domingo, 7 de outubro de 2012
quinta-feira, 4 de outubro de 2012
terça-feira, 2 de outubro de 2012
A manhã seguinte e um café pra nós dois
por Xico Sá
É de uma falta de bons modos total deixar uma moça sair da sua casa, depois de dormir consigo, sem sequer oferecer um café. Digo oferecer e imediatamente acionar a cafeteira ou fogão. Não apenas por cerimônia. Ação, amigo.
Como disse outro dia nas páginas da revista “Espresso”, seja qual for o vínculo afetivo, é imperdoável que não haja o menor esforço, depois de uma noitada –boa ou mais-ou-menos, não importa o resultado-, em brindá-la com uma xícara fumegante.
Não falo apenas dos moços, pobres moços, cada vez mais perdidos, como dizem sobre os novos tempos. Trato também das fêmeas que praticamente expulsam os rapazes ao primeiro barulho do bem-te-vi ou da construção ao lado –para ser mais realista.
Como se um café comprometesse a independência ou desmanchasse anos de aprendizado na cartilha de madame Beauvoir.
Até parece a danada do “Folhetim” do xará Buarque. “E na manhã seguinte, não conte até vinte…”
Não precisa ser aquele café completo, no capricho. Isso nos fazemos no começo do namoro de fato. Digo uma simples xícara de café para quebrar o gelo de avistar na sua casa aquela pessoa que você mal conhece. Duas ou três palavras, “você toma com açúcar ou adoçante?”etc.
Sim, algumas manhãs são embaraçosas. Rola aquele suspense. São os primeiros encontros, acontece. Mas nada justifica apenas o silêncio e o barulho da porta. Não se nega uma boa xícara para despertar alguém com quem você trocou intimidades. Pelo que o sexo tenha sido um desastre. Ora, foi intimidade do mesmo jeito.
Quando é desastroso aí é que rolou intimidade mesmo, você se expôs, broxa ou frígida, diante do outro.
E o café, seja de manhã, tarde ou noite, tem cheiro de afetividade. O melhor mesmo, quando vinga o romance, é o café da manhã.
Como nas palavras do cronista Antônio Maria, autor de belas canções como “Ninguém me ama”, entre outras: “O café com leite, de manhã. O lento café com leite dos amantes, com a satisfação do prazer cumprido.”
Genial e pouco lembrado Antônio Maria, muitas vezes citado apenas como o marido ciumento da Danuza Leão.
Lembre-se, mentalize o poder do café. Mesmo que você não seja tão romântico(a) como na canção clássica do Roberto Carlos: “Amanhã de manhã, vou pedir um café pra nós dois/ te fazer um carinho e depois/ me envolver nos seus braços…”
Não tenho conhecimento de um bom namoro, um casamento ou um bom caso amoroso que tenha vingado com a negativa de uma xícara para esquentar o desejo, o afeto. Com ou sem açúcar.
Por algumas mulheres, amigo, não só faria todos os cafés do mundo, como compraria uma gleba na região paulista da Mogiana e eu mesmo plantaria, com o suor do meu rosto, e colheria cada grão para a cria da minha costela.
Que outra missão mais importante um homem tem na terra a não ser agradar a sua amada?
Desconheço!
fonte:Xico Sá
Loucos nossos de cada dia
O telefone toca no trabalho e ao atender:
- Alô!
- Alô!
- Oi, sou eu!
- Eu, quem?
- Eu mesma...
- Eu, quem?
- Eu!
- Quem fala? Seu nome, por favor.
- (nome da senhora)
- É sobre o quê?
- Já falei com você.
- Mas é sobre o quê, senhora...? (tentando esconder o desespero na dificuldade de comunicação)
- (a senhora responde)
E finalmente a loucura acaba.
quinta-feira, 27 de setembro de 2012
S.Cosme e S.Damião
Os registros históricos indicam que eram irmãos gêmeos de origem árabe, dedicados à medicina. Diz-se que eram avessos ao dinheiro e não cobravam dos pobres.
O acervo do Museu de Arte Sacra de São Paulo tem diversas representações dos santos, como esta (em exposição no Museu): e São Cosme e São Damião, escultura em madeira policromada, século XIX, de origem brasileira.

"Cosme e Damião, Doum, Doum, Crispin, Crispiniano..."
Vivas às crianças!!!
quinta-feira, 20 de setembro de 2012
quarta-feira, 19 de setembro de 2012
Coerência
A entrega do Prémio D. Dinis esteve agendada para dia 28, sexta-feira da próxima semana, numa cerimónia com a presença do primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho.
