terça-feira, 9 de maio de 2006


Brisa


Se, sozinho
O corpo cansado a alma inquieta
Sentires um afago, uma carícia
Uma brisa que ao ouvido é sussurro
Palavra de conforto, calor.
Sou eu.
Rasgando o tempo
Atravessando o espaço
Tornando-me
Brisa, carícia,
Possibilidade de abraço
Palavra, amor.


Encandescente, in Encandescente, Colecção Polvo - Poesia.
Pablo Picasso, "Blue Nude"

Brasil: gostosamente diversificado

Preferência Gastronômica Nacional - parte II

CENTRO-OESTE
De um lado estão os chapadões e a vegetação típica do Cerrado. Do outro, o Pantanal, a maior planície inundável do planeta.A combinação proporciona fartura de peixes, carnes e frutos nativos. Dali vem o pequi, fruta amarela e cheia de espinhos em seu interior, de sabor e perfume marcantes, ideal para comer com arroz e frango. Também é a terra na qual cresce a guariroba, palmito amargo típico do Cerrado e ingrediente imprescindível do empadão goiano.

De carne consistente e muitíssimo saboroso, o pintado está entre os peixes mais consumidos. Outro clássico pantaneiro é o caldo de piranha, que tem fama de afrodisíaco. Vale experimentar também o peixe preparado na telha de barro ou envolto em folha de bananeira e assado em braseiro.

A riqueza dos rios se estende à terra firme. O Estado de Mato Grosso possui o maior rebanho bovino do país. Não à toa, a carne ocupa a segunda posição na preferência das mesas. Além dos cortes tradicionais como costela, picanha e alcatra, a carne bovina é matéria-prima da lingüiça de maracaju e do arroz-de-puta-rica. O primeiro é um embutido preparado com os pedaços mais gordos do boi, temperados com pimenta- vermelha e cumari, alho, cebola e suco de laranja azeda. O segundo leva arroz e uma mistura de carnes frescas, salgadas e defumadas, como a carne-seca.

SUDESTE
Pluralidade é a grande marca da cozinha do Sudeste, talvez a mais democrática de todo o Brasil. Vai da comida mineira, caseira e preparada em panela de barro, à alta gastronomia, executada nos grandes centros e servida em restaurantes luxuosos do eixo Rio-São Paulo. O fogão a lenha das casas típicas do interior mineiro cozinha pratos envoltos em história. Tutu de feijão, frango ao molho pardo, feijão-tropeiro, angu, galinha caipira com quiabo... Algumas receitas remontam à época da escravidão, outras à do Ciclo do Ouro, e todas trazem um pouco da herança deixada por índios, portugueses e escravos. Com o urucum, ingrediente indígena, a moqueca é um orgulho do capixaba, que utiliza azeite de oliva no lugar do azeite de dendê baiano.

Mas é também no Sudeste que a gastronomia reflete o ecletismo de uma região que recebeu gente de todo o mundo. Os italianos escolheram São Paulo para fincar a bandeira de sua cozinha. Macarronada, pizza, polenta e carnes com molho de tomate entraram no cardápio e caíram no gosto dos paulistas. O filé à parmigiana e as massas fazem parte da lista dos pratos mais consumidos nos restaurantes de toda a Região Sudeste.

Só perdem mesmo para o bacalhau. O pescado passou a marcar presença na dieta carioca com o estabelecimento da Corte portuguesa no início do século XIX. Da matéria-prima salgada nasceram os tradicionais bolinhos de bacalhau- aclamados das mesas de botequim aos templos da alta gastronomia - e receitas mais elaboradas. Uma delas, o bacalhau à Gomes de Sá, virou prato campeão entre as casas que defendem a tradição culinária d'além-mar.

SUL
Eis uma culinária européia por excelência. Imigrantes alemães, italianos, espanhóis, açorianos, holandeses, suíços e poloneses encontraram nos Estados do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul muito mais do que abrigo e trabalho. Depararam-se com as condições geográficas e climáticas favoráveis para o consumo de suas receitas típicas e o cultivo de produtos como a uva, para o vinho, e o repolho, para o chucrute germânico. Rapidamente, as massas banhadas em molho de tomate, as conservas, as sopas e os embutidos foram incorporados ao cardápio do sulista e se espalharam por todo o país.

Caminho inverso trilhou a carne-de-sol nordestina, que chegou ao Rio Grande do Sul pelas mãos do cearense José Pinto Martins. Mas foi lá que, com a alcunha de charque, ela se transformou no principal ingrediente do arroz-de-carreteiro, ótimo parceiro para o festejado churrasco. Esse campeão de pedidos nos restaurantes gaúchos domina os ares por todo o Estado e faz sucesso entre os vizinhos. A preferência reflete-se na liderança das receitas da Região Sul.

Em Santa Catarina, um diferencial: a carne na brasa divide a preferência com peixes, moluscos e crustáceos. Tudo muito fresco. Ostras retiradas da água pouco antes de ir à mesa, camarões tenros e peixes cujas carnes macias e brancas desmancham na boca (a tainha é a campeã em popularidade). Também no Sul, mais especificamente na Serra Gaúcha, os italianos abrasileirados têm suas tradições mais vivas. Estão lá as principais vinícolas do Brasil, os rodízios de galetos "al primo canto" (herança das passarinhadas) e as massas preparadas artesanalmente.

Retificação: Todas as imagens deste post foram retiradas a pedido de seu proprietário.



fotos: Arroz de frango com pequi, feijoada e ostras.
fonte: Revista Gula

Brasil: gostosamente diversificado

Preferência Gastronômica Nacional - parte I

Saiu uma reportagem na Revista Gula dos pratos favoritos de cada região brasileira. Fico imaginando como foi a comilança, melhor dizer, o trabalho que teve a equipe do Guia Quatro Rodas, da Editora Abril, de São Paulo no ano passado.

18 jornalistas percorreram este nosso imenso país com a missão de fazer refeições em 966 cidades para avaliar restaurantes e descobrir o que o brasileiro gosta de comer. As informações recolhidas deram origem a um banco de dados com 7.408 descrições de pratos principais. Cada um dos 2.287 restaurantes publicados na edição do Guia (publicidade gratuita - infelizmente - aqui por este blog) de 2006 indicou três receitas mais procuradas ou recomendadas.

