O fungo Batrachochytrium dendrobatidis
invade a mata atlaântica
invade a mata atlaântica
Como se os anfíbios da mata atlântica já não tivessem problemas suficientes, o fungo que está sendo considerado um dos principais responsáveis pelo desaparecimento de muitas espécies do grupo acaba de ser identificado em várias áreas do ecossistema mais ameaçado do Brasil.
Os dados, levantados por pesquisadores do Brasil e da Costa Rica ao analisar exemplares de sapos, rãs e pererecas preservados em museus, indicam que pelo menos cinco espécies da mata atlântica já estão contaminadas pelo fungo parasita Batrachochytrium dendrobatidis.
Embora peça cautela ao interpretar os resultados, Ana Carolina Carnaval, pesquisadora da Universidade da Califórnia em Berkeley que coordena o estudo, diz que se trata de "um alerta, um sinal amarelo". A urgência pode ser ainda maior quando se leva em conta que parece haver uma correlação entre o aquecimento global e a expansão do fungo pelo mundo. "Os dados disponíveis no Brasil são condizentes com a idéia da interação fungo-clima levando a declínios populacionais, ainda que não a comprovem", diz ela.
No dia 11 de janeiro uma notícia da AFP falava sobre um estudo publicado no semanário científico britânico Nature, onde revelava que o aquecimento global havia varrido da face da Terra dois terços das espécies de sapos que habitam as florestas tropicais da América Central.
Que 67% das 110 variedades do sapo harlequim e do sapo dourado desapareceram da América tropical nos últimos 20 anos. Os autores acusam esse fungo,'Batrachochytrium dendrobatidis', que se desenvolve na pele do sapo e, eventualmente, mata o anfíbio.
O estudo chefiado por Alan Pounds, da organização de Preservação da Floresta Tropical Monteverde, na Costa Rica afirma que episódios de fungos estão claramente ligados com o aquecimento global causado pelo homem.
Uma questão importante é saber por que esse extermínio está ocorrendo para muitas espécies que vivem em hábitats quase intocados pelo homem. As suspeitas recaíram na mudança climática, mas não há evidências científicas para provar este vínculo.
"Com as mudanças climáticas promovendo doenças infecciosas e corroendo a biodiversidade, a urgência de reduzir as concentrações de gases causadores de efeito estufa agora é irrefutável", diz o artigo.
"(...) Com a elevação das temperaturas, as flutuações do clima podem cruzar o limiar de alguns patógenos, causando surtos. Espera-se que muitas doenças se tornem mais letais ou se espalhem mais rapidamente à medida que a Terra esquentar", continua.
fonte: Folha Online e AFP





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