“Na realidade eu não poderia, com coerência, ficar bem comigo mesma, receber um prémio literário que me honra tanto, cujo júri é formado por poetas, os meus pares mais próximos - pois sou sobretudo uma poetisa, e que me honra imenso -, ir receber esse prémio das mãos de uma pessoa que está empenhada em destruir o nosso país”, explicou Maria Teresa Horta à Lusa.
“Sempre fui uma mulher coerente; as minhas ideias e aquilo que eu faço têm uma coerência”, salientou a escritora que acrescentou: “Sou uma mulher de esquerda, sempre fui, sempre lutei pela liberdade e pelos direitos dos trabalhadores”.
Para Maria Teresa Horta, “o primeiro-ministro está determinado a destruir tudo aquilo que conquistámos com o 25 de Abril [de 1974] e as grandes vítimas têm sido até agora os trabalhadores, os assalariados, a juventude que ele manda emigrar calmamente, como se isso fosse natural”.
A autora afirmou que “o país está a entrar em níveis de pobreza quase idênticos aos das décadas de 1940 e 1950 e, na realidade, é ele [Passos Coelho], e o seu Governo, os grandes mentores e executores de tudo isto”.
“Não recuso o prémio que me enche de orgulho e satisfação, recuso recebê-lo das mãos do primeiro-ministro”, deixou claro Maria Teresa Horta.
A escritora disse que já informou a Fundação Casa de Mateus da sua decisão, assim como a sua editora e falou com cada um dos membros do júri.
A premiada salientou ainda a “satisfação” que lhe deu ter sido distinguida “por um júri que representa três gerações de poetas: o Vasco Graça Moura que é da minha [geração], o Nuno Júdice, que é da seguinte, e o Fernando Pinto do Amaral, que é a mais nova”.
No sítio da Fundação Casa de Mateus, na Internet, é afirmado que “a sessão solene de entrega do Prémio será agendada brevemente”.
fonte:Público
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Maria Teresa Horta,
prêmio d.dinis 2012
terça-feira, 18 de setembro de 2012
Inferno Astral
O período conhecido popularmente como "Inferno Astral" é o mês que antecede o aniversário de alguém. Nesta época, muitas pessoas acreditam viver momentos de angústia, depressão ou até mesmo azar, atribuindo as turbulências a alguma configuração astrológica misteriosa. Será que ela realmente existe e é mesmo inevitável?
Existem algumas explicações para entender estes trinta dias temidos antes da inauguração de uma nova idade. O aniversário nada mais é do que o marco de um novo ciclo solar na vida de uma pessoa, ou seja, o Sol passa pelo mesmo ponto do Zodíaco que estava quando ela nasceu, sinalizando uma nova etapa para a sua consciência. Os dias que antecedem esta renovação são exatamente os últimos do ciclo anterior que a consciência vinha atravessando.
Cid de Oliveira lembra que os ciclos representam na Astrologia os estágios de todo e qualquer processo de desenvolvimento e que "o final de um ciclo" se caracteriza por ter uma qualidade de tempo marcada pela agitação, mudança, instabilidade e desordem, somadas à insegurança em relação ao futuro que está por vir. "Isto acontece porque é no final do ciclo que se esgotam as possibilidades de expressão existentes no seu início e manifestam-se os resíduos responsáveis por sua dissolução. Em suma, o tempo que antecede imediatamente o final de qualquer ciclo caracteriza-se pela desordem e pela inversão dos valores admitidos no seu início", explica.
Pela técnica da revolução solar, cada mês do ano, a contar a partir da data do aniversário, corresponde a uma determinada casa astrológica ou setor prático da vida de uma pessoa que estará sendo vivido mais intensamente. Assim, no primeiro mês a partir do aniversário, vive-se de forma enfática a casa 1: a pessoa fica mais centrada em si mesma e em seu comportamento. O décimo segundo e último mês do ano corresponde à casa 12, trecho do mapa que analisa os sacrifícios e doações que uma pessoa deve fazer aos outros, sem esperar recompensas para isto.
Segundo o astrólogo Eduardo Maia, o "Inferno Astral" só acontece quando não percebemos que precisamos sair do palco para contemplar mais o mundo e nos desapegarmos, em benefício daqueles que precisam de uma ajuda emocional ou prática. "É um período de ser instrumento para o bem dos outros e não estar tão preocupado com causas próprias", afirma. Como isto geralmente não acontece, vem a angústia, o vazio e a sensação de desorientação.