Informações cruzadas, e foi possível chegar a um concenso. Sabe-se agora do hábito gastronômico nacional nessa altura do século 21. O que, e de que forma o brasileiro come pelo país afora; que por sua imensidão, há anos tem o tema (gastronomia ou utensílios de cozinha etc) como objeto de estudo para historiadores especialistas no assunto, cujo resultado são livros bastante interessantes e facilmente encontrados em livrarias espalhadas pelo país.

Entretanto, um pensamento levemente malévolo me assalta: será que este tipo de notícia seria capaz de afetar dietas de emagrecimento ou greves de fome ? Nã, seria? Talvez seria apenas mais um tema de estudo para as universidades inglesas e americanas que adoram pesquisar sobre o comportamento humano.

Daqui para a frente o mérito da reportagem é exclusividade da jornalista Silvana Azevedo, na Revista Gula. As edições em função do espaço do post ficaram por minha conta, mas o link da reportagem completa pode ser acessado através do título logo acima.

"Que arroz e feijão que nada, o brasileiro gosta na verdade é de peixe. Em suas mais variadas formas de preparo, é o ingrediente mais pedido em quatro regiões do país. Só perde a coroa no Sul (Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul), onde nada é tão bem recebido à mesa como um belo e suculento pedaço de carne assada. Se feita na brasa, melhor ainda.Confira os hábitos alimentares e os campeões das mesas de cada recanto do país.

Norte
Exótica, de sabores instigantes e aromas tropicais, a culinária da Região Norte é rica e diversificada. No Pará, a herança indígena fala mais alto com suas receitas à base de frutos da terra, como a mandioca - planta da qual nada se desperdiça. A folha, chamada de maniva, entra no preparo da maniçoba, prato feito de carne suína (uma espécie de feijoada). O tucupi, caldo azedo extraído da mesma mandioca-brava, aparece em receitas como o pato no tucupi (ave cozida com temperos e jambu, folha que causa leve dormência na boca) e o tacacá (caldo com camarão seco, goma de mandioca cozida, jambu, ervas e pimenta), muito consumido nas ruas de Belém. Por meio de processos artesanais, a mandioca também se transforma em farinha e goma para a festejada tapioca.

A riqueza da Bacia Amazônica abastece as mesas com tucunarés, pirarucus, dourados, jaraquis - e aí por diante. São mais de 2.000 espécies de peixe. O filhote, conhecido por piraíba quando adulto, e o tambaqui, cujas espinhas largas, longas e flexíveis são chamadas de costelas, dividem gostos na região. Feitos na telha, com pirão e arroz, assados na brasa ou grelhados e servidos com os mais diversos tipos de molho, esses peixes de carnes firmes, saborosas e com boa dose de gordura permitem variadas formas de preparo.

O encantamento pela diversidade da Amazônia trouxe exploradores entre os séculos XVII e XVIII. E, com eles, vieram o gado bovino e a salga como método de conservação. Por conta disso, a carne-de-sol foi incorporada aos costumes locais.Receitas à base desse ingrediente conquistaram o segundo lugar na lista das mais pedidas no Norte.

NORDESTE
Trazido pelos escravos africanos, o azeite de dendê dá cor e sabor a acarajés, moquecas e bobós baianos. Outro resultado da miscigenação culinária bem sucedida é um emblemático prato da cozinha maranhense: o cuxá, que mistura a vinagreira, verdura de origem africana, ao gergelim, indispensável na mesa árabe. Nas mãos das talentosas negras, os ovos e o açúcar tão apreciado pelos colonizadores portugueses foram incorporados ao coco e deram forma a quindins, cocadas e bolos.

Aparentemente prejudicado por causa da distância do centro e do mar, o agricultor sertanejo soube aproveitar o presente da terra e colocou na panela o feijão-verde (vagem no sudeste), a mandioca (ali chamada de macaxeira) e a carne de bode com seus miúdos. Da sua culinária de subsistência nasceram receitas clássicas como a carne-de-sol do Rio Grande do Norte e o baião-de-dois do Ceará. Mas é no mar que o nordestino encontra sua fonte maior de riqueza. Lagostas, siris e camarões estão entre os frutos mais festejados. Porém, nenhum deles supera o consumo do peixe, que nos restaurantes representa o dobro dos pedidos preparados à base de camarão.

O crustáceo fica atrás dos pratos de carne, em segundo lugar na pesquisa. Impossível pôr os pés na Bahia sem experimentar uma de suas fumegantes moquecas servidas em cumbuca de barro, fartas em peixe, aromatizadas com azeite de dendê, enriquecidas pelo ardor da pimenta e coroadas com muito coentro. A versão da receita do restaurante Paraíso Tropical, de Salvador, ganha ainda a companhia rara de duas frutas típicas: a pitanga e o cítrico biribiri.



fotos: Bobó de camarão (salgado) e pudim de tapioca (doce).
fonte: Revista Gula

segunda-feira, 8 de maio de 2006


Os versos que te fiz


Deixe dizer-te os lindos versos raros
Que a minha boca tem pra te dizer !
São talhados em mármore de Paros
Cinzelados por mim pra te oferecer.

Têm dolência de veludos caros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos pra te endoidecer !

Mas, meu Amor, eu não tos digo ainda...
Que a boca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz !

Amo-te tanto ! E nunca te beijei ...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz !


Florbela Espanca
Auguste Belloc, "Nude Reclining on a Chaise"

Proibido à pessoas sensíveis

Lulinha de pelúcia
"O carioca Raul Mourão encaixota boneco do presidente em exposição em SP e debocha da imagem "paz e amor"

A galeria Oeste, no bairro de Pinheiros, em São Paulo, exibe a mostra "Lulinhadepelúcia e Outras Coisas", do artista plástico carioca Raul Mourão. A idéia de criar bonecos de pelúcia inspirados no presidente Luiz Inácio Lula da Silva é anterior à crise do mensalão.

Na realidade, já durante a campanha eleitoral, em 2002, o artista cogitava transformar o então candidato em brinquedo de criança. "Lula parece o candidato das criancinhas", comentava ele à época, referindo-se ao jeito de falar e à performance do petista, que se autodesignou "Lulinha paz e amor".

Com o tempo, o projeto saiu da esfera da brincadeira e acabou entrando no circuito da arte. O "processo de bonequização" do presidente foi levado a termo e, com o produto básico realizado, Mourão passou a criar situações a partir dele. No Rio, o "Lulinhadepelúcia" (assim mesmo, grudado, como o artista batizou a coisa) transformou-se numa instalação na galeria Lurixs. Desenhos preliminares do boneco também foram enviados a artistas com o desafio de que os completassem com idéias próprias.

