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terça-feira, 28 de julho de 2009

Não entendo



"Não entendo. Isso é tão vasto que ultrapassa qualquer entender. Entender é sempre limitado. Mas não entender pode não ter fronteiras. Sinto que sou muito mais completa quando não entendo. Não entender, do modo como falo, é um dom. Não entender, mas não como um simples de espírito. O bom é ser inteligente e não entender. É uma benção estranha, como ter loucura sem ser doida. É um desinteresse manso, é uma doçura de burrice. Só que de vez em quando vem a inquietação: quero entender um pouco. Não demais: mas pelo menos entender que não entendo."

Clarice Lispector



fonte: Um Sopro de Vida
foto: Lilya Corneli

quarta-feira, 14 de março de 2007

Luluzinha e a ingenuidade dos anos 40

A menina de vestido vermelho é sapeca e não mede muito a conseqüência dos atos que faz. Mesmo assim, mantém um ar de ingenuidade, algo perdido com a invasão dos mangás. Há muito dessa inocência em "Luluzinha - O Piquenique", álbum lançado nesta semana (Devir, R$ 23).

Numa das histórias, Bolinha decide fugir de casa. Vai para o México. Para não morrer de fome, o comilão leva onze bananas, uma torta de maçã e uma caixa de caramelos. "Esses caramelos vão ser uma mão na roda se eu precisar negociar com os nativos ou algo assim".

Luluzinha tenta convencer o amigo a não fugir para o México (de patins). Ela rasga a página do Atlas onde consta o país. Bolinha olha... e acredita que o México não está mais lá. Fim da viagem.

A edição apresenta histórias publicadas no fim da década de 40 no título "Marge´s Little Lulu". O título começou a circular em 1945. Foi uma resposta à crescente popularidade de Luluzinha, que tinha sido criada dez anos antes pela cartunista Marjorie (Marge) Henderson Buell para a revista "The Saturday Evening Post".

O sucesso, no entanto, não é de Marge, mas de John Stanley, que fazia as histórias para a revista, que circulou até 1984. É dele a definição da personalidade de Lulu, Bolinha e dos outros personagens da turma.

É Stanley quem assina os textos da coletânea. A arte ficou a cargo de Irving Tripp, que deu um sutil toque pessoal aos personagens, principalmente à dupla Luluzinha e Bolinha, que começou a ser publicada no Brasil nos anos 50 em revistas da editora de "O Cruzeiro".

"Luluzinha - O Piquenique" é a terceira coletânea da personagem lançada pela Devir. A primeira é de junho do ano passado. A editora programou outros três álbuns para este ano. E descobriu um novo filão: o do adulto que gosta de rever histórias que lia quando criança.


fonte:Blog dos Quadrinhos
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