Apesar de não ser uma força misteriosa desenfreada como muitos imaginam, existem explicações simbólicas consistentes para a crise do último mês de uma idade, mas isto não significa que acontecerão apenas coisas negativas na vida de alguém ou que seja impossível lidar bem com este período de transição. Todos têm livre-arbítrio e podem, ainda mais compreendendo o ciclo no qual estão inseridos, dedicarem este momento à reflexão e avaliação da etapa terminada, preparando-se sem tantos atropelos para a próxima.
n.e.: Não, não estou passando por nenhum inferno astral, mesmo com Outubro aí à porta, mas sempre me lembro de ouvir falar sobre ele caso alguma coisa corra menos bem. Mas é normalíssimo que alguma coisa corra menos bem, pelo menos uma vez por mês. E você, acredita em inferno astral?
fonte:Porto do Céu Astrologia
quinta-feira, 23 de agosto de 2012
Cora ção é terra que ninguém vê
Quis ser um dia,
jardineira de um coração.
Sachei, mondei - nada colhi.
Nasceram espinhos
e nos espinhos me feri.
Quis ser um dia,
jardineira de um coração.
Cavei, plantei.
Na terra ingrata
nada criei.
Semeador da Parábola...
Lancei a boa semente
a gestos largos...
Aves do céu levaram.
Espinhos do chão cobriram.
O resto se perdeu
na terra dura
da ingratidão.
Coração é terra que ninguém vê
- diz o ditado.
Plantei, reguei, nada deu, não.
Terra de lagedo, de pedregulho,
- teu coração. Bati na porta de um coração.
Bati. Bati. Nada escutei.
Casa vazia. Porta fechada,
foi que encontrei...
Cora Coralina
terça-feira, 17 de julho de 2012
segunda-feira, 16 de julho de 2012
domingo, 15 de julho de 2012
E pra começar bem a semana...
Let´s Stay Together, ok?
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Adam Levine - Let's Stay together,
Música
Minha Amada Língua Portuguesa. Salve, Salve!
Há uma coisa que me aborrece muito, e eu não gostaria de parecer presunçosa pelo que vou escrever, mas o assassinato da minha, da nossa língua portuguesa é coisa que me aborrece e muito.
Tenho certeza que a quantidade de erros que vejo diariamente tem a ver (e não haver) com o fato das pessoas, atualmente, terem acesso à internet, coisa que não acontecia há (e não "a", porque neste caso significa "tempo", portanto usa-se o verbo "haver") alguns anos atrás e acredito que por isso eu não me apercebia de como as pessoas escrevem mal (e não "mau" que é o oposto de "bom", e não o oposto de "bem" como é o caso de "mal").
Ao mesmo tempo, o fato das pessoas terem acesso a uma infinidade de informações que a internet proporciona deveria levar as pessoas a cometerem menos erros, mas tal não acontece, e o que me assombra são os erros grosseiros...
Agente = a gente (coloquial de "nós)
Vim em mim = Vir a mim
Ensistir = Insistir
Saldade = Saudade
Voçê = Você
Esqueçer = Esquecer
Felismente = Felizmente
Abraça me ou abraçame = Abraça-me (o hífem existe, é fácil verificar por outro caminho: me abrace... ninguém escreve meabrace)
De todos estes erros, me choca, profundamente, o uso de "ç" em "você" por ser uma palavra que aparece usualmente em qualquer texto.
Clarice Lispector já virou Clarise... e eu acredito que a criatura nunca tenha lido um único livro dela.
Uma vez, caí na asneira de fazer o comentário que antes de "e" e "i" não havia "ç", só apenas antes de "a", "o" ou "u" e um homenzinho veio retrucar que era contra o "Acordo Ortográfico". O que se responde depois disso? Ele não lê nem os comentários sobre futebol.
Uma amiga que ficou assombrada com o "saldade" - que eu já conhecia - diz que é preguiça, porque não relêem o que escrevem. Aliada a uma dose de burrice.
Não me aconteceu, mas se meu "mais que tudo" cometesse tal tipo de assassinato, ele deixaria de ser meu "mais que tudo". Gosto de homens inteligentes e gosto não se discute.
Eu não sou nenhuma espécie de purista, acho normal as pessoas se enrolarem quanto ao uso da crase, o uso das vírgulas, mas errarem no básico tendo acesso a jornais e sites de fofocas na internet? É muito descaso.