Em São Paulo, Mourão privilegiou peças nas quais o Lulinha aparece socado em caixas de madeira e vidro e, mais uma vez, contou com a colaboração de outros artistas. Entre os convidados para interferir em desenhos, estão Artur Lescher, José Spaniol, Leda Catunda, Renata Lucas, Rochelle Costi e Carlito Carvalhosa.

Projeto controvertido, que desperta reações variadas, de adesão e repulsa (além de considerações variadas sobre seu alcance artístico), "Lulinhadepelúcia" naturalmente encontrou eco na mídia, e o próprio presidente da República solicitou um exemplar. Na entrevista que se segue, fruto de conversas e trocas de e-mail, o artista plástico fala sobre o trabalho e suas articulações com o ambiente político e também artístico.





n.r.: Há gosto para tudo!


fonte: Folha de S.Paulo

quarta-feira, 3 de maio de 2006

Nosso cotidiano e a censura

BB cancela a exposição "Erotica" em Brasília

Este título se refere ao seguinte assunto:"Depois de três reuniões tensas, realizadas entre a semana passada e ontem, a direção do Banco do Brasil decidiu cancelar a exposição "Erótica - Os Sentidos na Arte" em Brasília. O motivo do cancelamento é o impasse causado pela censura a uma obra da artista plástica Márcia X que mostra dois pênis cruzados feitos com rosários religiosos. A mostra, que passou por São Paulo e pelo Rio, seria inaugurada no próximo dia 15".

Mas antes vamos tentar entender como e porquê esse lê-lê-lê começou há muitas semanas atrás. Bem, começou com a Opus Christi, uma organização católica, chamando a exposição de pornográfica e a obra, considerada uma blasfêmia.

No dia 20 de fevereiro começava no CCBB-RJ a exposição, "Erótica - Os Sentidos na Arte" com seu término em 30/04. Como qualquer exposição que se apresente no Brasil, as visitas não são obrigatórias. Vai quem quer, quem pode e quem gosta. Só que a artista Márcia X teve a sua obra "Desenhando em Terços" (vista logo abaixo) censurada pelo Banco do Brasil, que "cedia" o espaço de seu Centro Cultural para a exposição.

"Desenhando em Terços" - Marcia X

Aqui seguem trechos de notícias sobre o veto à obra:
1."A obra foi retirada da exposição "Erotica - Os Sentidos na Arte". O banco diz ter recebido centenas de telefonemas contra a obra, que retrata dois rosários que desenham formatos de pênis. O CCBB ainda não se manifestou a respeito do novo protesto.

Márcio Botner, um dos autores da carta, diz que as reivindicações são a volta da obra à exposição "Erótica - Os Sentidos da Arte" e a retratação do CCBB. "Eles nos devem um pedido de desculpas", afirma. Os artistas pedem também um pronunciamento do ministro Gilberto Gil contra a censura". Fonte: UOL

A notícia sobre o cancelamento da exposição em Brasília me deixou surpresa. Pensei que o "problema" havia sido ultrapassado. Que o ocorrido tinha sido uma encrenca local. Que nada! Me senti meio naïf e desiludida com o alcance do poder da Igreja neste país e qual é o benefício para nós desse poder? Claro que não consigo obter alguma resposta.

O dia a que se refere o texto, com a opinião do Marcelo Negromonte, editor do UOL Cinema, já passou, mas o cancelamento da exposição em Brasília é atual. Portanto, faço copy and paste porque acho que vale a pena ler o que foi escrito. Anda tudo muito errado por essas bandas, onde faltam escolas, ensino básico e o Fome Zero é uma piada de mau gosto. E o título que Negromonte dá, é:

Caso Márcia X: Museu deveria ser território livre do alcance de qualquer Igreja

A proibição de qualquer manifestação por meio da arte é inócua. Não apenas o impedimento provoca uma exposição exacerbada daquilo que se pretendia eliminar, como os seus praticantes, cegos pela ignorância, são incapazes de perceber o fato.

O Centro Cultural Banco do Brasil do Rio de Janeiro abriga até o dia 30 a mostra "Erotica - Os Sentidos na Arte". Nesse evento estava a obra "Desenhando em Terços", de Márcia X (1959-2005) _um sobrenome que sugere a piada de ter sido também ele censurado_, retirado esta semana devido a "centenas de reclamações", segundo a direção do CCBB. Pesa na decisão também o fato de a organização católica Opus Christi ter entrado na Justiça por causa da obra. Esse grupo considera a obra "blasfema" e "agressiva à fé católica".

A "blasfêmia": dois terços dispostos em forma de pênis que resultam numa cruz _ou num X.

O tal Opus Christi quer mais. Vai pedir na Justiça a retirada de um quadro sem título, da mesma mostra do CCBB, de autoria de Alfredo Nicolaiewsky, em que são Jorge está ao lado de um "nu masculino".

Quase na segunda década do século 21, a Igreja Católica, por meio de uma obscura facção reacionária, continua agindo como se ainda fosse o século 14, quando a política vigente da instituição era a selvagem Inquisição _expediente de que a própria Igreja hoje se envergonha.

Duas discussões surgem aqui. A primeira é que a "fé católica" está fora do âmbito religioso no caso em questão, ainda que seja explicitamente referente a ela. Não se trata de de uma profanação de um altar de igreja. O museu é por definição território livre _de tudo e de todos. Portanto ocorre uma manifestação que não diz respeito aos valores sacros, mas ao que eles representam numa cultura católica (por enquanto) como a brasileira _e isso vai além do alcance da Igreja.

O que está no espaço expositivo de um museu, "templo das Musas", deveria ser tratado com a mesma reverência que qualquer obra que integra o ambiente de uma igreja porque há motivos para que esse ou aquele objeto esteja lá _e esteja disposto da maneira em que está. Não consta que tenha havido censura externa de nada do que a Igreja exiba em seus templos. Por que a violência do caso Márcia X?

A segunda questão é o direito de expressão. Isso é pedra fundamental da democracia. Não se pode aceitar tudo de todos, é saudável haver abordagens divergentes da "oficial"; é iluminador, acima de tudo.

Por fim, há o fato de nem todos serem católicos nem acreditarem em Deus, e essa pluralidade está sendo "agredida", para usar o mesmo termo do grupo. Santa ignorância".

