroz de frango com pequi, feijoada e ostras.
fonte: Revista Gula