Aliás, não sei nada... só sei que me incomoda, muito mesmo, sem pretensão de ser uma bam-bam-bam em português, nem uma mestre em gramática ou linguística. É só porque eu gosto (muito) da minha língua materna. É sonora, linda demais e merecia um bocado mais de atenção por todos que fazem uso dela.
Tenho certeza que a quantidade de erros que vejo diariamente tem a ver (e não haver) com o fato das pessoas, atualmente, terem acesso à internet, coisa que não acontecia há (e não "a", porque neste caso significa "tempo", portanto usa-se o verbo "haver") alguns anos atrás e acredito que por isso eu não me apercebia de como as pessoas escrevem mal (e não "mau" que é o oposto de "bom", e não o oposto de "bem" como é o caso de "mal").
Ao mesmo tempo, o fato das pessoas terem acesso a uma infinidade de informações que a internet proporciona deveria levar as pessoas a cometerem menos erros, mas tal não acontece, e o que me assombra são os erros grosseiros...
Agente = a gente (coloquial de "nós)
Vim em mim = Vir a mim
Ensistir = Insistir
Saldade = Saudade
Voçê = Você
Esqueçer = Esquecer
Felismente = Felizmente
Abraça me ou abraçame = Abraça-me (o hífem existe, é fácil verificar por outro caminho: me abrace... ninguém escreve meabrace)
De todos estes erros, me choca, profundamente, o uso de "ç" em "você" por ser uma palavra que aparece usualmente em qualquer texto.
Clarice Lispector já virou Clarise... e eu acredito que a criatura nunca tenha lido um único livro dela.
Uma vez, caí na asneira de fazer o comentário que antes de "e" e "i" não havia "ç", só apenas antes de "a", "o" ou "u" e um homenzinho veio retrucar que era contra o "Acordo Ortográfico". O que se responde depois disso? Ele não lê nem os comentários sobre futebol.
Uma amiga que ficou assombrada com o "saldade" - que eu já conhecia - diz que é preguiça, porque não relêem o que escrevem. Aliada a uma dose de burrice.
Não me aconteceu, mas se meu "mais que tudo" cometesse tal tipo de assassinato, ele deixaria de ser meu "mais que tudo". Gosto de homens inteligentes e gosto não se discute.
Eu não sou nenhuma espécie de purista, acho normal as pessoas se enrolarem quanto ao uso da crase, o uso das vírgulas, mas errarem no básico tendo acesso a jornais e sites de fofocas na internet? É muito descaso.
Aliás, não sei nada... só sei que me incomoda, muito mesmo, sem pretensão de ser uma bam-bam-bam em português, nem uma mestre em gramática ou linguística. É só porque eu gosto (muito) da minha língua materna. É sonora, linda demais e merecia um bocado mais de atenção por todos que fazem uso dela.
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assassinando o português,
Cris Caetano
domingo, 8 de julho de 2012
Ela voltou!
Se sua criatividade desapareceu por conta da falta de sofrimento. Comemore! É muito melhor ser feliz do que ter criatividade. Vivas à luz que brilha aqui dentro!
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as voltas que uma cabeça dá,
Cris Caetano
Coisas da Vida...
Hoje, deletando emails, descobri um no qual dizia que meu Nuvens havia sido indicado (por alguém) para participar do Prêmio TOPBLOG 2012. Fiquei feliz, porque nunca corri atrás de prêmio algum e na minha ingenuidade, alguém gostava do meu Nuvens, tanto quanto eu, a ponto de indicá-lo para participar de algum prêmio.
Pois bem, como não sabia nada sobre nada do assunto, escrevi sobre a indicação no Facebook e uma faceamiga disse que está cansada de receber esse tipo de publicidade, só posso concluir que tendo o Nuvens desde 2005, ele é tão ruim, que nem publicidade me mandavam, só este ano é que fui contemplada pela publicidade do site.
Pois bem, como não sabia nada sobre nada do assunto, escrevi sobre a indicação no Facebook e uma faceamiga disse que está cansada de receber esse tipo de publicidade, só posso concluir que tendo o Nuvens desde 2005, ele é tão ruim, que nem publicidade me mandavam, só este ano é que fui contemplada pela publicidade do site.
quarta-feira, 27 de junho de 2012
quinta-feira, 21 de junho de 2012
Diga "Xssssssss"!
segunda-feira, 11 de junho de 2012
Partida
A hora da partida soa quando
Escurece o jardim e o vento passa,
Estala o chão e as portas batem, quando
A noite cada nó em si deslaça.