Há quem pense que tal preocupação com o fato possa ser uma bobagem. Mas longe disso. Quem ou o que perde com isso? O nosso futuro. Basta fazermos uma comparação simples em como é tratada a educação e a cultura no Brasil e como a mesma é tratada há anos na Europa e nos Estados Unidos. Não é possível viver apenas de samba e futebol.

n.r.: e prometo aos meus amigos blogueiros que colocarei minhas visitas - que são bem mais regulares - em dia. Minha coluna lombar pifou agora; não é nada grave. É que nos dois últimos meses, ela se comportou com bravura, já que tive de carregar muitas vezes ao colo, mais de 15 kgs do meu fofo cãozinho, que já está muuuuito melhor. :)

terça-feira, 2 de maio de 2006

4º Motivo da rosa


Não te aflijas com a pétala que voa:
também é ser, deixar de ser assim.


Rosas verá, só de cinzas franzida,
mortas, intactas pelo teu jardim.


Eu deixo aroma até nos meus espinhos
ao longe, o vento vai falando de mim.


E por perder-me é que vão me lembrando,
por desfolhar-me é que não tenho fim.


Cecília Meirelles

Os anos passam e a notícia continua a mesma

Jovens americanos são geograficamente analfabetos

Os jovens americanos sabem pouco da geografia mundial e até mesmo da nacional. A maioria se revelou incapaz de localizar o Iraque em um globo e quase a metade não consegue identificar os estados de Ohio e Nova York em um mapa, segundo uma pesquisa publicada nesta terça-feira.

A consulta Roper, feita a pedido da National Geographic, mostrou que a maioria dos jovens com idades entre 18 e 24 anos não só carecem de conhecimentos geográficos, como a ignorância a respeito não lhes preocupa.

"A metade pensa que é 'importante mas não absolutamente necessário' saber onde ficam os países mencionados nos noticiários (50%) ou saber falar um idioma estrangeiro (47%)", destacou um relatório sobre a pesquisa.

O estudo destaca que apesar da quase constante cobertura informativa desde a invasão dos Estados Unidos ao Iraque, em março de 2003, 63% dos entrevistados não foram capazes de localizar o país no mapa e 75% não conseguiram encontrar Israel ou Irã.

Nove em cada 10 se revelaram incapazes de dizer onde fica o Afeganistão em um mapa da Ásia, 75% não conseguiram encontrar a Indonésia e 70% não foram capazes de localizar a Coréia do Norte.

Por outro lado, só um terço dos consultados (33%) escolheu o Paquistão entre as quatro opções para a pergunta sobre um país que havia sido atingido por um gigantesco terremoto em outubro de 2005.

A China foi o país sobre o qual os jovens americanos demonstraram ter mais informações. Sete em cada 10 (69%) conseguiram localizá-la no mapa, embora 75% tenham respondido que o inglês é o idioma nativo mais falado no país, ao invés do mandarim. A pesquisa, que incluiu 510 entrevistas, foi realizada entre dezembro de 2005 e janeiro de 2006.

A National Geographic divulgou os resultados da consulta ao lançar uma campanha de cinco anos para melhorar o conhecimento geográfico entre os jovens americanos.

"O analfabetismo geográfico afeta nosso bem-estar econômico, nossas relações com outras nações, com o meio ambiente, e nos isola do mundo", disse John Fahey, presidente da Sociedade National Geographic.

"Sem geografia, nossos jovens não estarão prontos para enfrentar os desafios do cada vez mais interligado e competitivo mundo do século XXI".

n.r.: "we are the world, we are..." Oh! Yeah, Yeah!!!


fonte: AFP

O Universo Mítico de Carybé - S.P.

Museu Afro Brasil expõe a "baianidade" latente do artista

Hector Julio Páride Bernabó - Carybé, nasceu em Lanus, na Argentina no dia 7 de fevereiro de 1911. Foi pintor, gravador, desenhista, ilustrador, ceramista, escultor, muralista, pesquisador, historiador e jornalista.

xilogravura da série "Visitações à Bahia" - 1974

Fez 5 mil trabalhos, entre pinturas, desenhos, esculturas e esboços. Desenhou para livros de Jorge Amado. Era obá de Xangô, posto honorífico do candomblé. Morreu do coração durante uma sessão num terreiro de candomblé em Salvador, na Bahia em 2 de outubro de 1997.

"Festa do Pilão de Oxalá", desenho da série Iconografia dos Deuses Africanos

Uma extensa mostra sobre o baiano Carybé (1911-1997) e seu universo ocupa o espaço do Museu Afro Brasil, além da coleção de Odorico Tavares, exposta no subsolo. A partir do dia 6/5, mais Bahia: 80 artistas mostram obras inspiradas em letras de Dorival Caymmi.

"O Ovo da Ema" - 1976, óleo sobre tela

Na mostra dedicada a Carybé, há enorme variedade de registros: pinturas, esculturas, desenhos, gravuras. Somadas, cerca de 500 obras mostram a produção intensa de Hector Julio Paride Barnabó - o apelido, Carybé, foi dado na juventude por Jorge Amado, em referência a um peixe selvagem. "Fazer uma mostra retrospectiva seria congelar o trabalho de Carybé. Prefiro, em vez disso, mostrar o universo mítico que permeia um artista cheio de meandros", diz o curador, Emanoel Araújo.


O Universo Mítico de Hector Julio Paride Barnabó - O Baiano Carybé
»Quando: até dia 2/7; de terça a domingo, das 10h às 18h;
»Onde: Museu Afro Brasil
Av. Pedro Álvares Cabral, s/nº, portão 10, Parque Ibirapuera.
»Informações: tel. (011) 5579-0593
»Quanto: entrada franca


fonte: Folha de S.Paulo e Wikipédia

domingo, 30 de abril de 2006

Meditação, Compaixão e Consciência

Já disse uma vez, mas não me importo nadinha de repetir que sou espiritualista independente. Que quer dizer, entre outras coisas que não sou seguidora de nenhuma igreja. Embora a minha formação religiosa tenha se iniciado na igreja católica.

Dalai Lama esteve em São Paulo nessa semana e falou sobre compaixão, ciência e espiritualidade a um público de 4.000 pessoas, no Palácio de Convenções do Anhembi. Tinha vontade de ouví-lo, mas o Rio fica um bocado longe de São Paulo.

Após suas apresentações, ele foi questionado por médicos e professores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) sobre vários assuntos ligados à saúde, ciência e espiritualidade. Segundo ele, ciência e religião podem caminhar juntas - "pessoalmente, concordo. Só não confundam com a nova seita de Tom Cruise e John Travolta, a Cientologia". E, diante de um novo conhecimento científico, o budismo tibetano costuma mudar antigos conceitos. "Temos que ter a mente aberta." "Concordo totalmente".

