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terça-feira, 30 de outubro de 2007

Cemitério em Buenos Aires é abrigo de gatinhos

Buenos Aires - Recoleta



Um dos bairros mais conhecidos internacionalmente, a Recoleta é imperdível, seja por seus cafés, bares, feira de artesanato ou até mesmo pela noite, dedicada ao público jovem. Imitando Paris, possui grandes áreas verdes e fachadas em estilo francês.



Apesar de ter perdido um pouco no setor de diversão para Porto Madero, o charmoso bairro ainda concentra algumas construções de época e uma das ruas mais caras do comércio portenho.



A feira de antiguidades, localizada na praça da Recoleta, é ponto de parada obrigatória.



E, mesmo que possa parecer mórbido, entrar no cemitério da Recoleta é uma atração, no mínimo, pitoresca. Lá estão enterradas as principais figuras da história argentina, entre elas, a talvez mais famosa, Eva Perón. Lá, estão personalidades enterradas de 1862 a 1930.



Há visitas guiadas que podem ser agendadas na frente do cemitério. Você pode entrar à toa no local, mas dificilmente vai encontrar os túmulos, pois o local é imenso. As visitas duram 90 minutos e custam 3 pesos, e acontecem sempre aos sábados e domingos, às 16h, com saída do portão principal do cemitério.



É lá que fica o Hard Rock Café argentino, com sua lojinha de camisetas, bonés e moletons famosos que circulam por aí.



O bairro também abriga o Museu Nacional de Belas Artes, recheado de novidades e instalações em sua volta, prédios e monumentos e a embaixada do Brasil.




fonte:Folha Online e UOL Bichos

terça-feira, 14 de agosto de 2007

Fotos de Horacio Coppola no Instituto Moreira Salles

Mostra revisita passado portenho


Numa tarde chuvosa do final dos anos 20, o fotógrafo Horacio Coppola e o escritor Jorge Luis Borges faziam um de seus usuais passeios pelas ruas da capital portenha. Coppola parou diante de uma poça. Ajustou a câmera e disparou. No espelho d'água, estava refletida a silhueta de uma casa do bairro de Palermo. Quando viu a foto do amigo revelada, Borges pontificou: "Isso é Buenos Aires".



A mostra "Visões de Buenos Aires", que será inaugurada amanhã no Rio de Janeiro e virá a São Paulo em novembro, reúne as melhores imagens do fotógrafo e cineasta Horacio Coppola, hoje com 101 anos. A maior parte das fotos foi tirada entre os anos 20 e 30 e integrou um álbum comemorativo dos 400 anos da cidade, feito por encomenda para o governo argentino, em 1936.



Estão ali o célebre bairro da Boca, a avenida de Mayo, o paseo Colón e a calle Corrientes, num momento especial da história argentina. A retomada do crescimento industrial e a chegada de migrantes transformavam Buenos Aires em uma fervilhante metrópole. Nela se vêem ruas de comércio apinhadas, gente elegante subindo e descendo de bondes ou simplesmente parada na frente de teatros, na beira das fontes ou no fundo dos cafés.



"Coppola tinha uma vocação para a síntese, uma preocupação com a geometria que são sinais de sua modernidade estética", disse à Folha o professor de literatura hispano-americana da USP Jorge Schwartz, curador da exposição. "Vistas hoje, as fotos mostram como Buenos Aires sempre foi uma cidade atípica, que captou o tempo vivido", diz o estudioso, que também nasceu na Argentina.



Os personagens retratados por Coppola refletiam a intensa transformação da sociedade, numa década que começara com um golpe militar, mas mostrava uma surpreendente recuperação econômica. A cidade via crescer a agitação de grupos sindicais e de militantes anti-fascismo, que se alimentavam da repercussão dos resultados da Guerra Civil Espanhola. Enquanto surgiam editoras, revistas, e a vida intelectual ganhava novo fôlego diante do fantasma dos totalitarismos, morria Carlos Gardel, encerrando um ciclo no universo cultural do país.



Coppola passou um tempo na Europa, onde estudou na Bauhaus. De volta à sua cidade natal, passou a integrar o grupo de artistas que se reunia em torno da figura de Victoria Ocampo e da revista "Sur". Foi então que passou a conviver mais com Borges. "A influência do escritor foi marcante para que ele passasse a prestar mais atenção aos subúrbios, aos bairros afastados do centro", diz Schwartz.

Parte dessa preocupação também está nas imagens da mostra: esquinas silenciosas, os barcos ancorados na Boca ou as luzes da noite portenha refletidas na água esparramada pelas chuvas. Coppola mora hoje em seu velho apartamento na calle Esmeralda, e sai pouco de casa.

Fez questão de comparecer, porém, à homenagem que o Malba (Museu de Arte Latino-Americana de Buenos Aires) lhe fez em julho do ano passado, no seu aniversário de cem anos. Na ocasião, o fotógrafo explicou sua fórmula de longevidade em entrevista ao jornal "La Nación". "Vivo num estado de permanente contemplação, essa é uma das razões da minha existência e, sobretudo, da minha felicidade."


fonte:Folha de S.Paulo
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