A hora da partida soa quando
as árvores parecem inspiradas
Como se tudo nelas germinasse.
Soa quando no fundo dos espelhos
Me é estranha e longínqua a minha face
E de mim se desprende a minha vida.
Sophia de Mello Breyner Andreses
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poema,
Sophia de Mello Breyner Andresen
domingo, 10 de junho de 2012
Inveja
A inveja é um dos sentimentos que pode causar as maiores dores no ser humano.
Geralmente, quando existe uma estima de algum objeto de desejo, e ainda se este der status, a inveja se instala. (Diz-se objeto de desejo para coisas não palpáveis também). É fruto também da comparação com as outras pessoas. Ela não existe sem que antes o indivíduo não tenha feito comparações. É a auto-aversão por não ser como os outros são.
É preciso contudo, diferenciar a inveja, da busca do bem-estar. Pode se dizer que é errado trabalhar, lutar para se conquistar o objeto de desejo? O desejo pela conquista do objeto que nos falta, quando feito com humildade e honestidade, não é inveja.
Se uma pessoa destaca-se em alguma atividade, por mais tola que possa parecer, o invejoso está pronto para aparecer e apontar o dedo e tentar minimizar o feito de seu próximo. Um eletrodoméstico novo, um tênis da moda, ou mesmo um brinco bem colocado em combinação com uma roupa extremamente comum, já se torna motivo para elogios, nem sempre sinceros.
Surge um sentimento de raiva, de ira, porque geralmente o invejoso sente-se muito mais merecedor da conquista do que o outro. O invejoso não agüenta ter uma outra pessoa invadindo seu território, que em sua lassidão, deixou de ocupar, por pura incapacidade e ou inércia. O invejoso é capaz de boicotar, de fofocar de fazer armadilhas, a fim de destruir o outro.
Quer provar, ao menos para si mesmo, que ele é melhor. Mas no seu íntimo, sente-se menor do que os outros, aumenta, se vangloria, enaltece a si mesmo, pois dessa forma abranda o mal-estar do desequilíbrio. Fala excessivamente bem das próprias coisas, procurando diminuir o outro através de crítica. Não percebe muitas vezes suas frustrações, é como se nem existissem, porque logo está de prontidão, pronto para realizar mais um feito de diminuição, descaracterização, burlando suas próprias angústias.
Geralmente, as mulheres exteriorizam mais esse sentimento do que os homens. Estes, procuram outras saídas na exteriorização desse sentimento.
Você com certeza já ouviu frases (ou pensamentos) assim vindas do homem (o que não significa que não venham de uma mulher também):
"Nossa, que bonito carro, gostaria de ter um assim!"
"Que trabalho interessante, queria tê-lo feito!"
"Olha só, que namorado(a) lindo(a), podia ter a mesma sorte!"
Se a surpresa diante de algo, for digna e generosa, não há inveja destrutiva. Trata-se apenas de um incentivo, um grande estímulo para que nos empenhemos em adquirir novas virtudes, produzir melhores trabalhos, realizar melhores conquistas amorosas.
Talvez esse processo todo venha da convivência no ambiente familiar, onde comparações são freqüentes, sem contar com a sociedade, que propaga na mídia processos comparativos, entre as várias marcas apresentadas.
A melhor solução pode estar na forma de utilizar e de encarar a inveja, que, visualizada em termos comparativos pessoais de evolução, do antes e depois, do ontem e do hoje, deixa de ser inveja destrutiva para ser uma inveja de auto-estímulo. Ou seja, o padrão de comparação deixa de ser externo e passa a ser interno.
Aqueles que sabem fazer o bom uso da inveja, utilizam frases assim:
"Nossa, que bonito carro. O meu também me conduz, antes andava a pé!"
"Que trabalho interessante. Eu posso aprender com ele, antes nem sabia como fazer!"
"Que namorado(a) lindo(a). A minha é tão companheira, antes me sentia só!"
O objeto de desejo, só nos dá satisfação, quando a conquista é nossa, e não quando é feita em cima da conquista do outro. Destruir o outro, não fará você chegar aonde o outro chegou. Sua personalidade, desejos, características não são iguais as das outras pessoas, então não adianta usar as demais pessoas como medidas para a vida que é SUA.
texto:Marcia Homem de Mello é psicóloga
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sentimentos ruins
terça-feira, 5 de junho de 2012
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