O Dalai Lama defendeu mais pesquisas sobre o uso da meditação na saúde e também, que os médicos exercitem mais a compaixão no atendimento aos pacientes. Abaixo, alguns tópicos de sua apresentação:

CURA - "Se vocês vieram aqui com alguma curiosidade, não há problema. Mas aqueles que vieram com uma expectativa de algo sobre-humano, sobretudo em busca de cura, é mais perigoso. É uma bobagem imaginar ou esperar isso. Quero que me vejam como um monge budista, com o compromisso de promover os valores humanos e a harmonia entre as religiões. As pessoas perseguem o ideal buscando no mundo externo. Recursos materiais são importantes, mas, se a nossa vida é feliz ou não, depende da atitude mental. Se alguém busca a felicidade, mas negligencia os valores internos, não será bem-sucedido".

COMPAIXÃO - "Compaixão e altruísmo não são valores exclusivamente do seres humanos. Vemos que muitos animais têm vida social em que a cooperação é fundamental. As formigas, por exemplo, não têm um Estado de Direito, leis, polícia, mas funcionam até melhores que os seres humanos. Costumamos manifestar compaixão, mas com uma atitude manchada pelo apego, pelo preconceito. Quem se mantém muito autocentrado, fecha a porta interior. Sente-se só na vida, com medo, inseguro. A saúde também é afetada. O caminho [da compaixão] é o treinamento constante. Ainda não inventaram uma injeção milagrosa que leve a pessoa a desenvolver compaixão".

PAZ - "A humanidade está caminhando lentamente em direção à paz. Não fomos feitos para agredir. Nossa conformação física é mais para coelho do que para tigre. Não temos garras. Nossas mãos, nossos braços foram feitos para acolher, e não para ferir. Até 50, 60 anos atrás, as pessoas tinham uma aceitação em relação à guerra, como se ela fosse algo inevitável. Mas agora os conflitos são acompanhados de desaprovação".

PROFISSIONAIS DA SAÚDE - "O contato com a dor, com o sofrimento, pode fazer com que o senso de vida seja amortecido e a pessoa passe a lidar como se estivesse lidando com uma máquina que precisa de conserto. Assim, a medicação tende a não fazer efeito mesmo sendo indicada por um médico muito estudado, mas que tem o coração fechado. A eficácia está ligada aos valores que vêm do coração. Nas vezes que fui a hospitais fazer exames, tinha algo de mecânico na atitude dos profissionais. Não foi confortável".

Aproveitei os pensamentos do Dalai Lama para pensar sobre um tema que no diz respeito: a cidadania e/ou a consciência política. Essas palavras, nos áureos tempos da ditadura, só serviam para fazer, nos tempos da escola, uma confusão danada e poderiam inclusive - se quisessem - significar que: "fulano era contra o governo". Toda a -pouca - informação era muito confusa.

Hoje, mais crescidinhos e democráticos, sabemos que não é nada disso e também descobrimos que se o exército existe, aqui e por esse mundo afora, é apenas para defender o seu país. Pois é! Sabiam que até a França que teve de mudar uma lei já promulgada, porque o povo se manifestou - não cabe aqui se certo ou errado - possui forças armadas? Coisinha interessante, não?! Só menciono, porque não tenho mais paciência quando acontece qualquer coisa que envolva a presença do exército nas ruas ouça que "deve ser uma "intenção" de voltarmos à ditadura". Tenha dó! Juro que perco a paciência com essa mentalidade provinciana.

Mas voltando ao Dalai Lama: como ele falou em "ter a mente aberta", acho que podemos aplicar a dica do monge para tudo. Também sei que a meditação a que ele se referiu não é a mesma que tenho em mente, mas permitam-me aproveitar o "gancho": Pensei que poderíamos começar um novo mês nos habituando a meditar. Neste caso, o objetivo será o mesmo, como no pedido do monge: nosso futuro benefício pessoal.

Além de melhorar a nossa saúde (menos stress), calculo que a médio e longo prazo, a prática da meditação poderá nos proporcionar uma melhor qualidade de vida. Então convido a todos a meditar um pouco sobre algumas frases ditas nestas duas últimas semanas:

"Eu acho que não está longe de a gente atingir a perfeição no tratamento de saúde neste país"
LULA - Com relação ao atendimento e tratamentos na rede de saúde pública. (O GLOBO 21/04/2006)

"Uma ação de trâmite normal dentro um processo em uma democracia"
LULA - Quando o ex-ministro Palocci foi indiciado por formação de quadrilha, lavagem de dinheiro, falsidade ideológica e peculato devido a supostas irregularidades no período em que foi prefeito de Ribeirão Preto. (O GLOBO 28/04/2006)

"Queria comparar o nosso governo com o mundo todo, para ver se em algum momento da História mundial houve um governo com tanta participação dos trabalhadores"
LULA - Em discurso no Encontro Nacional do PT (O GLOBO 29/04/2006)

"Se eu disser que sou candidato...Não posso fazer isso. Quero ter liberdade para poder fazer as coisas"
LULA - Com o propósito de comandar o maior número possíveis de inaugurações. (O GLOBO 30 /04/2006)

"Os políticos do Rio são os piores do Brasil"
Chico Buarque - (O GLOBO 30/04/2006)


fonte: Jornal O GLOBO

sábado, 29 de abril de 2006

Copy and Paste

Da notícia soube através de um blog amigo, o O Farol das Artes. Chama-se:



Casa Viva - Programa Liberdades

Uma sugestão diferente para quem vive no Porto.


sexta-feira, 28 de abril de 2006

Royal Opera House dedica livro à Plácido Domingo


A equipe artística da Royal Opera House apresentou hoje a Plácido Domingo um livro de homenagem dedicado à relação musical do tenor espanhol com essa instituição, que tem 35 anos.

Ao aceitar um exemplar do livro, ilustrado com fotografias de suas atuações, Domingo lembrou algumas anedotas de sua vinculação com a ópera de Londres desde sua estréia em "Tosca", de Puccini, junto com Gwyneth Jones, em janeiro de 1971.

Ele explicou como tinham lhe advertido antes de sua primeira atuação que não devia se desanimar se não fosse aplaudido no final da "Recôndita harmonia", porque não era costume em Londres, e o quanto se alegrou com os inesperados aplausos com os quais o público recebeu sua interpretação da famosa ária.

