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quarta-feira, 28 de fevereiro de 2007

Arte contra a violência

Obra de Portinari é liberada para campanha anti-violência



A família do pintor Cândido Portinari abriu mão dos direitos autorais sobre cinco mil obras do artista desde que elas sejam utilizadas em mensagens contra a violência. A idéia é lembrar a morte do menino João Hélio Fernandes, de 6 anos, que foi arrastado por quatro bairros do Rio por um carro que assaltantes roubaram da mãe dele, Rosa Fernandes Vieites. O garoto ficou preso ao cinto de segurança.

"Mesmo na festa máxima (o carnaval), não se pode ficar calado sobre uma coisa como esta. Não podemos deixar que isso caia no esquecimento", disse João Cândido Portinari, filho do pintor e diretor do Projeto Portinari da PUC-Rio.

Na terça-feira de carnaval, o filho do pintor mandou um e-mail para mais de 2.100 pessoas da lista de endereços eletrônicos do projeto Portinari com três desenhos que o pai fez para os painéis Guerra e Paz, obra do pintor que está na sede da Organização das Nações Unidas (ONU) em Nova York. Dois painéis retratam mães com filhos mortos no colo. Sobre a cópia de uma dessas gravuras, João Cândido colou uma foto de João Hélio no local do rosto da criança.

"As imagens que meu pai fez sobre a guerra são de um impacto tão dramático que acho que dizem mais que palavras. E as pietás, as mães com os filhos no colo, são mães universais. Poderia ser qualquer mãe", disse João Cândido ao Estado.

Ele contou que ouviu no rádio a mensagem do publicitário Nizan Guanaes sobre o assassinato de João Hélio, que, depois de descrever o brutal assassinato, pergunta: "E aí... nós não vamos fazer nada?". Ficou imaginando então o que ele poderia fazer.

"Pensei que o que está ao meu alcance é ceder os direitos autorais dessas cinco mil imagens do nosso site contanto que sejam usadas nesse protesto", disse. "Era minha obrigação. É pouquíssimo. Mas se cada um fizer sua parte, quem sabe a gente consegue mudar isso", disse.

João Cândido considera o problema da violência "de extrema complexidade". Acha que ele exige a união de todos e o trabalho de especialistas. "Evidente que a decisão depende das autoridades. Elas estão sempre às voltas com milhares de problemas e é preciso haver pressão da sociedade, para que dêem prioridade a isso", afirmou.


fonte:Blog do Noblat e Estadão
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