Na Royal Opera House, Plácido Domingo fez vinte e dois papéis, e em maio fará mais um, o Cyrano de Bergerac. Ele atuou em trinta e uma das últimas trinta e quatro temporadas.

Entre os artistas com os quais colaborou estão diretores de orquestra do prestígio de Carlos Kleiber, George Solti e sir Colin Davis, cantores como Montserrat Caballé, Kiri Te Kanawa e Thomas Allen e diretores como John Schlesinger e Franco Zeffirelli.

O atual diretor musical da Royal Opera House, Antonio Pappano, expressou a EFE sua admiração pelo fato de que um cantor "tão maravilhosamente e naturalmente dotado" como Domingo "trate de se aperfeiçoar continuamente e ampliar seus horizontes musicais".

"Ele se sente igualmente à vontade no repertório italiano como no alemão, o francês e o russo, e é admirável que, a esta altura de sua carreira, tenha decidido fazer um novo papel, tão difícil" como o protagonista de "Cyrano de Bergerac".

"Não só é sua voz, mas o que está por trás - sua inteligência, sua capacidade de expressão e sua experiência", acrescentou Pappano.


fonte: Agência EFE

Nervos à flor da pele

Crocodilo "devora" serra elétrica na Austrália

Um crocodilo "devorou" uma serra elétrica, no norte da Austrália, aparentemente irritado com o barulho do equipamento.

O animal de cerca de 4,4 metros de comprimento, batizado de Brutus, perseguiu um funcionário do Corroboree Park Tavern, a reserva natural onde vive.

O homem, Freddy Buckland, estava cortando uma árvore derrubada pela passagem recente de um ciclone tropital quando foi atacado por Brutus. Nenhum dos dois saiu ferido, mas o crocodilo destruiu a serra elétrica, após mastigá-la por 90 minutos.

Segundo o dono da reserva natural, Peter Shappert, o animal pulou para fora da água e correu para a árvore.

"Deve ter sido o barulho", explicou. "Não acho que o crocodilo queria simplesmente agarrar o Freddy. Mas também não tenho certeza. Acho que ele agarrou a primeira coisa que podia, e, neste caso, foi a serra elétrica."

Outra proprietária do parque, Linda Francis, disse que o funcionário praticamente atirou o equipamento no animal. "A serra ainda estava ligada, mas o Brutus a pegou do chão e começou a esmagá-la até ela parar", contou. "Ele não se machucou. Só quebrou alguns dentes."

Brutus é um dos cerca de 100 mil crocodilos marinhos que vivem no norte da Austrália. Geralmente, esses animais atacam barcos pequenos, aparentemente perturbados pelo som dos motores.


Restos de antigo templo budista

Uma equipe de operários que trabalhava numa estrada em Vienciana, a capital do Laos, descobriu por acaso os restos de um antigo templo do século XIV, além de diversas esculturas e utensílios de cerca de 4 mil anos, informou hoje a imprensa local.

Segundo os arqueólogos, o templo é o de Vat Vokeo, construído durante o reinado de Sei Setthathirat e destruído pelos tailandeses quando saquearam e invadiram Vienciana, em 1828. O diretor do departamento de pesquisa arqueológica, Viengkeo Souksavatdy, explicou à imprensa que em seu interior foram encontradas esculturas de Buda e várias peças de cerâmica.

Além dos restos do templo, perto da estrada que vai da capital ao aeroporto foram achados 10 mil utensílios esculpidos, alguns deles com mais de 4 mil anos.

Depois de saqueada pelos tailandeses, Vienciana foi abandonada. A vegetação cobriu a cidade até a chegada dos franceses, no fim do século XIX.


fonte: Agencia EFE

quinta-feira, 27 de abril de 2006


Sob o Signo da Inquietação


O susto em nós foi avançar
muito para dentro do proibido.
Muito para perto de uma zona perigosa
A boca da noite... o desconhecido...
Vagos caminhos de uma via nebulosa.

Vários conceitos para falar da mesma coisa
O susto em nós foi descobrir porteiras
de territórios nunca antes percorridos
No fundo de todos nós um visitante
No fundo, a falta de sentido...

Visitantes de nós mesmos cometíamos
a imprudência de quase enlouquecer
Para chegar à compreensão.
E uma coisa afiada nos conduzia
através da trilha da poesia
e do difícil trajeto da paixão...


Bruna Lombardi
Alfred Gockel - "Endless Love"

Primavera em Paris

Paris é linda, a cidade fica bonita mesmo debaixo de chuva. Cada arrondissement vale muitos suspiros, na companhia ou não de um amor. Por isso, na primavera, "tudo são flores" - conforme a expressão. Todos os seus jardinse avenidas ganham novas mudas de flores: o Champs Elysees, o Jardim de Tuileries e o Jardim de Luxemburgo. Paris, floresce.

Detalhe de flores exibidas no Magisserie.


É comum chover por lá na primavera, mas é também comum passar a ver os parisienses pelas ruas carregando cestinhas com flores que vão enfeitar suas casas. O "ar" de Paris modifica, a variedade de materiais e flores nas lojinhas de floristas parisienses faz com que surjam variadíssimos arranjos, além de objetos ligados ao tema da estação. Hoje e aqui, sinta-se mais feliz olhando para a mistura colorida de muitas variedades de flores.



Cores que são puro escândalo no Marché aux Fleurs Madeleine.


Velas coloridas em forma de flor

















Detalhe de uma das tradicionais bancas de flores parisienses, uma das poucas que ainda restam.

quarta-feira, 26 de abril de 2006

Conversa com Danuza

O Que Nós Queremos Deles


Mas, afinal, o que querem as mulheres de um homem? O que nós queremos? Em primeiro lugar, que ele nos ame muito; muito, mas não exageradamente. Que nos entenda, que nos ouça sempre com muita atenção, mesmo que não esteja muito interessado no que estamos falando (mas fingindo estar).

Não, ele não precisa nos trazer flores; mas deve estar sempre nos procurando, fazendo um carinho no nosso ombro, pousando (apenas pousando) a mão na nossa coxa por debaixo da mesa ou quando estiver dirigindo o carro, coisa de quem se sabe dono absoluto do nosso coração (e do nosso corpo); só faz isso um homem seguro, que é o que todas queremos. Por outro lado, é preciso que ele nos solicite muito, pergunte que gravata deve usar, se gostamos da água de colônia nova, que carro deve comprar, mesmo que acabe fazendo o que quer, sem dar a mínima para nossa opinião. Mas também é preciso que às vezes fique quieto, calado, para nos deixar bem inquietas, imaginando no que será que ele está pensando. Mulher não pode nunca se sentir nem muito segura nem muito insegura: tem que ser no ponto certo.

O ponto certo, essa é a questão. Para isso é preciso sensibilidade, coisa fundamental no homem que se ama. Sensibilidade para sentir quando estamos precisando de um carinho, de um amasso ou de ficar em silêncio. E ser capaz de, na hora de uma briga, dizer "vem cá, sua boba", e a gente se aninhar nos braços dele esquecendo de tudo que estava falando. Ah, como é bom um homem assim. Não é preciso que ajude a lavar pratos, nem a arrumar a cozinha, essas bobagens a gente faz com o maior prazer quando ama. Mas a cada cinco minutos pode perguntar, enquanto assiste o futebol (sem tirar os olhos da TV), se ainda vai demorar muito essa arrumação, pedir para você levar uma cerveja e dizer "vem sentar do meu lado para ver o jogo". Esse jogo não nos interessa nem um pouco, mas saber que ele precisa de nós num momento tão crucial é tudo de que precisamos para ser felizes. E quando o time dele fizer um gol e ele comemorar te abraçando e beijando muito, seja solidária e mostre-se tão feliz como se tivesse acabado de ganhar o mais lindo vestido da última coleção de Valentino.

Não basta ser mulher: tem que participar. A hora de ir para a cama é muito importante: mesmo que ele esteja estudando um processo ou lendo uma revista em quadrinhos, é fundamental que ponha a perna em cima da sua, para que você sinta que, aconteça o que acontecer; ele estará sempre ligado em você. E um homem que quer ser amado sobre todas as coisas não pode jamais, mas jamais, depois de apagar a luZ do abajur, se virar de costas para dormir; isso é crime que nenhuma mulher perdoa. E quando, já no escuro, ele faz um carinho na sua cabeça e se encaixa - não há mulher que resista a um homem que sabe se encaixar bem -, aí é que você sente a felicidade total e pensa que é aquele homem, aquele e nenhum outro, que pode fazê-la feliz. É só isso que queremos dos homens. Não é pedir muito, é?

"Danuza"


Danuza Leão é cronista, autora de vários livros, entre os quais NA SALA COM DANUZA-2 (ARX) e QUASE TUDO (Cia das Letras)

Um minuto de silêncio por Chernobyl

Cidade de Pripyat, hoje é uma cidade antasmaUma série de eventos estão sendo realizados hoje na Ucrânia para lembrar os 20 anos do acidente nuclear na usina de Chernobyl, o pior acidente nuclear do mundo.

Sinos marcaram a hora em que o alarme disparou na usina no dia 26 de abril de 1986 (01h23, hora local; 19h23, hora de Brasília) e foi feito um minuto de silêncio. A explosão do reator número quatro destruiu sua cobertura, espalhando nuvens de radiação por vastas áreas da então União Soviética e da Europa.

O presidente ucraniano, Viktor Yushchenko, compareceu a uma missa em uma pequena igreja na capital Kiev, construída em homenagem às vítimas do acidente. Kiev fica localizada 110 quilômetros à norte de Chernobyl.

As estimativas sobre o número de pessoas que morreram ou ainda vão morrer em conseqüência do acidente variam muito. As Nações Unidas prevêem que até 9 mil mortes por câncer estejam ligadas a Chernobyl. Mas um relatório do Greenpeace da semana passada estima que esse número chegue a 93 mil, e que outras doenças também decorrentes do acidente podem elevar esse número para 200 mil.

Mais de 250 mil pessoas foram retiradas permanentemente da área próxima ao reator destruído, que foi envolvido em uma estrutura de concreto. A área em um raio de 30 quilômetros em torno do reator tem acesso restrito.

Pripyat, a cidade fantasma de Chernobyl

A explosão foi acobertada pelas autoridades soviéticas na época. Só duas semanas depois da explosão, quando começaram a haver sinais da emissão de radiação, uma autoridade soviética acabou admitindo a "possibilidade de uma catástrofe".

Estudo confirma que a Europa ainda está contaminada por Chernobyl


40% do solo da União Européia ainda sofre um alto nível de contaminação radiativa vinte anos depois do acidente da usina nuclear. A conclusão é de um estudo realizado pelos cientistas britânicos Ian Fairlie e David Sumner, a pedido do Partido Verde europeu.

Apresentado ao Parlamento Europeu, o estudo de 90 páginas se baseia em dados compilados pela Comissão Européia, órgão executivo da UE, e nas imagens de satélite tomadas nos dias posteriores ao desastre.

As fotos mostram o deslocamento da nuvem tóxica desprendida pelo acidente, composta por elementos como o Césio 137, Estrôncio 90 e Iodo 131, com radioatividade equivalente a 200 vezes a das bombas de Hiroshima e Nagasaki combinadas.

Até 2005 cerca de 5.000 casos de câncer de tiróide foram registrados entre moradores da Belarus, Rússia e Ucrânia que tinham menos de 18 anos na época do desastre.

Os cientistas britânicos estimam que nos próximos dez anos "Chernobyl causará de 30.000 a 60.000 mortes por câncer, entre 7 e 15 vezes mais que o estimado pela da Organização Mundial da Saúde (OMS)", que limita esse número a 9.000.


fonte: BBC Brasil

terça-feira, 25 de abril de 2006

"Foi bonita a festa, pá!"

Há 32 anos atrás, acontecia em Portugal, a revolução militar mais pacífica de que a história do mundo já teve notícia.

No dia 25 de abril de 1974, eclode a Revolução dos Cravos: oficiais de média patente se rebelam e derrubam o governo de Marcello Caetano, que se asila no Brasil; o general António de Spínola assume a Presidência do país. A população festeja o fim da ditadura distribuindo cravos - a flor nacional - aos soldados rebeldes. Os partidos políticos, inclusive o Comunista, são legalizados e é extinta a Pide, polícia política do salazarismo.

Este levante militar do dia 25 de Abril de 1974 derrubou, num só dia, o regime político que vigorava em Portugal desde 1926, sem grande resistência das forças leais ao governo, que cederam perante o movimento popular que rapidamente apoiou os militares. Este levante é conhecido por 25 de Abril ou Revolução dos Cravos, e foi conduzido pelos oficiais intermédios da hierarquia militar (o MFA), na sua maior parte capitães que tinham participado na Guerra Colonial. Esta revolução deu a liberdade ao povo português (denominando-se "Dia da Liberdade" o feriado instituído em Portugal para comemorar a revolução), através da Democracia.


"Foi bonita a festa, pá
Fiquei contente.
Ainda guardo renitente
um velho cravo para mim.
Já murcharam tua festa, pá
Mas certamente
Esqueceram uma semente
nalgum canto do jardim.
Sei que há léguas a nos separar
Tanto mar, tanto mar
Sei, também, quanto é preciso, pá
Navegar, navegar
Canta a primavera, pá
Cá estou carente
Manda novamente
algum cheirinho de alecrim."

Esta é a letra da música de Chico Buarque "Tanto Mar" numa homenagem ao 25 de abril.

Sou luso-descendente e luso-brasileira por opção.
Acredito na democracia e é sempre muito bom comemorar a sua existência! Deve ter sido bonita a festa, pá!


fonte: Wikipédia

Cow Parade - Elas estão em Paris

A idéia da "Cow Parade" foi lançada em Zurique; e as várias e coloridas vacas dessa exposição urbana que já estiveram em cidades como São Paulo, Chicago, Nova York, Mônaco, Bruxelas, Londres, Barcelona, Tóquio e Buenos Aires, darão o ar de sua graça nas ruas de Paris. As "meninas" estão com tudo!

E para o Rio de Janeiro?! Tudo?! Nada! Então como é que é? É pink! É pink! É pink! Mas "Deus é pai, não é padastro" - como diziam os mais antigos - e deixaremos de ser tão pinks, tenhamos fé! Amém.

Já na próxima quinta-feira, parisienses e turistas que visitem a Cidade-Luz poderão apreciar esculturas das famosas vaquinhas em tamanho natural e pintadas por artistas célebres como Christian Lacroix, Ben e Chantal Thomas e outros jovens talentos.

No total, 110 vacas ficarão "pastando" até 16 de junho nos lugares mais conhecidos de Paris. Cada artista recebeu uma escultura de tamanho real feita de fibra de vidro e a transformou segundo sua imaginação.

A ação intitulada "Vach'Art" permitirá coletar fundos em benefício do Programa de Alimentação Mundial (PAM) da ONU e da associação humanitária Africa Alive, já que as obras serão leiloadas em 30 de junho.


fonte: UOL

segunda-feira, 24 de abril de 2006

Além do cavalete

As obras de um pintor vão muito além de exposições de suas pinturas, vão além do cavalete. E é assim que o livro DI CAVALCANTE - UM MESTRE ALÉM DO CAVALETE de Piedade Epstein Grinberg pela Editora Metalivros (R$75,20) investiga os diferentes percursos explorados pelo artista modernista em sua obra.
Ilustração de Di Cavalcanti para o poema "Boca", de Carlos Drummond de Andrade


fonte: UOL e Fnac

domingo, 23 de abril de 2006

Carta de Fernanda Young


Prezada Mulherzinha,


Se existe alguém que pode falar o que vou falar para você, sou eu. Então, por favor, tenha a humildade de admitir que sei o que estou falando. Pois o que eu te direi é duro, mas poderá te fazer um bem enorme.

Chega. Chega de se comportar assim. Como se estivesse lutando pelo posto de rainha da bateria. De Miss Maravilha do Mundo. Basta de ataques, dessa competividade suburbana - eu sou a melhor, eu sou a mais alta, eu sou a mais gostosa do pedaço. Ninguém tá ligando a mínima se você corre 10 quilômetros ou se aplicou Botox nessa sua testa sem expressão. Ou se você é assim porque ainda não passa de uma menininha que quer ser mais perfeita do que a mãe, conquistar o amor do pai e ser a primeira da classe. Esse teu afã psicopata de vencer todas as paradas só te deixa ridícula. E me faz querer usar um termo que odeio: coisa de mulherzinha. Mulherzinha é que tem essa mania de estar sempre desconfiada das amigas, porque todas teriam inveja do seu corpão e do seu cabelão estilo falso-loiro-natural-cinco-tons. Lamento informar, querida, que ninguém sente inveja de você. Por isso, chega de dizer por aí que, para não atrair olho grande, é bom ficar de bico fechado sobre a tal possível promoção que você terá no trabalho. Relaxa, ninguém está a fim de ser você. Tente, portanto, ser você com mais leveza. E lembre-se: esse negócio de dizer que não se pode confiar em mulheres só comprova que você é uma pessoa maliciosa. Sendo que isso está longe de ser porque você é fêmea.

Quando vejo você tagarelando sobre seus feitos sexuais, sinto-me num filme ruim sobre ginasianas americanas. Todas fanhas e excitadas. Chega, tá? De azucrinar os outros com essa sua boca-genital lambuzada de gloss, cuspindo baixos-clichês, simulando uma modernidade que você não tem. Nunca mais caia no ridículo de fazer "sexo casual" com nenhum tipo de homem, mais velho ou mais novo, casado ou solteiro, porque todo mundo já sabe que você finge tudo. Que goza, que não se sente fácil, que não liga quando os caras não telefonam no dia seguinte. Seja honesta uma vez na vida: confesse. Que você não é tão wild quanto se vende. Que não sabe falar tão bem inglês assim. Que fez escova progressiva. Que tem dermatite. E enfim você terá alguma paz, pois se reconhece humana, e não a barbie boba que você procura ser. Acredite: idiotice só te faz charmosa para os cafajestes. Se continuar assim, nunca vai aparecer aquele cara bacana que você gostaria que aparecesse; para lutar por você, até te conquistar, e destruir essa tua linda silhueta com uma gestação de 15 quilos.

É triste, amiga Mulherzinha, mas você terá que abrir mão da máscara de rímel que cobre a sua verdade.

"Fernanda"


Fernanda Young é co-roteirista de OS NORMAIS e autora de vários livros, entre eles AS DORES DO AMOR ROMÂNTICO (Ediouro)

fonte: REVISTA CLAUDIA, abril 2006

Novidades no meu pedaço

A partir de hoje, este blog abre espaço para grandes profissionais femininas brasileiras que andam escrevendo em jornais e revistas do Brasil. A primeira a ser publicada é Fernanda Young, que esse ano tem um novo programa televisivo e que através do Canal GNT ficou bastante conhecida na minha outra terrinha, Portugal.



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